Entoprocta

Kamptozoa ou Entoprocta (do grego entos, dentro + proktos, ânus) é um filo constituído por pequenos animais invertebrados, aquáticos, sésseis, que tem entre 0,5mm até 5mm. Podendo ser coloniais (Ordem Coloniales) ou solitários (Ordem Solitaria).

Como ler uma infocaixa de taxonomiaEntoprocta
Barentsa discreta suzukokemusi01.JPG
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Entoprocta
Nitsche, 1869
Ordens
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São blastocelomados e seu ânus fica dentro do átrio, na coroa de tentáculos. Antes pensava-se que possuíssem um lofóforo, por isso eram colocados junto dos Bryozoa, mas atualmente constituem um filo único.

São encontrados nas regiões entremarés, mas algumas espécies foram coletadas a profundidades de 500m.

Fixam-se em substratos consolidados, como seixos, algas, conchas, sendo comensais de outros animais invertebrados, como esponjas, poliquetas e sipuncúlidos.  São frequentemente encontrados dentro dos tubos e galerias de seus hospedeiros. 


BauplanEditar

Este filo possui cerca de 180 espécies em várias famílias, sendo predominantemente marinhos, possuindo alguns membros do gênero Loxosomatoides em água salobra e apenas duas espécies de água doce.

 O corpo é constituído por um cálice distal (divisão corporal: cálice e haste). Na parte superior, o cálice, se encontra uma coroa de tentáculos ciliados, possuindo uma cavidade, o átrio, entre os tentáculos, onde ficam suas larvas em desenvolvimento e as cavidades digestórias, de um lado fica a boca e do outro o ânus.

 Na parte inferior, a haste, é onde se dá a sustentação corporal por um pedúnculo fixo no substrato através do pé ou estolão. Nas formas individuais, o pedúnculo (pé) se prende diretamente ao substrato, enquanto que nas formas coloniais formam-se estolões horizontais.

Parede do CorpoEditar

 
Barentsa discreta

O suporte do corpo se dá pela presença do mesênquima e dá cutícula. O cálice e a haste são envolvidos por uma cutícula fina que não se estende à porção ciliada dos tentáculos ou do vestíbulo.  Não existe uma cavidade corpórea persistente e a área do corpo é então preenchida com mesênquima. Esses animais possuem epiderme celular, sendo as células epidérmicas cúbicas ou achatadas. Músculos subepidérmicos tem a função de retrair os tentáculos, comprimir o corpo para estender os tentáculos e contrair o cálice.  Existem também outros músculos, que estão presentes no pedúnculo, permitindo a habilidade de curvar-se.

ReproduçãoEditar

Existem entoproctas coloniais e solitários.  A reprodução colonial se dá através de brotamento na base do zoóide ou em vários ramos do pedúnculo.  Já a reprodução das formas solitárias se dá pela produção de brotos no cálice, que se separam do progenitor. Colônias podem conter zoóides hermafroditas ou dioicos. Grande parte dos loxosomatídeos é hermafrodita, sendo muitos protândricos.

Sistema Nervoso e Órgãos SensoriaisEditar

 Possuem sistema nervoso reduzido. Tendo uma única massa ganglionar entre o estômago e a superfície vestibular, que é denominada gânglio subentérico. Desse gânglio originam-se pares de nervos para os tentáculos, parede do cálice e pendúculo. Nos tentáculos e por grande parte do corpo estão presentes receptores tácteis unicelulares.

Nutrição e Sistema DigestivoEditar

São animais filtradores. Alimentam-se de matéria em suspensão. Possuem um trato digestivo completo em forma de U. Os seus tentáculos segregam um muco que apanha as partículas alimentares, movendo-as depois, através de cílios, em direção à boca.

Transporte Interno e ExcreçãoEditar

Aparentemente o trato digestivo também serve como uma passagem excretora. A parede ventral do estômago possui células que acumulam precipitações de ácido úrico e guanina, que os liberam para dentro do lúmen do estômago, sendo logo após expelidos pelo ânus. Protonefrídeos estão presentes, na maioria das espécies, em larvas e adultos. No entanto, nos entoproctos adultos existe um par de protonefrídeos bulbo-flama, que se localizam entre o estômago e o epitélio do vestíbulo. O transporte interno acontece através do trato digestivo expandido. O órgão da célula-estelar, como é chamado, está presente somente em coloniais. Localiza-se perto da junção pedúnculo-cálice. Funciona como um coração, pois bombeia o fluido do cálice para o pedúnculo.

Entoprocta no BrasilEditar

No Brasil estão listados 10% das espécies do mundo. Possuindo 18 espécies conhecidas. São conhecidas 10 espécies da Ordem Coloniales e 8 da Ordem Solitaria. A costa do estado de São Paulo é a melhor estudada em relação aos demais estados brasileiros, com 16 das 18 espécies. Há também registros nos estados do Espírito Santo, Paraná e Rio de Janeiro.

Diversidade e TaxonomiaEditar

 
Pedicellina cernua (aumento de 27x)

Alguns estudos utilizando técnicas moleculares e dados morfológicos sugeriram uma relação entre Entoproctos e vários invertebrados com larva trocófora, tais como Annelida e Mollusca. Entretanto, também existem evidências moleculares indicando uma relação entre entoproctos e os Cycliophora e Bryozoa. Suas relações filogenéticas permanecem incertas. Por ser um filo com pouca diversidade, Entoprocta não atrai muito a atenção de pesquisadores, a não ser que estes abarquem o estudo de outros grupos, como Ectoprocta (Bryozoa).

ClassificaçãoEditar

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

RUPPERT, Edward E.; FOX, Richard S.; BARNES, Robert D. Zoologia dos invertebrados: uma abordagem funcional-evolutiva. 7. ed. São Paulo: Roca, c2005. xxii, 1145 p.

Brusca, R.C. & Brusca, G.J. 2007. Invertebrados. 2a.ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. p. 386-390

MIGOTTO, Alvaro E.; VIEIRA, Leandro M. Checklist dos Entoprocta do Estado de São Paulo, Brasil. Biota Neotrop. vol.11  supl.1 Campinas Jan./Dec. 2011

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