Eleições estaduais no Paraná em 1970

As eleições estaduais no Paraná em 1970 aconteceram em duas fases conforme previa o Ato Institucional Número Três e assim a eleição indireta do governador Haroldo Leon Peres e do vice-governador Parigot de Souza aconteceu em 3 de outubro e a escolha dos senadores Acioly Filho e Matos Leão, 23 deputados federais e 47 deputados estaduais se deu em 15 de novembro conforme o receituário aplicado aos 22 estados e aos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima.[1][2][3][nota 1]

1966 Brasil 1973
Eleições estaduais no  Paraná em 1970
3 de outubro de 1970
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1970
(Eleição direta)


Haroldo Leon Peres, Governador do Paraná.tif
Candidato Haroldo Leon Peres


Partido ARENA


Natural de Rio de Janeiro, RJ


Vice Parigot de Souza
Votos 33
Porcentagem 100%


Brasão do Paraná.svg
Governador do Paraná

Quando o Palácio do Planalto findou a consulta sobre quem seriam os governadores escolhidos pelo presidente Emílio Garrastazu Médici e referendados pela ARENA em cada estado os mesmos souberam que seriam empossados em 15 de março de 1971 para quatro anos de mandato e somente no Paraná o governador foi trocado. O primeiro titular do Palácio Iguaçu foi o advogado Haroldo Leon Peres, nascido no Rio de Janeiro e formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1951 fixou morada em Maringá e nessa cidade foi fazendeiro e professor da Universidade Estadual de Maringá até ingressar na UDN e ser eleito deputado estadual em 1958 e 1962 e após o Regime Militar de 1964 ingressou na ARENA elegendo-se deputado federal em 1966. Seu mandato de governador chegou ao fim em 23 de novembro de 1971 quando renunciou sob a acusação de corrupção, a qual sempre rechaçou.[4]

Com sua queda o poder foi entregue ao vice-governador Parigot de Souza, nascido em Curitiba e formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná onde foi professor tendo especialização em Engenharia Hidráulica na França. Ingressou no serviço público através da Secretaria de Viação e Obras Públicas e dirigiu obras de infraestrutura nos portos de Paranaguá, Antonina e no fluxo do Rio Iguaçu. Antes de ingressar na política foi um dos instaladores da Companhia Paranaense de Energia e presidente da mesma por nove anos a partir de 1961 dela se afastando ao ser eleito vice-governador do Paraná pela ARENA sendo efetivado com a renúncia do titular, falecendo, porém, de câncer em 11 de julho de 1973.[nota 2]

O senador mais votado foi o advogado, economista e empresário Matos Leão. Natural de Mallet ele se formou, respectivamente, na Universidade Federal do Paraná e na Faculdade de Ciências Econômicas Plácido e Silva. Filiado à UDN foi eleito vereador em 1958 em Guarapuava e após entrar no PSD elegeu-se deputado estadual em 1962 e 1966, quando já militava na ARENA. Afastou-se do mandato no governo Paulo Pimentel para ocupar a Secretaria de Justiça.[5] Renunciou ao mandato de senador à 16 de maio de 1978 para assumir uma diretoria do Banco do Brasil[6] e assim foi efetivado Vilela de Magalhães.[7]

A segunda vaga ficou com outro advogado, Acioly Filho. Também formado na Universidade Federal do Paraná, ele é de Paranaguá e foi membro do governo Manoel Ribas. Eleito deputado estadual via PSD em 1947, 1950 e 1954, foi presidente do legislativo. Eleito deputado federal[8] em 1958, 1962 e 1966, integrou brevemente o PDC por desavenças com o governador Moisés Lupion e depois seguiu rumo à ARENA.

Resultado da eleição para governadorEditar

Eleição realizada pela Assembleia Legislativa do Paraná. Nela foram computados apenas os votos válidos.

