Diferenças entre edições de "Harvey Milk"

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m
|nome =Harvey Bernard Milk
|imagem =Milk at Moscone desk cropped.jpg
|título =Supervisor da cidade de [[São Francisco (Califórnia)|São Franscisco]]
|mandato =[[8 de janeiro]] de [[1978]] a [[27 de novembro]] de 1978
|data_nascimento =[[22 de maio]] de [[1930]]
[[Image:Harvey Milk in Dress Navy 1954.jpg|thumb|upright|left|Milk vestido para o casamento de seu irmão em 1954]]
 
O início da carreira de Milk foi marcado por mudanças frequentes; anos mais tarde, ele teria se deliciado ao falar sobre sua metamorfose iniciada a partir de um menino judeu de classe média. Começou a dar aulas na George W. Hewlett High School em [[Long Island (Nova Iorque)|Long Island]]. Em 1956, encontrou Joe Campbell na praia de [[Jacob Riis Park]], um local popular para homens gays em [[Queens]]. Campbell era sete anos mais novo do que Milk, e Milk ficou muito apaixonado. Mesmo depois que foram morar juntos, Milk escrevia a Campbell notas e poemas românticos.<ref>Shilts p. 20.</ref>. Com o tédio crescendo rapidamente, decidiram mudar-se para [[Dallas]], [[Texas]], mas foram infelizes lá e voltaram a Nova Iorque, onde Milk obteve um emprego comde estatístico atuarial em uma seguradora." <ref name="alch">{{citar web |url= http://sfpl.org/librarylocations/main/glc/pdf/Harvey_Milk_Papers-Susan_Davis_Alch_Collection.pdf |titulo= Historical Note |acessodata=8 de outubro de 2008 |formato=PDF|obra= The Harvey Milk Papers: Susan Davis Alch Collection (1956–1962) |publicado=[http://sfpl.lib.ca.us/ San Francisco Public Library] |lingua= inglês}}</ref> Campbell e Milk separaram-se após quase seis anos; esse seria seu relacionamento mais longo.
 
Milk tentou separar sua vida romântica inicial de sua família e trabalho. Mais uma vez entediado e solteiro em Nova Iorque, ele pensou em mudar-se para [[Miami]] para se casar com uma amiga lésbica "para aparentarem ser um casal e cada um não seria um problema no caminho do outro".<ref name="alch"/> Entretanto, permaneceu em Nova Iorque e viveu relacionamentos gays em segredo. Em 1962, Milk envolveu-se com [[Craig Rodwell]], que era dez anos mais novo. Embora Milk cortejasse Rodwell ardentemente, acordando-o a cada manhã com um telefonema e enviando-lhe recados, Milk ficou desanimado pela participação de Rodwell na [[Sociedade de Mattachine]] de Nova Iorque, uma organização ativista gay. Quando Rodwell foi preso andando no Riis Park, acusado de estimular um motim e de usar de trajes indecentes (a lei exigia que os trajes de banho masculinos se estendessem desde acima do umbigo até abaixo das coxas), ele passou três dias na cadeia. O relacionamento logo terminou quando Milk tomou consciência da tendência de Rodwell em provocar a polícia. <ref>Shilts, p. 24–29.</ref>
 
Milk deixou abruptamente o trabalho de vendedor de seguroseguros e transformou-se em um investigador na [[Bache & Co.|Bache & Company]], uma empresa de [[Wall Street]]. Foi várias vezes promovido, apesar de sua tendência em ofender os membros mais antigos da empresa ignorando seus conselhos e exibindo seu próprio sucesso. Embora fosse hábil em seu trabalho, os colegas detectaram que o coração de Milk não estava em seu trabalho. <ref name="scribner">{{Referência a livro| título = Dictionary of American Biography | subtítulo = Harvey Bernard Milk. | idioma = inglês| edição = Supplement 10: 1976–1980| editora = Charles Scribner's Sons | ano = 1995 }}</ref> Começou um relacionamento com Jack Galen McKinley e recrutou-o para lutar contra o aumento da presença do Estado na economia, persuadindo McKinley a trabalhar na campanha presidencial do conservador [[Partido Republicano (Estados Unidos)|republicano]] [[Barry Goldwater]]. <ref>Shilts, p. 33</ref> O relacionamento dos dois era turbulento: McKinley tinha tendência à depressão e frequentemente ameaçava cometer suicídio se Milk não lhe desse atenção suficiente. <ref>Shilts, p. 35–36.</ref> Para auxiliar McKinley, Milk o levou ao hospital onde Joe Campbell, ex-namorado de Milk, recuperava-se de uma tentativa de suicídio, depois que seu amante – um homem chamado Billy Sipple – deixou-o. Milk tinha permanecido amigo de Campbell, que tinha incorporado a cena ''[[avant-garde]]'' do [[Greenwich Village]], e não compreendia porque o desânimo de Campbell era causa suficiente para considerar o suicídio como uma opção. <ref>Shilts, p. 36–37.</ref>
 
