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Eleições estaduais no Piauí em 1982

As eleições estaduais no Piauí em 1982 ocorreram em 15 de novembro sob regras como voto vinculado, sublegendas e proibição de coligações partidárias tal como nos demais estados brasileiros.[1] Neste dia o PDS elegeu o governador Hugo Napoleão, o vice-governador Bona Medeiros, o senador João Lobo e fez maioria dentre os nove deputados federais e vinte e sete estaduais que foram eleitos.[2][3][4][5][6][nota 1][nota 2]

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Eleições estaduais no  Piauí em 1982
15 de novembro de 1982
(Turno único)
Hugo napoleao.jpg Alberto Tavares e Silva, Governador do Piauí..tif
Candidato Hugo Napoleão Alberto Silva
Partido PDS PMDB
Natural de Portland, EUA Parnaíba, PI
Vice Bona Medeiros Valdir Dias
Votos 393.818 271.274
Porcentagem 58,70% 40,43%


Brasão do Piauí.svg
Governador do Piauí

Filho do diplomata Aluizio Napoleão, o novo governador do Piauí nasceu em Portland (EUA) quando o pai estava a serviço do governo brasileiro[nota 3] e é advogado formado em 1967 na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Estagiário na procuradoria-geral de Justiça da Guanabara, foi assessor jurídico do Banco Denasa de Investimentos e membro do escritório de Victor Nunes Leal, interrompendo sua trajetória profissional devido ao ingresso na política seguindo os passos do avô, Hugo Napoleão, e do tio, Martins Napoleão. Eleito deputado federal pela ARENA em 1974 e 1978, migrou para o PDS com a reforma partidária.[nota 4]

O novo vice-governador do Piauí é o advogado Bona Medeiros. Nascido em União e formado na Universidade Federal do Piauí, integrou a UDN e a ARENA elegendo-se deputado estadual em 1962, 1966, 1970, 1974 e 1978. Presidente da Assembleia Legislativa do Piauí entre 1975 e 1977, afastou-se do mandato para assumir a prefeitura de Teresina por nomeação dos governadores Helvídio Nunes e Lucídio Portela graças aos dispositivos do Ato Institucional Número Três editado pelo Regime Militar de 1964. Este ano foi eleito pelo PDS.

Eleito senador graças ao aparato das sublegendas, o engenheiro civil João Lobo passou pela UDN e ARENA. Natural de Floriano e formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi eleito deputado estadual em 1962, 1966, 1970, 1974 e 1978. Em sua trajetória parlamentar liderou as bancadas a que pertenceu e liderou o primeiro governo Alberto Silva, além de chegar a vice-presidente do legislativo, comandado então pelo vice-governador do estado.[7] Com o fim do bipartidarismo ingressou no PMDB, entretanto a incorporação do antigo PP à legenda de Ulysses Guimarães em 20 de dezembro de 1981, o fez seguir rumo ao PDS.[8]

Índice

Resultado da eleição para governadorEditar

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí[3] compareceram às urnas 778.423 eleitores dos quais 85.430 (10,97%) votaram em branco e 22.087 (2,84%) anularam o voto com os 670.906 votos nominais assim distribuídos:

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Hugo Napoleão
PDS
Bona Medeiros
PDS
1
PDS (sem coligação)
393.818
58,70%
Alberto Silva
PMDB
Valdir Ribeiro Dias
PMDB
5
PMDB (sem coligação)
271.274
40,43%
José Ribamar dos Santos
PT
Luís Ribamar Osório Lopes
PT
3
PT (sem coligação)
5.814
0,87%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Embora Chagas Rodrigues tenha sido o mais votado, perdeu a vaga devido a soma das sublegendas que permitiram assim a vitória de João Lobo cujos suplentes seriam seus companheiros de chapa.[nota 5] Houve 76.410 (9,82%) votos em branco e 28.356 (3,64%) votos nulos.

