Abrir menu principal

Eleições estaduais no Ceará em 1986

As eleições estaduais no Ceará em 1986 ocorreram em 15 de novembro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 23 estados e nos territórios federais do Amapá e Roraima. Foram eleitos o governador Tasso Jereissati, o vice-governador Castelo de Castro, os senadores Mauro Benevides e Cid Saboia de Carvalho, mais 22 deputados federais e 46 estaduais. Foi a derradeira eleição para governador em que não vigiam os dois turnos. Quatro nomes disputaram o pleito, mas a vitória foi de Tasso Jereissati, candidato apoiado pelo então governador Gonzaga Mota no único triunfo do PMDB em disputas pelo Palácio Iracema.[nota 1][1][2][nota 2][3]

1982 Brasil 1990
Eleições estaduais no  Ceará em 1986
15 de novembro de 1986
(Turno único)
Jereissati21052007.jpg José Adauto Bezerra, Governador do Ceará..tif
Candidato Tasso Jereissati Adauto Bezerra
Partido PMDB PFL
Natural de Fortaleza, CE Juazeiro do Norte, CE
Vice Castelo de Castro Aquiles Mota
Votos 1.407.693 807.315
Porcentagem 52,32% 30,01%


Brasão do Ceará.svg
Governador do Ceará

Para entender o resultado desta eleição é preciso recuar até 1962 quando Virgílio Távora engendrou uma coligação denominada "União pelo Ceará" ao unir UDN e PSD e isto serviu como embrião da ARENA tão logo o Regime Militar de 1964 forçou o bipartidarismo e dividiu o poder estadual também com César Cals e Adauto Bezerra que formavam um triunvirato de coronéis cujo poder vinha do clientelismo e das patentes militares ostentadas pelo trio.[4] Tamanho era o domínio exercido que, exceto pela vitória de Mauro Benevides para senador em 1974,[3] o grupo não sofreu qualquer revés eleitoral. Entretanto com a proximidade das eleições de 1982 as tensões no PDS, o novo partido governista, levaram à escolha do professor e economista Gonzaga Mota, único nome capaz de aglutinar os grupos divergentes.[5] Escolhido o cabeça de chapa os coronéis acertaram que Adauto Bezerra seria o vice-governador e Virgílio Távora o senador com César Cals tendo o direito de indicar seu filho, César Cals Neto, à prefeitura de Fortaleza num tratado confirmado pela vitória de Gonzaga Mota.[5]

A eleição de Tancredo Neves e o subsequente governo de José Sarney, todavia, mudaram o quadro político no estado a ponto de Gonzaga Mota romper com seus padrinhos e ingressar no PMDB[nota 3] abrindo caminho à candidatura do empresário Tasso Jereissati ao governo.[6] Filho de Carlos Jereissati e genro de Edson Queiroz, o novo governador nasceu em Fortaleza é formado em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas e desenvolve atividade política desde 1976 quando ingressou no Centro Industrial do Ceará, uma espécie de fórum para debates políticos e econômicos. Sua gestão à frente do executivo estadual deu força política ao tassismo, responsável pela vitória de Ciro Gomes para prefeito de Fortaleza em 1988 e com o ingresso deles no PSDB em 16 de janeiro de 1990[7] foi erigida formalmente uma aliança política responsável pela chegada de Ciro Gomes ao Palácio Iracema naquele ano numa união que durou até às vésperas do pleito de 2006 quando a união foi rompida visto que Ciro Gomes e seu irmão, o então governador Cid Gomes, davam suporte ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Consumada a defecção de Gonzaga Mota, os coronéis da política cearense reeditaram a extinta ARENA ao anunciar a chamada "Coligação Democrática" formada pelo PFL de Adauto Bezerra e o PDS de César Cals e Virgílio Távora com o apoio do PTB.[8]

