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Dobragem em Portugal

  Dobragem somente para crianças — nos restantes utilizam-se legendas.
  Zonas mistas — países que, ocasionalmente, utilizam um elenco completo para a dobragem e nos restantes casos utilizam legendas.
  Voz sobreposta — países que, geralmente, utilizam um ou mais atores de voz que se sobrepõem à banda sonora original.
  Dobragem generalizada — países que, exclusivamente, utilizam um elenco completo para a dobragem de filmes e telesséries.
  Bélgica: A região de língua holandesa ocasionalmente produz versões de dobragem de dialeto próprio, caso contrário, apenas legendas. A região de língua francesa usa exclusivamente uma dobragem completa, tanto para filmes quanto para séries de TV.
  Países que, ocasionalmente, produzem dobragens próprias, embora, também, utilizem versões dobradas de outros países por se tratarem de idiomas semelhantes e o público compreendê-las sem dificuldade. (Bielorrússia e Eslováquia)

Em Portugal não existe uma grande tradição de dobragem - ao contrário do que acontece na vizinha Espanha e com a maioria dos países da Europa Ocidental -, sendo que esta foi limitada, ao longo do tempo, quase em exclusivo aos filmes de animação infantil e ainda o é assim, praticamente, nos dias de hoje.[1]

HistóriaEditar

A dobragem chegou a Portugal em 1936, numa época em que o cinema português lograva estimulantes resultados.[2] A primeira dobragem nacional ocorreu no filme francês O Grande Nicolau, do realizador Charles-Félix Tavano. Neste projeto associaram-se a distribuidora Filmes Império e a Tobis Portuguesa, com o apoio da congénere francesa, contando com as vozes de vedetas do cinema português à época, tais como Vasco Santana, Hortense Luz, Rafael Marques e Francisco Ribeiro. A estreia ocorreu em janeiro de 1936, em Lisboa e no Porto, com assinalável sucesso de público. Todavia, pelo facto de a publicidade - referindo, embora, tratar-se de dobragem - salientar a participação das vedetas atrás referidas, parte do público protestaria por não os ver em ação.[2]

Todavia, a modalidade não vingou, sobretudo por incapacidade tecnológica e por deficiências de sincronização, além da escassa rendibilidade económica.[2] Assim, a quase totalidade do audiovisual passou a ser legendada, exceptuando os filmes, que eram exibidos e comercializados com a dobragem vinda do Brasil.[1]. Em 1948, uma lei do Governo Salazar proibiu a dobragem portuguesa (europeia) em filmes, no intuito de defender a indústria cinematográfica portuguesa.

Em 1961, as dobragens portuguesas para a televisão portuguesa foram autorizadas exclusivamente apenas para publicidade, mas estava pendente de um regulamento que nunca existiu.

Mais tarde, em 1966, passou a ser autorizada também para programas infanto-juvenis. A primeira série de desenho animado que a RTP decidiu apostar para iniciar essa autorização foi O Carrosel Mágico, com os atores João Perry, Luís Horta e Maria de Lurdes de Carvalho a emprestarem as suas vozes aos bonecos, fazendo muito sucesso entre o público infantil. Depois disso, o canal estatal parou com as dobragens das animações até ao fim do Estado Novo. Depois do fim do Estado Novo (em 1974), a RTP reinicia a aposta, desta vez com alguns animes nipónicos.

Em 1994, a Disney decidiu apostar O Rei Leão para ser a primeira longa-metragem a ser dobrada em português europeu.[1] Esta aposta revelou-se um sucesso, em parte pela cuidadosa escolha do elenco no casting, o que levou a que, a partir de então, todos os filmes da Disney exibidos em Portugal utilizassem a dobragem portuguesa. De salientar que no início ocasionalmente utilizava-se as dobragens brasileiras em filmes lançados diretamente em vídeo (como a "Branca de Neve" ou o "Pinóquio") . Mais tarde, nas reedições da maioria dos filmes anteriores a O Rei Leão começou-se a utilizar a dobragem portuguesa, que nesses casos apenas se procedeu a uma adaptação dos diálogos da dobragem brasileira.

