Eduardo de Noronha

José Eduardo da Vasa César Alves de Noronha ComCCvACvSEComICComIP (Lisboa, Lapa, 26 de Outubro de 1859 — Lisboa, Santa Catarina, 26 de Setembro de 1948) foi um militar, jornalista e escritor português.[1] Apesar de ter seguido a carreira militar como oficial de Infantaria do Exército Português, participando nas campanhas de pacificação em África, teve uma fecundíssima actividade literária, quer como escritor quer como jornalista, destacando-se no campo do romance histórico.[2]

Eduardo de Noronha
Nascimento 26 de outubro de 1859
Lisboa
Morte 26 de setembro de 1948
Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação jornalista, escritor
Prêmios
  • Comendador da Ordem Militar de Cristo
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Avis
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
  • Comendador da Ordem da Instrução Pública
  • Comendador da Ordem do Império

BiografiaEditar

Filho de António Eduardo Alves de Noronha, 2.º visconde de Santa Cruz, e de sua primeira mulher Amélia Ludovina da Vasa César de Faro Nobre e Vasconcelos.[3] Em Monarquia seria representante do título de visconde de Santa Cruz.

Foi oficial do Exército, onde atingiu o posto de major de Infantaria. Dedicou-se ao jornalismo, tendo colaboração publicada em periódicos como o jornal Novidades (de que foi director e secretário de redacção),[4] A Actualidade,[1] A África Oriental,[1] O Quelimane,[1] O Futuro,[1] O Economista,[1] Diário de Notícias,[1] Tiro e Sport,[1] e Mala da Europa.[1] Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas Tiro civil [5] (1895-1903) e na sua sucessora, a revista Tiro e Sport [6] (1904-1913), Serões [7] (1901-1911), Atlântida [8] (1915-1920), na Revista Municipal de Lisboa [9] (1939-1973) e na revista ilustrada Argus.[10]

Para além da sua obra publicada em periódicos, também se dedicou à escrita monográfica, sendo autor de mais de uma centena de obras, algumas das quais foram sucessos editoriais e continuam relevantes.[3][11][11][12]

As suas produções literárias mais importantes são romances históricos e biografias, mas inclui muitos outros tipos de monografias. Entre as suas obras mais conhecidas contam-se O Distrito de Lourenço Marques e a África do Sul, a História das Toiradas, José do Telhado: romance baseado sobre factos histórias, A Ambição d'um Rei e O Herói de Chaimite - Mousinho de Albuquerque. As suas obras intituladas Da Madeira ao Alto Zambeze: viagem dramática através de Angola e Moçambique (de 1907) e Do Minho ao Algarve: viagem pinturesca e aventurosa através de Portugal (1909) tiveram grande sucesso, tendo última delas sido escolhida em concurso para prémio aos alunos das escolas primárias, sendo por essa via o primeiro livro de Ferreira de Castro.

Também se dedicou ao ensino, tendo sido desde 1898 professor na Escola Industrial Rodrigues Sampaio, de Lisboa, funções que exerceu durante quase 30 anos até se reformar por limite de idade em 1929. Esta escola era a antiga Escola Primária Superior Rodrigues Sampaio, que havia pertencido à Câmara Municipal de Lisboa, mas que por decreto de 10 de setembro de 1892 fora transformada em escola de ensino preparatório para ingresso nos Institutos Industriais com o nome de Escola Técnica Preparatória Rodrigues Sampaio.[13]

Foi um dos fundadores em 1925, da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, antecessora da Sociedade Portuguesa de Autores.

Cavaleiro da Real Ordem Militar de São Bento de Avis a 1 de Janeiro de 1905 sendo Capitão do Estado-Maior de Infantaria (Ordem do Exército, 1905, 2.ª Série, n.º 1, p. 3),[14] Cavaleiro da Real Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a 9 de Setembro de 1905 sendo Capitão do Estado-Maior de Infantaria, por proposta do Ministério da Guerra (Diário do Governo, n.º 209, 16 de Setembro de 1905),[15] Comendador da Ordem da Instrução Pública a 23 de Junho de 1932, Comendador da Ordem do Império Colonial a 20 de Dezembro de 1945 e Comendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo a 12 de Janeiro de 1949.[3][11][12][16]

A Rua Eduardo de Noronha, na antiga freguesia de São João de Brito, actualmente freguesia de Alvalade, em Lisboa, tem o seu nome segundo decisão da Câmara Municipal de Lisboa em 1950.

Casamento e descendênciaEditar

Casou primeira vez a 2 de Abril de 1883 com Delfina Rosa de Azevedo, de quem não teve descendência.[11][12][17][18]

Casou segunda vez em Lisboa? com María Manuela Cecilia Lorenza López y Arquero (Madrid, San Lorenzo, 22 de Novembro de 1855 - Lisboa, 1938), já viúva, filha de Valentín López e de sua mulher María Candelaria Arquero, ambos de Ocaña, Toledo, e aí casados?,[19] da qual teve:

  • Mário López da Vasa César Alves de Noronha (Lisboa, Lapa, 15 de Janeiro de 1885/95 – Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 9/13 de Julho de 1973)
  • Vítor Manuel López da Vasa César Alves de Noronha, casado com Julieta dos Santos, da qual teve uma filha:
    • Maria Manuela dos Santos de Noronha, solteira e sem geração
  • Josefina López da Vasa César Alves de Noronha (30 de Outubro de 1896 - ?), casada com António Manuel Gamito, do qual teve nove filhos e filhas
  • Carlos Augusto López da Vasa César Alves de Noronha, casado primeira vez com Madalena Garcia Barroso, com geração, casado segunda vez no Brasil com Lúcia Lopes de Almeida, irmã da declamadora Margarida Lopes de Almeida, filhas ambas de Filinto de Almeida, com geração, e casado terceira vez com Leonor das Neves, com geração
  • Álvaro López da Vasa César Alves de Noronha, casado com Isaura Martins, sem geração

