Abrir menu principal

Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea

Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea
País  Brasil
Estado Rio de Janeiro
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Diretoria de Educação Técnica Militar
Missão Ensino Militar
Sigla EsACosAAe
Comando
Comandante Tenente Coronel Carlos Eduardo Pereira Porto Alegre Rosa [1]

A Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, é uma Escola do Exército Brasileiro, um estabelecimento de ensino de graus superior e médio, de especialização, da Linha de Ensino Militar Bélico destinado a especializar oficiais e sargentos em Artilharia Antiaérea, Defesa da Costa e Defesa do Litoral; ministrar estágios sobre assuntos peculiares à Artilharia Antiaérea e ao Apoio de Fogo na Defesa do Litoral e Defesa da Costa; contribuir, por meio de cursos e estágios, com a capacitação de recursos humanos das Forças Singulares e das Nações Amigas; contribuir para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento da doutrina do emprego da Artilharia Antiaérea e do Apoio de Fogo na Defesa do Litoral e Defesa da Costa; e formar reservistas de primeira categoria.[2]

A Escola localiza-se na Vila Militar, no Rio de Janeiro - RJ.

HistóricoEditar

Em meados de 1934, a Missão Militar Norte-Americana iniciava seus serviços no Brasil. Essa Missão fora contratada para orientar o ensino na Escola Técnica do Exército, com a atribuição de formar engenheiros militares e aos estudos dos problemas da defesa de costa e formação de pessoal habilitado para guarnecer as fortalezas existentes no território brasileiro. A Portaria Ministerial Nr 78, de 30 de janeiro de 1934, criou o Centro de Instrução de Artilharia de Costa (CIAC) e regulou o funcionamento e a sua ocupação, em caráter provisório, nas instalações da Fortaleza de São João. O Centro foi oficialmente inaugurado no dia 9 de Julho. Os cursos para Oficiais foram definidos como de especialização, para graduados seriam de especialização e de aperfeiçoamento, e em 1935 começaria a funcionar o de formação de sargentos.

Quanto às instalações, seu prestígio e importância fizeram com que lhe fosse concedida verba para construção de uma sede própria, no interior da Fortaleza de São João, onde atualmente funciona a Escola Superior de Guerra. O avanço tecnológico e os novos métodos de tiro impuseram a criação de novos cursos, além daqueles já ministrados. O Centro de Instrução de Artilharia de Costa passou a ministrar cursos de especialização de graduados para operarem nos telêmetros no levantamento de alvos e para elaboração de boletins meteorológicos. Em 3 de novembro de 1939, pelo Decreto Ministerial Nr 1735, o Centro de Instrução de Artilharia de Costa passou a chamar-se Escola de Artilharia de Costa (EAC), onde, no período de 1942 a agosto de 1944, foi realizado o curso de emergência de oficiais de Artilharia de 1ª linha, com o objetivo de preparar artilheiros para a Segunda Guerra Mundial.

Concomitantemente a esses acontecimentos, em 1936 foram baixadas instruções para o funcionamento do curso de Defesa Antiaérea na Escola de Aviação Militar, que era situada no Campo dos Afonsos, próximo à Vila Militar, com a matrícula de sargentos e cabos da 1ª Região Militar. Porém, em 1938, por não ser possível a matrícula de militares oriundos das demais Regiões Militares, o Ministro da Guerra expediu o aviso Nr 28, de 11 de abril, dirigido ao Inspetor Geral do Ensino do Exército, determinando que o curso não funcionaria naquele ano e, com o objetivo de aproveitar o pessoal especializado, autorizava a organização provisória de um Núcleo de Bateria de Metralhadoras Antiaéreas. Em suas disposições finais, estabelecia que este núcleo serviria para a organização do futuro Centro de Instrução de Defesa Antiaérea, continuando provisoriamente, instalado na Escola de Aviação.

Logo depois, em 30 de janeiro de 1939, o Ministro da Guerra General Eurico Gaspar Dutra, resolveu, pela Portaria Nr 33, criar o Centro de Instrução de Defesa Antiaérea (CIDAAe). Pelo Aviso Nr 139, de 4 de março, daquele mesmo ano, o Ministro declarava que o pessoal e o material do extinto Núcleo de Bateria de Metralhadoras Antiaéreas deveriam ser transferidos para o recém criado Grupamento-Escola de Defesa Contra Aeronaves (GEDCA). Em 25 de maio de 1939, o Aviso Nr 215 declarou que o GEDCA ficaria subordinado àquele Centro. Com a aprovação do Regulamento do CIDAAe, através da Portaria Nr 967, de 27 de maio de 1939, tiveram início as atividades escolares daquele Centro. Com a extinção do GEDCA em maio de 1941, todo seus integrantes, bem como seus Canhões Antiaéreos 88mm C/56 - Mod 18, foram incorporados ao 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (I/1º RAAAe). Ainda naquele mesmo ano, foi criado o Destacamento de Operações Antiaéreas (Dst Op AAe), subunidade orgânica do I/1º RAAAe que prestava apoio direto ao CIDAAe.

