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Escritório do Crime

Milícia carioca
Escritório do Crime
Fundação 2002
Local de fundação Rio de Janeiro, Brasil.
Anos ativo 2002 – presente
Território (s)  Rio de Janeiro
Atividades Assassinatos, Grilagem, Venda e locação ilegal de imóveis
Aliados ADA, TCP, LJ, CV

Escritório do Crime é nome de uma milícia de pistoleiros e matadores de elite que atua na zona oeste do Rio nascida da exploração imobiliária ilegal em atividades como grilagem, construção, venda e locação ilegal de imóveis, [1][2] cuja principal atividade é assassinato sob encomenda. [2] O grupo é composto por policiais militares, ex-policiais e suspeita-se de ser comandado pelo o ex-capitão do BOPE Adriano Nóbrega (preso duas vezes, sob suspeição de ligações com a máfia de caça-niqueis e jogo do bicho e réu em processos de grilagem)[3] e pelo major da Polícia Militar Ronald Pereira, ambos alvos da operação "Os Intocáveis".[4]

Investigações indicam que o grupo usa técnicas de planejamento avançadas, aprendidas dentro da própria polícia, para executar suas atividades. Veículos são cuidadosamente escolhidos e adulterados desde seus acessórios até suas placas e ano, de modo a serem transformados em "carros limpos" segundo sua terminologia, à fim de despistar eventuais investigações. Após essa etapa de preparo estuda-se a rotina do alvo e planeja-se o local e hora da execução. O processo de planejamento busca por áreas sem câmeras de vigilância, pouco movimentadas e próximas à rotas de fuga. [5]

Índice

HistóricoEditar

Suspeita-se que o grupo esteja envolvido em 19 homicídios não esclarecidos desde 2002, como o assassinato do bicheiro Waldomiro Paes Garcia em 28 de setembro de 2004 e do empresário Marcelo Diotti da Mata no estacionamento de um restaurante na Avenida das Américas, morto no mesmo dia de Marielle e Anderson. [6]

Em agosto de 2018 passaram a ser investigados sob acusação de envolvimento com o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes no dia 14 de março do mesmo ano [7][8]. Suspeita-se que o assassinato da vereadora e de seu motorista tenham sido cometidos pelo grupo a fim de evitar que ela atrapalhasse seus negócios [9]. A vereadora teria atravessado as atividades imobiliárias dos milicianos ao interferir num projeto de verticalização da comunidade de Rio das Pedras, o que resultaria em grandes perdas a eles, o que teria motivado-os à executa-la. Apesar da suspeição do envolvimento do grupo com no caso, não se descarta a hipótese de envolvimento do miliciano Orlando de Oliveira Araújo e do vereador Marcello Siciliano. [10]

Em 22 de janeiro de 2019 foi noticiado que o recém eleito senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, empregou em seu gabinete desde o início de 2008 até novembro de 2018 a esposa do ex-capitão suspeito de liderar o grupo, Adriano Nóbrega[11], e desde abril de 2016, dois anos após sua expulsão da PM, empregou sua mãe, Raimunda Veras Magalhães. [12][13] O outro suspeito de comandar a milícia, major Ronald Pereira, também já foi homenageado por Flávio na Assembléia.[14][15]

Adriano NóbregaEditar

O ex-capitão, já três vezes preso e solto, foi homenageado duas vezes por Flávio Bolsonaro na Alerj,[14][15] sendo a primeira homenagem recebida em 2003, junto à outros sete policiais membros do GAT e ao futuro assessor Fabrício Queiroz, com moção de louvor e a segunda vez com a Medalha Tiradentes, honraria da Assembléia Legislativa. Em janeiro de 2004, três meses após a primeira homenagem, Adriano e os mesmos policiais foram acusados de torturar e extorquir três jovens na favela de Parada de Lucas[16], na zona norte carioca, e dia 27 de novembro presos pelo assassinato de um jovem chamado Leandro, morador do mesmo bairro, que havia denunciado os agentes por extorsão e ameaça. Acusações e testemunhas afiram que os policiais alteraram a cena do crime numa tentativa de forjar um auto de resistência por parte da vítima.[17] Desse modo, a segunda homenagem lhe conferida pelo então deputado Flávio Bolsonaro, ocorreu enquanto o policial estava preso por homicídio. [18] Após ser solto em novembro de 2006 e absolvido em janeiro de 2007, foi preso novamente em setembro de 2008 sob a acusação de tentativa de assassinato do pecuarista Rogério Mesquita e solto em outubro. Em 2011 foi preso pela 3ª vez na "Operação Tempestade do Deserto" sob a mesma acusação de tentativa de assassinato e solto em agosto de 2012.

