Effie Gray

Effie Gray
Effie Gray pintada por Thomas Richmond.
Nome nativo Euphemia Chalmers Gray
Nascimento 7 de maio de 1828
Perth, Perthshire, Escócia
Morte 23 de dezembro de 1897 (69 anos)
Perth, Perthshire, Escócia
Nacionalidade britânica
Cidadania Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Cônjuge John Ruskin (1848–1854; anulado)
John Everett Millais (1855–1896; morte dele)
Filho(s) John Guille Millais
Ocupação modelo, pintora
Movimento estético Irmandade Pré-Rafaelita

Euphemia Chalmers Millais, Lady Millais (Perth, 7 de maio de 1828Perth, 23 de dezembro de 1897) foi esposa do pintor pré-rafaelita John Everett Millais. Antes foi casada com o crítico John Ruskin, de quem Millais era um pupilo e protegido. Effie conseguiu o divórcio de Ruskin sem consumar o casamento e o "triângulo amoroso" foi bastante dramatizado no teatro, no cinema e até em óperas.

BiografiaEditar

Effie nasceu em Perth, na Escócia, em 1828, mas cresceu em Bowerswell, morando casa onde o avô de John Ruskin cometeu suicídio, cortando a própria garganta, em 1817.[1] A família de Effie conhecia a família Ruskin e encorajou um noivado entre eles. O livro de fantasia escrito por Ruskin, The King of the Golden River, foi dedicado a ela em 1841, quando Effie tinha apenas 12 anos. Após seu casamento os dois foram para Veneza, onde ele faria a pesquisa de seu livro The Stones of Venice.[2]

A difereça entre suas personalidades acabou por acirrar suas prioridades, em geral contrastantes. Enquanto que para Effie Veneza era uma chance de socializar e conhecer pessoas, Ruskin fazia suas solitárias pesquisas. Acredita-se que muitas das amizades de sua esposa com outros homens foram encorajadas por Ruskin, para depois ter uma desculpa para se separar dela.[1]

Quando Effie conheceu Millais, cerca de cinco anos depois, ela e o marido ainda não tinham consumado o casamento por insistência de Ruskin.[3] Não se sabe ao certo por que ele se recusava a ter relações sexuais com a esposa mas, em uma carta escrita para o pai, Effie descreve:

John Ruskin confirmou tal alegação para seu advogado no processo de anulação. Os motivos para tal aversão variam, indo de homossexualidade a nojo de pelos pubianos e sangue menstrual. Há alegações de que o motivo seria financeiro e que a família menos rica e menos influente de Effie estaria tentando obter ambos às suas custas.[5]

 
Effie at Glenfinlas, sketch por Millais

Enquanto ainda era casada com Ruskin Effie foi modelo de Millais em várias obras e chegou a acompanhá-lo, junto do marido, em uma viagem para a Escócia. Em algum momento, eles acabaram se apaixonando.[3] Quando retornaram a Londres Effie abandonou Ruskin com a desculpa de que visitaria a família. Ela devolveu sua aliança de casamento com uma carta, anunciando sua intenção de anular o casamento. Com o apoio da família e de pessoas influentes, ela ganhou a causa em 1854, o que causou um grande escândalo público. A razão para a anulação, tal como consta no processo, era de uma "impotência incurável".[6]

Novo casamentoEditar

Em 1855, Effie se casou com John Millais e tiveram oito filhos: Everett, nascido em 1856; George, nascido em 1857; Effie, nascido em 1858; Mary, nascido em 1860; Alice, nascido em 1862; Geoffroy, nascido em 1863; John nascido em 1865; e Sophie em 1868. O mais novo, John Guille Millais, foi um grande artista e botânico. Effie serviu de modelo para vários trabalhos do marido, em especial em pinturas que a idealizavam como a deusa da beleza e fertilidade.[5][3]

Últimos anos e morteEditar

 
Euphemia Millais Gray, Perth, Scotland

A anulação de seu casamento a impediu de frequentar eventos onde a Rainha Vitória estivesse presente. Tanto ela quanto seu marido ficaram consideravelmente incomodados comisso, já que Effie havia sido socialmente muito ativa, embora muitos na sociedade ainda estivessem prontos para recebê-la e tratar seu caso com simpatia.[3]

Effie Gray morreu em 23 de dezembro de 1897, cerca de 16 meses depois da morte de Millais e foi sepultada no cemitério da igreja de Kinnoull, em Perth.[3]

Referências

  1. a b Henrietta Garnett (30 de agosto de 2012). Wives and Stunners: The Pre-Raphaelites and Their Muses. [S.l.]: Pan Macmillan. pp. 227–etc. ISBN 978-0-230-76754-6 
  2. James, William Milbourne, ed. (1948). The Order of Release: The Story of John Ruskin, Effie Gray and John Everett Millais Told for the First Time in their Unpublished Letters. University of Michigan: J. Murray. p. 1 
  3. a b c d e Cooper, Suzanne Fagence (2010). The Model Wife: The Passionate Lives of Effie Gray, Ruskin and Millais (em inglês) 1ª ed. [S.l.]: Duckworth Overlook. 332 páginas 
  4. Robert Hewison (1979). John Ruskin. [S.l.]: Ardent Media. pp. 201–202. GGKEY:8PSQ7NGSATA 
  5. a b Prodger, Michael (29 de março de 2013). «John Ruskin's marriage: What really happened». Guardian. Consultado em 24 de março de 2015 
  6. Arquivos Nacionais da Escócia, Anualção registrada nas Minutas de Sessões de Kinnoull Kirk (NRS ref. CH2/948/7), 1854, pp.223–227.

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Effie Gray