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Educação feminina

Educação feminina é um termo que abrange um complexo de temas, questões e debates em torno da educação para as mulheres. Entre estes temas estão o acesso à educação, além das questões que envolvem a educação segregada e a educação religiosa, nas quais a divisão da educação por critérios de sexo ou religião têm sido dominante, historicamente, e que ainda são relevantes à discussão contemporânea sobre a educação feminina como uma questão global.A discussão é bastante ampla, e não fica restrita a termos estreitos de referência.[1]

Roma antigaEditar

 
Casal retratado em uma pintura da cidade de Pompeia na Roma antiga

Na Roma antiga o acesso a educação das mulheres assim como dos homens dependia da classe social a qual pertencia, as mulheres assim como os homens tinham acesso a educação primaria, as garotas de classe social abastada podiam ter acesso a um tutor particular, geralmente um escravo, as que nasciam em uma classe social menor, podiam desfrutar de aulas publicas em classes mistas assim como ocorre hoje em dia.[2] Na Roma antiga ao contrario do que se imagina, o letramento era visto como uma qualidade admirável, tanto para os homens quanto para as mulheres, podemos notar o auto isso claramente nos afrescos da roma antiga que sobreviveram aos dias de hoje e representam mulheres e homens segurando objetos que indicavam o letramento, esses objetos podiam ser um Papiro, um Tablete de argila ou outros.

Europa IluministaEditar

O iluminismo, movimento cultural que nasce na Europa durante a Modernidade, rompe com a maneira de se pensar e traz novas ideias sobre liberdade e intelectualidade. Os iluministas possuíam varias formas de refletir sobre o status quo e o que deveria ser mudado na sociedade, porém o progresso do homem e da humanidade era uma base comum a todos.[3] Portanto, a visão Iluminista coloca o homem enquanto sujeito que é capaz de efetuar mudanças e vê a humanidade caminhando de forma progressiva para uma sociedade ideal. Mas enquanto o homem é colocado como sujeito racional, a mulher é vista de forma diferente.[3]

 
Jean-Honoré Fragonard, Young Girl Reading, c. 1770.

No século XVIII, entendia-se que homens e mulheres eram de naturezas distintas. O homem era visto como ser racional, já a mulher era o lado emocional e sentimental. Seres do sexo feminino eram entendidos como não possuindo habilidades racionais para tomar grandes decisões que pudessem intervir na vida pública e, por isso, o lugar das mulheres era na vida doméstica, no lar.[3] O papel social da mulher era no espaço privado, agindo como esposa e mãe é que ela poderia colaborar com o progresso na sociedade ao prestar seu serviço na formação de novos cidadãos e apoiando seus maridos.[4]

Mesmo que a concepção iluminista de progresso estivesse ligada à educação, muitos filósofos iluministas não viam muito sentido nas mulheres serem educadas e quando aprovavam a ideia de mulheres estudarem, apoiavam que fosse com duração menor do que a dos homens e com conteúdo diferenciado. No século XVIII, a educação das mulheres era voltada a ter um bom casamento, assim, elas aprendiam as graças e os talentos para os salões, e não os conhecimentos eruditos.[5]

Mary Wollstonecraft e o modelo educacional femininoEditar

Mary Wollstonecraft e outras filósofas iluministas propunham que todas as mulheres fossem educadas em um novo modelo, prezando a intelectualidade ao invés da futilidade das prendas de salão. Wollstonecraft argumenta que a diferença de natureza que os homens viam nas mulheres era consequência da negligência com a educação feminina e, portanto, algo alheio a condição feminina. Para que as mulheres pudessem exercer seus papeis sociais perfeitamente, elas deveriam ser racionais e, por isso, a educação feminina era uma necessidade da sociedade de forma geral e não das mulheres em especial. A necessidade das mulheres terem educação de qualidade era uma questão social, argumentava Wollstonecraft, pois somente com elas podendo refletir sobre suas decisões e tendo conhecimentos que poderiam ter autonomia e não depender mais dos homens da família, já que não havia possibilidades de trabalhos que fossem respeitáveis para elas. Wollstonecraft propunha que as mulheres eram seres completos e possuíam razão, mas que elas deveriam ter direitos educacionais iguais aos dos homens

“Se dispensarmos essas teorias ilusórias e considerarmos a mulher como um todo, da maneira como deve ser, e não como parte do homem, a pergunta seria se ela possuiria razão ou não. Em caso afirmativo, o que por ora admitirei, ela não foi criada meramente para ser o consolo do homem, e o caráter sexual não deveria destruir o caráter humano”.[6]

As mulheres eram cobradas pela sociedade para serem boas mães e esposas, respeitáveis, virtuosas e que seguissem a moral. Porém, para Wollstonecraft  a ideia de moralidade não existia sem uma boa e efetiva educação, que permita a autonomia do pensamento. O papel social de progenitora também era visto com importância no século XVIII porque a mãe formaria cidadãos aptos e servidores da nação. Nesse sentido, a mulher “deveria dar o máximo de si na tarefa de gerar e criar os filhos, pois só assim conseguiria cumprir o seu papel de cidadã. Portanto, não bastava gerar filhos, era preciso ser educadora e dirigente moral da sociedade".[4] Quanto a essa questão, Wollstonecraft parece considerar o mesmo, porém com o acréscimo de que para que essa função feminina fosse perfeitamente realizada, a educação feminina deveria ser levada com seriedade:

"A humanidade parece concordar que as crianças deveriam ser deixadas sob os cuidados das mulheres durante a infância. Agora, por todas as observações que pude fazer, as mulheres de sensibilidade são as menos adequadas para essa tarefa, porque elas infalivelmente se deixarão levar por seus sentimentos e estragarão o temperamento da criança".[6]

Referências

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar