Els Quatre Gats

Els Quatre Gats (traduzido do catalão, "Os quatro gatos") é um bar e restaurante localizado no térreo da Casa Martí (edifício modernista de 1896 de Josep Puig i Cadafalch), na rua do Monte Sião, no Bairro Gótico de Barcelona, na Espanha. Notabilizou-se por ter sido, no final do século XIX e início do século XX, um ponto de encontro dos artistas do modernismo catalão.

Els Quatre Gats

HistóriaEditar

A cervejaria cabaré original foi inaugurada em 14 de junho de 1897.[1] Durante os seis anos em que permaneceu ativa, até 1903, foi um dos núcleos principais do modernismo catalão.

Foi criado e administrado por Pere Romeu i Borràs, um promotor local do esporte,[2] que havia trabalhado como garçom no cabaré Le Chat Noir de Paris. Pere decidiu criar um ambiente vanguardista e boêmio em Barcelona. Os financiadores da nova casa foram os pintores Ramon Casas, Santiago Rusiñol, Pompeu Gener, Joaquín Mir Trinxet e Miquel Utrillo, o dramaturgo Maties Ardèniz e o banqueiro Manuel Girona.[3] O nome da casa era tanto uma referência ao bar Le Chat Noir (traduzido do francês, "O gato negro") de Paris, que inspirava a nova casa, quanto uma piada quanto ao possível escasso número de clientes da nova casa: somente quatro gatos.[4]

Rapidamente, se tornou ponto de encontro de artistas e personagens insólitos, como Santiago Rusiñol, Ramon Casas, Miquel Utrillo, Enric Granados, Isaac Albéniz, Lluís Millet, Antoni Gaudí, e Ricard Opisso, se incorporando à tradição de tertúlias da cidade. No local, foram realizados eventos literários, espetáculos de sombras e marionetes, apresentações musicais informais de Granados, Malats, Albéniz, Darío de Regoyos - que, além de pintor, era guitarrista amador—, Miquel Llobet etc., leituras poéticas e, sobretudo, exposições de arte de Regoyos, Isidre Nonell, Ramon Pichot i Gironès, Xavier Gosé i Rovira, Eveli Torent i Marsans e Picasso. As duas primeiras exposições individuais que aconteceram no local foram em fevereiro e julho de 1900. A exposição de fevereiro também foi a primeira exposição individual que Picasso realizou em sua vida.

Durante o ano de 1899, foram publicados quinze números da revista Quatre Gats.

Em junho de 1903, o estabelecimento fechou suas portas em função de dívidas. Principalmente porque Pere Romeu não era um homem de negócios, e permitia que seus amigos pagassem preços reduzidos, muitas vezes nem sequer lhes cobrando coisa alguma. Porém a memória da casa permaneceu graças aos esforços de Ramon Casas e Miguel Utrillo, que continuaram editando uma revista literária com o nome da casa por mais cinco anos após o fechamento da mesma.

De 1903 a 1936, o espaço foi sede do Círculo Artístico de São Lucas, uma organização de fomento da atividade cultural e artística com inspiração católica. Curiosamente, uma orientação ideológica oposta ao ambiente modernista libertário que prevalecia anteriormente no Els Quatre Gats. Em 1936, com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, o espaço foi fechado.[5]

A partir da década de 1970, sob a direção dos empresários Pere Moto, Ricard Alsina e Ana Verdaguer, voltou a funcionar como bar e restaurante, conservando a decoração, as fotografias e as gravuras da época original. Em 1989, a direção do estabelecimento passou para Josep María Ferré.[6]

O filme de Woody Allen Vicky Cristina Barcelona (2008) teve algumas cenas rodadas no Els Quatre Gats.

Referências

  1. LAPLANA, J. C. Santiago Rusiñol: el pintor, l'home. L'Abadia de Montserrat. 1995.
  2. Fundación Bancaja (2005). «Els Quatre Gats». Fundación Bancaja.es. Consultado em 26 de setembro de 2015.
  3. Enciclopèdia.cat. Disponível em http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0053580.xml. Acesso em 10 de setembro de 2017.
  4. El Nuevo Diario. Disponível em http://archivo.elnuevodiario.com.ni/nuevo-amanecer/307269-els-quatre-gats-resultaron-ser-mas-cuatro/. Acesso em 10 de setembro de 2017.
  5. 4 Gats. Disponível em http://www.4gats.com/historia/. Acesso em 11 de setembro de 2017.
  6. 4 Gats. Disponível em http://www.4gats.com/es/historia/. Acesso em 10 de setembro de 2017.

Ligação externaEditar