Em 2014 foi exonerado da PM por sua relação com bicheiros. Em 2015 Flávio foi o único parlamentar a votar contra a CPI dos autos de resistência na Assembleia, alegando que a comissão era "faca na garganta" do policial. Em janeiro de 2019 é considerado foragido após denúncia por liderar a milícia Escritório do crime. [19][14][15]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Brasil 247 (22 de Janeiro de 2019 às 10:44). «Flávio Bolsonaro alegadamente empregou a mãe do chefe do Escritório do Crime». Brasil 247. Consultado em 22 de janeiro de 2019  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b «Flávio Bolsonaro supostamente empregou mãe e mulher de PM do Rio suspeito de comandar milícia». Folha de S.Paulo. 22 de janeiro de 2019. Consultado em 22 de janeiro de 2019 
  3. «Ex-capitão do Bope apontado como chefe do Escritório do Crime é acusado de grilagem de terras». O Globo. 28 de janeiro de 2019. Consultado em 28 de janeiro de 2019 
  4. «Escritório do Crime». O Antagonista. 22 de janeiro de 2019. Consultado em 22 de janeiro de 2019 
  5. «Escritório do Crime usa técnica policial para matar por encomenda». Extra Online. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  6. «Escritório do Crime usa técnica policial para matar por encomenda». Extra Online. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  7. Brasil, Equipe VICE; Maleronka, André (20 de agosto de 2018). «159 dias sem ela: Escritório do Crime sob investigação no caso Marielle». Vice. Consultado em 22 de janeiro de 2019 
  8. Online, O. POVO. «Grupo de matadores formado por policiais vira alvo de investigação no caso Marielle». www.opovo.com.br. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  9. «Flávio Bolsonaro supostamente empregou mãe e mulher de PM do Rio suspeito de comandar milícia». Folha de S.Paulo. 22 de janeiro de 2019. Consultado em 22 de janeiro de 2019 
  10. «Entenda a conexão do Escritório do Crime com a morte de Marielle». Metrópoles. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  11. «Ex-PM estava preso por homicídio quando Flávio Bolsonaro o homenageou». Folha de S.Paulo. 24 de janeiro de 2019. Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
  12. «Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete». O Globo. 22 de janeiro de 2019. Consultado em 22 de janeiro de 2019 
  13. «Ministro do STF nega pedido de Flávio Bolsonaro e mantém investigação no Rio». Folha de S.Paulo. 1 de fevereiro de 2019. Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
  14. a b c «escritorio do crime». GGN 
  15. a b c Brasil 247 (24 de Janeiro de 2019 às 06:25). «Editorial da Folha: elo de Flávio com Escritório do Crime amplia a crise». Brasil 247. Consultado em 24 de janeiro de 2019  Verifique data em: |data= (ajuda)
  16. «Flávio Bolsonaro homenageou policiais acusados de participar de 'guarnição do mal'». O Globo. 3 de fevereiro de 2019. Consultado em 4 de fevereiro de 2019 
  17. «Ex-PM estava preso por homicídio quando Flávio Bolsonaro o homenageou». Folha de S.Paulo. 24 de janeiro de 2019. Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
  18. «Ex-PM estava preso por homicídio quando Flávio Bolsonaro o homenageou». Folha de S.Paulo. 24 de janeiro de 2019. Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
  19. «Ex-PM estava preso por homicídio quando Flávio Bolsonaro o homenageou». Folha de S.Paulo. 24 de janeiro de 2019. Consultado em 1 de fevereiro de 2019