Divina Misericórdia

Divina Misericórdia é uma forma de compaixão da parte de Deus, um ato de graça baseado na confiança ou no perdão. No catolicismo se refere especificamente a uma devoção que teve a sua origem nas aparições de Jesus recebidas por Santa Faustina Kowalska, no início do século XX, na Polónia.

Pintura associada ao culto da Divina Misericórdia e que se tornou conhecida em todo o mundo.

EtimologiaEditar

Na Bíblia, misericórdia divina vem da palavra hebraica chesed, que pode ser traduzida como "grande misericórdia", "boa bondade", "benevolência", "amor constante", "aliança fidelidade", "favor", " graça" ou "amor e misericórdia".[1]

DoutrinaEditar

Antigo TestamentoEditar

A palavra hebraica rah'amim ( 'רחמים' ) denota um ato de graça baseado na confiança, em um relacionamento mútuo entre duas pessoas que têm obrigações a cumprir resultantes de seus compromissos.[2]

Novo TestamentoEditar

No Sermão da Montanha, Jesus Cristo disse dos misericordiosos que eles receberão misericórdia de Deus e deu exemplos na parábola do Bom Samaritano e na parábola do Credor Incompassivo.[3]

CatolicismoEditar

 
Santa Faustina Kowalska foi a vidente de Jesus Misericordioso.

A divulgação do culto à Divina Misericórdia se deve a Santa Faustina Kowalska, considerada uma das grandes místicas cristãs da Igreja Católica. Em seu Diário, a religiosa relatou ter recebido instruções de Jesus, através de aparições, para que desse a conhecer ao Mundo a Sua Misericórdia.

Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha Misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu Misericordioso Coração. [...] Quanto maior for a miséria, tanto mais direito tem à Minha Misericórdia, e [incita] todas as almas à confiança no incompreensível abismo da Minha Misericórdia, porque desejo a todas, salvá-las. A fonte da Minha Misericórdia foi na cruz aberta com a lança para todas as almas − não excluí a ninguém. [...] Quando uma alma se aproxima de Mim com confiança, encho-a com tantas graças, que ela não pode encerrá-las todas em si mesma e as irradia para as outras almas. As almas que divulgam o culto da Minha Misericórdia, Eu as defendo por toda a vida como uma terna mãe defende seu filhinho.
Diário 1588, 1182, 1075

O processo de beatificação desta religiosa se iniciou por iniciativa do, então, Cardeal Arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtila, e, posteriormente, foi canonizada pelo mesmo bispo, já enquanto Papa João Paulo II.

Elementos da devoçãoEditar

Segundo os católicos, Jesus Cristo não apenas ensinou à Irmã Faustina Kowalska os pontos fundamentais da confiança e da misericórdia para com os outros, mas também revelou maneiras especiais para vivenciar a resposta à Sua Misericórdia. A isso chamam de devoção à Divina Misericórdia. A palavra "devoção" significa o cumprimento das nossas promessas. É uma entrega da vida ao Senhor, que é a própria Misericórdia. Entregando a vida à Divina Misericórdia - ao próprio Jesus Cristo - a pessoa se torna instrumento da Sua Misericórdia para com os outros, assim podendo vivenciar o mandamento Bíblico:

«Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso.» (Lucas 6:36)

Acreditam ainda, que, através da Irmã Faustina Kowalska, Jesus Cristo deu aos fiéis meios especiais de fazer uso da Sua Misericórdia:

  1. a Imagem de Jesus Misericordioso com a inscrição Jesus, eu confio em Vós
  2. o Terço da Divina Misericórdia;
  3. a Festa do Domingo da Divina Misericórdia;
  4. a Oração das três horas da tarde (em memória da hora da Sua Paixão e Morte);
  5. divulgando a devoção à Divina Misericórdia.

Esses meios especiais são, segundo os devotos, um acréscimo ao Sacramento da Eucaristia e da Reconciliação que foram dados à Igreja.

Festa da MisericórdiaEditar

 
O Papa Francisco a celebrar a santa missa diante da imagem de Jesus Misericordioso nas Jornadas Mundiais da Juventude (2016).

O Papa João Paulo II, em 2000, instituiu a Festa da Misericórdia para toda a Igreja, decretando que a partir de então o Segundo Domingo da Páscoa se passasse a chamar Domingo da Divina Misericórdia. Segundo os cristãos, por meio desta apóstola da Misericórdia, a Irmã Faustina Kowalska, Jesus prometeu:

Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia; derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão total das culpas e das penas. [...] Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha Misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha Misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, o Meu amor e a Minha Misericórdia. [...] A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha Misericórdia.
Diário 699[4][5]

Terço da Divina MisericórdiaEditar

 
A primeira imagem de Jesus Misericordioso que foi pintada por Eugeniusz Kazimirowski (1934).
 Ver artigo principal: Terço da Divina Misericórdia
  • Orações iniciais:

Pai Nosso... Ave Maria... Credo...

  • Nas contas grandes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso muito amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo,
em expiação dos nossos pecados e dos pecados de todo o mundo.

  • Nas contas pequenas:

Pela Sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós e de todo o mundo.

  • No final de cada dezena:

Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós: Eu confio em Vós!

  • Oração final (reza-se três vezes):

Deus Santo, Deus Forte, Deus imortal, tende piedade de nós e de todo o mundo.

Leituras recomendadasEditar

Ver tambémEditar

Os apóstolos da Divina Misericórdia:

Outros Rosários/Terços:

Ligações externasEditar

Referências

  1. Harris, R. Laird; Archer, Jr., Gleason L.; Waltke, Bruce K. «hesed.». Theological Wordbook of the Old Testament. 1. [S.l.: s.n.] p. 307 
  2. Gerhard Kittel, Gerhard Friedrich, Geoffrey W. Bromiley, Theological Dictionary of the New Testament: Abridged in One Volume, Wm. B. Eerdmans Publishing, USA, 1985, p. 222
  3. Gerhard Kittel, Gerhard Friedrich, Geoffrey W. Bromiley, Theological Dictionary of the New Testament: Abridged in One Volume, Wm. B. Eerdmans Publishing, USA, 1985, p. 223
  4. Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso
  5. Devoção a Misericórdia Divina