===Trajetória até a rua Castro===
[[Ficheiro:Castro street theatre.JPG|thumb|180px|Rua Castro]]
O [[Eureka Valley]] de São Francisco, onde as ruas Market e Castro se cruzam, tiveram por décadas sido uma vizinhança católica irlandesa de trabalhadores braçais ligados à [[Most Holy Redeemer Church, San Francisco|Paróquia Most Holy Redeemer de São Francisco]]. No começo dos [[anos 60]], entretanto, famílias novas saíram da vizinhança e mudaram-se para a [[área da baía de São Francisco]], e a base econômica da cidade foi muito afetada quando fábricas mudaram-se para localidades próximas mais baratas. O prefeito [[Joseph Alioto]], orgulhoso de seus atecendentesantecendentes e de seus apoiadores da classe obreira, baseou sua carreira política em dar boas-vindas a empreendedores e em atrair um [[cardeal]] católico romano à cidade. Muitos trabalhadores manuais -frequentemente apoiadores de Alioto - perderam seus trabalhos quando as grandes corporações focadas na indústria de serviços substituíram empregos nas fábricas e no [[dique seco]]. São Francisco tinha sidoera "uma cidade de vilas": uma cidade descentralizada com enclaves étnicos, cada um desses cercando sua própria rua principal. <ref name="castroI">{{citar jornal |ultimo= FitzGerald |primeiro= Frances | data = [[21 de julho]] de [[1986]]|titulo= A Reporter at Large: The Castro — I |jornal=[[The New Yorker]] |paginas=p. 34-70 |idioma =inglês}}</ref>
 
Enquanto a área central se desenvolvia, as vizinhanças sofriam, incluindo a Rua Castro. <ref>Weiss, p. 28–29.</ref> As lojas da Paróquia Most Holy Redeemer fecharam, e as casas foram abandonadas e lacradas. <ref>de Jim, p.&nbsp;36.</ref> Em 1963, os preços dos imóveis desabaram quando a maioria das famílias da classe obreira tentou vender rapidamente suas casas depois que um bar gay abriu na vizinhança. [[Hippie]]s, atraídos pelos ideais do amor livre da área de [[Haight-Ashbury]] mas rejeitados por seu índice de criminalidade, compraram algumas das casas baratas de estilo vitoriano.
Desde o fim da [[Segunda Guerra Mundial]], a principal cidade portuária, São Francisco, tinha sido o lar de um considerável número de homens gays expelidos das forças armadas que tinham desistido de regressar a seus lares e enfrentar o ostracismo.<ref name="demilio">D'Emilio, John. "Gay Politics and Community in San Francisco since World War II", in ''Hidden From History: Reclaiming the Gay and Lesbian Past'' (em inglês), New American Library (1989). ISBN 0453006892</ref> Por volta de 1969, São Francisco tinha mais gays per capita que qualquer outra cidade americana; quando o [[National Institute of Mental Health|Instituto Nacional de Saúde Mental]] pediu ao [[Kinsey Institute]] para examinar homossexuais, o instituto escolheu São Francisco como seu foco.<ref>Clendinen, p.&nbsp;151.</ref> Milk e McKinley estavam entre os milhares de homens gays atraídos por São Francisco. McKinley era um [[contra-regra]] de [[Tom O' Horgan]], um diretor que iniciou sua carreira no teatro experimental, mas logo atingiu as bem maiores [[teatro Broadway|produções da Broadway]]. Chegaram em 1969 com a companhia itinerante da Broadway que viajava com o musical ''[[Hair (musical)|Hair]]''. McKinley recebeu uma proposta para trabalhar na produção de Nova Iorque de ''[[Jesus Christ Superstar]]'', e seu relacionamento tempestuoso chegou ao fim. A cidade atraiu tanto Milk que decidiu permanecer ali, trabalhando em uma empresa de investimento. Em [[1970]], cada vez mais frustrado com o clima político após a invasão do [[Camboja]] pelos Estados Unidos, Milk deixou seu cabelo crescer. Quando ordenaram que cortasse, recusou-se e foi demitido.<ref>Shilts, p. 38–41.</ref>
 
