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Efeitos da poluição sonora na saúde

O ruído é um fenômeno físico, composto por diferentes frequências que não formam um padrão acústico. Assim, é considerado um sinal complexo, não periódico, sem uma frequência fundamental fixa, de comportamento imprevisível e, portanto, difícil de caracterizar com exatidão [1].

As características determinantes da exposição ao ruído são sua natureza (natural, artificial, endógeno ou exógeno), intensidade (em deciBel - dB) e o tempo de exposição, sendo estes dois últimos os mais importantes para a mensurar a exposição ao ruído.

Além disso, é considerado a terceira maior causa de poluição do mundo, estando atrás somente da poluição do ar e da água [2]. Esse tema tem sido amplamente discutido, uma vez que pode acarretar danos à saúde em geral, especialmente a saúde auditiva.

Inúmeros são os prejuízos que a poluição sonora pode provocar, dependendo de fatores como: a intensidade, a duração e apresentação do som; a suscetibilidade de cada pessoa; a combinação entre o ruído e agentes ototóxicos (medicamentos, produtos químicos ou outras substâncias), ruído e vibração, entre outros [3]. Por isso, para fins didáticos, esses efeitos são divididos em: efeitos auditivos e não-auditivos.

EfeitosEditar

  • AUDITIVOS:
    • Mudança temporária do limiar auditivo: é caracterizada como a piora dos limiares auditivos após algumas horas de exposição a elevados níveis de pressão sonora. Essa piora momentânea é revertida após algumas horas de repouso auditivo;
    • Perda auditiva: conhecida como PAIR (perda auditiva induzida por ruído) ou PAINPSE (perda auditiva induzida por nível de pressão sonora elevado), é um dano predominantemente coclear e irreversível, que pode comprometer a inteligibilidade da fala e na comunicação, de modo geral. Além disso, o indivíduo portador desta perda apresenta muito desconforto para sons de forte intensidade, fenômeno esse conhecido como recrutamento;
    • Trauma acústico: ocorre a partir de uma exposição única e rápida a elevados níveis de pressão sonora, que causam danos auditivos permanentes (orelha interna), e/ou zumbido.
    • Zumbido: é uma sensação espontânea de toque ou som na ausência de fonte sonora que, pode ser uni ou bilateral e se localizar tanto nas orelhas quanto na cabeça.
  • NÃO-AUDITIVOS:
    • Alterações do aparelho circulatório, digestivo ou muscular;
    • Metabólicas: sono, sistema nervoso;
    • Distúrbios do equilíbrio;
    • Dores de cabeça;
    • Problemas psicológicos;
    • Mudanças de humor;
    • Ansiedade;
    • Irritabilidade;
    • Queda no rendimento de trabalho e estudo devido à dificuldade de concentração;

PrevençãoEditar

Uma das alternativas para prevenir a perda auditiva induzida por ruído enquanto o indivíduo está exposto a ruído é o protetor auricular. Eles reduzem (não eliminam) o nível de ruído que entra no ouvido e podem proteger contra outros efeitos da exposição ao ruído, como zumbido e hiperacusia. A higiene e o cuidado adequados podem reduzir as chances de infecções na orelha externa.

Esses dispositivos foram projetados para ser usado sobre o pavilhão auricular ou introduzido no meato acústico externo. Existe uma variedade de tipos de protetores auriculares. Alguns possuem uma tecnologia diferenciada, reduzindo o som que atinge o tímpano por meio de uma combinação de componentes eletrônicos e estruturais, sendo geralmente personalizados. Microfones, circuitos e receptores eletrônicos realizam uma redução de ruído ativa, também conhecida como cancelamento de ruído, na qual é apresentado um sinal que está fora de fase a 180 graus do ruído, o que em teoria cancela o mesmo.

RegulamentaçãoEditar

As regulamentações sobre ruído ambiental geralmente especificam um nível máximo de ruído externo de 60 a 65 dB, enquanto as organizações de segurança ocupacional recomendam que a exposição máxima a ruído seja de 85 dB para uma jornada de trabalho de 8 horas. Para cada 5 dB adicional, é reduzida pela metade o tempo máximo de exposição permitido, ou seja, em uma exposição de 90 dB é reduzido pela metade o tempo de exposição, ou seja, 4 horas.

Com a intenção de reduzir e evitar a PAIR, foram criados muitos programas e iniciativas, como o programa Buy Quiet, que incentiva os empregadores a comprarem ferramentas e equipamentos mais silenciosos, e o Safe-In-Sound Award, que reconhece organizações que desenvolvem estratégias de prevenção de perdas bem-sucedidas.

ReferênciasEditar

  1. Meira, Tatiane Costa (1 de janeiro de 2012). «Exposição ao ruído ocupacional: reflexões a partir do campo da Saúde do Trabalhador». "InterfacEHS". Consultado em 15 de setembro de 2019 
  2. Zannin, Paulo Henrique Trombetta; Marques, Jair Mendes; Morata, Thais Catalani; Magni, Cristiana; Lacerda, Adriana Bender Moreira de (Dezembro de 2005). «Ambiente urbano e percepção da poluição sonora». Ambiente & Sociedade. 8 (2): 85–98. ISSN 1414-753X. doi:10.1590/S1414-753X2005000200005 
  3. Morata; Zucki, Thais Catalani, Fernanda (2010). Saúde auditiva: Avaliação de riscos e prevenção. São Paulo: Plexus Editora. 176 páginas 

Ligações externasEditar