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[[Imagem:Gobierno Provisional 1869 (J.Laurent).jpg|thumb|300px|Governo Provisório, 1869. Figuerola, Sagasta, Ruiz Zorrilla, Prim, Serrano, Topete, López Ayala, Romero Ortiz e Lorenzana (foto de 1869[[J. Laurent]]).]]
 
O '''Sexênio Democrático''' ou '''Revolucionário''' é o período da história [[Espanha|espanhola]] decorrido entre o triunfo da [[revolução de setembro de 1868]] até ao pronunciamento de dezembro de [[1874]] que marca o início da etapa conhecida como Restauração.
 
Na atividade política destes anos se vê a participação de quatro blocos políticos (unionistas, progressistas, democratas e republicanos), em cujo campo de ação intervêm também o movimento operário e a questão de [[Cuba]], iniciada nessa época.
 
O processo político dos seis anos de crise revolucionária se pode dividir em três etapas:
 
Depois destas três etapas, a situação política do país desembocaria a [[Casa de Bourbon|Restauração bourbônica]].
 
==A revolução de 1868==
{{AP|Revolução de 1868}}
 
'''As causas da revolução'''. Espanha vive uma conjuntura de crise econômica e política nos últimos anos do reinado isabelino. Uma grave crise econômica em [[1866]], financeira, agrária e industrial, à qual se soma o deterioro do sistema político.
 
:a) A crise financeira surge quando a baixa rentabilidade da ferrovia provoca a quebra de numerosos bancos e empresas (de 21 bancos, fecharam 6). Por outro lado, o endividamento do Estado obrigou a aumentar a [[pressão fiscal]].
 
:b) A crise agrária de subsistência. A seca e as más colheitas provocam carestia e fome entre a população.
 
:c) A crise industrial. O afundamento da indústria têxtil na [[Catalunha]] foi devido à subida dos preços do [[algodão]], importado dos [[Estados Unidos]] num momento de conflito interno (a [[guerra de Secessão]]). Também influiu o descenso da demanda têxtil na Espanha.
 
:d) A crise política devida ao deterioro e crise do sistema isabelino, é devido a uns governos em mãos dos moderados, acusados de [[corrupção]], [[despotismo]] e imoralidade. Foram incapazes de solucionar os problemas da Espanha e aceitar uma alternância no poder com os [[progressista]]s.
 
Também influiu a impopularidade da rainha [[Isabel II da Espanha|Isabel]] ao se rodear na Corte de personagens pitorescos (o seu confessor o pai Claret, sor Patrocínio, monja milagreira com chagas ou estigmas, e de amigos do rei consorte [[Francisco de Assis de Bourbon|Francisco de Assis]]) e a derrota na [[Guerra Hispano-Sudamericana]].
 
A crise econômica geral acelerou o deterioro político dos moderados. O governo devia enfrentar-se a vários grupos hostis, como os investidores, que queriam salvar o seu [[patrimônio]]; os industriais, que precisavam maior [[protecionismo]]; e os camponeses e operários, que não queriam passar [[fome]]. Frente da falta de resposta do governo ocorreram vários alçamentos violentos, entre os que está o dos Sargentos no Quartel de São Gil, que foi reduzido por [[Leopoldo O'Donnell|O'Donnell]]. Essa demonstração exagerada de força custou o posto a O'Donnell, que foi substituído por [[Ramón María Narváez|Narváez]] e depois por [[González Bravo]], que estabeleceu uma [[ditadura]] civil na que governava por decretos, já que as Cortes permaneciam fechadas e não tinha oposição parlamentar. As forças políticas excluídas, progressistas e democratas, optaram pela conspiração ao não poder apresentar oposição legal. Neste caso, enfrentavam-se ao governo bem como à rainha [[Isabel II]]. O lema dos progressistas era "Coroa, conselheiros e apoios".
 
Com a idéia desta revolução criou-se em Agosto de [[1866]] uma plataforma anti-governo chamada o [[Pacto de Ostende]]. Num primeiro momento os assinantes do pacto foram os [[progressismo|progressistas]] e os democratas exilados, que visavam movimentar uma revolução na [[Espanha]] desde o estrangeiro para acabar com Isabel II. Uma vez conquistado o poder formariam umas Cortes constituintes que estabeleceriam a forma de governo desde então: [[monarquia]] ou [[república]]. Posteriormente unem-se ao Pacto membros da [[União Liberal]] após a morte de [[Leopoldo O'Donnell|O'Donnell]] em [[1867]], o qual representa o triunfo da revolução. Os unionistas levam consigo um grande número de altos cargos militares, como o general Serrano.
 