Milk perambulou da [[Califórnia]] ao [[Texas]] e a [[Nova Iorque]] sem um trabalho constante ou um plano. Em Nova Iorque envolveu-se com a companhia teatral de O'Horgan como um "ajudante geral", assinando como produtor associado de ''Lenny'' e de ''Inner City'', de [[Eve Merriam]].<ref>{{citar jornal |ultimo= Barnes |primeiro= Clive | data = [[20 de dezembro]] de [[1971]]|titulo= Theater: The York of 'Inner City |jornal=[[ The New York Times]] |paginas=p. 48 |idioma =inglês}}</ref><ref name="ohorgan">{{citar jornal |ultimo= Gruen |primeiro= John | data = [[2 de janeiro]] de [[1972]]|titulo= Do You Mind Critics Calling You Cheap, Decadent, Sensationalistic, Gimmicky |jornal=[[ The New York Times]] |paginas=p. SM14 |idioma =inglês}}</ref> O período de convivência com as pessoas que partilhavam a atmosfera hippie de São Francisco tinha reduzido muito o conservadorismo de Milk. Uma história do ''[[New York Times]]'' sobre O'Horgan descreveu Milk como o "homem de olhar triste - outro hippie envelhecido com cabelo longo, longo, vestindo calças de brim desbotadas e contas bonitas".<ref name="ohorgan"/> Craig Rodwell leu a descrição do homem outrora tenso e quis saber se poderia ser a mesma pessoa.<ref name="shilts44-46">Shilts, p. 44.</ref> Um dos amigos de Wall Street de Milk preocupava-se que ele parecia não ter nenhum plano ou futuro, mas lembrou-se da atitude de Milk: "Acho que ele estava mais feliz do que em qualquer outro momento da sua vida que eu tenha visto."<ref name="shilts44-46"/>
 
Milk encontrou [[Scott Smith]], 18 anos mais novo, e começou outro relacionamento. Ele e Smith, agora indistinguíveis de outros hippies de cabelos compridos e barbudos, retornaram a São Francisco e viveram com o dinheiro que haviam poupado. Em [[1972]] um rolo de filme que Milk deixou para ser desenvolvido estragou; com seus últimos mil dólares, abriu uma loja de fotografias na rua Castro.<ref name="shilts65">Shilts, p.&nbsp;65.</ref>
 
===Mudando políticas===
No no final dos sessenta, a [[Society for Individual Rights]] (SIR) e a [[Daughters of Bilitis]] (DOB) começaram a lutar contra a perseguição da polícia em relação aos bares gays e indução à prática de crimes em São Francisco. [[Sexo oral]] era ainda um delito grave, e em [[1970]], quase 90 pessoas na cidade foram presas por causa disso. Sujeitos a despejo se surpreendidos tendo relações homossexuais em um apartamento alugado, e relutantes em enfrentar prisão em bares gays, alguns homens passaram a ter relações sexuais em parques públicos à noite. O prefeito Alioto pediu que a polícia concentrasse sua atenção nos parques, esperando que a decisão agradasse a [[arquidiocese]] e a seus apoiadores católicos. Em [[1971]], 2.800 homens gays foram presos devido a sexo em público em São Francisco. Para comparação, Nova Iorque regstrou somente 63 prisões pela mesma ofensa naquele ano.<ref>Shilts, p. 62.</ref> Toda a apreensão por acusaçãoacusações morais requeria o registro como [[agressão sexual]].<ref name="clendinen154">Clendinen, p.&nbsp;154.</ref>
 
