Eleições estaduais no Amazonas em 1966

As eleições estaduais no Amazonas em 1966 ocorreram em duas etapas conforme previa o Ato Institucional Número Três[1] e por isso a eleição indireta do governador Danilo Areosa e do vice-governador Rui Araújo foi realizada no dia 3 de setembro enquanto o senador Álvaro Maia e os sete deputados federais e trinta estaduais foram eleitos em 15 de novembro[2] num rito similar ao aplicado a todos os 22 estados e aos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima.[nota 1]

1962 Brasil 1970
Eleições estaduais no  Amazonas em 1966
3 de setembro de 1966
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1966
(Eleição direta)


Candidato Danilo Areosa


Partido ARENA


Natural de Manaus, AM


Vice Rui Araújo
Votos 21
Porcentagem 100%

O escolhido para ocupar o Palácio Rio Negro foi Danilo Areosa. Nascido em Manaus, ele estudou Contabilidade em Lisboa e concluiu os estudos no Brasil. Profissional do ramo de seguros, trabalhou na empresa da família sendo eleito presidente do Comitê Amazonense de Seguros em 1947, onde ficou dezenove anos. Presidente estadual do Serviço Social do Comércio e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Amazonas, foi nomeado para o Conselho Rodoviário Estadual do Amazonas em dezembro de 1955 no governo Plínio Coelho. Vinculado à Confederação Nacional do Comércio, foi presidente da Federação do Comércio do Amazonas e vice-presidente da Legião Brasileira de Assistência. Secretário de Fazenda no governo Artur Reis foi referendado governador pela ARENA tendo como vice-governador o deputado estadual Rui Araújo, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas.[3]

Sobre o vice-governador eleito, ele nasceu no Recife e passou a residir no Amazonas em 1904. Trabalhou no antigo Departamento de Correios e Telégrafos e formou-se depois advogado pela Universidade Federal do Amazonas. Juiz de direito em Guajará-Mirim, Porto Velho e Humaitá, foi consultor jurídico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e de volta ao Amazonas foi delegado e chefe de polícia.[4] Aposentado como funcionário do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários, foi secretário-geral do estado após a decretação do Estado Novo e assim tornou-se o substituto eventual do interventor Álvaro Maia.[nota 2] Eleito deputado federal pelo PSD em 1950 e deputado estadual em 1962, foi eleito vice-governador do estado após a criação do referido cargo.

Na eleição para senador a vitória foi do jornalista e advogado Álvaro Maia. Nascido em Humaitá e formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1917, foi funcionário público e um dos fundadores da Academia Amazonense de Letras.[5] Seu primeiro cargo político foi na administração do então território federa de Rondônia (1920-1921) como auxiliar do monsenhor Raimundo Oliveira. De volta ao seu estado dirigiu a Imprensa Oficial e foi professor do Ginásio Amazonense. Ao longo da Era Vargas ocupou o governo do Amazonas[nota 3] e com o fim do Estado Novo filiou-se ao PSD sendo eleito senador em 1945 e governador do Amazonas em 1950 retornando ao Senado Federal pela ARENA após três tentativas frustradas. Faleceu no curso do mandato e com a morte do titular a cadeira foi entregue a Flávio Brito.[6][nota 4]

Resultado da eleição para governador editar

A escolha foi feita pela Assembleia Legislativa do Amazonas durante a qual se retiraram do plenário os cinco deputados estaduais do MDB e o arenista Durval Mena.[7]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Danilo Areosa
ARENA
Rui Araújo
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
21
100%
Fontes:[8]
  Eleito

Resultado das eleições para senador editar

Com informações oriundas do Tribunal Superior Eleitoral, cujos arquivos apontam 77.957 votos nominais houve 8.011 votos em branco e 5.754 votos nulos totalizando um comparecimento de 91.722 eleitores. Segundo informações da Justiça Eleitoral 784 eleitores deixaram de votar por falta de cédulas oficiais.[2]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Álvaro Maia
ARENA
Flávio Brito
ARENA
-
ARENA (em sublegenda)
31.194
40,01%
João Veiga
MDB
Antunes de Oliveira
MDB
-
MDB (em sublegenda)
29.164
37,41%
Vivaldo Lima Filho
ARENA
Ney Rayol
ARENA
-
ARENA (em sublegenda)
10.403
13,35%
Desiré Guarani
MDB
Gláucio Bentes
MDB
-
MDB (em sublegenda)
7.196
9,23%
Fontes:[9]
  Eleito

Deputados federais eleitos editar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[10][11]

Representação eleita

  ARENA: 5
  MDB: 2
Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
José Esteves ARENA 16.394 18,73% Maués   Amazonas
Bernardo Cabral[nota 5] MDB 11.861 13,55% Manaus   Amazonas
Leopoldo Peres ARENA 7.479 8,54% Manaus   Amazonas
José Lindoso ARENA 6.824 7,79% Manicoré   Amazonas
Abraão Sabbá ARENA 6.407 7,32% Belém   Pará
Raimundo Parente ARENA 5.271 6,02% Manaus   Amazonas
Joel Ferreira MDB 4.485 5,12% Manaus   Amazonas

Deputados estaduais eleitos editar

Havia 30 vagas na Assembleia Legislativa do Amazonas.[2][11]

