Candomblé

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A nação efon (ou, mais raramente, nação efã) é uma nação de candomblé de origem nagô (iorubá)[1]. Como nas demais nações de origem iorubana (ketu, ijexá e nagô-vodun), a nação efon cultua as divindades africanas chamadas orixás.[2]

Um dos vários aspectos que distingue essa nação das suas irmãs é o culto ao orixá Olorokê (Olôke ou ainda Orixá Okê), um orixá funfun masculino considerado patrono da nação juntamente com Oxum.[2][1]

Origem e HistóriaEditar

 
Vista de Efon-Alaaye, Nigéria.

A nação efon remonta ao antigo Reino de Efon, um pequeno reino iorubá (do subgrupo ekiti) que atualmente é a cidade de Efon-Alaaye, Estado de Ekiti, Nigéria.

Dessa região chegaram a Salvador, no século XIX, dois africanos escravizados: José Firmino dos Santos, apelidado “Tio Firmo”, cujo nome em nagô era Babá Irufá (no culto de Ifá) ou Oxum Tadê (no culto de Oxum), iniciado no culto dos orixás Orunmilá e Oxum; e Maria Bernarda da Paixão, apelidada “Maria Violão” pela atraente forma de sua cintura, chamada em nagô de Adebolu, iniciada para o orixá Oloroke.

Foram Tio Firmo e Maria Violão que fundaram o Terreiro do Olorokê no Bairro Engenho Velho de Brotas (Salvador-BA), em 1901, a matriz da qual descendem todas as casas de efon. Hoje, ambos são considerados fundadores da nação efon e seus orixás (Oxum e Olorokê, respectivamente) são os patronos da nação.[1]

Tio Firmo foi o primeiro babalorixá da Casa do Olorokê e manteve-se no posto até 1909, quando faleceu. Maria Violão assumiu o cargo de ialorixá daquela data até sua morte, em 1945, quando foi sucedida por Matilde de Jagun. Após a morte de Matilde de Jagun, em 1970, Cristóvão de Ogunjá assumiu o posto até 1985. A quinta ialorixá foi Crispina de Ogum, que permaneceu na liderança até 1993.[1]

Depois da morte de Crispina de Ogum, Waldomiro de Xangô (conhecido como Waldomiro Baiano, iniciado por Cristóvão de Ogunjá) assumiu a direção do terreiro em meio a polêmicas e desentendimentos. Quando este fato ocorreu, Waldomiro de Xangô já havia abandonado a nação efon para seguir a nação ketu. Alguns adeptos encararam tal ato como uma grave quebra de tradição, que teria sido a responsável pela queda da árvore de Iroko após uma tempestade, o que simbolizaria o fechamento do terreiro, em meados da década de 1990.[1][3]

Apesar do encerramento da casa matriz, muitos descendentes da Casa do Oloroke mantêm o axé efon. Em 1938, Cristóvão de Ogunjá (iniciado por Maria Violão) fundou um terreiro próprio após desentendimentos com a então ialorixá casa, Matilde de Jagun. Em 1951, transferiu o terreiro para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde fundou o Ilê Ogun Anaeji Igbele Ni Oman, ou Axé Pantanal, hoje o principal terreiro de candomblé efon do Brasil. Cristóvão de Ogunjá foi o babalorixá do Axé Pantanal até a sua morte, em 1985, quando foi sucedido por sua neta, Mãe Maria de Xangô, que dirige a casa até a atualidade. Waldomiro de Xangô (iniciado por Cristóvão de Ogunjá ainda em Salvador, mas que posteriormente migrou para nação ketu) e Pai Alvinho de Omolu (também iniciado por Cristóvão de Ogunjá no Axé Pantanal, já em Duque de Caxias) também são nomes que ajudaram na difusão da nação efon, especialmente na Região Sudeste.[1][3]

Orixás cultuadosEditar

A nação efon cultua os orixás Exu, Ogum, Oxóssi, Omolu, Oxumarê, Ossãe, Nanã Buruku, Xangô, Obá, Oyá, Yewá, Logunedé, Oxum, Iemanjá, Iroko, Oxaguiã e Oxalufã, além do orixás específicos de efon (Oloroke e Jagun) e do culto a ori.[1]

Oloroke: o patrono da nação efonEditar

Olorokê, Olôke ou Orixá Okê era o orixá de Maria Violão, Adebolu, uma das fundadoras do axé efon e é o orixá patrono da nação (junto com Oxum, orixá de Tio Firmo, o outro fundador da casa matriz do axé efon). O culto a este orixá no Brasil só existe na nação efon e seu louvor durante as festas públicas, chamado “roda de Olôke”, é o alicerce que sustenta a identidade da nação efon. Trata-se de um orixá funfun (que veste roupas brancas) e considerado pai de Oxum na cosmologia da nação efon.

