Diferenças entre edições de "As Tentações de Santo Antão (Bosch, São Paulo)"

Da composição em pauta são conhecidas pelo menos dezesseis versões, tradicionalmente consideradas réplicas ou cópias do [[tríptico]] ''[[As Tentações de Santo Antão]]'', assinado por [[Hieronymus Bosch|Bosch]], no [[Museu Nacional de Arte Antiga]] de [[Lisboa]]. O [[retábulo]] lisboeta sempre foi considerado inteiramente de mão do mestre e modelo para as outras versões. Dentre estas, o painel do [[MASP]] ocupa um lugar particular, tendo sido aceito como obra autógrafa de Bosch por Friedländer em seu repertório da antiga pintura dos [[Países Baixos]] de [[1937]].<ref name="FRIEDLÄNDER"> Friedländer, 1937, pp. 99-100</ref>
 
A opinião de Friedländer foi corroborada por um parecer de Robert Eigenberger, [[restaurador]] de [[Viena]] e especialista em Bosch.<ref name="MIGLIACCIO" /> Os dois estudiosos acreditam que o quadro possa ser uma primeira versão da parte central do tríptico de Lisboa. Essa [[hipótese]] foi aceita por diversos [[História da arte|historiadores de arte]], como De Tolnay<ref name="DE TOLNAY"> De Tolnay, 1937. </ref> e von Baldass<ref name="BALDASS"> Von Baldass, 1941. </ref>, e posteriormente confirmada por pareceres de estudiosos como [[Roberto Longhi]]<ref name="MIGLIACCIO" /> e Ragghianti.<ref name="RAGGHIANTI"> Ragghianti, 1954, pp. 62</ref> Lievens-De-Waegh<ref name="LIEVENS-DE WAEGH"> Lievens-De Waegh, 1973-1974, pp. 152-175</ref> e Ettore Camesasca<ref name="CAMESASCA" /> também defendem que o painel de [[São Paulo (cidade)|São Paulo]] seria um estudo preparatório de Bosch para o retábulo de Lisboa.
 
Diversos elementos formais e materiais, presentes no tríptico de Lisboa e na [[pintura]] de São Paulo e ausentes nas demais versões da obra, reforçam a existência de uma relação de proximidade autográfica entre os dois painéis. Exames a [[raios X]] executados no retábulo do Museu de Arte Antiga revelaram, em várias partes, intervenções do pintor sobre detalhes já acabados. O mesmo hábito é documentado por análise realizada com esta técnica sobre a obra paulista. A madeira dos painéis é idêntica nas duas obras ([[carvalho]]), assim como a disposição das tábuas que os compõem, juntadas por encaixes em forma de andorinha, como era costume nos Países Baixos no final do [[século XV]].<ref name="MIGLIACCIO" />