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Haroldo Leon Peres
ARENA
Parigot de Souza
ARENA
11
ARENA (sem coligação)
33
100%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral que computou 2.225.536 votos nominais, 830.402 votos em branco e 156.936 votos nulos totalizando um comparecimento de 3.212.874 eleitores.[9]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Matos Leão
ARENA
Vilela de Magalhães
ARENA
111
ARENA (sem coligação)
852.481
38,31%
Acioly Filho
ARENA
Milton Menezes
ARENA
112
ARENA (sem coligação)
832.616
37,41%
José Richa
MDB
Francisco Brito de Lacerda
MDB
156
MDB (sem coligação)
540.439
24,28%
  Eleitos

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[10][11][nota 3]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Arnaldo Busato ARENA 98.350 Jaú   São Paulo
Olivir Gabardo MDB 56.969 União da Vitória   Paraná
Alípio de Carvalho ARENA 42.649 Carolina   Maranhão
Alencar Furtado MDB 41.767 Araripe   Ceará
Zacarias Seleme[nota 3] ARENA 41.632 Canoinhas   Santa Catarina
Ítalo Conti ARENA 40.066 Mallet   Paraná
Ardinal Ribas[nota 3] ARENA 39.983 Castro   Paraná
Fernando Gama MDB 37.538 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Artur Santos ARENA 33.981 Curitiba   Paraná
Túlio Vargas ARENA 33.200 Piraí do Sul   Paraná
Antônio Ueno ARENA 33.065 Cambará   Paraná
Kalil Maia Neto ARENA 30.871 São Paulo   São Paulo
Sílvio Barros[nota 4] MDB 29.618 Aiuruoca   Minas Gerais
Hermes Macedo ARENA 28.049 Rio Pardo   Rio Grande do Sul
Mário Stamm ARENA 27.500 Itajaí   Santa Catarina
Alberto Costa ARENA 27.396 Curitiba   Paraná
Agostinho Rodrigues ARENA 26.612 Curitiba   Paraná
Emílio Gomes[nota 3] ARENA 24.522 Ponta Grossa   Paraná
José Carlos Leprevost ARENA 22.976 Curitiba   Paraná
Flávio Giovine ARENA 21.780 São Paulo   São Paulo
Ferreira do Amaral[nota 3] ARENA 21.667 Curitiba   Paraná
João Vargas ARENA 21.572 Ponta Grossa   Paraná
Ary de Lima ARENA 21.373 São Sebastião do Paraíso   Minas Gerais

Deputados estaduais eleitosEditar

Na disputa pelas 47 cadeiras da Assembleia Legislativa do Paraná a ARENA superou o MDB por trinta e nove a oito.[9]

Notas

  1. Nos territórios federais o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais, não havendo eleições no Distrito Federal e no Território Federal de Fernando de Noronha.
  2. Decorrido um mês da gestão interina de João Mansur o governo foi entregue a Emílio Gomes, natural de Ponta Grossa e também engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná. Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná ele trabalhou para o estado e para a prefeitura de Irati. Filiado ao PDC e à ARENA foi eleito deputado federal por três mandatos consecutivos a partir de 1962 renunciando após ser eleito governador em 10 de agosto de 1973 tendo Jaime Canet Júnior como companheiro de chapa.
  3. a b c d e A morte de Ardinal Ribas e depois a eleição de Emílio Gomes ao governo do estado levaram às efetivações de Roberto Galvani e Otávio Cesário Júnior e com a renúncia deste para substituir Ney Braga como senador, assumiu Braga Ramos. Mais tarde o falecimento de Ferreira do Amaral efetivou Luís Losso enquanto Minoro Miyamoto encerraria a legislatura como substituto de Zacarias Seleme, então secretário do Trabalho e Assistência Social do governo estadual.
  4. Foi substituído por Antônio Annibelli após ser eleito prefeito de Maringá em 1972.

Referências

  1. «Subsecretaria de Informações do Senado Federal do Brasil: Ato Institucional Número Três». Consultado em 27 de fevereiro de 2015 
  2. ... e fez-se o Arenão. Disponível em Veja, ed. 116 de 25/11/1970. São Paulo: Abril. Página visitada em 27 de fevereiro de 2015.
  3. «Acervo digital Veja». Consultado em 27 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 29 de outubro de 2013 
  4. A lição do esperto Leon Peres. Disponível em Veja, ed. 169 de 1º de dezembro de 1971. São Paulo: Abril. Página visitada em 12 de novembro de 2013.
  5. «Senado Federal do Brasil: senador Matos Leão». Consultado em 10 de março de 2015 
  6. «Matos Leão renuncia ao Senado. Disponível no Jornal do Brasil, ano LXXXVIII, ed. 39 de 17/05/1978». Consultado em 10 de março de 2015 
  7. «Senado Federal do Brasil: senador Vilela de Magalhães». Consultado em 3 de julho de 2017 
  8. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Acioly Filho». Consultado em 10 de março de 2015 
  9. a b «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 12 de novembro de 2013 
  10. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 27 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  11. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 27 de fevereiro de 2015