Olorokê é o orixá das montanhas, colinas, cumes e elevações. Seu nome provém dos vocábulos iorubá o (este/esse/aquele), ni (verbo “ter”, que é contraído e pronunciado como L), ori (literalmente “cabeça” e, por associação, dependendo do contexto, pode significar “alto”, “cume”, “topo”, “a parte mais alta de algo”) e oke (“montanha”). O+ni+ori+oke, O-l-or’oke, Olorokê. Assim, seu nome significa “aquele que possui o topo da montanha”, “senhor do topo da montanha” ou, de forma mais simples, “senhor da montanha”.

Olôke é reverenciado pelo menos, em cinco momentos na liturgia do candomblé efon: nas narrativas míticas, nas adurá (termo iorubá que designa reza), nos ritmos ijexá e alujá emitidos através dos toques dos atabaques, nos orin (cânticos) que invocam o seu nome; e nos assentamentos do orixá.[1]

Prandi (2001) colheu e publicou dois mitos do que a tradição oral manteve viva nos candomblés baianos:

"No princípio, Olocum reinava só no mundo. Olofim fez o mundo de água e Olocum o governava. No princípio tudo era o mar, tudo era Olocum. E Olofim andava entediado com a vastidão sem fim das águas. Foi então que Oraniã, com a força que lhe dera Olofim, fez surgir do fundo do oceano o primeiro monte de terra, a primeira colina sobre as águas, a montanha Oquê. Oquê que quer dizer montanha na língua dos antigos, surgiu das profundezas dos mares para o prazer de Olofim e desde então, além das águas, passou a existir a terra de Oquê. Assim nasceu Oquê, o orixá do monte, e sobre o monte a vida do homem foi possível, porque antes estava tudo submerso e todo poder era do mar, de Olocum. Logo depois, tendo o homem já se espalhado na Terra, Olofim-Olodumare reuniu os demais orixás em cima de Oquê e indicou a cada um onde seria seu domínio nesse mundo novo. Os orixás tornaram-se então muito poderosos, mas muitos daqueles que vieram depois dos orixás se esqueceram de Oquê. Sem Oquê nenhum dos orixás teria podido fazer nada e é por isso que sempre se deve fazer oferendas a ele. O que aconteceria se Oquê voltasse para o fundo das águas e deixasse Olocum dominando o mundo sozinha?" [4]

"Logo no começo do mundo, quando toda a Terra era plana, Oquê era o rei de um pacato povo que habitava uma feliz aldeia. Um dia um feroz exército estrangeiro veio em direção à cidade de Oquê. Por onde passavam, os invasores matavam todos os que encontravam, não poupando homens, mulheres ou crianças. Destruindo, saqueando e incendiando tudo, os inimigos já estavam prestes a alcançar as portas da cidade. Nem Oquê nem seu povo tinha armas. O rei Oquê foi a casa do babalaô em busca de conselho, foi recomendado a ele que fizesse um ebó, que deveria colocar nos quatro cantos da cidade. Assim fez Oquê e ficou esperando, sentado em seu trono bem no centro da praça, com todo seu povo reunido silenciosamente em torno dele. Quando os invasores chegaram bem perto da entrada da aldeia, ouviu-se um estrondo surpreendente. A terra tremeu e se agitou. Oquê foi crescendo e crescendo, até numa montanha transformar-se, levando consigo, no seu cimo, todo seu povo. Os inimigos ficaram lá em baixo e o povo de Oquê no alto da montanha em segurança. Agora a Terra já não era mais uma vastíssima planície. Morros, colinas e serras faziam parte deste mundo."[4]

Dirigentes da Casa do OlorokêEditar

Lista de dirigentes da Casa do Oloroke[1][3]
Sacerdote Orukó Período de Exercício
José Firmino dos Santos

(?-1908)

Babá Irufá, Oxum Tadê 1901-1908
Maria Bernarda da Paixão

(?-1945)

Adebolu 1909-1945
Matilde Muniz do Nascimento

(1900-1970)

Babá Oluwa 1946-1970
Cristóvão Lopes dos Anjos

(1903-1985)

Ogum Anaueji 1971-1985
Crispiniana de Assis

(?-1993)

? 1986-1993


Referências

  1. a b c d e f g h i LIMA, Alexandre Mantovani de. Memórias E Identidades De Um Terreiro De Candomblé: Ilé Ògún Anaeji Ìgbele Ni Oman - Àse Pantanal: A Nação Efon Em Duque De Caxias RJ. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO. 2015.
  2. a b KILEUY, Ode; OXAGUIÃ, Vera de. O candomblé bem explicado (nações bantu, iorubá e fon). Rio de Janeiro: Pallas, 2009.
  3. a b c CONAE - Conselho Nacional do Axé Efon. Ancestrais. Disponível em http://www.nacaoefon.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=50&Itemid=55. Acesso em 26 de dezembro de 2019.
  4. a b PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
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