Diferenças entre edições de "Afonso VI de Portugal"

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A regência de D. Luísa centrou-se, inicialmente, na organização do governo de modo a impor-se às facções palacianas em jogo. Nomeia então, D. [[Francisco de Faro]], [[Conde de Odemira]], para aio de D. Afonso e mantém os oficiais da Casa Real que exerciam tais funções no tempo do seu marido. D. Francisco filho do segundo [[Conde de Faro]], D. [[Estevão de Faro]], e de D. Guiomar de Castro, filha do quarto [[Barão do Alvito]], D. [[João Lobo da Silveira]], e neta, por parte da mãe, do segundo [[Senhor de Lavre]] e [[Senhor de Estepa|Estepa]], D. João Mascarenhas. Através dos matrimónios das suas filhas, D. Maria e D. Guiomar, traçou relações com o sétimo [[Conde da Feira]] e com o primeiro [[Duque de Cadaval]], o célebre D. [[Nuno Álvares Pereira de Melo]], e com o terceiro conde de [[Vila Nova de Portimão]], respectivamente. D. Francisco, como se constata, pertencia a uma das famílias mais poderosas e de maior tradição em [[Portugal]], e com dilectas ligações de parentesco com outras casas de suma importância, como é o caso da Casa de Cadaval. <ref>[http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=3494 Dados biográficos de D. Francisco de Faro, sétimo conde de Odemira no site GeneAll.net]</ref> A Pedro Vieira da Silva e Gaspar Faria Severim, comendador de Moura, coube o Conselho de Estado. Porém a rivalidade entre D. Francisco e o Conde de Cantanhede dificulta a regência da mãe de D. Afonso. Esta vê-se obrigada a nomear a «Junta Nocturna», assim conhecida por ter reuniões à noite.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. Para além dos dois nobres em disputa, constavam nela outros oficiais de confiança, como o [[marquês de Nisa]], Pedro Fernandes Monteiro, o [[conde de São Lourenço]] e Frei Domingos do Rosário, diplomata experiente. Esta Junta teve bastante utilidade e agilidade aos comandos dos negócios públicos.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>
 
Com 13 anos, narra Veríssimo Serrão <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, divertia-se quando de uma janela do Paço Real observava rapazes de baixa condição nas suas brincadeiras, que incluiam lutas e outras arruaças <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. A dita janela voltava as vistas para um pátio rodeado de arcadas, onde se reunião alguns mercadores e outros negociantes. Entre eles estava António Conti, um astuto genovês, que, constam documentos, soube insinuar-se nas boas graças do monarca, aplaudindo os seus protegidos e ofertando bugigangas condizentes com o seu pouco apurado gosto, sempre que o rei descia ao pátio para conversar com ele. <ref name="Pesquisa de Carlos Leite RIbeiro"> [http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/D_Afonso_VI.html Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro.]</ref> D. Afonso VI introduzio o amigo no paço, que tratou de lhe apresentar o seu irmão e também outros rapazes, incluindo negros, lacaios, mouros e outros de ínfima estirpe<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. <ref name="Pesquisa de Carlos Leite RIbeiro"> [http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/D_Afonso_VI.html Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro.]</ref>
[[Imagem:BLElvas 01.jpg|160px|right|thumb|Pedra comemorativa da [[Batalha das Linhas de Elvas]], 1659, com menção a D. Afonso VI.]]
 
{{quote2|Divertiam-se todos em combates de lebreus, primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saia mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras.|Carlos Leite Ribeiro}}
Com 13 anos, narra Veríssimo Serrão <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, o seu maior gosto era rodear-se de rapazes de baixa estirpe, entre os quais dois irmãos António e João Conti, frequentadores do Paço Real que se tornaram seus amigos. Foram várias as arruaças nas ruas de Lisboa em que se envolveu, causa de preocupação na corte e no Reino<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. De nada serviram os conselhos da Rainha e do [[conde de Odemira]]. «O grupo entrava a seu bel prazer no Paço, dali sendo expulso pelo conde de Odemira, o que levou o monarca cenas de redobrada ira contra a rainha e os conselheiros. Na sombra apareceram então alguns jovens cortesãos, como o conde de Castelo Melhor e o [[conde de Atouguia]], [[Jerónimo de Ataíde, 6º Conde de Atouguia|D. Jerónimo de Ataíde]] (um dos filhos da célebre [[Filipa de Vilhena]]), que fortaleceram a posição de D. Afonso VI, não porque lhes conviesse a vida escandalosa deste mas porque sentiam que o favor régio estava a seu alcance logo que ele tomasse o poder.»
 