Representação eleita

  ARENA: 20
  MDB: 10
Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Francisco Guedes de Queiroz MDB 2.791 3,04% Careiro da Várzea   Amazonas
Rafael Faraco ARENA 2.642 2,88% Maués   Amazonas
Danilo de Aguiar Corrêa ARENA 2.126 2,31% Manaus   Amazonas
José Cidade de Oliveira ARENA 1.986 2,16% Autazes   Amazonas
Osvaldo Tennyson Chaves Monteiro ARENA 1.959 2,13% Eirunepé   Amazonas
José Austregésilo Mendes ARENA 1.931 2,10% Pauini   Amazonas
Francisco Dorval Vieira ARENA 1.841 2,00% Itamarati   Amazonas
Sérgio Pessoa Neto ARENA 1.807 1,97% Manaus   Amazonas
Anfremon d'Amazonas Monteiro ARENA 1.628 1,77% Beruri   Amazonas
Augusto Pessoa Montenegro ARENA 1.564 1,70% Tefé   Amazonas
Natanael Bento Rodrigues MDB 1.528 1,66% São Paulo de Olivença   Amazonas
Álvaro Maranhão ARENA 1.494 1,62% Iranduba   Amazonas
Tupinambá de Paula e Sousa ARENA 1.484 1,61% Tapauá   Amazonas
Vinícius Monte Conrado Gomes ARENA 1.414 1,54% Manaus   Amazonas
João Braga Júnior ARENA 1.408 1,53% Santarém   Pará
Wilson Paula de Sá ARENA 1.400 1,52% Uarini   Amazonas
Homero de Miranda Leão ARENA 1.380 1,50% Maués   Amazonas
Léa Alencar Antony MDB 1.356 1,47% Manaus   Amazonas
Darcy Augusto Michiles ARENA 1.345 1,46% Manaus   Amazonas
Alfredo Augusto Pereira Campos MDB 1.304 1,42% Barcelos   Amazonas
José Belo Ferreira ARENA 1.264 1,37% Manaus   Amazonas
João Bosco de Lima MDB 1.250 1,36% Manaus   Amazonas
Manoel José de Andrade Neto MDB 1.199 1,30% Manaus   Amazonas
Júlio Furtado Belém ARENA 1.182 1,28% Apuí   Amazonas
Rossini Barbosa Lima ARENA 1.141 1,24% Recife   Pernambuco
Theomário Pinto da Costa ARENA 1.126 1,22% Caapiranga   Amazonas
João Valério de Oliveira MDB 1.111 1,21% Itacoatiara   Amazonas
Mário da Silva d'Almeida MDB 992 1,08% Manacapuru   Amazonas
Ismael Benigno MDB 957 1,04% Manaus   Amazonas
Renato de Souza Pinto MDB 892 0,97% Manaus   Amazonas
Fontes:[12][nota 6]

Notas

  1. Nos referidos territórios o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais, não havendo eleições no Distrito Federal e no Território Federal de Fernando de Noronha.
  2. Embora os registros não afirmem, a posição de Rui Araújo equivalia a de um vice-governador.
  3. Empossado em 1930 deixou o cargo após quinze anos cumprindo dois mandatos intercalados pelo governo do capitão Nelson de Melo, interventor federal entre 1933 e 1935.
  4. Flávio Brito é empresário e cooperativista nascido em Manaus, integrou o conselho consultivo de órgãos que antecederam ao atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e foi dirigente do Serviço Social Rural. Em 1966 foi eleito suplente de senador e no ano seguinte assumiu a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
  5. Durante a legislatura o deputado Bernardo Cabral foi cassado em 7 de fevereiro de 1969 pelo Ato Institucional Número Cinco cujo Art. 4º § único proibia a convocação do suplente.
  6. Os deputados estaduais Anfremon d'Amazonas Monteiro, Ismael Benigno, Renato de Souza Pinto e o suplente Nelsonez de Noronha foram cassados pelo Ato Institucional Número Cinco num decreto assinado pelo presidente Costa e Silva em 13 de março de 1969.

Referências

  1. BRASIL. Presidência da República. «Ato Institucional Número Três». Consultado em 29 de novembro de 2013 
  2. a b c BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. «Eleições de 1966». Consultado em 7 de janeiro de 2024 
  3. BRASIL. Fundação Getúlio Vargas. «Biografia de Danilo Areosa no CPDOC». Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  4. BRASIL. Câmara dos Deputados. «Biografia do deputado Rui Araújo». Consultado em 14 de julho de 2016 
  5. BRASIL. Senado Federal. «Biografia do senador Álvaro Maia». Consultado em 14 de julho de 2016 
  6. BRASIL. Senado Federal. «Biografia do senador Flávio Brito». Consultado em 14 de julho de 2016 
  7. «Acervo digital de O Estado de S. Paulo». Consultado em 29 de novembro de 2013 
  8. Redação (4 de setembro de 1966). «Areosa ganha no Amazonas com protesto da oposição. Primeiro Caderno – p. 16». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 7 de janeiro de 2024 
  9. BRASIL. Senado Federal. «Ato Complementar n.º 07 de 31/01/1966». Consultado em 7 de janeiro de 2024 
  10. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 8 de agosto de 2015. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  11. a b BRASIL. Presidência da República. «Lei n.º 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 8 de agosto de 2015 
  12. Redação (14 de março de 1969). «Governo cassa 92 deputados estaduais e três federais. Política e Governo – p. 03». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 23 de junho de 2023