==Revolução "A Gloriosa"==
 
Nesta situação estourou a [[revolução de 1868]] ou de La Gloriosa. A cidade de [[Cádiz]] voltava a ser origem de uma revolução, já que a [[19 de Setembro]] de [[1868]] o [[Juan Bautista Topete|brigadier Topete]] encabeçou um alçamento após pôr-se no comando da frota fundeada em Cádiz. Os sublevados difundem um manifesto intitulado "Espanha com honra", no que expunham as razões do seu levantamento, que eram a demanda de reformas políticas. No manifesto pediam que, após se exilar a rainha, fosse estabelecido um novo governo sem exclusão de partidos.
 
A seguir o general [[Juan Prim|Prim]] uniu-se a Topete e ambos tomaram o controlo de Cádiz. Logo buscaram o apóio em outras cidades como Sevilha, Córdoba, Barcelona, Huelva, etc. Formaram-se Juntas Provinciais que se encarregaram de mobilizar a população mediante promessas de [[sufrágio universal]], de eliminação de impostos, do fim do recrutamento forçoso e de uma nova constituição. Nas cidades, as Juntas revolucionárias, formadas por democratas e progressistas, assumiram o poder.
 
Finalmente, o governo e a rainha ficaram sem apoios, o que facilitou o triunfo da revolução na [[Batalha de Alcolea (1868)|batalha de Alcolea]] a [[28 de Setembro]] de [[1868]]. O Governo demitiu e a rainha, que se encontrava em [[São Sebastião]], marchou para o exílio na [[França]].
 
A revolução acabou com o regime de governo que havia até o momento, mas então apareceram diferentes formas de pensar entre os revolucionários e uma disputa por impor o seu próprio modelo de Estado. Ao final impuseram-se Prim e os seus, do setor progressista, aos quais se uniram os unionistas, com Serrano à frente, que foi nomeado chefe do governo provisório enquanto as Cortes constituintes eram formadas. O general Serrano, além disso, dissolveu as Juntas e desarmou a Milícia para evitar problemas.
 
==O governo provisório==
Militares e assinantes do Pacto de Ostende formaram um governo provisório. Depressa se encarregou de dissolver a [[Milícia Nacional]] e as Juntas revolucionárias. Na sua composição, Serrano (unionista) assumiu a presidência do governo e [[Prim]] (progressista) o ministério da guerra, ficando fora os democratas.
 
A convocatória a Cortes Constituintes fez-se, pela primeira vez, mediante eleições por [[sufrágio universal]] masculino (maiores de 25 anos). Votou 70 % do censo. A composição política do [[Parlamento]] ficou da seguinte maneira: progressistas (159); democratas (20); unionistas (69); republicanos federais (69); republicanos unitários (2); carlistas (18); isabelinos ou liberais moderados (14) que elaborariam a [[Constituição espanhola de 1869]].
 
===O republicanismo===
 
A novidade mais importante é a aparição na vida parlamentar do [[republicanismo]]. A ideologia republicana deriva do [[liberalismo]] democrata, é dizer, a sua raiz filosófica é liberal. Defende umas idéias liberais avançadas e diferençam-se dos outros grupos liberais no modelo de Estado. As idéias republicanas de raiz liberal são o sufrágio universal, a necessidade de reformas sociais e econômicas profundas em benefício das classes populares. Ademais os poderes públicos têm de assumir o caráter de Estado protetor das classes sociais desfavorecidas.
 
Nas relações com a [[Igreja católica|Igreja]] os republicanos defendem um Estado laico, não confessional, no qual Igreja e Estado são separados. Com freqüência a não confessionalidade aparece acompanhada por [[anticlericalismo]] porque os republicanos acusam a Igreja de ser um obstáculo para a liberdade, a modernização e o progresso da sociedade espanhola, pois junto com a aristocracia possuíam a maior parte da terra.
 
Entre os partidários de um modelo de organização política baseado na república, existiam duas tendências. Por um lado, os unitários, cujo conceito da Espanha é uma administração unitária ou centralista. Liderados por [[Emilio Castelar|Castelar]], são um pouco mais conservadores nas idéias políticas e sociais. E por outra, os federais concebem Espanha como uma federação pactista de Estados regionais históricos. Pela sua vez, dividem-se em benévolos e intransigentes. Os benévolos, seguidores de [[Pi y Margall]], aceitam a legalidade e opõem-se à insurreição armada. Os intransigentes são partidários da violência e a insurreição para conseguir o Estado Federal. Seu líder foi [[José María de Orense]].
 