A regente, de início, tentou apaziguar estas atitudes e impedir que o rei mantivesse contacto com estes rapazes. Porém, D. Afonso não a escutava, nem tão pouco aos conselheiros, entre os quais o conde de Odemira, D. Francisco. As brincadeiras de mau gosto continuavam, eram motivo de preocupação na Corte e no Reino e D. Luísa teve que tomar uma medida drástica. É implementada a pena de açoites e degredo a quem, com mais de quinze anos, «jogasse pedradas».<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. <ref> Alvará de 31 de Janeiro de 1604, confirmado por resolução a 29 de Outubro de 1659, J. J. Andrade e Silva, Collecção Chronologica de Legislação Portugueza (1657-1674), p. 34</ref> Sob esta lei, António Conti é desterrado para o [[Brasil]]. D. Francisco de Faro aproveita o mote e expulsa o grupo do paço, que ali entrava a seu belo-prazer.<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. Quem não gostou foi, obviamente, D. Afonso, que, ao ver-se impedido de contactar com os seus amigos, volta a sua ira contra a mãe e contra os membros do conselho de estado, incluindo D. Francisco<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. .
Diz um cronista:
 
Surgem então na vida do jovem rei dois jovens cortesãos que lhe restituem as amizades perdidas. São eles [[Jerónimo de Ataíde, 6º Conde de Atouguia|D. Jerónimo de Ataíde]] (um dos filhos da célebre [[Filipa de Vilhena]]), e D. [[Luís de Vaconcelos e Sousa]], que ficou para a [[História]] como o célebre [[conde de Castelo Melhor]], título que lhe pertencia. Como diz Veríssimo Serrão, «não <small>[se aproximaram de D. Afonso]</small> porque lhes conviesse a vida escandalosa deste mas porque sentiam que o favor régio estava a seu alcance logo que ele tomasse o poder.» <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
{{quote2|''«Um certo genovês António Conti, astucioso, soube insinuar-se nas boas graças de el-rei, aplaudindo os rapazes que D. Afonso protegia nas contendas que se travavam. D. Afonso descia ao pátio para conversar com ele, que procurava tornar-se agradável, oferecendo-lhe bugigangas do seu comércio, que tentavam o gosto pouco apurado do monarca. António Conti foi-se insinuando no ânimo de D. Afonso, que chegou a introduzi-lo no palácio. Os preceptores quiseram acabar com o escândalo, mas o rei insistiu, e procurou meios de se comunicar secretamente com o italiano. Os preceptores, vendo que nada conseguiam, desistiram. D. Afonso VI, convencendo-se do seu poder, prosseguiu nos desregramentos, introduzindo na sua intimidade o irmão de António Conti, negros, mouros e lacaios de ínfima espécie. Divertiam-se todos em combates de lebreus, primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saia mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras. A rainha regente não sabia como impedir semelhante viver, e quis abandonar a regência, quando D. Afonso completou 18 anos; o conselho de estado porém, pediu-lhe que tal não fizesse, pelo menos enquanto não tirasse António Conti da intimidade do rei. A rainha então antes de largar a regência, resolveu desterrar António Conti para o Brasil; D. Afonso, sempre volúvel depois de se mostrar furioso, sossegou, e talvez até não pensasse mais nos seus validos, se um homem, muito inteligente, mas ambicioso, não tomasse o partido deles, e não excitasse os sentimentos de el-rei.»''}}
 
===Guerras da Restauração===
[[Imagem:BLElvas 01.jpg|160px|right|thumb|Pedra comemorativa da [[Batalha das Linhas de Elvas]], 1659, com menção a D. Afonso VI.]]
Mereceu o cognome de ''O Vitorioso'', por no seu reinado [[Portugal]] ter vencido a [[Espanha]] em várias batalhas da [[Guerra da Restauração]]. Em dez anos, mais ou menos o tempo em que combateu o país vizinho, diz António Pereira de Figueiredo, que «alcançou tão grande nomeada, que ninguém se pode comparar com ele no número de vitórias e na glória que delas resultou». <ref name="História4"> FIGUEIREDO, António Pereira, ''[http://books.google.com/books?id=vX3Rumhai8UC&printsec=frontcover&dq=reis+de+portugal&as_brr=3&hl=pt-PT#PPA211,M1 Elogios dos reis de Portugal: em latim e em portuguez, illustrados de notas historicas e críticas]'', p. 211, 1785</ref> Foram cinco as vezes em que os portugueses combateram os castelhanos durante o seu reinado, por ocasião da Guerra, sempre em menor número que os adversários. A primeira batalha foi a de [[Batalha de Badajoz|Badajoz]] em [[1657]], comandada pelo General João Mendes de Vasconcelos. A segunda ocorreu nas Linhas d'Elvas, em [[1659]], e foi comandada por D. António Luís de Meneses, conde de Cantanhede. No ano de [[1663]] ocorreu em Lisboa um perigoso motim perante a perda de [[Évora]] e de outras terras [[Alentejo|alentejanas]], que desassossegou a corte. Sucede-se então, no mesmo ano, a [[Batalha do Ameixial|terceira batalha]] deste reinado, no [[Ameixial]], junto a [[Extremoz]], comandada por D. [[Sancho Manoel]], depois primeiro [[Conde de Vila-Flor]].<ref name="História5"> TOSCANO, Francisco Soares, ''[http://books.google.com/books?id=nedHAAAAMAAJ&pg=PA3&dq=Sancho+Manoel&as_brr=3&hl=pt-PT#PRA2-PA380,M1 Parallelos de principes]'', p. 380, 1733</ref>
[[Imagem:Frederick Schomberg.jpg|thumb|left|130px|O estratega alemão, [[Armando Frederico|Frederico, conde e duque de Schomberg]], que apoiou militarmente as campanhas de Afonso VI contra a [[Espanha]].]]
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