Ernst Jünger

Filósofo alemão

Ernst Jünger (Heidelberg, 29 de março de 1895Riedlingen, 17 de fevereiro de 1998) foi um escritor, filósofo e entomologista alemão. Jünger manteve uma filosofia consistente ao longo de sua vida longeva (ele morreu em 1998, aos 102 anos). Ele se opôs ao que era e é comum a todas as ideologias modernas – a opressão espiritual do homem e a visão do homem como máquina, como instrumento para fins utópicos.[1] A filosofia de Jünger está alinhada com o "niilismo ativo" de Friedrich Nietzsche e o "império da técnica" de Heidegger, a quem Jünger influenciou profundamente.

Ernst Jünger
Ernst em 1920.
Nascimento 29 de março de 1895
Heidelberg, Alemanha
Morte 17 de fevereiro de 1998 (102 anos)
Riedlingen, Alemanha
Nacionalidade Alemanha alemão
Ocupação Escritor, filósofo e entomologista
Prémios Pour le Mérite
Prémio Mundial Cino Del Duca (1981)

Prêmio Goethe (1982)

VidaEditar

Depois de uma adolescência agitada e de uma fuga aos dezesseis anos para se engajar na Legião Estrangeira, quando pode conhecer a África no início do século XX, participou com entusiasmo da Primeira Guerra Mundial, sendo ferido sete vezes, motivo pelo qual recebeu a condecoração Pour le Mérite em 1918, denominada também como Max Azul (Blauer Max).

Jünger ingressou na Legião Estrangeira Francesa em 1913, mas seu pai o trouxe de volta para a Alemanha. Em 1914, ele se ofereceu como voluntário do exército alemão no início da Primeira Guerra Mundial e serviu como oficial na Frente Ocidental durante todo o conflito. Como soldado, Jünger se destacou por sua bravura: foi ferido pelo menos sete vezes e, em 1918, recebeu a condecoração Pour le Mérite em 1918, denominada também como Max Azul (Blauer Max), a mais alta condecoração militar da Alemanha.

Após a guerra publicou em 1920 In Stahlgewittern (Tempestades de Aço), um romance em forma de diário; contém lembranças vívidas de sua vida nas trincheiras e suas experiências em combate como comandante de companhia. Em uma voz desapaixonada e objetiva, Jünger descreve o heroísmo e o sofrimento exibidos por ele e seus companheiros soldados nos combates brutais na Frente Ocidental. A Tempestade de Aço foi um sucesso de crítica e público na Alemanha e em outros países. André Gide chegou a escrever que o livro de Ernst Jünger era incontestavelmente o mais belo livro sobre a guerra de 1914 que havia lido.

Dois anos depois, publicou Der Kampf als inneres Erlebnis (“Combate como experiência interna”).

Após ser dispensado do exército em 1923, Jünger estudou zoologia e botânica nas universidades de Leipzig e Nápoles. Ele publicou mais lembranças e reflexões sobre suas experiências de guerra em Das Wäldchen (1925; “O Bosque”) e Feuer und Blut (1925; “Fogo e Sangue”).

Apesar de seu militarismo, sua preferência por um governo autoritário e seus ideais nacionalistas radicais, Jünger resistiu às ofertas de amizade de Adolf Hitler no final da década de 1920 e se recusou a aderir ao movimento nazista mesmo depois que o partido chegou ao poder na Alemanha em 1933. Além disso, durante a chancelaria de Hitler, ele escreveu uma alegoria crítica ao nazismo, sobre a devastação bárbara de uma terra pacífica no romance Auf den Marmorklippen (1939;On the Marble Cliffs ), que, surpreendentemente, passou pelos censores e foi publicado na Alemanha.

Sondado pelo partido nazista devido a seu passado de combatente e seus escritos políticos nacionalistas, ele recusou qualquer envolvimento. Depois de 1933 a Gestapo passou a vigiá-lo. Mudou-se para uma aldeia, Goslar, nas montanhas Harz; depois se radicou em Überlingen.

Em 1934 publica a sua primeira denúncia ao racismo fascista em seu texto "Blaetter und Steine" (Folhas e pedras). Em seguida realizou uma série de viagens: à Noruega em 1935, ao Brasil, Ilhas Canárias e Marrocos em 1936.

Durante a Segunda Guerra Mundial em Paris ocupada, mais precisamente desde 1941 Jünger freqüentou os salões literários e de fumadores de ópio, o que permitiu que aos poucos se ligasse aos oficiais insatisfeitos com Hitler.

Em 1943 ele se voltou abertamente contra o totalitarismo nazista e seu objetivo de conquista do mundo, como retratado em Der Friede (“A Paz”). Jünger foi demitido do exército em 1944 depois de ter sido indiretamente vinculado a oficiais que planejaram matar Hitler. Alguns meses depois, seu filho morreu em combate na Itália depois de ter sido condenado a um batalhão penal por motivos políticos.

