Diferenças entre edições de "Afonso VI de Portugal"

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Volvidos três anos, falece [[João IV de Portugal|D. João IV]], deixando um sucessor cuja idade ainda não lhe permitia governar e de capacidade mental duvidosa para assumir a função. Foi aclamado e jurado rei a [[15 de Novembro]] de [[1656]]<ref name="História3"> LOURENÇO, Paula, PEREIRA, Ana Cristina, TRONI, Joana, ''Amantes dos Reis de Portugal'', p. 164, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2ª ed, Dezembro de 2008</ref>. O boato que sofria de alguma doença mental, levou a levantar-se a questão do adiamento da cermónia Manteve-se a data por entendimento da rainha. A oração de praxe foi coube aos doutor António de Sousa Macedo, jurisconsulato e [[diplomata]], destacando, não a figura de D. Afonso, mas a de seu pai, a quem definiu como «hum sugeito quasi divino». Não deixou de evocar os feitos dos reis anteriores, provavelemte, com o propósito de despertar o brio do jovem monarca, cuja nação se preparava para o recomeço da ofensiva espanhola, que já se fazia anunciar, e ao qual se incumbia o dever de juntar todas os estímulos para, ao fim de dezasseis anos de guerra, não comprometer a independência face ao país vizinho e todo o processo de restauração agregado<ref name="História7"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 42-43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
 
[[Imagem:22- Rainha D. Luísa.jpg|thumb|left|160px180px|Retrato de D. [[Luísa de Gusmão]], rainha de [[Portugal]], regente no início do reinado de D. Afonso VI.]]
Este era o dia em que se iniciava também a regência da sua mãe, D. [[Luísa de Gusmão]].<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
 
A regência de D. Luísa centrou-se, inicialmente, na organização do governo de modo a impor-se às facções palacianas em jogo. Nomeia então, D. [[Francisco de Faro]], [[Conde de Odemira]], para aio de D. Afonso e mantém os oficiais da Casa Real que exerciam tais funções no tempo do seu marido. D. Francisco filho do segundo [[Conde de Faro]], D. [[Estevão de Faro]], e de D. Guiomar de Castro, filha do quarto [[Barão do Alvito]], D. [[João Lobo da Silveira]], e neta, por parte da mãe, do segundo [[Senhor de Lavre]] e [[Senhor de Estepa|Estepa]], D. João Mascarenhas. Através dos matrimónios das suas filhas, D. Maria e D. Guiomar, traçou relações com o sétimo [[Conde da Feira]] e com o primeiro [[Duque de Cadaval]], o célebre D. [[Nuno Álvares Pereira de Melo]], e com o terceiro conde de [[Vila Nova de Portimão]], respectivamente. D. Francisco, como se constata, pertencia a uma das famílias mais poderosas e de maior tradição em [[Portugal]], e com dilectas ligações de parentesco com outras casas de suma importância, como é o caso da Casa de Cadaval. <ref>[http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=3494 Dados biográficos de D. Francisco de Faro, sétimo conde de Odemira no site GeneAll.net]</ref> A Pedro Vieira da Silva e Gaspar Faria Severim, comendador de Moura, coube o Conselho de Estado. Porém a rivalidade entre D. Francisco e o Conde de Cantanhede dificulta a regência da mãe de D. Afonso. Esta vê-se obrigada a nomear a «Junta Nocturna», assim conhecida por ter reuniões à noite.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. Para além dos dois nobres em disputa, constavam nela outros oficiais de confiança, como o [[marquês de Nisa]], Pedro Fernandes Monteiro, o [[conde de São Lourenço]] e Frei Domingos do Rosário, diplomata experiente. Esta Junta teve bastante utilidade e agilidade aos comandos dos negócios públicos.<ref name="História8"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 43, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>
 