O congressista [[Phillip Burton]], o membro da Assembleia [[Willie Brown (político)|Willie Brown]], e outros políticos da Califórnia reconheceram a influência e a organização crescentes dos homossexuais na cidade, e cortejaram seus votos participando de reuniões de organizações gays e lésbicas. Brown propôs a legalização do sexo consentido entre adultos em [[1969]] mas não teve sucesso.<ref>Clendinen, p. &nbsp;150–151.</ref> A SIR também foi procurada pela popular supervisora moderada [[Dianne Feinstein]] em sua tentativa para eleger-se prefeita, em oposição a Alioto. O ex-policial [[Richard Hongisto]] trabalhou por dez anos para mudar a visão conservadora do [[Departamento de Polícia de São Francisco]], e também apelando ativamente à comunidade gay, que respondeu levantando fundos significativos para sua campanha para xerife. Embora Feinstein fosse malsucedida, a vitória de Hongisto em [[1971]] mostrou o peso político da comunidade gay.<ref>Clendinen, p.&nbsp;156–159.</ref>
 
A SIR tinha-se tornado poderosa o bastante para manobras políticas. Em 1971, os membros da SIR [[Jim Foster]], [[Rick Stokes]] e o editor da ''[[The Advocate|Advocate]]'' David Goodstein criaram o [[Clube Democrático Memorial Alice B. Toklas]], conhecido como simplesmente como o "''Alice''". O ''Alice'' aproximou-se de políticos liberais para persuadi-los para patrocinar projetos de lei, o que provou ser uma estratégia bem sucedida quando em 1972 [[Del Martin e Phyllis Lyon]] obtiveram apoio de Feinstein para uma norma que proibisse a discriminação de emprego com base na orientação sexual. O ''Alice'' escolheu Stokes para concorrer a uma vaga relativamente sem importância no comitê educacional da comunidade. Embora Stokes tenha recebido 45.000 votos, ele esteve quieto, despretensioso, e não ganhou. <ref>Clendinen, p.&nbsp;161–163.</ref> Foster, entretanto, rumou à proeminência nacional ao ser o primeiro homem abertamente gay a falar em uma convenção política. Seu discurso na [[Convenção Nacional dos Democratas de 1972]] assegurou que sua voz, de acordo com políticos de São Francisco, fosse aquela a ser ouvida quando quisessem opiniões, e especialmente os votos, da comunidade gay.<ref>Shilts, p.&nbsp;61–65.</ref>
 
Um dia em 1973 um funcionário estatal entrou na loja de Milk, [[Castro Camera]], informando que ele devia 100 dólares pelo imposto sobre vendas. Milk ficou incrédulo e trocou gritos com o homem sobre os direitos dos proprietários das empresas; depois que se queixou por semanas em repartições estatais, a quantia foi reduzida a 30 dólares. Milk mostrava sua insatisfação quanto às prioridades do governo quando um professor entrou em sua loja para pedir um projetor porque o equipamento nas escolas não estava funcionando. Os amigos igualmente recordam de que na mesma época tiveram que impedi-lo de chutar a televisão quando o [[Procurador-Geral dos Estados Unidos]] [[John N. Mitchell]] deu as consistentes respostas “Eu não me recordo” durante as audiências do [[caso Watergate]] no Senado dos Estados Unidos. <ref>Shilts, p.&nbsp;65–72.</ref> Milk decidiu que tinha chegado a hora de concorrer para supervisor da cidade. Ele disse mais tarde, " Eu finalmente cheguei ao ponto onde eu sabia que eu tinha que me envolver ou calar a boca ".<ref>"Milk Entered Politics Because 'I Knew I Had To Become Involved'&nbsp;" (em inglês), ''The San Francisco Examiner'' (28 de novembro de 1978), p. 2.</ref>
A recepção de Milk pelos líderes políticos gays em São Francisco foi gelada. Jim Foster, que até então tinha sido ativo na política gay por dez anos, ofendeu-se com o pedido do iniciante para apoiá-lo para uma posição tão prestigiosa quanto o de supervisor da cidade (equivalente a vereador, no Brasil). Foster disse a Milk, "Há um velho provérbio no partido Democrata: ''Você não consegue dançar a menos que você coloque as cadeiras.'' Eu nunca vi você colocar as cadeiras." <ref>Shilts, p.&nbsp;73.</ref> Milk ficou furioso com a censura paternalista, e o diálogo marcou o começo de um relacionamento antagônico entre o ''Alice'' e Harvey Milk. Alguns proprietários de bares gays, ainda lutando contra a perseguição da polícia e descontentes com o que consideravam uma aproximação tímida do ''Alice'' com as autoridades estabelecidas na cidade, decidiram apoiá-lo.
 
