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Eduardo de Abreu

Eduardo Augusto da Rocha de Abreu (Angra do Heroísmo, 8 de Abril de 1856Braga, 4 de Fevereiro de 1912),[1][2] mais conhecido por Eduardo de Abreu, foi um médico e político[2] com uma carreira inicialmente ligada ao Partido Progressista, mas que aderiu ao movimento republicano e teve papel relevante no período da Primeira República Portuguesa.[3] Foi sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, médico do Hospital de São José de Lisboa, deputado às Cortes pelo círculo de Figueiró dos Vinhos (1886 e 1887) e pelo círculo de Lisboa (1892 e 1894, pelo Partido Republicano) e senador da República eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo.[1]

BiografiaEditar

Açoriano, filho de Bento José de Matos de Abreu e de sua mulher Rosa Amélia Borges da Rocha, Eduardo de Abreu estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra,[2] onde se licenciou em Medicina, com distinção, em 1881, obtendo o grau de doutor[2] em 1887 com uma tese sobre a raiva. No âmbito das suas investigações, foi diversas vezes ao estrangeiro para estudar as novas metodologias e medidas de assistência médica, em particular no caso das epidemias, tendo trabalhado com o cientista francês Louis Pasteur.

Ainda enquanto estudante iniciou colaboração regular em diversas publicações, tanto em revistas científicas como em jornais, como foi o caso do Diário de Notícias, realizou trabalhos importantes na sua especialidade médica e visitou vários países da Europa em missão de estudo.[2] Foi também um dos principais responsáveis pela realização das Comemorações do Tricentenário de Luís de Camões, em 1880, e do Marquês de Pombal, em 1882.[4]

Envolveu-se na vida política ativa como Deputado, primeiramente pelo Partido Progressista, em 1887-1890 e em 1890-1892.[2] Nas mais de centena e meia de intervenções que deixou no Parlamento, Eduardo de Abreu destacou-se pelos "discursos eloquentes, substanciais, enérgicos e não poucas vezes verdadeiramente incendiários"[5], tendo adotado sempre uma postura de independência, o que acabou por conduziu ao seu afastamento do Partido Progressista. A eclosão do Ultimato britânico de 1890 precipitou a sua rutura definitiva com os partidos monárquicos, aderindo ao Partido Republicano Português, que o fez eleger novamente Deputado em 1893 e 1894.[2] Nesse processo, foi acompanhado por outras figuras de relevo, como Guerra Junqueiro.

Maçon, foi iniciado por comunicação e filiado na Loja Simpatia, de Lisboa, em 1892,[2] Eduardo de Abreu foi novamente eleito Deputado nesse ano, desta feita pelo Partido Republicano Português, juntamente com Jacinto Nunes, Rodrigues de Freitas e Teixeira de Queirós. Durante essa legislatura produziu a seguinte declaração política: "só aceitarei e votarei qualquer proposta dos partidos monárquicos quando ela tenha por fim a mudança das instituições".[6] Reeleito em 1894, escreveu uma carta aberta a Magalhães Lima em 1896, publicada no diário A Vanguarda, onde declarava a sua recusa em ser novamente eleito Deputado durante o regime monárquico.

Teve papel de relevo na propaganda Republicana.[2] Participou ativamente na Conferência de Badajoz, realizada em 1893, onde se juntaram os republicanos portugueses e espanhóis. Do lado espanhol a comitiva era chefiada por Nicolás Salmerón y Alonso, Francisco Pi y Margall e Manuel Ruiz Zorrilla que foram acompanhados por mais de quatrocentos delegados. Por seu lado, do lado português participaram, além de Eduardo de Abreu, Francisco Gomes da Silva, Teixeira de Queirós, Albano Coutinho, Magalhães Lima, Cecílio de Sousa, Alves Correia, Ramiro Guedes, Jacinto Nunes, Manuel Emídio Garcia, José António Bourquin Brak-Lamy, Horácio Esk Ferrari, Feio Terenas, Teixeira Bastos, entre outros.[7]

