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Eleições municipais no Brasil em 1988

As eleições municipais no Brasil em 1988 aconteceram em 15 de novembro (terça-feira). Estavam aptos a votar cerca de 70 milhões de eleitores[1] e, pela primeira vez, todos os municípios do país elegeram seus prefeitos sem restrições. Os eleitos administrariam as cidades entre 1º de janeiro de 1989 e 31 de dezembro de 1992.

Foi a terceira eleição sob a égide da Nova República e a penúltima das quatro realizadas no governo José Sarney. Foi também a primeira realizada após a promulgação da Constituição de 1988, embora sem a aplicação da regra de eleição em dois turnos. [nota 1] No mesmo dia, foram realizadas eleições gerais no recém-criado Estado do Tocantins .

Índice

Derrota do PMDBEditar

Após vencer as eleições municipais de 1985 e as eleições gerais de 1986, o PMDB sofreu com o desgaste do Governo Sarney, a hiperinflação e as denúncias envolvendo as votações na Assembleia Nacional Constituinte. Das dezenove capitais conquistadas há três anos o partido manteve apenas quatro e a essa altura alguns de seus governadores refluiam para outras legendas. Embora o PMDB (1606) e o PFL (1058) tenham elegido o maior número de prefeitos, os resultados apontaram uma vitória da esquerda em dez capitais num desempenho visto como prólogo da eleição presidencial de 1989, em especial projetando os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT), cujos partidos foram vitoriosos em São Paulo e no Rio de Janeiro, as maiores capitais do país.

Outra novidade do pleito foi a participação do PSDB e sua vitória em Belo Horizonte apenas cinco meses após a sua criação. Na capital paulista a surpreendente derrota de Paulo Maluf fez dele outro aspirante presidencial.

Prefeitos eleitos em 1988Editar

O resultado do pleito foi adverso para o presidente da República e para os governadores, haja vista o baixo número de prefeitos eleitos pelo PMDB nas capitais dos estados e dos territórios federais do Amapá e de Roraima. Dentre os vitoriosos estavam antigos ocupantes de cargos biônicos tanto como governador[2] quanto como prefeito[3] sendo que do Congresso Nacional vieram um senador[4] e cinco deputados federais[5] Apenas um dos antigos ministros do governo José Sarney triunfou nas urnas.[6]

Bandeira Cidade UF Prefeito eleito na capital Partido Vice-prefeito
  Aracaju SE Wellington Paixão PSB Calos Alberto Menezes
  Belém PA Sahid Xerfan[nota 2] PTB Augusto Rezende
  Belo Horizonte MG Pimenta da Veiga[nota 3] PSDB Eduardo Azeredo
  Boa Vista RR Barac Bento PFL
  Campo Grande MS Lúdio Coelho PTB Marilu Guimarães
  Cuiabá MT Frederico Campos PFL
  Curitiba PR Jaime Lerner PDT Algaci Ormálio Tulio
  Florianópolis SC Esperidião Amin[nota 4] PDS Bulcão Viana
  Fortaleza CE Ciro Gomes[nota 5] PMDB Juraci Magalhães
  Goiânia GO Nion Albernaz[nota 6] PMDB Marcos de Almeida
  João Pessoa PB Wilson Braga[nota 2] PFL Carlos Mangueira
  Macapá AP João Capiberibe PSB Antonio Cabral
  Maceió AL Guilherme Palmeira[nota 7] PFL João Sampaio[nota 8]
  Manaus AM Artur Virgílio Neto PSB Félix Valois Coelho Junior
  Natal RN Wilma de Faria[nota 9] PDT Ney Lopes
  Porto Alegre RS Olívio Dutra[nota 10] PT Tarso Genro[nota 11]
  Porto Velho RO Chiquilito Erse PTB
  Recife PE Joaquim Francisco[nota 12] PFL Gilberto Marques
  Rio Branco AC Jorge Kalume PDS Iolanda Fleming
  Rio de Janeiro RJ Marcelo Alencar PDT Roberto D'Ávila[nota 11]
  Salvador BA Fernando José PMDB
  São Luís MA Jackson Lago PDT Magno Bacelar
  São Paulo SP Luiza Erundina PT Luiz Eduardo Greenhalgh
  Teresina PI Heráclito Fortes[nota 13] PMDB Pedro Augusto
  Vitória ES Vítor Buaiz[nota 14] PT Rogério Medeiros

Eleições no TocantinsEditar

Além do governador Siqueira Campos (PDC) e do vice-governador Darci Coelho (PFL), foram eleitos três senadores, oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais, a maioria alinhada ao vencedor.

Notas

  1. Embora a Constituição de 1988 previsse, em seu artigo 77 § 3º, a realização de um segundo turno entre os candidatos mais votados, tal regra não foi aplicada ao pleito de 1988 porque este foi deflagrado antes de promulgada a nova carta. Segundo o artigo 16, "a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
  2. a b Renunciou ao mandato em abril de 1990 para disputar o governo do estado.
  3. Renunciou à cadeira de deputado federal para assumir a prefeitura e assim efetivou Saulo Coelho e em abril de 1990 deixou a prefeitura e disputou, sem sucesso, o governo estadual.
  4. Renunciou ao mandato em abril de 1990 e foi eleito senador em outubro.
  5. Renunciou ao mandato em abril de 1990 e foi eleito governador do estado em outubro.
  6. Renunciou ao mandato de deputado federal para assumir a prefeitura e assim foi efetivado Iturival Nascimento.
  7. Renunciou ao senado para assumir a prefeitura e foi efetivado João Lira. Em abril de 1990 deixou a prefeitura e foi eleito senador meses depois.
  8. Assumiu com a saída do titular, mas renunciou ao mandato de prefeito em 12 de fevereiro de 1992.
  9. Eleita sob o nome de “Wilma Maia”, renunciou ao mandato de deputada federal em favor do suplente Marcos Formiga.
  10. Renunciou ao mandato de deputado federal em favor do suplente Tarso Genro, que foi eleito vice-prefeito em sua chapa.
  11. a b Por força do Art. 5º, § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, acumulou seu mandato de deputado federal com o de vice-prefeito.
  12. Renunciou ao mandato de deputado federal e assim foi efetivado Horácio Ferraz. Em abril de 1990 deixou a prefeitura e meses depois foi eleito governador do estado.
  13. Renunciou ao mandato de deputado federal e permitiu a efetivação do suplente Manoel Domingos.
  14. Renunciou ao mandato de deputado federal e permitiu a efetivação da suplente Lurdinha Savignon.

Referências

  1. Veja, 23 de novembro de 1988
  2. Frederico Campos.
  3. Jaime Lerner, Joaquim Francisco, Lúdio Coelho, Marcelo Alencar, Nion Albernaz e Sahid Xerfan.
  4. Guilherme Palmeira
  5. Heráclito Fortes, Olívio Dutra, Pimenta da Veiga, Vilma Maia e Vítor Buaiz.
  6. Joaquim Francisco.

Ligações externasEditar