Diferenças entre edições de "Afonso VI de Portugal"

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A morte do irmão, D. Teodósio, sucede-se a [[13 de Maio]] de [[1653]] e, a [[17 de Novembro]] do mesmo ano, falece D. Joana. Passa Afonso para a ribalta como novo herdeiro do trono de Portugal.
 
===Criação da Casa do Infantado===
Entre [[1654]] e [[1655]], poucos anos antes de falecer, D. João VI dispensa em benefício do infante D. Pedro, que mais tarde se tornaria rei de Portugal, um vasto património de senhorios, grande parte deles usurpados aos nobres contrários à Restauração que haviam partido para [[Castela]]. Estes senhorios expandiam-se ao longo do território português, do Norte ao [[Baixo Alentejo]], e estão na origem da [[Casa do Infantado]].
 
Garantia-se assim, não só «o mantimento dos filhos segundos da coroa», nas palavras de Veríssimo Serrão, mas também o suporte da descendência de forma a perpetuar o sangue real português o mais que se pudesse. <ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref> Porém, alguns historiadores interpretam esta medida de forma diferente: com a debilidade da monarquia portuguesa, que nem sequer era reconhecida internacionalmente, e a insegurança que representava da incapacidade do herdeiro<ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, inclusive a gerar descendentes, esta medida conseguia colocar nas mãos da família real um vasto património, que garantitia a sua importância senhorial.
 
A [[Casa de Bragança]], a [[Casa do Infantado]] e a [[Duque do Cadaval|Casa do Cadaval]], com quem a monarquia mais tarde contraiu alianças, formavam a trindade da nobiliarquia portuguesa e, embora tivessem todas elas ligações à coroa, as suas possessões estavam segregadas do património do Estado.<ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>
 
===Subida ao trono e regência de D. Luísa===
Volvidos três anos, falece [[João IV de Portugal|D. João IV]], deixando um sucessor cuja idade ainda não lhe permitia governar e de capacidade mental duvidosa para assumir a função. Foi aclamado e jurado rei a [[15 de Novembro]] de [[1656]]<ref name="História3"> LOURENÇO, Paula, PEREIRA, Ana Cristina, TRONI, Joana, ''Amantes dos Reis de Portugal'', p. 164, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2ª ed, Dezembro de 2008</ref>. O boato que sofria de alguma doença mental, levou a levantar-se a questão do adiamento da cermónia Manteve-se a data por entendimento da rainha. A oração de praxe foi coube aos doutor António de Sousa Macedo, jurisconsulato e [[diplomata]], destacando, não a figura de D. Afonso, mas a de seu pai, a quem definiu como «hum sugeito quasi divino». Não deixou de evocar os feitos dos reis anteriores, provavelemte, com o propósito de despertar o brio do jovem monarca, cuja nação se preparava para o recomeço da ofensiva espanhola, que já se fazia anunciar, e ao qual se incumbia o dever de juntar todas os estímulos para, ao fim de dezasseis anos de guerra, não comprometer a independência face ao país vizinho e todo o processo de restauração agregado<ref name="História7"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 42-43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
 
Este[[Imagem:22- eraRainha oD. diaLuísa.jpg|thumb|left|160px|Retrato em que se iniciava também a regência da sua mãe,de D. [[Luísa de Gusmão]], querainha de deixará o cargo de[[Portugal]], regente apósno umainício manobrado encabeçadareinado por Castelo-Melhor e apoiada porde D. Afonso, que a depõe em [[1662VI.]].
Este era o dia em que se iniciava também a regência da sua mãe, D. [[Luísa de Gusmão]].<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
[[Imagem:BLElvas 01.jpg|180px|left|thumb|Pedra comemorativa da [[Batalha das Linhas de Elvas]], 1659, com menção a D. Afonso VI.]]
 
A regência de D. Luísa centrou-se, inicialmente, na organização do governo de modo a impor-se às facções palacianas em jogo. Nomeia então, D. [[Francisco de Faro]], [[Conde de Odemira]], para aio de D. Afonso e mantém os oficiais da Casa Real que exerciam tais funções no tempo do seu marido. D. Francisco filho do segundo [[Conde de Faro]], D. [[Estevão de Faro]], e de D. Guiomar de Castro, filha do quarto [[Barão do Alvito]], D. [[João Lobo da Silveira]], e neta, por parte da mãe, do segundo [[Senhor de Lavre]] e [[Senhor de Estepa|Estepa]], D. João Mascarenhas. Através dos matrimónios das suas filhas, D. Maria e D. Guiomar, traçou relações com o sétimo [[Conde da Feira]] e com o primeiro [[Duque de Cadaval]], o célebre D. [[Nuno Álvares Pereira de Melo]], e com o terceiro conde de [[Vila Nova de Portimão]], respectivamente. D. Francisco, como se constata, pertencia a uma das famílias mais poderosas e de maior tradição em [[Portugal]], e com dilectas ligações de parentesco com outras casas de suma importância, como é o caso da Casa de Cadaval. <ref>[http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=3494 Dados biográficos de D. Francisco de Faro, sétimo conde de Odemira no site GeneAll.net]</ref> A Pedro Vieira da Silva e Gaspar Faria Severim, comendador de Moura, coube o Conselho de Estado. Porém a rivalidade entre D. Francisco e o Conde de Cantanhede dificulta a regência da mãe de D. Afonso. Esta vê-se obrigada a nomear a «Junta Nocturna», assim conhecida por ter reuniões à noite.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. Para além dos dois nobres em disputa, constavam nela outros oficiais de confiança, como o [[marquês de Nisa]], Pedro Fernandes Monteiro, o [[conde de São Lourenço]] e Frei Domingos do Rosário, diplomata experiente. Esta Junta teve bastante utilidade e agilidade aos comandos dos negócios públicos.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>
 