As bases sociais republicanas encontram-se na pequena [[burguesia]], as classes populares urbanas (artesãos, assalariados) e parte do movimento operário e camponês antes de ser atraído pelas idéias e organizações [[anarquismo|anarquistas]] e [[socialismo|socialistas]].
 
===As colônias e a escravidão===
 
Um dos temas abordados pelas Cortes foi a [[Abolicionismo| abolição da escravidão]], que se limitara por enquanto à ''[[liberdade de ventres]]'' (Lei Moret de 4 de Julho de 1870, chamada assim por [[Segismundo Moret]], ministro de Ultramar e posteriormente de Fazenda). A supressão total houve de aguardar vários anos mais, (1873 para [[Porto Rico]], e 1886 para [[Cuba]]). Em ambas as colônias simultaneamente à ''Revolução Gloriosa'' da metrópole produziram-se as sublevações independentistas chamadas ''[[Grito de Lares]]'' (em Porto Rico, de breve duração) e ''[[Grito de Yara]]'' (que conduziu à [[Guerra dos Dez Anos]] cubana). A forma de gerir ambos os assuntos (colonial e escravista) proporcionou importantes argumentos para a oposição aos governos do sexênio.
 
===A procura de um novo rei===
[[Imagem:LeopoldHS.jpg|thumb|Leopoldo de Hohenzollern Sigmaringen]]
O triunfo nas eleições dos partidos que defendiam a monarquia como forma de governo, tal e qual fora recolhida na Constituição de 1869, obrigou o novo governo a encontrar um novo rei para a Espanha. Enquanto isso, aplicando a constituição, Serrano assumirá a Regência.
 
Houve diversos e variados candidatos, como o português [[Fernando II de Portugal|Fernando de Sajonia-Coburgo-Gotha]], que recusou o oferecimento; [[Antônio de Orleans]], duque de Montpensier, casado com a infanta [[Luísa Fernanda de Bourbon|Luísa Fernanda]], irmã de Isabel II e filho do rei francês [[Luis Felipe de Orleans]], cuja candidatura não prosperou ao matar num duelo ao infante Enrique de Bourbon, irmão do esposo de Isabel II. O alemão [[Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen|Leopoldo de Hohenzollern Sigmaringen]] (ao que os espanhóis chamavam: ''Ole, ole se me eligem''), contava com o valioso apóio do chanceler [[Otto von Bismarck]]. Porém, foi vetado [[Napoleão III]], temendo que [[França]] ficara entre duas monarquias [[Hohenzollern]]. No meio deste confronto foi apresentado o ''[[Telegrama de Ems]]'', que desencadeou a [[Guerra Franco-prussiana]] de [[1870]]. O futuro [[Afonso XII]] não foi aceite por Prim devido à nefasta lembrança do reinado do último Bourbon, sua mãe Isabel II.
 
 
A [[16 de Novembro]] de 1870 teve lugar a votação para a escolha do novo Rei nas Cortes, em sessão presidida por [[Manuel Ruiz Zorrilla]], que produziu o seguinte resultado:
 
{|
! Candidatura
! Votos
|-----
| [[Amadeu I da Espanha|Amadeu de Sabóia]]
| 191
|-bgcolor="#EFEFEF"
| [[República Federal]]
| 60
|-----
| [[Antônio de Orleans|Duque de Montpensier]]
| 27
|-bgcolor="#EFEFEF"
| [[Baldomero Espartero]]
| 8
|-----
| [[Afonso XII|Alfonso de Bourbon]]
| 2
|-bgcolor="#EFEFEF"
| [[República| República Unitária]]
| 2
|-----
| [[República]]
| 1
|-bgcolor="#EFEFEF"
| Duquesa de Montpensier
| 1
|-----
| Em branco
| 19
|-----
|}
 
O número de participantes foi de 334, pelo qual o eleito, que contou com o apóio de Prim, foi [[Amadeu I da Espanha|Amadeu de Sabóia]], duque de Aosta, filho do rei italiano [[Vítor Manuel II]]. Tinha ao seu favor ser filho do artífice da unificação italiana, baseada numa monarquia constitucional. Foi aceite pelas Cortes a [[30 de Novembro]] de [[1870]] e proclamado rei a [[2 de Janeiro]] de [[1871]] após jurar frente do Parlamento.
 