No ano seguinte contactou com André Gide e Julien Green. Em 1939, mudara-se para Kirchhorst na Baixa Saxônia e é publicada a obra-prima Nos Penhascos de Mármore, romance alegórico que denuncia a barbárie perpetrada pelo Nazismo. Mais do que a denúncia de um regime autoritário, o romance ilustra de maneira sutil as forças que se estabelecem num regime ditatorial.

BibliografiaEditar

em PortuguêsEditar

  • Sobre as Falésias de Mármore, trad. Carlos Sampaio, Estúdios Cor, Lisboa, 1973. Existe outra tradução desta obra, de Rafael Gomes Filipe, publicada pelas Edições Vega, Lisboa.
  • Drogas Embriaguez e Outros Temas, trad. Margarida Homem de Sousa, rev. Rafael Gomes Filipe e Roberto de Moraes, Arcádia, Lisboa, 1977. Obra reeditada em 2001 pela Relógio d'Água.
  • Eumeswil, trad. Sara Seruya, Editora Ulisseia, Lisboa, s. d.
  • Heliópolis, trad. Aulyde Soares Rodrigues, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1981.
  • Um Encontro Perigoso, trad. Ana Maria Carvalho, rev. Rafael Gomes Filipe, Difel, Lisboa, 1987.
  • O Problema de Aladino, trad. Ana Cristina Pontes, Edições Cotovia, Lisboa, 1989.
  • O Coração Aventuroso (segunda versão) Figuras e Caprichos, trad. Ana Cristina Pontes, Edições Cotovia, Lisboa, 1991.
  • O Passo da Floresta, trad. Maria Filomena Molder, Edições Cotovia, Lisboa, 1995.
  • O Trabalhador - Domínio e Figura, trad. Alexandre Franco de Sá, Hugin, Lisboa, 2000.
  • A Guerra como Experiência Interior, trad. Armando Costa e Silva, rev. Roberto de Moraes, Ulisseia, Lisboa, 2004.
  • Nos Penhascos de Mármore, trad. Tercio Redondo, Editora Cosac-Naify, prefácio de Antonio Candido, posfácio de Tercio Redondo, São Paulo, 2008.

em alemãoEditar

  • In Stahlgewittern (1920)
  • Der Kampf als inneres Erlebnis (1922)
  • Sturm (1923)
  • Feuer und Blut (1925)
  • Das Wäldchen 125 (1925)
  • Das abenteuerliche Herz. Aufzeichnungen bei Tag und Nacht (1929)
  • Der Arbeiter. Herrschaft und Gestalt (1932)
  • Blätter und Steine (1934)
  • Afrikanische Spiele (1936)
  • Das abenteuerliche Herz. Figuren und Capricios (1938)
  • Auf den Marmorklippen (1939)
  • Gärten und Straßen (1942)
  • Myrdun. Briefe aus Norwegen (1943)
  • Der Friede. Ein Wort an die Jugend Europas und an die Jugend der Welt. (1945)
  • Atlantische Fahrt (1947)
  • Sprache und Körperbau (1947)
  • Ein Inselfrühling (1948)
  • Heliopolis. Rückblick auf eine Stadt (1949)
  • Strahlungen (1949)
  • Am Kieselstrand (1950)
  • Über die Linie (1951)
  • Der Waldgang (1951)
  • Besuch auf Godenholm (1952)
  • Der gordische Knoten (1953)
  • Das Sanduhrbuch (1954)
  • Am Sarazenturm (1955)
  • Rivarol (1956)
  • Gläserne Bienen (1957)
  • Jahre der Okkupation (1958)
  • An der Zeitmauer (1959)
  • Der Weltstaat (1960)
  • Typus, Name, Gestalt (1963)
  • Grenzgänge. Essays. Reden. Träume (1966)
  • Subtile Jagden (1967)
  • Sgraffiti (1969)
  • Ad hoc (1970)
  • Annäherungen. Drogen und Rausch (1970)
  • Die Zwille (1973)
  • Zahlen und Götter. Philemon und Baucis. Zwei Essays (1974))
  • Eumeswil (1977)
  • Siebzig verweht I (1980)
  • Siebzig verweht II (1981)
  • Aladins Problem (1983)
  • Maxima - Minima, Adnoten zum 'Arbeiter' (1983)
  • Autor und Autorschaft (1984)
  • Eine gefährliche Begegnung (1985)
  • Zwei Mal Halley (1987)
  • Die Schere (1989)
  • Prognosen (1993)
  • Siebzig verweht III (1993)
  • Siebzig verweht IV (1995)
  • Siebzig verweht V (1997)

Ligações externasEditar

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