[[Imagem:BLElvas 01.jpg|180px160px|leftright|thumb|Pedra comemorativa da [[Batalha das Linhas de Elvas]], 1659, com menção a D. Afonso VI.]]
 
Com 13 anos, narra Veríssimo Serrão <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, o seu maior gosto era rodear-se de rapazes de baixa estirpe, entre os quais dois irmãos António e João Conti, frequentadores do Paço Real que se tornaram seus amigos. Foram várias as arruaças nas ruas de Lisboa em que se envolveu, causa de preocupação na corte e no Reino<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. De nada serviram os conselhos da Rainha e do [[conde de Odemira]]. «O grupo entrava a seu bel prazer no Paço, dali sendo expulso pelo conde de Odemira, o que levou o monarca cenas de redobrada ira contra a rainha e os conselheiros. Na sombra apareceram então alguns jovens cortesãos, como o conde de Castelo Melhor e o [[conde de Atouguia]], [[Jerónimo de Ataíde, 6º Conde de Atouguia|D. Jerónimo de Ataíde]] (um dos filhos da célebre [[Filipa de Vilhena]]), que fortaleceram a posição de D. Afonso VI, não porque lhes conviesse a vida escandalosa deste mas porque sentiam que o favor régio estava a seu alcance logo que ele tomasse o poder.»
 
{{quote2|''«Um certo genovês António Conti, astucioso, soube insinuar-se nas boas graças de el-rei, aplaudindo os rapazes que D. Afonso protegia nas contendas que se travavam. D. Afonso descia ao pátio para conversar com ele, que procurava tornar-se agradável, oferecendo-lhe bugigangas do seu comércio, que tentavam o gosto pouco apurado do monarca. António Conti foi-se insinuando no ânimo de D. Afonso, que chegou a introduzi-lo no palácio. Os preceptores quiseram acabar com o escândalo, mas o rei insistiu, e procurou meios de se comunicar secretamente com o italiano. Os preceptores, vendo que nada conseguiam, desistiram. D. Afonso VI, convencendo-se do seu poder, prosseguiu nos desregramentos, introduzindo na sua intimidade o irmão de António Conti, negros, mouros e lacaios de ínfima espécie. Divertiam-se todos em combates de lebreus, primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saia mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras. A rainha regente não sabia como impedir semelhante viver, e quis abandonar a regência, quando D. Afonso completou 18 anos; o conselho de estado porém, pediu-lhe que tal não fizesse, pelo menos enquanto não tirasse António Conti da intimidade do rei. A rainha então antes de largar a regência, resolveu desterrar António Conti para o Brasil; D. Afonso, sempre volúvel depois de se mostrar furioso, sossegou, e talvez até não pensasse mais nos seus validos, se um homem, muito inteligente, mas ambicioso, não tomasse o partido deles, e não excitasse os sentimentos de el-rei.»''}}
===Criação da Casa do Infantado===
Entre [[1654]] e [[1655]], poucos anos antes de falecer, D. João VI dispensa em benefício do infante D. Pedro, que mais tarde se tornaria rei de Portugal, um vasto património de senhorios, grande parte deles usurpados aos nobres contrários à Restauração que haviam partido para [[Castela]]. Estes senhorios expandiam-se ao longo do território português, do Norte ao [[Baixo Alentejo]], e estão na origem da [[Casa do Infantado]].
 
Garantia-se assim, não só «o mantimento dos filhos segundos da coroa», nas palavras de Veríssimo Serrão, mas também o suporte da descendência de forma a perpetuar o sangue real português o mais que se pudesse. <ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref> Porém, alguns historiadores interpretam esta medida de forma diferente: com a debilidade da monarquia portuguesa, que nem sequer era reconhecida internacionalmente, e a insegurança que representava da incapacidade do herdeiro<ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, inclusive a gerar descendentes, esta medida conseguia colocar nas mãos da família real um vasto património, que garantitia a sua importância senhorial.
 