==A monarquia constitucional de Amadeu I (1871-1873)==
 
[[Imagem:Amadeo I of Spain.png|thumb|right|[[Amadeu I da Espanha]]]]
Amadeu I ocupou o trono desde Janeiro de [[1871]] até Fevereiro de [[1873]], dois escassos anos nos quais teve de enfrentar-se a graves dificuldades desde o momento da sua coroação. Poucos dias antes da sua chegada, o seu principal valedor, Prim, fora assassinado por um anarquista; com este assassinato o novo governo da Espanha perdia à pessoa que de fato estava mediando entre as diferentes forças políticas.
 
A instabilidade política e as dissensões entre os partidos do governantes manifestaram-se nas três eleições gerais e os seis governos diferentes que houve durante este breve reinado. Além disso, existia uma oposição ao regime por parte dos [[carlista]]s, quem se levantaram em armas em [[1872]], os alfonsinos, dirigidos por Cánovas del Castillo e partidários de que o filho de Isabel II, Alfonso, fosse o rei. Também os republicanos, contrários a toda forma de monarquia, protagonizaram várias insurreições armadas em [[Andaluzia]] e Catalunha nas quais se misturaram reivindicações populares como o reparto de terras, a abolição das quintas e dos impostos de consumos, manifestando a falta de apóio entre o povo, que não aceitou o novo monarca ao qual, burlando-se, chamava ''Macarronini I''.
 
Ante esta situação, Amadeu I abdica e as Cortes, numa reunião não prevista na Constituição de 1869, proclamam a [[Primeira República Espanhola|primeira República]] a [[11 de Fevereiro]] de [[1873]]
 
==A [[Primeira República Espanhola]] (1873-1874)==
 
==='''República Federal (1873) '''===
 
A república nasce sem apóio social nem político. Os partidos republicanos apenas têm seguidores nem simpatizantes. As classes populares começam a decantar-se pelos movimentos operários. Os poderes fáticos (Igreja, exército, banqueiros, grandes empresários) eram contrários à República e às suas idéias sociais avançadas.
 
O primeiro presidente foi [[Estanislao Figueras]] e após a vitória republicana na eleições, a maioria federalista entregou o poder a [[Francisco Pi y Margall]], principal teórico do federalismo republicano, cujos princípios foram refletidos no projeto de Constituição federal de 1873. Estabelecia a separação entre Igreja e Estado e um modelo da Espanha a partir de uma federação de 15 (ou 17 com Cuba e Porto Rico) Estados federais: Andaluzia Alta, Andaluzia Baixa, Aragão, Astúrias, Baleares, Canárias, Castela a Nova, Castela a Velha, Catalunha, Estremadura, Galiza, Múrcia, Navarra, Valência, Regiões Vascongadas. Mais tarde incorporar-se-iam [[Filipinas]], [[Bioko|Fernando Poo]], [[Ano Bom]] (no golfo da Guiné), [[Corisco]] e os estabelecimentos da África.
 
Espanha vivia numa situação de conflito social e político. As tensões sociais estouraram em forma de greves obreiras e ocupação de terras pelos camponeses e o fenômeno do cantonalismo. Além disso, dois conflitos militares dificultavam a convivência pacífica: a insurreição de [[Cuba]] de 1868 e a terceira guerra carlista de 1872.
 
* '''O [[cantonalismo]]'''. A queda de Pi y Margall, substituído por [[Nicolás Salmerón|Salmerón]] na Presidência da república, deu uma virada conservadora ao regime. Numerosas populações declararam-se república ou cantão independente em Valência, Múrcia e Andaluzia (destacam-se [[Alcoy]] e [[Cartagena (Espanha)|Cartagena]]). Houve cantões nas cidades de [[Castellón de la Plana]], [[Valência]], Alcoy, [[Alicante]], [[Torrevieja]], [[Almansa]], Cartagena, [[Granada (Espanha)|Granada]], [[Málaga]], [[Bailén]], [[Andújar]], [[Jaén]], [[Sevilha]], [[Cádiz]], [[Tarifa]], [[Algeciras]] e [[Salamanca]]. Muitos declararam a guerra ao Estado central, e ocasionalmente, entre si (Granada contra Jaén). Estas insurreições aglutinaram artesãos, tendeiros e assalariados dirigidos por republicanos intransigentes. Foram sufocadas com dureza pelo governo central. O [[cantão de Cartagena]] resistiu até a [[12 de Janeiro]] de [[1874]], devido ao caráter de fortificação militar e base naval, bem como à adesão das tripulações dos melhores barcos da [[armada]].
 