Depois da Disney, gradualmente a dobragem portuguesa nos filmes de animação e infanto-juvenis foi se estendendo a outros estúdios como a Warner Bros., Dreamworks, Fox. Na Fox, não existe a mesma tradição. O primeiro filme a ser apostado foi Os Simpsons: O Filme para ser lançado diretamente em vídeo. Já na televisão, e tratando-se de um filme para adultos, foi emitida na versão original para enquadrar o público infantil o menos possível. Para a televisão, as primeiras temporadas de Friends, que chegaram a ser emitidas na RTP1, ainda nos anos 90, com dobragem portuguesa. Posteriormente, foi decidido manter a versão original, regressando mais tarde à RTP2 com legendas em português.

Atualmente a dobragem está em franca expansão em Portugal,[1] principalmente em séries e filmes juvenis e documentários que dantes não eram dobrados.

A dobragens no pequeno ecrãEditar

Canais Generalistas TDTEditar

Antes de setembro de 2006, os primeiros canais estavam autorizados a pagarem dobragens portuguesas para filmes e séries. Mas em 13 de setembro de 2006 tudo mudou quando as estações públicas e privadas (RTP, SIC e TVI) criaram e assinaram um Sistema de Classificação de programas de Televisão em Portugal, que também serve para pais e educadores averiguarem o conteúdo e protegerem o educando. Nesse ponto, ficam estabelecidos vários critérios e um deles passa pela decisão de dobragem ou legendagem.

Desta forma, os filmes e séries do estrangeiro com publico-alvo até aos 9 anos de idade são normalmente apresentados numa rubrica infantil (como o Zig Zag) ou em horário nobre, mas com a condição de ganhar a classificação "T" (todas as idades) e de passarem antes das 22h30. Os programas estrangeiros que ganham classificação "10 AP" (inadequado para menores de 10 anos) são emitidos com legendas, sendo exemplo disso as séries The Simpsons ou o Bob's Burgers.

Nas edições de Telejornal, a RTP fez até 2006 locuções às personalidades estrangeiras. Depois disso passou a legendar e passaram apenas a narrar. Nas reportagens e nas entrevistas ao público utilizam-se legendas, exceptuando as edições e conexões ao canal Euronews, onde um locutor traduz também o que o entrevistado está a dizer.

Canais por caboEditar

Os canais da televisão por cabo destinados ao público infanto-juvenil são, neste sentido, os grandes promotores de dobragens em Portugal, devido às especificidades do seu público-alvo. O Canal Panda, o Biggs, o Disney Channel, o Nickelodeon, a SIC K, o Cartoon Network, o Boomerang e o JimJam dobram os desenhos animados e os live-actions.

A par destes canais, nos últimos anos, os canais de exibição de documentários, como o Canal de História ou o Canal Odisseia têm, também, realizado algumas dobragens de programas sobre factos históricos, ciência, tecnologia e/ou vida animal. Contudo, apesar destas introduções, é possível afirmar, de um modo geral - ainda que não haja fontes oficiais sobre o assunto - que a maioria dos portugueses prefere ver os filmes, séries e documentários estrangeiros legendados ao invés de dobrados em português, uma vez que consideram que a dobragem retira caráter à produção original.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b c d Picareta, Sara (12 de março de 2009). «A realidade das dobragens em Portugal». Público. Consultado em 3 de junho de 2015. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2012  |wayb= e |arquivodata= redundantes (ajuda); |wayb= e |arquivourl= redundantes (ajuda); |urlmorta= e |li= redundantes (ajuda)
  2. a b c «A Dobragem - Uma Aposta Perdida». Instituto Camões. Consultado em 3 de junho de 2015 
 
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