Em 1943, o Centro de Instrução de Defesa Antiaérea ocupou dois pavilhões do quartel da Colina Longa onde estava sediado o 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea. A evolução do pós-guerra inicia a corrida armamentista e o Centro tem um grande impulso doutrinário até que em 27 de agosto de 1955, recebe a denominação de Escola de Defesa Antiaérea (EsDAAe). Em 1965, a importância das especialidades de Artilheiro de Costa e Antiaéreo fez surgir, pelo Decreto Nr 57490, a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe), com a fusão da Escola de Artilharia de Costa (EAC) e Escola de Defesa Antiaérea (EsDAAe).

As histórias das especialidades de Artilheiro de Costa e Artilheiro Antiaéreo convergem para um mesmo centro de capacitação quando, em 27 de dezembro de 1965, o Decreto Nr 57.490 extingue as Escolas de Artilharia de Costa (EAC) e de Defesa Antiaérea (EsDAAe) e cria a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe). A partir de então, o estudo das especialidades passa por diversas evoluções.

O estudo da Artilharia de Costa manteve a tradição da EAC no estudo dos materiais e da técnica de tiro, com destaque para a Câmara de Tiro, os canhões fixos das diversas fortalezas existentes e os Can 152.4 Vickers Armstrong, dos Grupos de Artilharia de Costa Motorizada. Em 1995, é introduzido, na Artilharia de Costa, o Sistema de Saturação de Área ASTROS II de produção nacional. As lançadoras e diretoras de tiro do Sistema ASTROS mobiliaram os Grupos e Baterias de Art Cos Motorizada, aumentando consideravelmente o poder de fogo destas OM e permitiram a evolução da doutrina de emprego contra o desembarque anfíbio. Em 2005, devido à Reestruturação dos meios de apoio de fogo, com a centralização de todos os equipamentos do Sistema ASTROS II no 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes (6º GLMF), em Formosa-GO, os Grupos e Baterias de Artilharia de Costa Motorizada são desativados, por meio das Portarias nº 092-EME e 093-EME, de 20 JUL 2005. Apesar desta desativação das OM Operacionais, o estudo da doutrina de emprego de meios de Apoio de Fogo na Defesa do Litoral permanece, até o dia de hoje, com a EsACosAAe, em coordenação com o Comando da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército.

Com relação à Artilharia Antiaérea, a evolução dos equipamentos impôs diversas transformações na EsACosAAe. Iniciando com os Can AAe 88 e 90mm; seguida da introdução, em meados da década de 1970, do Sistema Antiaéreo OERLIKON-CONTRAVES de 35mm. Na década de 1980, destaca-se o recebimento do Sistema Antiaéreo FILA-BOFORS de 40mm e na década de 1990, a aquisição do Sistema de Mísseis Antiaéreo IGLA. Mantendo sua tradição de sempre estar a frente do seu tempo e comprometida com o estudo da evolução tecnológica dos sistemas componentes da Artilharia Antiaérea e do Apoio de Fogo na Defesa do Litoral, seus integrantes labutam diariamente na nobre missão de especializar oficiais e sargentos do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil, da Força Aérea Brasileira e de Nações Amigas. A participação ativa de seus instrutores apoiando as ações do Projeto Estratégico do Exército Defesa Antiaérea começa a dar frutos, com o recebimento de novos materiais, que comporão a AAAe do futuro.

Destaca-se o recebimento, no início de 2013, do Centro de Operações Antiaéreas Eletrônico, equipamento de desenvolvimento e fabricação inteiramente nacionais, que completa, com o Radar SABER M60, recebido em 2012, o Sistema de Controle e Alerta no nível Seção AAAe. Cabe ainda ressaltar o recente recebimento, também em 2013, dos primeiros exemplares do Sistema AAe GEPARD, de origem alemã, que completará os sistemas operacionais da brigadas blindadas do Exército. Dando prosseguimento ao processo de transformação do Exército Brasileiro, a EsACosAAe recebeu em 2014, o Míssil Antiaéreo Telecomandado (Msl AAe Tcmdo) RBS 70, produzido pela empresa sueca SAAB Dynamics. Ainda em 2014, instrutores e monitores da Escola realizaram Cursos de Operação e de Manutenção do Msl AAe Tcmdo RBS 70, na Suécia. Em 2015, a EsACosAAe realizou o primeiro tiro do Msl AAe Tcmdo RBS 70 no Brasil.

A EsACosAAe realiza anualmente os Cursos de Especialização em Artilharia de Costa e Antiaérea para oficiais e sargentos, curso de Operador de Radar e Direção de Tiro para sargentos, curso de Operador de Alvo Aéreo para sargentos e diversos estágios de artilharia antiaérea. Atenta às novas ameaças e oportunidades, a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea aprimora a doutrina de defesa antiaérea das Forças Armadas Brasileiras e desenvolve uma doutrina de defesa do nosso extenso litoral. Consagrando, desta forma, a EsACosAAe como centro de excelência de ensino e de doutrina do Exército.[3]


Referências

  1. Informex n.º 016 de 7 de maio de 2018
  2. «Site da EsACosAAe». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  3. «Histórico da EsACosAAe». Consultado em 25 de fevereiro de 2019 

Ligações externasEditar