Salmerón demitiu quando se negou a assinar duas condenas à morte ditadas para reios culpáveis da insurreição cantonal. As Cortes escolheram no seu lugar a Castelar e outorgaram-lhe poderes extraordinários com o fim de tentar solucionar as graves crises políticas e militares que sacudiam Espanha. Castelar suspendeu as garantias constitucionais e governou por decreto.
 
* '''A [[Guerra dos Dez Anos]] (1868-1878) com o [[Grito de Yara]]'''. Os [[crioulo]]s passaram das petições de autonomia aos desejos de [[independência]]. Os fazendeiros cubanos, com o apóio dos [[Estados Unidos]], não aceitavam quer o regime político que se impôs na Espanha com a revolução de 1868 quer a abolição da [[escravidão]]. No seio do movimento independentista produziu-se um confronto entre os ricos donos das plantações e o restante dos cubanos, partidários do fim do regime escravista.
 
* '''A [[Terceira Guerra Carlista]] (1872-1876)''', que estourara uns meses antes de proclamar-se a I República, recrudesceu-se. O pretendente Carlos VII, neto de Carlos Maria Isidro (V, na sucessão carlista), mobilizou uns 45.000 homens armados. Devolveu os ''fueros'' catalães, aragoneses e valencianos ([[16 de Junho]] de [[1872]]) suprimidos por [[Filipe V da Espanha|Filipe V]] e criou um governo em Estella, embrião de um Estado carlista com [[Município]]s e Deputações, organizados segundo o regime foral, impulsionadores das línguas locais e as instituições tradicionais anteriores a 1700. A insurreição teve sucesso na Catalunha, Navarra, [[País Basco]] e pontos isolados do restante da Espanha. As tropas carlistas controlaram as zonas rurais, mas não as cidades; o estado carlista precisava ocupar uma cidade importante para criar um estado forte. O exército carlista sitiou a cidade de Bilbao, mas esta resistiu até a chegada das tropas alfonsinas. A derrota carlista produziu-se em [[1876]], uma vez que se superaram as dificuldades do período revolucionário e foi restaurada uma monarquia liberal de Afonso XII. O novo regime alfonsino armou um exército de 150.000 homens para se enfrentar a uns escassos 33.000 voluntários carlistas mal armados e organizados. As vitórias alfonsinas sucedem-se até a queda final de [[Montejurra]] e a tomada de Estella a [[16 de Fevereiro]] de 1876 pelas tropas dirigidas pelo general Primo de Rivera. O pretendente Carlos VII foi retirada a França e pôs fim à guerra carlista. As conseqüências da derrota carlista centraram-se na supressão dos ''fueros'' bascos (1876), criando o caldo de cultivo do qual nasceria pouco depois outro movimento político, o nacionalismo basco.
 
==='''República presidencialista ([[3 de Janeiro]] – [[29 de Dezembro]] [[1874]]). '''===
 
Os poderes extraordinários de Castelar concluíam em Janeiro de 1874. A maioria parlamentar, dirigida por Pi y Margall, estava disposta a substituir a Castelar e retornar aos princípios federais. Contudo, a burguesia industrial e financeira confiaram ao exército a imposição de um regime de ordem. A [[3 de Janeiro]], o general Pavía, capitão-general de Madrid, deu um [[golpe de Estado]]. Ao mando de um grupo da Guarda Civil ocupou o Parlamento e dissolveu as Cortes. O governo e a presidência da República ficaram em mãos do general Serrano.
 
O novo presidente dispôs-se a restabelecer a ordem pública: suspendeu a Constituição de 1869, proibiu a Internacional obreira, limitou o [[direito de associação]], cerrou diversos clubes (lugares de reunião política) e imprensa republicana.
 
Nesta conjuntura, [[Cánovas del Castillo]] prepara a restauração bourbônica. Consegue a abdicação de Isabel II no seu filho, Alfonso, e dá a conhecer o chamado [[Manifesto de Sandhurst]], no que Alfonso promete um regime constitucional para a Espanha.
 
 
==='''[[Restauração bourbônica]]: [[29 de Dezembro]] de [[1874]] '''===
 
Os acontecimentos precipitam-se. Um pronunciamento militar do general [[Arsenio Martínez-Campos|Martínez Campos]] em [[Sagunto]] proclama rei da Espanha a Afonso XII a [[29 de Dezembro]] de 1874, o que representa o nascimento da [[Restauração bourbônica]].
 
 
[[Categoria:História da Espanha]]
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