Com 13 anos, narra Veríssimo Serrão <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>, divertia-se quando de uma janela do Paço Real observava rapazes de baixa condição nas suas brincadeiras, que incluiam lutas e outras arruaças <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. A dita janela voltava as vistas para um pátio rodeado de arcadas, onde se reuniãoreuniam alguns mercadores e outros negociantes. Entre eles estava António Conti, um astuto genovês, que, constam documentos, soube insinuar-se nas boas graças do monarca, aplaudindo os seus protegidos e ofertando bugigangas condizentes com o seu pouco apurado gosto, sempre que o rei descia ao pátio para conversar com ele. <ref name="Pesquisa de Carlos Leite RIbeiro"> [http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/D_Afonso_VI.html Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro.]</ref> D. Afonso VI introduzio o amigo no paço, queConti tratou de lhe apresentar o seu irmão e também outros rapazes, incluindo negros, lacaios, mouros e outros de ínfima estirpe<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. <ref name="Pesquisa de Carlos Leite RIbeiro"> [http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/D_Afonso_VI.html Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro.]</ref> Tomada possa da sua casa, a 7 de Abril de 1660, D. Afonso introduz António no paço, concedendo-lhe alojamente, um quarto com porta para a câmara do rei, causando, claramente, um escândalo na corte.
[[Imagem:Paço da Ribeira Lisboa.jpg|thumb|right|170px|Painel de azulejos do [[século XVII]], que representam o antigo [[Paço da Ribeira]], destruído em [[1755]] devido ao terramoto que abalou [[Lisboa]] nesse mesmo ano. D. Afonso VI foi o primeiro infante a habitar neste palácio.]]
{{quote2|''Divertiam-se todos em combates de lebreus, '''primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público'''. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saia mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras.''|Carlos Leite Ribeiro}}
 
Tomando posse da sua casa, a [[7 de Abril]] de [[1660]], deliberadamente, consegue D. Afonso um alojamento no paço para António Conti, um quarto com porta para a câmara do rei, atitude que provocou escândalo na [[corte]]. Atribui-lhe igualmente o foro de moço do guarda-roupa do rei. Assim, tinha o privilégio de assistir aos vestir e despir da real pessoa, que o designou também moço das chaves. António consegue ainda do rei que este o tornasse [[fidalgo]], lhe concedesse uma comenda e ainda o hábito da [[Ordem de Cristo]]. O monarca dispensa-lhe ainda uma capela cujo rendimento acercava-se dos 1000 [[cruzado]]s<ref name="História9"> LOURENÇO, Paula, PEREIRA, Ana Cristina, TRONI, Joana, ''Amantes dos Reis de Portugal'', p. 165, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2ª ed, Dezembro de 2008</ref>.
{{quote2|Divertiam-se todos em combates de lebreus, primeiro no paço, depois no próprio terreiro, em público. Aquele bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percorriam todos a cidade, de noite, apedrejando janelas, arremetendo contra os transeuntes. A incapacidade física de D. Afonso tornava ainda estes espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por bazófia a empresas atrevidas, sempre se saia mal, obrigando-se a fazer-se reconhecer, para não ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por vezes enchia o paço de mulheres perdidas, também por bazófia, porque não era menos incapaz para as lutas amorosas que para as lutas guerreiras.|Carlos Leite Ribeiro}}
 
A regente, de início, tentou apaziguar estas atitudes e impedir que o rei mantivesse contacto com estes rapazes, aconselhando-o. Porém, D. Afonso não a escutava, nem tão pouco aos conselheiros, entre os quais o conde de Odemira, D. Francisco. As brincadeiras de mau gosto continuavam, eram motivo de preocupação na Corte e no Reino e D. Luísa teve que tomar uma medida drástica. É implementada a pena de açoites e degredo a quem, com mais de quinze anos, «jogasse pedradas».<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. <ref> Alvará de 31 de Janeiro de 1604, confirmado por resolução a 29 de Outubro de 1659, J. J. Andrade e Silva, Collecção Chronologica de Legislação Portugueza (1657-1674), p. 34</ref> Sob esta lei, António Conti é desterrado para o [[Brasil]]. D. Francisco de Faro aproveita o mote e expulsa o grupo do paço, que ali entrava a seu belo-prazer.<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. Quem não gostou foi, obviamente, D. Afonso, que, ao ver-se impedido de contactar com os seus amigos, volta a sua ira contra a mãe e contra os membros do conselho de estado, incluindo D. Francisco<ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>. .
 
Surgem então na vida do jovem rei dois jovens cortesãos que lhe restituem as amizades perdidas. São eles [[Jerónimo de Ataíde, 6º Conde de Atouguia|D. Jerónimo de Ataíde]] (um dos filhos da célebre [[Filipa de Vilhena]]), e D. [[Luís de Vaconcelos e Sousa]], que ficou para a [[História]] como o célebre [[conde de Castelo Melhor]], título que lhe pertencia. Como diz Veríssimo Serrão, «não <small>[se aproximaram de D. Afonso]</small> porque lhes conviesse a vida escandalosa deste mas porque sentiam que o favor régio estava a seu alcance logo que ele tomasse o poder.» <ref name="História6"> SERRÃO, Joaquim Veríssimo, ''História de Portugal'', vol. V, p. 46, Editorial Verbo, Lisboa, 2ª ed</ref>.
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