Abrir menu principal

Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães

Escritora portuguesa (1904-1991)
Elina Guimarães
Nome completo Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos
Nascimento 8 de agosto de 1904
Lisboa, Reino de Portugal Portugal
Morte 26 de junho de 1991 (86 anos)
Lisboa, Portugal Portugal
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Progenitores Mãe: Alice Pereira Guimarães
Pai: Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães
Cônjuge Adelino da Palma Carlos (1928, 2 filhos)
Ocupação Escritora e jurista
Prémios Oficial da Ordem da Liberdade

Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães OL (Lisboa, 8 de Agosto de 1904Lisboa, 26 de Junho de 1991), mais conhecida por Elina Guimarães, foi uma escritora, jurista, activista feminista e vice-presidente da direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP). Era filha do político republicano Vitorino Guimarães.

BiografiaEditar

Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães nasceu a 8 de Agosto de 1904 em Lisboa, filha única de Alice Pereira Guimarães e de Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães, um militar do Exército Português que exerceu cargos políticos de relevo durante a Primeira República Portuguesa, entre as quais as funções de presidente do ministério, o equivalente ao actual primeiro-ministro.

Crescendo num ambiente doméstico dominado pela política, desde cedo se interessou pela acção política, em especial pela defesa dos direitos da mulher.[1] Entusiasta e combativa na defesa das suas convicções de igualdade de direitos e oportunidades de homens e mulheres e de valorização da capacidade intelectual feminina, mereceu de Afonso Costa, amigo da família, o epíteto de "mulher do futuro".

Depois de realizados os primeiros estudos em casa e de frequentar o Liceu de Almeida Garrett e o Liceu de Passos Manuel, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cujo curso concluiu a 25 de Novembro de 1926 com a classificação de 18 valores.

Em 1925, ainda estudante universitária, aderiu ao movimento feminista, publicando no periódico Vida Académica uma contestação ao conteúdo derrogatório em relação às mulheres que estudavam a obra O Terceiro Sexo de Júlio Dantas. Em resultado desse artigo, foi convidada por Adelaide Cabete para integrar o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), do qual logo em 1927 assumiu as funções de secretária-geral.

Em 1928 foi eleita vice-presidente da direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e elaborou, com a colaboração de Angélica Lopes Viana Porto e Sara Beirão, um plano de conferências feministas. Nesse cargo, que exerceu no período de 1928-1929 e em 1931, promoveu uma revisão estatutária do Conselho e desenvolveu uma intensa actividade, em particular da defesa do direito de participação feminina na vida política e na luta pela conquista do sufrágio feminino.

Também manteve uma forte presença na imprensa, com artigos em defesa dos direitos políticos das mulheres[2], da coeducação e do livre acesso das mulheres à vida profissional. Publicou artigos educativos, de temática feminista e jurídica, lutando contra os equívocos conceptuais associados ao feminismo e procurando interessar as mulheres pela causa da "equivalência moral, intelectual e social dos dois sexos". Assumiu a direcção da revista Alma Feminina (1929-1930), foi responsável pela "Página Feminista" na revista Portugal Feminino e manteve colaboração em múltiplos periódicos, entre os quais O Rebate, Diário de Lisboa, Seara Nova, Diário de Notícias, O Primeiro de Janeiro, Máxima e Gazeta da Ordem dos Advogados.[3]

Outra grande causa a que se dedicou foi a da defesa de uma educação igualitária, que considerava a via para assegurar às mulheres a mesma preparação profissional e liberdade de trabalho de que gozavam os homens. Com esse objectivo apresentou várias comunicações em congressos e reuniões públicas, entre as quais as intituladas "A protecção à mulher trabalhadora" e "Da situação da mulher profissional no casamento".

Casou em 1928 com Adelino da Palma Carlos, um advogado, professor de Direito e defensor dos ideais democráticos, que chefiaria o primeiro governo após a Revolução dos Cravos. O casal teve dois filhos.

Em 1931 esteve entre os intelectuais e activistas que protestaram junto do Ministro da Instrução Pública contra a supressão da coeducação no ensino primário, defendendo a existência de conteúdos de educação cívica e moral nas escolas públicas e demonstrando o seu pendor maternalista, afirmando ser "necessário que as mulheres da nossa terra mais do que nunca se consagrem a essa obra tão linda e de tão vasto alcance que é a protecção à infância" [4].

Em 1946 foi eleita vice-presidente da assembleia geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, ocupando o cargo em 1947, ano em que as autoridades do regime do Estado Novo determinaram o seu encerramento.[5] Foi membro destacado de várias organizações internacionais, entre as quais do International Council of Women, da International Alliance for Women's Sufffrage, da Phi Delta Legal Society e da Federation International des Femmes Diplômées em Droit.[6]

A 26 de Abril de 1985 foi feita Oficial da Ordem da Liberdade.[7] em reconhecimento pelo seu papel na defesa dos direitos das mulheres e na luta pela democracia em Portugal.

Elina Guimarães morreu a 26 de Junho de 1991, em Lisboa, cidade onde é recordada na sua toponímia.

ObrasEditar

  • Dos Crimes Culposos (1930)
  • O Poder Maternal (1933)
  • A Lei em Que Vivemos, Noções de Direito Usual Relativo à Vida Feminina (1937)
  • La Condition de la Femme au Portugal (1938)
  • A Condição Jurídica da Mulher no Direito de Família perante as Nações Unidas (1962)
  • Coisas de Mulheres (colectânea, 1975)
  • Mulheres Portuguesas: Ontem e Hoje (1978)
  • Sete Décadas de Feminismo (1991)

HomenagensEditar

Referências

  1. CIDM, Elina Guimarães: Uma Feminista Portuguesa, Vida e Obra (1904-1941). Lisboa, 2004
  2. Recebeu um louvor do CNMP pelo brilhantismo de um artigo publicado em O Rebate contra a lei eleitoral que impedia o sufrágio feminino.
  3. «Nota biográfica em O Leme». Leme.pt 
  4. "A participação feminina no Congresso Internacional de Protecção à Infância", in, Portugal Feminino, n.º 23, Dezembro de 1931.
  5. «João Esteves, "Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas"». Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa 
  6. «Elina Guimarães no Correio da Educação». Correiodaeducacao.asa.pt 
  7. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Elina Guimarães". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 26 de maio de 2013 
  8. «Elina Guimarães, uma grande Advogada, defensora dos direitos das mulheres (11)». Ruas com história. 25 de novembro de 2015. Consultado em 10 de março de 2019 

BibliografiaEditar

  • História de Portugal (Dicionário de Personalidades) ISBN 989-554-120-1
  • Esteves, João, "Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos" in Zília Osório de Castro, João Esteves (coordenadores), Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, 2005 ISBN 9789722413688

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar