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Eleições estaduais no Rio de Janeiro em 1974

As eleições estaduais no Rio de Janeiro em 1974 ocorreram sob a Lei Complementar Número Vinte e o Ato Institucional Número Três, instrumentos que permitiram a nomeação do governador Faria Lima em 3 de outubro e a eleição do senador Saturnino Braga, 22 deputados federais e 46 deputados estaduais em 15 de novembro, repetindo, com adaptações, a solução vigente para os 22 estados e aos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima, sendo que os fluminenses residentes no Distrito Federal escolheram seus representantes no Congresso Nacional por força da Lei nº 6.091 de 15 de agosto de 1974.[1][2][3][4][5][6][nota 1][nota 2]

1970 Brasil 1978
Eleições estaduais no  Rio de Janeiro em 1974
3 de outubro de 1974
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1974
(Eleição direta)


Governador Faria Lima.png
Candidato Faria Lima


Partido ARENA


Natural de Rio de Janeiro, RJ


Vice Não havia
Votos Nomeado
Porcentagem Nenhuma


Brasão do estado do Rio de Janeiro.svg
Governador(a) do Estado

O vice-almirante Floriano Peixoto Faria Lima nasceu na cidade do Rio de Janeiro, sentou praça na Escola Naval em 1933 e participou de operações navais durante a Segunda Guerra Mundial. Nos anos vindouros fez cursos de comando e foi instrutor na Escola de Guerra Naval, além de comandar a Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco. Membro do Gabinete Militar no governo Jânio Quadros, foi responsável pela Superintendência Nacional da Marinha Mercante. Aluno de Humberto de Alencar Castelo Branco na Escola Superior de Guerra, compôs a 1ª Seção do Estado-Maior das Forças Armadas e deu sequência à sua carreira militar como subchefe de gabinete do Ministério da Marinha e também adido militar nos Estados Unidos e Canadá. Aposentado em 1971 teve na presidência da Petrobras o seu último cargo público antes de ser nomeado governador do Rio de Janeiro pelo presidente Ernesto Geisel em 1974.[7][8][9][nota 3]

Filho e neto de políticos, Saturnino Braga nasceu no Rio de Janeiro graduando-se em 1954 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com cursos junto ao Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e trabalhou na Companhia Nacional de Álcalis em Cabo Frio antes de ingressar no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) onde chefiou o Departamento de Planejamento e lecionou na Universidade Federal Fluminense. Eleito deputado federal via PSB em 1962, figurou como suplente em 1966 quando já estava no MDB retomando, a seguir, sua carreira como engenheiro civil até voltar à política ao eleger-se senador em 1974 como substituto de Afonso Celso Ribeiro de Castro.[10][11][nota 4][nota 5]

Governador do Rio de JaneiroEditar

O titular do cargo foi nomeado pelo presidente da República conforme ditava a legislação vigente.[12][nota 6]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Faria Lima
ARENA
Não havia[nota 7]
-
-
ARENA (sem coligação)
-
-
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral foram apurados 1.336.748 votos nominais (79,56%), 170.283 votos em branco (10,14%) e 173.029 votos nulos (10,30%) resultando no comparecimento de 1.680.060 eleitores.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Saturnino Braga
MDB
Alano Barcelos
MDB
-
MDB (sem coligação)
853.772
63,87%
Paulo Torres
ARENA
Aluizio de Castro
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
482.976
36,13%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[13][14][nota 8]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Moreira Franco MDB 122.692 Teresina   Piauí
José Peixoto Filho MDB 87.372 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Alberto Lavinas MDB 70.724 Três Rios   Rio de Janeiro
Walter da Silva MDB 66.540 Campos dos Goytacazes   Rio de Janeiro
Osvaldo Lima MDB 56.349 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Ário Teodoro MDB 45.796 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Eduardo Galil ARENA 42.263 Trajano de Moraes   Rio de Janeiro
Leônidas Sampaio MDB 38.640 Petrópolis   Rio de Janeiro
Hydekel de Freitas ARENA 38.392 Duque de Caxias   Rio de Janeiro
Joel Lima MDB 37.595 Manhumirim   Minas Gerais
Luís Braz ARENA 36.935 Itaocara   Rio de Janeiro
Alair Ferreira ARENA 36.365 Sacramento   Minas Gerais
José Haddad ARENA 34.070 Nova Iguaçu   Rio de Janeiro
Daso Coimbra ARENA 31.321 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
José Sally ARENA 30.773 Itaocara   Rio de Janeiro
Osmar Leitão ARENA 30.275 São Gonçalo   Rio de Janeiro
Darcílio Ayres ARENA 27.817 Nova Iguaçu   Rio de Janeiro
Brígido Tinoco MDB 26.810 Niterói   Rio de Janeiro
Milton Steinbruch MDB 25.875 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
José Maurício MDB 24.825 Campos dos Goytacazes   Rio de Janeiro
Abdon Gonçalves MDB 23.261 São João de Meriti   Rio de Janeiro
Emanuel Waismann MDB 22.175 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro

