Os encauchados têm origem na cultura indígena da Amazônia, com registros mais antigos sendo encontrados na Colômbia. É uma técnica de impermeabilização de tecido com o uso do látex da árvore do Caucho (Castilloa ulei), para a fabricação de uma série de produtos para uso local. Segundo Samonek (2006, p.59) o látex não era coagulado e sim desidratado na temperatura ambiente e a técnica permitia a fabricação de uma série de produtos(vasos, roupas, bolsas, sapatos).

Os índios e seringueiros do Brasil assimilaram a técnica, especialmente para a fabricação do saco encauchado, que, de acordo com Emperaire e Almeida (2002, p. 308) e Amaral e Samonek (2006, p. 8 e 9), é uma bolsa de algodão colorida e transparente(chita), impermeabizada com a aplicação do látex do caucho e utilizada pela população local para viagens. Posteriormente os seringueiros adicionaram o enxofre, o qual promovia a vulcanização, e com isto os produtos gerados tinham maior resistência e durabilidade.

Hoje, algumas comunidades extrativistas vem produzindo os encauchados de vegetais da Amazônia. Trata-se de uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil-FBB, baseada no saber tradicional (encauchados) aliado ao conhecimento científico (vulcanização + nanocompósito polimérico). Trata-se de uma inovação sociotécnica, que permite a utilização de látices de diferentes espécies, especialmente do gênero Hevea (seringueira). A tecnologia foi desenvolvida pelo Poloprobio em conjunto com as comunidades tradicionais da região. Trata-se de um nanocompósito de látex nativo pré-vulcanizado acrescido de nanopartículas de madeira e colorido com pigmentos naturais. O nanocompósito polimérico assim produzido vem sendo utilizado para a fabricação direta pelos extrativistas de pequenos artefatos (porta-treco, porta-latas, vasos, embalagens, bolsas), bem como para peças maiores (mantas de tecido vegetal), que poderão ser transformadas em solados, bolsas, jogos americanos, toalhas de mesa. Além disso, por ser uma tecnologia dinâmica e em construção, vários produtos vêm sendo desenvolvidos pelas próprias comunidades, como sandálias, pulseiras e outros.Com isto as populações tradicionais estão obtendo uma renda melhor, utililzando os recursos naturais de forma equilibrada, mantendo os estilos de vida tradicionais e sem destruir a floresta. A metodologia de reaplicação também é certificada pela FBB.

Ganhos Financeiros[1]

Os benefícios do uso da TS dos encauchados são muitos, começando pelo aumento da rentabilidade de comunidades tradicionais, como indígenas e seringueiros. Na forma tradicional de exploração da borracha o quilo tem sido remunerado a R$ 3,50, já com os subsídios do Estado do Acre. Para os que optam pela produção da Folha Defumada Líquida (FDL) a renda é um pouco melhor e pode chegar a R$ 7,20/kg (R$ 4,50 pelo produto + R$ 0,70 de Subsídio+ R$ 2,00 para os seringueiros que produzirem mais de 250 kg a.a.). Com os encauchados a renda média mínima é de R$ 81,30.

A tecnologia empregada permite aliar os conhecimentos da indústria com o saber das comunidades atingidas. O grande salto tecnológico é a introdução de um produto capaz de promover a vulcanização do látex e sua manipulação por parte dos coletores de látex e, a partir disso, permitir sua mistura com fibras vegetais e sua moldagem em artefatos, os quais são secados ao sol, estando prontos para o mercado.Em termos de mercado, inicialmente o apelo se dá com consumidores de artesanato. Apesar disso, já foi atendido um pedido de uma rede de supermercados para a produção de embalagens de vinhos finos.

Cabe ressaltar que para implantar uma unidade de produção de Encauchados não são necessários investimentos elevados, o que pode, em tese, permitir sua multiplicação em diversos pontos da Amazônia, desde que existam seringueiras. O projeto apresenta muitas vantagens comparativas, dentre as quais a primeira é permitir, de fato, às comunidades locais a sobrevivência em harmonia com a floresta onde já se encontram. Os Encauchados de Vegetais tem como resultado financeiro a incorporação de comunidades isoladas ao processo econômico, permitindo-lhes a independência econômica.

Ganhos ambientais

A extração de borracha é a melhor forma de sobrevivência a partir da exploração da floresta se praticada nos moldes convencionais - os antigos implicavam na derrubada das árvores. Um seringueiro se desloca por cerca de 10 km de estrada a cada corte, sendo em número de três as estradas, que são sangradas em dias alternados (um de produção x dois de descanso), sendo a estrada um mero caminho por entre as árvores. Por conta disso, Santos et al. (2003) revelam que uma colocação típica usa uma área de 300 ha de floresta primária, com três estradas de seringa e aproximadamente 450 seringueiras.

Considerando a área preconizada por Santos et al (2003) e o baixo impacto da ação de extração de látex, é possível afiirmar que a cada família incorporada ao processo de produção dos encauchados uma área de 300 ha de floresta vão ser protegidos. Isso se justifica pelo fato da renda necessária para a família ser obtida com a floresta, não havendo necessidade de predar as árvores para o sustento.

ReferênciasEditar

  • Emperaire, L. e de Almeida, M.B. 2002 “Seringueiros e seringas”. In: Carneiro da Cunha, M. e deAlmeida, M.B. Enciclopédia da Floresta. Alto Juruá: Conhecimentos e práticas das populações. São Paulo, Companhia da Letras, p. 285-309.
  • Amaral, A.J.P. e Samonek, Francisco. Borracha Amazônica: Arranjos produtivos locais, novas possibilidades e políticas públicas. 2006, 36 f. (Paper do NAEA, no. 191). Universidade Federal do Pará. Belém-Pará.
  • Samonek, Francisco. A borracha vegetal extrativia na Amazônia: um estudo de caso dos novos encauchados de vegetais no Estado do Acre. 2006, 160f. Dissertação (mestrado em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais) - Departamento de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Acre, Rio Branco-Acre.
  • Paiva, Régis Alfeu. Plano de Negócios:Encauchados de Vegetais da Amazônia. Universidade Federal do Acre / Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares. Rio Branco-Acre, julho de 2010.
  • Santos, J. C dos. et al. Comunicado Técnico 157. Embrapa-Acre. 2003.
  • Veja também sobre o tema Changemakers[2] e visite Poloprobio[3], Michele Hartmann[4], Encauchados: Shoe Makin Process[5], Materia Jornalística[6], Vídeo produzido pela FBB[7]
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