Eleito para o Diretório do Partido Republicano em 1895, na sequência do VI Congresso do partido, realizado em Lisboa, juntamente com Horácio Ferrari, Jacinto Nunes, Francisco Gomes da Silva e Magalhães Lima. Após o VII Congresso realizado em Coimbra em 1897, Eduardo de Abreu passou a integrar a comissão consultiva do Partido Republicano, voltando a integrar o Diretório do Partido Republicano em 1902, juntamente com Jacinto Nunes, António José de Almeida, Estêvão de Vasconcelos e Celestino de Almeida. Em Julho de 1906, participou num comício realizado no Porto, com um empolgante discurso publicado no jornal republicano O Mundo.[8]

Após a implantação da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1910, regressou ao parlamento, sendo, uma vez mais, eleito Deputado à Assembleia Nacional Constituinte e Deputado de 1911 a 1912[2] pelo círculo de Angra do Heroísmo e, mais tarde, foi eleito Senador da República. Durante o regime republicano destacou-se por ter optado por um projeto autónomo para a lei de separação entre a Igreja e o Estado que foi apresentado em junho de 1911, não tendo sido no entanto este o escolhido. Ainda participou em diversos trabalhos parlamentares, mas o seu estado de saúde foi-se debilitando. Retirou-se para a sua casa em Braga, onde veio a falecer em 1912.

BibliografiaEditar

  • FORJAZ, Jorge P (1985). Cartas políticas de Eduardo de Abreu para o Visconde das Mercês (1890-1893). Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira 
  • FORJAZ, Jorge P (2002). Correspondência para o Dr. Eduardo Abreu. do Ultimato à Assembleia Nacional Constituinte (1890-1911). Lisboa: Academia Portuguesa da História 
  • Oliveira, Lopes de (1947). História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional. Lisboa: Editorial Inquérito. 137 páginas 
  • SANTOS, Marta Carvalho. "Eduardo de Abreu" in Mónica, Maria Filomena (coord.) (2004). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Col. Parlamento. I. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República. p. 38-42 
  • Silva, Inocêncio Francisco da (2000–2005). Dicionário Bibliográfico Português. Estudos aplicáveis a Portugal e ao Brasil. XIX fac-simile ed. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 96 páginas. ISBN 9789722711630 
  • Torgal, Luís Reis (2004). António José de Almeida e a República. Discurso de uma vida ou vida de um discurso, selecção de imagens de Alexandre Ramires. Lisboa: Círculo de Leitores. 89 páginas 

Referências

  1. a b «Enciclopédia Açoriana: "Abreu, Eduardo"». www.culturacores.azores.gov.pt .
  2. a b c d e f g h i j António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. [S.l.: s.n.] pp. Volume I. Colunas 10-1 
  3. As informações deste artigo foram recolhidas em Artur B. Mendonça. «Eduardo de Abreu». Almanaque Republicano. Arepublicano.blogspot.com. Consultado em 6 de setembro de 2010 
  4. Silva, Inocêncio Francisco da (2000–2005). Dicionário Bibliográfico Português. Estudos aplicáveis a Portugal e ao Brasil. XIX fac-simile ed. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 96 páginas. ISBN 9789722711630 
  5. SANTOS, Marta Carvalho. "Eduardo de Abreu" in Mónica, Maria Filomena (coord.) (2004). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Col. Parlamento. I. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República. p. 38-42 
  6. SANTOS, Marta Carvalho. op.cit p. 42
  7. Oliveira, Lopes de (1947). História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional. Lisboa: Editorial Inquérito. 137 páginas 
  8. Torgal, Luís Reis (2004). António José de Almeida e a República. Discurso de uma vida ou vida de um discurso, selecção de imagens de Alexandre Ramires. Lisboa: Círculo de Leitores. 89 páginas 

Ligações externasEditar