Deputados estaduais eleitosEditar

No Rio de Janeiro foram eleitos 46 deputados estaduais dos quais 27 do MDB e 19 da ARENA.[1][nota 8]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Jaime Campos MDB 25.681 São Gonçalo   Rio de Janeiro
Frederico Padilha ARENA 23.299
José Alves de Brito MDB 23.277
Waldir da Costa MDB 23.088
Marcelo Drabie MDB 22.200
Antônio Gaspar MDB 21.977
Geraldo Di Biase MDB 21.708 Valença   Rio de Janeiro
Silvério do Espírito Santo MDB 21.611
Jorge Bedran MDB 20.642
Claudio Moacyr MDB 20.598 Macaé   Rio de Janeiro
Saramago Pinheiro ARENA 19.939 Niterói   Rio de Janeiro
Sílvio Lessa MDB 19.764
Francisco Lomelino MDB 19.591
Jorge Sessim ARENA 18.946
Hélio Gomes MDB 18.236
Francisco Amaral[nota 9] MDB 25.554 Pedreiras   Maranhão
Monteiro Linhares ARENA 16.849
Gilberto Rodrigues MDB 16.632
Lázaro de Carvalho MDB 16.286 São Sebastião do Paraíso   Minas Gerais
Luiz Carlos Soares MDB 16.072
Alberto Duaire MDB 16.034
Geraldo André ARENA 15.306
Astor Pereira de Melo ARENA 15.012
Juvêncio Santana MDB 14.523 Volta Redonda   Rio de Janeiro
Fernando Leandro MDB 13.651
Paulo Américo ARENA 13.612
Márcio Macedo MDB 13.187 Três Rios   Rio de Janeiro
Rubens Ferraz MDB 13.157
José Nader ARENA 12.939 Bananal   São Paulo
Amadeu Chacar Filho MDB 12.721
José Carlos Miranda ARENA 12.713
Otime Cardoso dos Santos MDB 12.670
Osiris de Paiva Souza MDB 12.471
Henrique Peçanha MDB 12.410
Paulo Albernaz MDB 12.255
Antônio Alexandre ARENA 12.185
Jorge Ayres ARENA 12.078
Odair Gama ARENA 11.606
Flávio Palmier da Veiga ARENA 11.455 Niterói   Rio de Janeiro
Gil Marques MDB 10.967
Valdílio Vilas Boas ARENA 10.649
Josias Ávila Júnior ARENA 10.450
Feliciano Costa ARENA 10.429
Paulo Pfeil ARENA 9.861
Alberto Torres ARENA 9.771
João Ruy de Queiroz Pinheiro ARENA 9.770

Notas

  1. Nos referidos territórios o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais, não havendo eleições no Distrito Federal e em Fernando de Noronha.
  2. Originalmente a Lei n.º 6.091 não previa a eleição para deputados estaduais, algo que ocorreria anos depois.
  3. A genealogia política de Floriano Peixoto Faria Lima informa que o mesmo é irmão do brigadeiro José Vicente de Faria Lima, prefeito de São Paulo, e tio de José Roberto Faria Lima, deputado federal pelo estado de São Paulo.
  4. Pela Guanabara foram eleitos em 1970 os senadores Nelson Carneiro, Benjamin Farah e Danton Jobim, este último detentor de um mandato de apenas quatro anos e reeleito em 1974.
  5. Pelo Rio de Janeiro foram eleitos em 1970 os senadores Amaral Peixoto e Vasconcelos Torres, aos quais se juntou Saturnino Braga em 1974.
  6. A Lei Complementar Número Vinte determinou não a ratificação de uma chapa e sim a nomeação do governador pelo presidente da República deixando vago o cargo de vice-governador. Outro efeito colateral da mudança foi que Niterói perdeu o status de capital para a cidade do Rio de Janeiro.
  7. Devido à vacância do cargo de vice-governador durante o quadriênio a substituição do titular foi feita pelos deputados estaduais José Pinto e Claudio Moacyr, presidentes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
  8. a b Em 1974 a Guanabara elegeu 24 deputados federais 48 deputados estaduais enquanto o Rio de Janeiro escolheu 22 deputados federais 46 deputados estaduais, os quais formariam as bancadas do novo estado do Rio de Janeiro em 1975.
  9. Não confundir com o político paulista Francisco Amaral.

Referências

  1. a b c «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 29 de maio de 2018 
  2. «Subsecretaria de Informações do Senado Federal: Ato Institucional Número Três». Consultado em 29 de maio de 2018 
  3. «BRASIL. Presidência da República: Lei complementar nº 20 de 01/07/1974». Consultado em 29 de maio de 2018 
  4. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 1º de junho de 2018 
  5. «Acervo digital de Veja». Consultado em 29 de maio de 2018. Arquivado do original em 19 de novembro de 2013 
  6. A ARENA no dia do MDB. Disponível em Veja, ed. 324 de 20/11/1974. São Paulo: Abril. Página visitada em 29 de maio de 2018.
  7. Senado recebe a indicação de Faria Lima ao governo (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 13/09/1974. Primeiro caderno, p. 03. Página visitada em 29 de maio de 2018.
  8. Faria Lima escolhido governador da fusão (online). O Globo, Rio de Janeiro (RJ), 12/09/1974. Matutina, p. 06. Página visitada em 29 de maio de 2018.
  9. Tomam posse hoje os novos governadores (online). Folha de S. Paulo, 15/03/1975. Nacional, p. 04. Página visitada em 1º de junho de 2018.
  10. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Saturnino Braga». Consultado em 29 de maio de 2018 
  11. «Senado Federal do Brasil: senador Saturnino Braga». Consultado em 29 de maio de 2018 
  12. Faria Lima será nomeado hoje governador da fusão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 17/06/1974. Primeiro caderno, p. 07. Página visitada em 29 de maio de 2018.
  13. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 29 de maio de 2018. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  14. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 29 de maio de 2018