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Porto de Dudinka
Porto de Dudinka

Dudinka (em russo: Дуди́нка ) é uma cidade no Krai (província) de Krasnoyarsk, na Rússia.

Foi o centro administrativo do Okrug (distrito) Autônomo da Taymyria, que foi assimilado pelo Krai de Krasnoyarsk em 1 de janeiro de 2007. É um porto no rio Ienissei, acessível a navios marítimos.

A cidade foi fundada em 1667 como uma colônia de inverno, e recebeu o status de cidade em 1951. Dudinka é a terra natal da famosa poetisa russa Olga Martynova.[carece de fontes?]

Dudinka e Dikson no estuário do rio Ienissei

O porto de Dudinka processa mercadorias e as envia para a mineradora MMC Norilsk Nikel e despacha metais não-ferrosos, carvão and minério. Em 1969 o gasoduto Messoyakha-Dudinka-Norilsk foi inaugurado. A população é de 25.132 pessoas, de acordo com o censo russo de 2002, e a cidade é servida pelo pequeno Aeroporto de Dudinka.

Índice

HistóriaEditar

Como em muitos outros lugares da Rússia, os pioneiros destas terras foram aqueles que tiveram a "sorte" de não ser fuzilados, mas condenados a trabalhos forçados, em autênticos campos de concentração. Os mais sortudos chegavam aqui durante o curto verão por rio ou a pé. Delinquentes comuns não eram enviados para lá.

A pequena ilha próxima que mantinha a prisão preferida de Stalin se chama Norlag, local de repressões do sanguinário ditador. Primeiro chegaram os oficiais das repúblicas bálticas; depois os poloneses. Foram os presos que com picareta e , no meio do perpétuo congelamento, construíram as primeiras pedreiras, a fábrica e a velha cidade. No meio do frio polar trabalhavam mal vestidos 12 horas diárias, para depois ir 'descansar' nos barracões, tiritando de frio. Somente as raras cervejas russas aplacavam por momentos o gélido destino.

EconomiaEditar

Graças em grande parte a empresa Norilski Nikel, o todo-poderoso grupo industrial que tudo controla por lá, a região fica apta até para viver.

Evidente que as enormes riquezas naturais do subsolo justificam a presença do homem em condições tão desumanas. Toda comunicação com o "continente", como chamam em Dudinka todo o resto da Rússia, é feita por cabo marítimo, fluvial e aéreo. Para transportar os metais que produz, o gigante industrial construiu toda uma frota de quebra-gelos e navios de transporte capazes de navegar ente as geleiras durante a maior parte do ano.

Durante o breve verão, a frota fluvial se encarrega de transportar tudo o que for necessário para a vida durante o longo inverno pelo rio Yenisei até o porto de Dudinka, que junto com a ferrovia local também pertence ao grande grupo empresarial.

A empresa também se encarrega do descanso de seu pessoal, que desfruta de férias de 90 dias por ano, e o montante de seus programas sociais chega a três bilhões de rublos (cerca de 80 milhões de euros). Além do enorme hotel Zapoliarie (Transpolar), o melhor do balneário russo de Sochi (!) nas margens do Mar Negro e propriedade do consórcio, cobre grande parte da despesa de férias de seus trabalhadores. Deste modo, duas semanas na Bulgária custa para um operário da empresa o simbólico preço de 1.500 rublos (menos de 40 euros), e duas semanas nas praias da Espanha valem junto com o voo cerca de 12 mil rublos (300 euros).

EnergiaEditar

Salvo pelas provisões de alimentos, e nem todos, Dudinka e Norilsk são praticamente cidades autossuficientes. As centrais elétricas geram energia, o gás e o petróleo são extraído de jazidas locais e processados em plantas que também pertencem à indústria.

CuriosidadeEditar

Em 1966, com tensões da Guerra Fria fervendo entre os Estados Unidos ea URSS, um GAMBIT 1 (KH-7) satélite espião, observou intensamente a cidade onde acreditaram localizar uma estação retransmissora troposférica, provavelmente parte de uma rede de comunicações militares muito maior. Ainda foram divulgadas diversas fotografias mostrando grande movimentação de navios militares e de transporte, assim como identificados diversas edificações militares de propósito nunca revelado.

Sua referência no jogo de tabuleiro Risk trouxe sua existência para o resto do mundo, mas de fato qualquer informação a seu respeito passa por desconhecida. Ironias em relação a ela se desenvolveram a partir de sua inserção no mundialmente conhecido jogo de tabuleiro, provavelmente causadas pela localização, morfologia da própria nomenclatura e pronúncia em idiomas de origem latina e anglo-saxã.

Consumo de cervejaEditar

A dominação e força das legiões do Império Romano impôs ao mundo a prática do consumo do álcool na forma de vinho, mas não se impôs aos povos que ficaram fora do Império. A cerveja permaneceu a bebida eleita nas regiões nórdicas. Já no leste europeu, e regiões isoladas com as estepes e o ártico, e terras ácidas, providas de centeio e aveia, o kvass, tipo de cerveja obtida pela fermentação destes cereais, ancorou-se nos hábitos dos camponeses eslavos. A tradição do kvass familiar e campesino mantém-se ainda hoje um pouco por toda a Rússia e países ex-soviéticos.

