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A eleição presidencial brasileira de 1974 foi a vigésima-primeira eleição presidencial do país e a quarta do regime militar. Ocorreu de forma indireta, através de votação no Congresso Nacional.

Eleição presidencial no Brasil em 1974
  1969 ← Flag of Brazil.svg → 1978
15 de janeiro de 1974
eleição indireta
Ernesto Geisel.jpg Ulisses Silveira Guimarães, Deputado (SP).tif
Candidato Ernesto Geisel Ulysses Guimarães
Partido ARENA MDB
Natural de Rio Grande do Sul São Paulo
Companheiro de chapa Adalberto Pereira dos Santos Barbosa Lima Sobrinho
Votos 400 76
Porcentagem 84% 16%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

Índice

Contexto históricoEditar

Ao longo do governo de Emílio Médici, militar pertencente a chamada "linha dura" a ditadura militar atingiu seu pleno auge, com controle das poucas atividades políticas toleradas, a repressão e a censura às instituições civis reforçadas e a proibição de qualquer manifestação de opinião contrário ao sistema. Foi um período marcado pelo uso sistemático de meios violentos como a tortura e o assassinato.[1] Seu período na presidência ficou conhecido historicamente como Anos de Chumbo.

Todas as eleições durante o regime militar elegeram candidatos militares do partido da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), porém durante as eleições de candidatos militares da linha-dura (1966 e 1969) não houve outros candidaturas, sendo uma eleição de chapa única. Nas eleições dos candidatos militares moderados havia uma outra chapa de oposição (1974 e 1978), com exceção de 1964, onde todas as chapas eram de militares. A candidatura militar foi indicada pelo presidente Médici tendo como oposição a chapa do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sendo que Médici escolherá Geisel.

Geisel fez parte do grupo de militares castelistas que combateram a candidatura do marechal Costa e Silva à presidência da República em 1966.

Com a posse de Costa e Silva na presidência, Geisel caiu no ostracismo político. No governo de Emílio Médici tornou-se presidente da Petrobras, enquanto seu irmão Orlando Geisel se tornou o ministro do Exército. O apoio do irmão Orlando foi decisivo para que Médici o escolhesse como candidato à presidência da república para o mandato de 1974-1979.

Tornou-se nítido para os membros do MDB que a forma mais eficaz de encerrar a Ditadura Militar seria pela disputa "eleitoral" da Presidência da República dentro do Colégio Eleitoral embora neste a maioria pertencesse a ARENA. Desse modo, apesar da percepção de que o Colégio Eleitoral votaria, invariavelmente, no General indicado pela cúpula militar, Ulysses Guimarães foi lançado "anticandidato" à Presidência da República em convenção realizada em 4 de setembro de 1973. Mesmo sem chances reais de vitória tanto Ulysses quanto o MDB experimentaram um refluxo de sua popularidade, ao conduzir uma campanha eleitoral nas ruas o que jamais tinha acontecido desde 1964, afinal os militares jamais se preocuparam com um ato dessa natureza.

O candidato da ARENA à presidência em 18 de junho de 1973, foi eleito presidente com 400 votos, contra apenas 76 do "anticandidato" Ulysses Guimarães, do MDB, em 15 de janeiro de 1974.[2][3]

CandidatosEditar

As candidaturas foram definidas em convenções partidárias realizadas em setembro de 1973. A primeira foi da ARENA nos dias 14 e 15 que por unanimidade definiu as candidaturas de Ernesto Geisel e Adalberto Pereira dos Santos para presidente e vice respectivamente.[4] O MDB realizou a sua convenção no Senado dia 22 que escolheu por 201 votos a chapa Ulysses Silveira Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho.[5]

VotaçãoEditar

A votação ocorreu em 15 de janeiro de 1974 às 9 horas. O Colégio Eleitoral foi composto de 503 eleitores, sendo 66 senadores, 310 deputados federais e de 127 representantes das Assembleias Legislativas dos estados. Com o comparecimento de 497 votantes, a sessão de votação foi conduzida pelo presidente do Congresso Nacional Paulo Torres. Os votos foram nominais e abertos. Discursaram Ulysses Guimarães e Petrônio Portela presidente da ARENA.[6][7] Os 21 votos de abstenção foram dos membros do MDB discordantes do pleito e fizeram declaração de voto a mesa. Conhecidos como "Autênticos" do MDB, foram eles: Freitas Diniz (MA), Severo Eulálio (PI), Álvaro Lins (CE), Paes de Andrade (CE), Marcondes Gadelha (PB), Fernando Lyra (PE), Marcos Freire (PE), Francisco Pinto (BA), João Borges (BA), Walter Silva (RJ), J. G. de Araújo Jorge (GB/RJ), Lysâneas Maciel (GB/RJ), Francisco Amaral (SP), Freitas Nobre (SP), Santilli Sobrinho (SP), Fernando Cunha (GO), Alencar Furtado (PR), Jaison Barreto (SC), Amaury Müller (RS), Eloy Lenzi (RS) e Getúlio Dias (RS).[7] Também integrantes do grupo, os deputados Jerônimo Santana (RO), Fernando Gama (PR) e Nadyr Rossetti (RS) estavam no Congresso mas não votaram no plenário.[7]

ResultadosEditar

Eleição para presidente do Brasil em 1974
Candidato presidencial Candidato vice-presidencial Partido Votos Porcentagem
Ernesto Geisel Adalberto Pereira dos Santos ARENA 400 84%
Ulysses Guimarães Barbosa Lima Sobrinho MDB 76 16%
Votos em branco 21
Ausências 6

Referências

  1. «Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988». Relatório Final da CNV. 2014. Com Médici, o regime ditatorial-militar brasileiro atingiu sua forma plena. Criara-se uma arquitetura legal que permitia o controle dos rudimentos de atividade política tolerada. Aperfeiçoara-se um sistema repressor complexo, que permeava as estruturas administrativas dos poderes públicos e exercia uma vigilância permanente sobre as principais instituições da sociedade civil: sindicatos, organizações profissionais, igrejas, partidos. Erigiu-se também uma burocracia de censura que intimidava ou proibia manifestações de opiniões e de expressões culturais identificadas como hostis ao sistema. Sobretudo, em suas práticas repressivas, fazia uso de maneira sistemática e sem limites dos meios mais violentos, como a tortura e o assassinato. 
  2. «Geisel eleito, por 400 votos a 76». Folha de S. Paulo. 16 de janeiro de 1974. Consultado em 22 de março de 2016 
  3. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Brasil Escola
  4. Jornal do Brasil, edição de 16 de setembro de 1973
  5. Jornal do Brasil, edição de 23 de setembro de 1973
  6. Jornal do Brasil, edição de 15 de janeiro de 1974
  7. a b c Folha de S.Paulo, edição de 16 de janeiro de 1974


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