Rui Gomes da Silva, príncipe de Éboli

nobre português influente na corte espanhola
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Rui Gomes da Silva (Ruy Gómez de Silva, em castelhano; Chamusca, 27 de Outubro de 1516Madrid, 29 de Julho de 1573), príncipe de Éboli, duque de Pastrana, de Francavila e de Estremera, conde de Melito e Grande de Espanha, foi um dos principais validos de Filipe II, rei de Espanha, assumindo o lugar de seu camareiro-mor e um papel capital na política espanhola do século XVI.[1]

Rui Gomes da Silva
1.º príncipe de Éboli, 1.º duque de Estremera, 1.º duque de Pastrana, grande de Espanha e senhor de Chamusca e Ulme
Retrato do Príncipe e Princesa de Éboli
Consorte de Ana de Mendoza, Princesa de Éboli
Nascimento 17 de outubro de 1516
  Chamusca, Portugal
Morte 29 de julho de 1573 (56 anos)
  Madrid, Espanha
Pai Francisco da Silva, senhor de Chamusca e Ulme
Mãe D. Maria de Noronha, filha dos senhores de Unhão
Ocupação Fidalgo, Estadista

Infância na corte imperialEditar

Rui Gomes da Silva era filho de D. Francisco da Silva e de D. Maria de Noronha, senhores de Ulme e da Chamusca. O facto de não ser o primogénito e, como tal, não ter direito a herdar os título do pai, levou-o a acompanhar o seu avô, Rui Teles de Menezes, a Espanha, aquando do casamento da Infanta D. Isabel com Carlos V, Imperador Romano-Germânico e Rei de Espanha. De facto, Rui Teles de Menezes era mordomo-mor da casa da infanta, assumindo um papel de grande relevo na corte portuguesa.[1] Após esta viagem, à data da qual tinha apenas dez anos de idade, Rui nunca mais voltaria ao seu país natal. Quando nasce o futuro Filipe II, em 1527, Rui torna-se seu pajem, iniciando então uma sólida amizade com o futuro monarca.[1] Mais tarde, Rui virá a assumir o cargo de camareiro-mor do então Príncipe Filipe, o qual manterá até ao final da sua vida.

Ascensão ao poderEditar

Quando Filipe ascendeu ao trono, Rui recebeu dele vários cargos e honrarias, dos quais o mais importante foi o de príncipe de Éboli. Estes títulos nobiliárquicos permitiram a Rui ascender socialmente e adquirir notoriedade no seio da corte espanhola, o que constituía uma tarefa complicada para alguém que, embora oriundo de uma antiga família da nobreza portuguesa, a Casa de Silva, provinha de um ramo não titular. Com o passar do tempo, Rui veio a assumir um papel cada vez mais importante na política espanhola, tendo assumido sucessivamente cargos de maior importância, como o de Contador-Mor de Castela e das Índias (que lhe permitiu executar uma reforma fiscal de grande importância), de Sumiller de Corps, de Intendente da Fazenda, de Conselheiro da Guerra, de mordomo-mor do Príncipe Carlos, de ministro do rei e de membro do Conselho de Estado, tendo assumido a liderança deste órgão durante a maior parte da primeira metade do reinado de Filipe II (num cargo que hoje seria equivalente ao de primeiro-ministro). Mais tarde, Filipe atribuir-lhe-ia o título de Grande de Espanha, o mais alto título nobiliárquico do país.

O Partido EbolistaEditar

Rui era de tal modo poderoso na corte espanhola que era conhecido como Rei Gomes (em vez de Rui Gomes) por entre os membros do corpo diplomático. A sua influência crescente fê-lo entrar em rota de colisão com outro importante membro do Conselho de Estado, o Duque de Alba. De facto, Éboli e Alba defendiam duas visões diferentes para o futuro da Monarquia Espanhola, então a mais poderosa da Europa e do Mundo. Enquanto que Rui apoiava a manutenção do carácter federal da monarquia, com o respeito integral das leis e dos foros dos vários reinos que a constituíam, Alba pretendia promover o centralismo e a unificação da monarquia num único estado, mesmo que esta tivesse que ser imposta pela força das armas e pela repressão. Rui, pelo contrário, privilegiava sempre a via do compromisso e da negociação, procurando resolver os conflitos por via diplomática.