Resultado da eleição para governadorEditar

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará houve 293.271 (10,90%) votos em branco e 106.687 (3,97%) votos nulos calculados sobre um total de 2.690.314 eleitores com os 2.290.356 votos nominais assim distribuídos:[3][9]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Tasso Jereissati
PMDB
Castelo de Castro
PMDB
15
Coligação Pró-Mudanças
(PMDB, PDC, PCB, PCdoB)
1.407.693
61,46%
Adauto Bezerra
PFL
Aquiles Mota
PDS
25
Coligação Democrática
(PFL, PDS, PTB)
807.315
35,25%
Haroldo Coelho
PT
Walton Miranda Leitão
PSB
13
PT, PSB
68.044
2,97%
Francisco Quintela
PSC
Hugo Martins Lessa
PSC
20
União Liberal-Cristã
(PSC, PL)
7.304
0,32%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senadorEditar

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará houve 1.163.694 (21,63%) votos em branco e 210.989 (3,92%) votos nulos calculados sobre um total de 5.380.628 eleitores com os 4.005.945 votos nominais assim distribuídos:[3][10][nota 4]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Mauro Benevides
PMDB
Djalma Eufrásio[nota 5]
PMDB
151
Coligação Pró-Mudanças
(PMDB, PDC, PCB, PCdoB)
1.219.289
30,44%
Cid Saboia de Carvalho
PMDB
[nota 6]
PMDB
152
Coligação Pró-Mudanças
(PMDB, PDC, PCB, PCdoB)
950.231
23,72%
Paulo Lustosa
PFL
Ernani Viana
PFL
251
Coligação Democrática
(PFL, PDS, PTB)
732.169
18,28%
César Cals
PDS
Manuel de Castro Filho
PDS
111
Coligação Democrática
(PFL, PDS, PTB)
602.546
15,04%
Esmerino Arruda[nota 7]
PMDB
[nota 6]
PMDB
154
Coligação Pró-Mudanças
(PMDB, PDC, PCB, PCdoB)
116.990
2,92%
Pedro Gurjão
PDT
não disponível
PDT
121
PDT (sem coligação)
114.019
2,85%
Eduardo Jucá
PSB
não disponível
PSB
401
PT, PSB
104.644
2,61%
Nestor Vasconcelos
PMDB
[nota 6]
PMDB
153
Coligação Pró-Mudanças
(PMDB, PDC, PCB, PCdoB)
65.151
1,63%
Cleide Bernal
PT
não disponível
PT
131
PT, PSB
49.878
1,24%
Alberto Teixeira
PDT
não disponível
PDT
122
PDT (sem coligação)
19.668
0,49%
Francisco Rodrigues
PSC
Maria Valquíria Veras
PSC
202
União Liberal-Cristã
(PSC, PL)
16.375
0,41%
Olga Silva
PL
não disponível
PL
222
União Liberal-Cristã
(PSC, PL)
14.985
0,37%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[11] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[12]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Lúcio Alcântara PFL 102.691 Fortaleza   Ceará
Moema São Thiago PDT 83.341 Formiga   Minas Gerais
Paes de Andrade PMDB 72.748 Mombaça   Ceará
Mauro Sampaio PMDB 64.089 Fortaleza   Ceará
Bezerra de Melo PMDB 57.815 Crateús   Ceará
Expedito Machado PMDB 56.462 Crateús   Ceará
Ubiratan Aguiar PMDB 56.342 Cedro   Ceará
Luís Marques[nota 8] PFL 53.697 Tauá   Ceará
César Cals Neto PDS 49.554 Fortaleza   Ceará
Orlando Bezerra PFL 49.291 Juazeiro do Norte   Ceará
Firmo de Castro PMDB 48.786 Fortaleza   Ceará
Osmundo Rebouças PMDB 46.452 Aracati   Ceará
Carlos Virgílio Távora PDS 45.673 Fortaleza   Ceará
Carlos Benevides PMDB 43.915 Fortaleza   Ceará
Etevaldo Nogueira PFL 43.495 Pedro II   Piauí
Moisés Pimentel PMDB 41.457 Crateús   Ceará
Aécio de Borba PDS 40.929 Fortaleza   Ceará
Gidel Dantas PMDB 40.459 Caraúbas   Rio Grande do Norte
Manuel Viana PMDB 40.084 Fortaleza   Ceará
José Lins PFL 39.954 Crateús   Ceará
Furtado Leite PFL 39.104 Santana do Cariri   Ceará
Raimundo Bezerra PMDB 38.053 Crateús   Ceará