Cerveja russa (pronunciado em russo como "Pivo") ocupa o segundo lugar na tabela de bebidas alcoólicas após a Vodka, que é bebida alcoólica indiscutível # 1 na Rússia. Mas a maioria dos russos consideram que é uma bebida saudável, menos prejudicial e quase não alcoólicas alternativa.

Curiosa é a forma como os russos classificam a cerveja, que não é pela fermentação, mas sim pela cor. Assim temos cervejas Claras, vermelhas (semi escuras) e escuras. Ainda existe a mais popular e preferida no norte gélido do país que é a super forte, geralmente entre 6 e 10% de álcool. Cada região da Rússia é conhecida por ter a sua própria cervejaria, e os habitantes são conhecidos pelo alto consumo de álcool, que é de 18l (puro) por ano.

O frio extremo da região justifica o consumo de álcool, sendo as cervejas fortes apreciadas como bebida leve a substituir a vodka. Para o paladar ocidental as cervejas super escuras são bebidas em temperatura considerada quente, e é uma ofensa aos moradores pensar em resfriá-las. De fato sabor e corpo das mais simples cervejas são surpreendentes, exatamente o que se espera consumir em local tão inóspito e frio.

GeografiaEditar

Dudinka, e a sua vizinha Norilsk, são dos poucos lugares do mundo onde uma pessoa pode perguntar se é de dia ou de noite e fazer sentido. Três meses por ano, de novembro a fevereiro, o sol não nasce por lá e somente a aurora boreal rompe a escuridão da longa noite. Em troca, de maio a junho o sol não desaparece do horizonte e é sempre dia. O clima é caracterizado pelo frio intenso no inverno e frio ameno no verão. Nas demais estações, chove.

O longo dia acaba não sendo menos difícil para o ser humano que a noite interminável, aos quais se somam os ventos e o frio quase eterno. "E o verão, é quente?". "Sim, mas este ano caiu em um dia de trabalho", respondem com bom humor os habitantes, onde a temperatura média de verão "quente", é de 15ºC. Claro, o senso de humor é obrigatório para sobreviver na Dudinka, como o melhor remédio para evitar a doença que os médicos chamam de síndrome de tensão ártica.

PopulaçãoEditar

A arrasadora maioria da população é jovem, que chega atraída pela possibilidade de fazer uma rápida carreira profissional e gozar de condições econômicas que dificilmente conseguiria em outra parte da Rússia. Uma vez lá, começam a trabalhar para preparar sua volta ao "continente" (a parte europeia do país). Com este fim o consórcio investe na construção de casas na Rússia Central. Para conseguir um apartamento em outra cidade basta trabalhar agradáveis dez anos na Dudinka ou em Norilsk.

TransportesEditar

Os ônibus de lá são especiais e capazes de continuar em funcionamento no meio de qualquer tempestade. Fez-se muito para que a vida nesta inóspita região seja menos desagradável e alguém ainda habite o local onde o consumo de cerveja forte é alto e plenamente justificado para os moradores, para que a vida se mantenha aquecida.

TurismoEditar

Para a primeira viagem a Dudinka ou Norilsk, onde já em outubro a temperatura pode chegar a -30ºC deve-se carregar a bagagem de roupa térmica, peças grossas de lã etc. E mesmo assim não adianta porque vai passar mal no destino, pois em cada casa, escritório, em cada local que entre encontrará homens de camisetas de manga curta e mulheres com vestidos de verão. Existe sempre o forte calor artificial de aquecedores que invade toda a cidade, apesar das casas serem erguidas sobre o gelo perpétuo, que se estende sob seus alicerces até cerca de 100 metros de espessura.

A exceção é a rua, onde as temperaturas atingem às vezes os -60ºC com ventos absurdos. Certo é que a rua é adaptada como em nenhum outro lugar da Rússia para proteger o transeunte das inclemências árticas. Os prédios têm forma de quadrado, para proteger os pátios interiores do vento, e sob os arcos que levam para dentro das edificações há varandas que ajudam a suportar as investidas dos furacões árticos.

Na vizinha Norilsk há uma cafeteria que se chama El Cocotero, o centro recreativo leva o nome africano, as aulas de salsa e danças hindus nunca saem de moda, e escondidos entre as peles dos gorros e abrigos com frequência se veem rostos bronzeados, pois os solários (salas de raios UVA) são um dos negócios mais prósperos.

O otimismo de alguns é tal que inclusive transformaram o lago local Dolgoye, situado entre a cidade e a zona industrial, em uma autêntica praia, onde se toma banho quase com qualquer tempo. Até pouco tempo o lago recebia despejo químicos da central elétrica, mas nos últimos anos as autoridades melhoraram a ecologia da região. Como resultado, para 2015 se prevê reduzir em quatro (não sei o que...) o nível de contaminação industrial. Aí sim, deve ficar ótimo para um mergulho!

Mais de 200 pessoas integram o clube "Morsas de Taymir", capazes de ficarem nus a -50ºC e mergulhar nas águas, abertas a machadadas na grossa carapaça de gelo que cobre o lago. Um deleite! Um mergulho no lago gelado espanta o mal, segundo seu presidente Gennady Aksionov, que fica muito contrariado se o visitante se negar a experimentar.

"Veio até aqui e não vai mergulhar? Aqui se banha gente desde um ano de idade e até os 70. Por que veio então?", pergunta Gennady.