A rivalidade destas duas facções era de tal forma profunda, que se fala com frequência da existência de um Partido Ebolista, ou pacifista, centrado na figura de Rui Gomes e apoiado pela poderosa família dos Mendonça (a que pertencia a mulher de Rui), e o Partido Albista, ou bélico, liderado pelo Duque de Alba. Estes dois partidos defrontaram-se nas várias questões que marcaram a política espanhola durante o reinado de Filipe II, nomeadamente nas sublevações dos Países Baixos Espanhóis. Mais tarde, a facção ebolista acabaria por sair enfraquecida deste confronto, tendo Rui Gomes da Silva optado pelo seu afastamento da corte, retirando-se para as suas propriedades de Pastrana, que havia comprado em 1569.

Casamento com Ana de Mendonça e de La CerdaEditar

Rui casou-se com Ana de Mendonça e de La Cerda, filha dos Condes de Melito e Vice-Reis do Peru e parte da poderosa família dos Mendonça, era ainda considerada uma das mulheres mais belas da corte e da mais alta nobreza castelhana. Rui e Ana casaram-se em 1553, quando ela tinha apenas doze anos, tendo o casamento sido consumado apenas em 1557.

Deste casamento, nasceram dez filhos:

  • Diogo (c.1558-1563);
  • Ana da Silva e Mendonça (1560-1610?);
  • Rodrigo da Silva e Mendonça (1562-1596);
  • Pedro da Silva e Mendonça (c. 1563), que morreu em criança;
  • Diogo da Silva e Mendonça (1564-1630), Marquês de Alenquer e Conde de Salinas, vice-rei de Portugal durante o domínio filipino;
  • Rui da Silva e Mendonça (1565-?);
  • Fernando da Silva e Mendonça, (1570-1639), bispo de Siguenza.
  • Maria de Mendonça e Maria da Silva (c. 1570), gémeas, morreram em criança.
  • Ana da Silva e Mendonça (1573-1614)

A Princesa de Éboli é, ainda hoje, uma figura controversa da história espanhola. Há versões que sustentam que Ana teria sido amante do próprio rei - o que aliás teria favorecido a fulgurante ascensão do marido, Rui Gomes, na corte de Madrid[2] - e ainda de dois dos seus validos, após a morte do marido. Certo é que acabou detida e aprisionada por ordem do soberano, vivendo os seus últimos anos enclausurada no seu palácio em Pastrana.

Ao morrer o seu irmão mais velho sem deixar sucessor, Rui herdou as possessões paternas da Chamusca e de Ulme, tendo estes lugares sido elevados a vilas por alavrá de 18 de fevereiro de 1561,[2] através da influência por si movida junto do rei de Portugal. Rui viria a morrer doze anos depois, encontrando-se sepultado, juntamente com a sua mulher, na Igreja-Colegiada de Pastrana.

CuriosidadesEditar

O Príncipe de Éboli é ancestral direto da Casa de Bragança por meio da rainha Dona Luísa de Gusmão, filha do 6.º duque de Medina Sidonia e bisneta de Rui Gomes da Silva.

Referências

  1. a b c Dio, Kelley Helmstutler Di; Coppel, Rosario (2016). Sculpture Collections in Early Modern Spain (em espanhol). Londres: Routledge. p. 123 
  2. a b Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra, Livro Segundo. Robarts - University of Toronto. Coimbra: Coimbra : Imprensa da Universidade. pp. 132 – 135 

BibliografiaEditar

  • Guillén Berrendero, José Antonio; Hernández Franco, Juan; Alegre Carvajal, Esther (eds.) (2018). Ruy Gómez de Silva, príncipe de Éboli: su tiempo y su contexto, Madrid: Iberoamericana; Frankfurt: Vervuert. ISBN 9788416922758.
  • "O Príncipe da Paz", de Guillermo Rocafort - Ésquilo, Edições & Multimédia, Lda (tradução de Lurdes Feio a partir do original em língua castelhana "El principe de Éboli, Ruy Gómez de Silva")

Ver tambémEditar

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Precedido por
 
Duque de Pastrana

15721573
Sucedido por
Rodrigo da Silva e Mendonça
Precedido por
Francisco da Silva
Senhor da Chamusca e de Ulme
15661573
Sucedido por
Rodrigo da Silva e Mendonça