Deputados estaduaisEditar

Na distribuição das cadeiras os números foram os seguintes: PMDB vinte e quatro, PFL treze, PDS cinco, PDT duas, PT duas.[3]

Notas

  1. O Distrito Federal elegeu três senadores e oito deputados federais de acordo com a Emenda Constitucional 25 de 15/05/1985 enquanto os territórios federais elegeram quatro deputados federais cada de acordo com a Emenda Constitucional nº 22 de 29/06/1982, sendo que em Fernando de Noronha não houve escolha de representantes.
  2. A sede anterior do governo, o Palácio da Abolição, só recuperaria seu status em 2011.
  3. Em 1982 o PDS elegeu todos os governadores do Nordeste dos quais sete ingressaram no PFL (Luís Rocha, Hugo Napoleão, José Agripino Maia, Wilson Braga, Roberto Magalhães, Guilherme Palmeira, João Alves Filho) e Gonzaga Mota passou rapidamente pelo PFL antes de optar pelo PMDB enquanto João Durval Carneiro ficou no PDS.
  4. Após a promulgação da Emenda Constitucional Número Um, a Constituição de 1967 dizia (Art. 41 § 2º) que cada senador seria eleito com o seu suplente. Em 1986 os candidatos ao Senado Federal concorriam ao lado de dois suplentes (exceto em casos de sublegenda), entretanto citamos aqui apenas o primeiro de cada chapa sem, contudo, deixar de referenciar o outro quando necessário.
  5. A candidatura de Mauro Benevides foi abrigada numa sublegenda enquanto os demais postulantes do PMDB concorreram em outra.
  6. a b c A convenção do PMDB definiu uma chapa onde, de acordo com a lei, o mais votado seria eleito e os demais figurariam como suplentes segundo a ordem de votação.
  7. Sua eleição à prefeitura de Granja em 1988 o fez renunciar à suplência.
  8. Renunciou em 23 de maio de 1990 para assumir a direção do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) sendo efetivado Flávio Marcílio.

Referências

  1. «BRASIL. Presidência da República: Emenda Constitucional 25 de 15/05/1985». Consultado em 5 de junho de 2016 
  2. «BRASIL. Presidência da República: Emenda Constitucional 22 de 29/06/1982». Consultado em 5 de junho de 2016 
  3. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará». Consultado em 23 de setembro de 2013 
  4. Tasso x Coronéis (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 06/09/1986. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 11 de maio de 2016.
  5. a b Coronéis vão à guerra. Disponível em Veja, ed. 935 de 06/08/1986. São Paulo: Abril.
  6. Tasso, 37 anos, milionário. É o nome do PMDB no Ceará (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 29/04/1986. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 4 de junho de 2016.
  7. Tasso Jereissati se filia ao PSDB e diz que sua opção é "definitiva" (online). Folha de S. Paulo, 17/01/1990. Página visitada em 24 de setembro de 2013.
  8. Três partidos selam acordo com coronéis (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 28/07/1986. Primeiro caderno, p. 02. Página visitada em 4 de junho de 2016.
  9. Ceará tem quatro candidatos (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 04/08/1986. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 4 de maio de 2016.
  10. PDT pode apoiar PT no Ceará e PMDB faz festa para homologar Tasso (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 02/08/1986. Primeiro caderno, p. 02. Página visitada em 4 de maio de 2016.
  11. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 10 de maio de 2016. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  12. «Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 10 de maio de 2016