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Chagas Rodrigues
PMDB
[nota 6]
-
50
PMDB (sem coligação)
217.862
32,34%
João Lobo
PDS
[nota 6]
-
10
PDS (sem coligação)
194.526
28,87%
Bernardino Viana
PDS
[nota 6]
-
12
PDS (sem coligação)
174.930
25,97%
João Clímaco d'Almeida
PDS
[nota 6]
-
11
PDS (sem coligação)
41.474
6,16%
Francílio Almeida
PMDB
[nota 6]
-
53
PMDB (sem coligação)
25.722
3,82%
Walmor Carvalho
PMDB
[nota 6]
-
52
PMDB (sem coligação)
13.501
2,00%
Josué Lustosa Costa
PT
-
PT
30
PT (sem coligação)
5.642
0,84%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[9][10][nota 7]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Freitas Neto[nota 8] PDS 87.816 11,90% Teresina   Piauí
José Luís Maia PDS 86.070 11,65% Picos   Piauí
Ciro Nogueira PMDB 54.869 7,43% Pedro II   Piauí
Wall Ferraz[nota 9] PMDB 53.226 7,21% Teresina   Piauí
Jônathas Nunes PDS 45.836 6,21% Jerumenha   Piauí
Milton Brandão[nota 9] PDS 44.321 6,00% Pedro II   Piauí
Heráclito Fortes PMDB 42.430 5,74% Teresina   Piauí
Ludgero Raulino PDS 39.019 5,28% Altos   Piauí
Tapety Júnior PDS 32.016 4,33% Oeiras   Piauí

Deputados estaduais eleitosEditar

Em 1978 quase 90% das vagas (21 em 24 possíveis) foram preenchidas pela ARENA. Com a elevação do número de cadeiras para 27 o PDS ficou com dezessete assentos e o PMDB com dez.

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Deoclécio Dantas[nota 10] PMDB 27.059 3,70% Teresina   Piauí
Sebastião Leal PDS 25.624 3,50% Uruçuí   Piauí
Marcelo Coelho PDS 25.288 3,46% Teresina   Piauí
Waldemar Macedo PDS 22.344 3,05% São Raimundo Nonato   Piauí
Barros Araújo PDS 21.138 2,89% Picos   Piauí
José Lobão PDS 20.015 2,74% União   Piauí
Jesualdo Cavalcanti[nota 11] PDS 19.168 2,62% Corrente   Piauí
Marcelo Castro PMDB 18.662 2,55% São Raimundo Nonato   Piauí
Xavier Neto PDS 18.351 2,51% Amarante   Piauí
Juraci Leite PDS 17.246 2,36% Pedro II   Piauí
Humberto Silveira[nota 11] PDS 17.147 2,34% Jaicós   Piauí
Elias Ximenes do Prado PMDB 16.784 2,29% Sobral   Ceará
Wilson Brandão PDS 16.300 2,23% Pedro II   Piauí
Paes Landim PDS 16.181 2,21% São João do Piauí   Piauí
Maurício Melo PDS 15.753 2,15% Campo Maior   Piauí
Luciano Nunes PMDB 15.725 2,15% Oeiras   Piauí
Sabino Paulo PDS 15.578 2,13% São João do Piauí   Piauí
Wilson Parente PDS 15.408 2,11% Cristino Castro   Piauí
Juarez Tapety[nota 11] PDS 15.099 2,06% Oeiras   Piauí
Moraes Souza PDS 14.965 2,04% Parnaíba   Piauí
Ildefonso Dias PDS 14.546 1,99% Sobral   Ceará
Paulo Silva PMDB 13.979 1,91% Parnaíba   Piauí
Aquiles Nogueira PMDB 13.299 1,82% Pedro II   Piauí
Ribeiro Magalhães PMDB 13.161 1,80% Piracuruca   Piauí
Tomaz Teixeira PMDB 12.540 1,71% Campos Sales   Ceará
Batista Dias PMDB 12.348 1,69% São Raimundo Nonato   Piauí
Paulo Santos Rocha PMDB 12.238 1,67% Teresina   Piauí

Estatísticas parlamentaresEditar

Em 1980 aconteceu a extinção do bipartidarismo e assim a ARENA deu lugar ao PDS enquanto o MDB foi substituído pelo PMDB, por isso não mencionamos os dados referentes ao ano de 1978 preferindo expor a filiação dos deputados nos meses anteriores à eleição e no momento do pleito.