BibliografiaEditar

  • O rei marinheiro: subsidios para a historia politica, social, militar, litteraria, industrial e artística do reinado de D. Luiz I, 1890
  • O districto de Lourenço Marques e a Africa do Sul, 1895
  • O Transvaal e o Estado Livre de Orange, 1899
  • No Brasil: uma epopéa maritima, romance historico da actualidade, 1905
  • O heroe de Chaimite: Mouzinho de Albuquerque : narrativa histórica e militar, 1906
  • Ruy Freire: Episodio Da Guerra Com Os Inglezes, 1906
  • O marquez de Niza: dois annos de aventuras documentadas ; romance histórico, maritimo, illustrado com 21 gravuras e os retras do auctor e do marquez de Niza, 1907
  • Da Madeira ao Alto Zambeze: viagem dramatica através de Angola e Moçambique, 1907
  • De automóvel: collecção de contos, 1907
  • O agonizar de uma dinastia (O calvário de uma mãe), 1908
  • O vestuario, historia do traje desde os tempos mais remotos até á idade-média: compilação das obras de maior autoridade sobre o assunto; ornada com mais de duzentas gravuras, 1911
  • A porta da Havanesa: da Thomarada à república ; narrativa dramática dos últimos 50 annos da existencia nacional, 1911
  • Memorias de um gallego: notas e observações de um creado, que durante quarenta annos serviu na intimidade de politicos, banqueiros, titulares e mulheres de todas edades e condições, 1912
  • Soldados Portugueses: Gomes Freire e os seus camaradas em em França, 1808-1817, 1918
  • O conde de Farrobo e a sua epoca, 19??
  • A sociedade do delirio: continuação do romance "O Conde de Farrobo e a sua epoca", 1921
  • Fontes Pereira de Mello e os seus colaboradores: mais mais subsídios para a história da política portuguesa no século 19, 1926
  • Berta van Dorth: episódios dramáticos da luta entre portugueses, brasileiros e holandeses no século XVII, 1937
  • D. António, Prior de Crato, 1938
  • O explorador Serpa Pinto, s.d.
  • A Defesa de Lourenço Marques, s.d.
  • O conde de Villamediana - Volume 1, 1938
  • O conde de Villamediana - Volume 2, 1938
  • Pena de morte, 19??

Referências

  1. a b c d e f g h i Câmara Municipal de Lisboa. «Eduardo de Noronha / 150.º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE EDUARDO DE NORONHA». Bibliotecas Municipais. Consultado em 13 de fevereiro de 2013 
  2. BLX: 150.º aniversário do nascimento de Eduardo de Noronha (1859-1948) – Comemorações Municipais de Lisboa.
  3. a b c "Anuário da Nobreza de Portugal - 1985", Manuel de Melo Correia, António Luís Cansado de Carvalho de Matos e Silva, António da Costa de Albuquerque de Sousa Lara, 2.º Conde de Guedes, Edição do Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1985, Tomo I, p. 774
  4. Rogério Santos (2006). «O Jornalismo na Transição do Século XIX para o XX. O Caso do Diário Novidades (1885-1913)». Media & Jornalismo, Vol. 9, No 9 (2006). Consultado em 27 de Outubro de 2012. Arquivado do original em 2 de fevereiro de 2014 
  5. Rita Correia (3 de outubro de 2014). «Ficha histórica:O tiro civil : orgão da Associação dos Atiradores Civis Portuguezes (1895-1903)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de novembro de 2014 
  6. Rita Correia (22 de abril de 2014). «Ficha histórica:Tiro e sport : revista de educação physica e actualidades (1904-1913)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 18 de dezembro de 2015 
  7. Rita Correia (24 de Abril de 2012). «Ficha histórica: Serões, Revista Mensal Ilustrada (1901-1911).» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 23 de Setembro de 2014 
  8. «Atlântida : mensário artístico literário e social para Portugal e Brazil (1915-1920) [cópia digital, Hemeroteca Digital }}]» 
  9. «Revista Municipal (1939-1973), Índice de colaboradores» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de junho de 2015 
  10. Helena Roldão (17 de junho de 2014). «Ficha histórica: Argus:revista mensal ilustrada (1907).» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Setembro de 2014 
  11. a b c d "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 292
  12. a b c "Costados", D. Gonçalo de Mesquita da Silveira de Vasconcelos e Sousa, Livraria Esquina, 1.ª Edição, Porto, 1997, N.º 10
  13. Decreto de 10 de setembro de 1892 reorganisando a escola Rodrigues Sampaio sob a dependencia do ministerio das obras publicas, commercio e industria.
  14. "Mercês Honoríficas do Século XX (1900-1910)", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz, Guarda-Mor, 1.ª Edição, Lisboa, 2012, p. 358
  15. "Mercês Honoríficas do Século XX (1900-1910)", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz, Guarda-Mor, 1.ª Edição, Lisboa, 2012, p. 278
  16. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Eduardo de Noronha". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2013 
  17. "Anuário da Nobreza de Portugal - 1985", Manuel de Melo Correia, António Luís Cansado de Carvalho de Matos e Silva, António da Costa de Albuquerque de Sousa Lara, 2.º Conde de Guedes, Edição do Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1985, Tomo I, pp. 774 e 775
  18. "Raízes e Memórias", Associação Portuguesa de Genealogia, Lisboa, N.º 13, p. 65
  19. "Raízes e Memórias", Associação Portuguesa de Genealogia, Lisboa, N.º 13, pp. 65, 66 e 67