Diferenças entre edições de "Papa Sérgio III"

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Sergio, conde do Túsculo, era bispo do Cere. Tinha sido eleito papa no 897 pela primeira vez pelos inimigos do defunto Formoso, mas Lamberto do Espoleto lhe forçou a ceder a sede pontifícia ao [[João IX]]. Após, retirado nos domínios do margrave Adalberto da Toscana, Sergio esperava sua hora para voltar a sentar-se no trono papal.
 
Um membro de sua família, um tal Teofilácto, proposto-se impor-se à nobreza romana. Simples juiz no ano [[901]], se autoadjudicó os títulos de cônsul, duque e senador do povo romano. Em realidade, era sua esposa, Teodora a Maior, e suas duas filhas, Teodora a Jovem e Marozia, tão libertinas como ambiciosas, as que o controlavam tudo. Em [[janeiro]] do ano [[904]] Teodora jogou a vaza do Sergio. Este retornou a Roma, apoderou-se do papa Cristóbal e o encerrou junto ao desafortunado [[Leão V]]. Uma vez reeleito, Sergio III instruiu um processo formal -uma farsa mas bem- contra seus dois predecessores, Leão e Cristóbal, e os fez degolar. Continuando, certamente obcecado pelo acontecido com o Formoso, Sergio e seus blocos proclamaram uma vez mais a invalidez de todas as ordenações conferidas por aquele Pontífice.
 
Durante os sete anos que ocupou a sede do Pedro, Sergio III se rendeu dócimente aos caprichos da Teodora e, sobre tudo, aos de sua filha menor, Marozia. Esta se tinha casado no [905] com o Alberico do Espoleto, mas isso não foi obstáculo para que fora muitos anos amante do papa, e que lhe desse um filho, o futuro papa [[João XI]], ao que sua própria mãe mandaria encarcerar acontecido o tempo. (Há bases documentários em que apoiar esta escandalosa trama, mas também há razões sólidas para deduzir que foi conseqüência de uma calúnia logo convertida em lenda.)
 
As únicas relações que teve Sergio III com o Bizancio foram para autorizar ao imperador [[Leão VI]] que se casasse pela quarta vez. Tanto o direito civil como o direito eclesiástico proibiam já um terceiro matrimônio. Também o patriarca de Constantinopla se havia oposto ao imperador quando este quis casar-se, em quartas núpcias, com o Zoé Carbonopsina a fim de legitimar a seu filho, herdeiro do trono.
 
O imperador pensou que naquela ocasião não seria o papa tão meticulosa e inflexível e, por uma vez, utilizou contra o patriarca de [[Constantinopla]] as pretensões do bispo de Roma ao primado universal. O patriarca, escandalizado pela atitude do Sergio, apagou-lhe dos Dípticos, listas oficiais nas que figuravam os nomes de bispos e patriarcas, o que equivalia a lhe excomungar. E é óbvio que o prestígio do papado não saiu fortalecido daquele episódio. Tão é assim quando os bispos franceses pressionaram ao Sergio III para que saísse ao passo do erro doutrina do Focio sobre o [[Espírito Santo]], o papa não encontrou eco algum no Oriente.
 
O único rastro claramente positivo do passo do Sergio III pela sede de [[São Pedro]] foi a reconstrução da basílica do Letrán, destruída no [[897]] por um tremor de terra. Esta pobre papa morreu em [[14 de abril]] do ano [[911]].
Teofilacto se nomeou a si mesmo príncipe, senador e cônsul de Roma, e senadoras a Teodora e Marozia. Tudas as papas daquele período foram brinquedos em mãos das facções feudais. A única obra memorável do Sergio foi a construção da Basílica Lateranense, destruída por um terremoto durante o "processo do cadáver".
 
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