Notas

  1. Por força de um casuísmo político a eleição direta em Rondônia excluiu o cargo de governador enquanto nos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais não havendo eleições em Fernando de Noronha.
  2. A Lei n.º 6.091 permitiu que os piauienses radicados no Distrito Federal votassem para todos os cargos em disputa remetendo às urnas ao estado de origem.
  3. Sendo filho de diplomata a serviço do Brasil é brasileiro nato segundo nossa legislação.
  4. Naquele ano o principal candidato de oposição a governador foi o engenheiro civil, engenheiro eletricista e engenheiro mecânico Alberto Silva, graduado pela Universidade Federal de Itajubá e engenheiro-chefe dos Serviços de Transportes Elétricos da Estrada de Ferro Central do Brasil (1941-1947) no Rio de Janeiro. Membro da UDN foi eleito prefeito de Parnaíba em 1948 e 1954 e deputado estadual em 1950. Ainda em sua cidade natal dirigiu duas vezes a estrada de ferro e a seguir a Companhia de Força e Luz até assumir a presidência da Companhia Energética do Ceará em 1962 onde permaneceu oito anos até que em 1970 foi escolhido governador do Piauí pelo presidente Emílio Garrastazu Médici liderando sua própria facção da ARENA pela qual disputou a eleição direta para senador em 1978 contra Dirceu Arcoverde, apoiado pelo grupo de Petrônio Portela. Derrotado, foi reposto como suplente e com a morte de Dirceu Arcoverde foi efetivado em 20 de março de 1979. Restaurado o pluripartidarismo foi para o PP e depois para o PMDB devido a incorporação entre as duas legendas decidida em convenção nacional no ano de 1981.
  5. O PDS somou 410.930 votos na eleição para senador (61%) e o PMDB obteve 257.085 (38,16%).
  6. a b c d e f Havendo três candidatos por sublegenda os menos votados cumpririam o papel de suplente em relação ao vencedor por ordem de votação.
  7. Em relação a 1978 a representação piauiense na Câmara dos Deputados foi elevada de oito para nove e nessa contagem o PDS conquistou dois terços das vagas e o PMDB ficou com o terço restante sendo que há quatro anos todas as vagas ficaram com a ARENA. Durante a legislatura em curso a maioria da representação do estado no Congresso Nacional filiou-se ao PFL.
  8. Prefeito de Teresina durante o governo Hugo Napoleão, foi substituído por Celso Barros e com a efetivação deste assumiu Adalberto Correia Lima.
  9. a b Durante a legislatura, Celso Barros foi efetivado após a morte de Milton Brandão e Carlos Augusto de Oliveira depois da eleição de Wall Ferraz para prefeito de Teresina em 1985.
  10. Eleito vice-prefeito de Teresina na chapa de Wall Ferraz em 1985, foi substituído por Kleber Eulálio.
  11. a b c Três deputados estaduais foram nomeados para compor a equipe do governador Hugo Napoleão, e assim foram convocados: Homero Castelo Branco, Antônio Rufino e Luiz Ferraz.

Referências

  1. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º. 6.978 de 19/01/1982». Consultado em 7 de junho de 2018 
  2. «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 7 de junho de 2018 
  3. a b «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí». Consultado em 4 de abril de 2016 
  4. «BRASIL. Presidência da República: Decreto-lei n.º 1.541 de 14/04/1977». Consultado em 7 de junho de 2018 
  5. «BRASIL. Presidência da República: Lei Complementar nº 41 de 22/12/1981». Consultado em 7 de junho de 2018 
  6. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 7 de junho de 2018 
  7. SANTOS, José Lopes dos. Novo Tempo Chegou. Brasília: Senado Federal, 1983.
  8. PP e PMDB decidem unir-se (online). Folha de S. Paulo, 21/12/1981. Página visitada em 16 de dezembro de 2015.
  9. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 4 de abril de 2016. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  10. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 4 de abril de 2016