A [[Casa de Bragança]], a [[Casa do Infantado]] e a [[Duque do Cadaval|Casa do Cadaval]], com quem a monarquia mais tarde contraiu alianças, formavam a trindade da nobiliarquia portuguesa e, embora tivessem todas elas ligações à coroa, as suas possessões estavam segregadas do património do Estado.<ref name="História2"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Prtugal'', vol. V, p. 128-129, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>
 
 
 
===Guerras da Restauração===
Mereceu o cognome de ''O Vitorioso'', por no seu reinado [[Portugal]] ter vencido a [[Espanha]] em várias batalhas da [[Guerra da Restauração]]. Em dez anos, mais ou menos o tempo em que combateu o país vizinho, diz António Pereira de Figueiredo, que «alcançou tão grande nomeada, que ninguém se pode comparar com ele no número de vitórias e na glória que delas resultou». <ref name="História4"> FIGUEIREDO, António Pereira, ''[http://books.google.com/books?id=vX3Rumhai8UC&printsec=frontcover&dq=reis+de+portugal&as_brr=3&hl=pt-PT#PPA211,M1 Elogios dos reis de Portugal: em latim e em portuguez, illustrados de notas historicas e críticas]'', p. 211, 1785</ref> Foram cinco as vezes em que os portugueses combateram os castelhanos durante o seu reinado, por ocasião da Guerra, sempre em menor número que os adversários. A primeira batalha foi a de [[Batalha de Badajoz|Badajoz]] em [[1657]], comandada pelo General João Mendes de Vasconcelos. A segunda ocorreu nas Linhas d'Elvas, em [[1659]], e foi comandada por D. António Luís de Meneses, conde de Cantanhede. No ano de [[1663]] ocorreu em Lisboa um perigoso motim perante a perda de [[Évora]] e de outras terras [[Alentejo|alentejanas]], que desassossegou a corte. Sucede-se então, no mesmo ano, a [[Batalha do Ameixial|terceira batalha]] deste reinado, no [[Ameixial]], junto a [[Extremoz]], comandada por D. [[Sancho Manoel]], depois primeiro [[Conde de Vila-Flor]].<ref name="História5"> TOSCANO, Francisco Soares, ''[http://books.google.com/books?id=nedHAAAAMAAJ&pg=PA3&dq=Sancho+Manoel&as_brr=3&hl=pt-PT#PRA2-PA380,M1 Parallelos de principes]'', p. 380, 1733</ref>
[[Imagem:Frederick Schomberg.jpg|thumb|rightleft|130px|O estratega alemão, [[Armando Frederico|Frederico, conde e duque de Schomberg]], que apoiou militarmente as campanhas de Afonso VI contra a [[Espanha]].]]
 
{{Quote2|(...) D.Sancho Manoel depois Conde de Villa Flor ganhou huma grande ventagem [...], e na batalha do Ameixial em que D. João de Austria ficou inteiramente derrotado, e restaurando Évora, e outras Pracas se sossegou Lisboa, e assegurou a Monarquia.|Francisco Soares Toscano <ref name="História5"> TOSCANO, Francisco Soares, ''[http://books.google.com/books?id=nedHAAAAMAAJ&pg=PA3&dq=Sancho+Manoel&as_brr=3&hl=pt-PT#PRA2-PA380,M1 Parallelos de principes]'', p. 380, 1733</ref>}}
[[Imagem:Frederick Schomberg.jpg|thumb|right|130px|O estratega alemão, [[Armando Frederico|Frederico, conde e duque de Schomberg]], que apoiou militarmente as campanhas de Afonso VI contra a [[Espanha]].]]
A quarta batalha travada foi a de [[Batalha de Castelo Rodrigo|Castelo Rodrigo]], também em [[1663]], comandada por Pedro Jacques de Magalhães, e a quinta a de [[Batalha de Montes Claros|Montes Claros]], cujo comando coube ao terceiro [[conde de Cantanhede]], D. [[António Luís de Meneses]], depois [[Marquês de Marialva]]. Porém, as vitórias levadas a cabo desde [[1660]] foram amparadas por um estratega alemão, o [[Armando Frederico|Conde de Schomberg]], contratado naquele ano pelo [[conde de Soure]].
 
A quarta batalha travada foi a de [[Batalha de Castelo Rodrigo|Castelo Rodrigo]], também em [[1663]], comandada por Pedro Jacques de Magalhães, e a quinta a de [[Batalha de Montes Claros|Montes Claros]], cujo comando coube ao terceiro [[conde de Cantanhede]], D. [[António Luís de Meneses]], depois [[Marquês de Marialva]]. Porém, as vitórias levadas a cabo desde [[1660]] foram amparadas por um estratega alemão, o [[Armando Frederico|Conde de Schomberg]], contratado naquele ano pelo [[conde de Soure]].
 
A rainha chegou a encarar a hipótese de o infante D. Pedro, seu 3º filho, vir a ser jurado herdeiro do trono, para o que recebeu casa própria (seria mais tarde efectivamente rei como D. [[Pedro II de Portugal]]). Mas tendo falhado o golpe palaciano de 1662, que visava o desterro de António Conti no [[Brasil]] ou, talvez mesmo, a prisão do monarca, abriu-se o processo que levou ao termo da regência em [[23 de Junho]] de [[1662]], à entrega do poder efectivo ao rei.
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