Embora tenha vagueado ao longo de sua vida até ali, agora Milk tinha encontrado sua vocação, de acordo com oa jornalista [[Frances FitzGerald]], que o chamou de um "político inato".<ref name="castroI" /> No início, sua inexperiência ficou clara. Tentou fazer política sem dinheiro, apoio, e equipe de funcionários, e confiou preferivelmente em sua mensagem da gestão financeira sadia, promovendo indivíduos sobre grandes corporações e governo. Apoiou a reorganização das eleições para supervisor para que o colégio eleitoral, que abrangia por toda a cidade, fosse reduzido a uma abrangência distrital, o que reduziria a influência do dinheiro e daria às vizinhanças mais controle sobre seus representantes no governo municipal. Seguiu igualmente uma plataforma social liberal, opondo-se à interferência do governo em questões sexuais privadas e apoiando a legalização da [[maconha]]. Seus discursos ardentes e exagerados e suas conhecidas habilidades com os meios de comunicação lhe renderam uma multidão significativa durante a eleição de [[1973]]. Ganhou 16.900 votos – vencendo de forma espetacular no distrito de Castro e em outras vizinhanças liberais – terminando em décimo lugar dentre 32 candidatos. <ref>"S.F. Vote Tally: Supervisors" (em inglês), ''The San Francisco Chronicle'' (7 de novembro de 1973), p. 3.</ref> Se as eleições tivessem sido reorganizadas para permitir que os distritos elegessem seus próprios supervisores, ele teria ganho.<ref>Shilts, p.&nbsp;78–80.</ref>
 
===Prefeito da rua Castro ===
Milk mostrou cedo uma afinidade para construir alianças em sua carreira política. A organização sindical [[Teamsters]] quis promover uma greve contra os distribuidores da cerveja a [[Coors Brewing Company|Coors]] em particular<ref>{{citar web |url= http://www.westword.com/2002-06-27/news/a-brewing-disagreement/ |titulo= A Brewing Disagreement |acessodata=18 de janeiro de 2009|autor= Roberts, Michael |data=27 de junho de 2002|publicado= Westword|lingua=inglês}}</ref> - que recusaram-se a assinar um acordo coletivo. Um organizador pediu a Milk auxílio nos bares gays; em troca, Milk pediu que a entidade empregasse mais motoristas gays. Alguns dias mais tarde, Milk convocou os bares gays no distrito de Castro e nos arredores, incitando-os a recusarrecusarem vender a cerveja. Com a adesão de mercearias árabes e chinesas, que a Teamsters também tinha recrutado, o boicote foi imensamente bem sucedido.<ref>Shilts, p. 83.</ref> Milk encontrou um forte aliado político nos [[sindicato]]s, e foi por essa época que ele começou a autointitular-se “O prefeito da rua Castro”. <ref>"Harvey Bernard Milk". ''Biography Resource Center Online'' (em inglês). Gale Group, 1999. Reproduzido em [http://galenet.galegroup.com/servlet/BioRC Biography Resource Center], Farmington Hills, Mich.: Gale, 2008. Subscrição requerida.</ref> Enquanto a rua Castro crescia, a reputação de Milk seguia o mesmo caminho. Tom O' Horgan observou, "Harvey passou a maior parte de sua vida à procura de um palco. Na rua Castro ele finalmente o encontrou." <ref name="shilts65"/>
 
As tensões entre os cidadãos mais idosos da paróquia Most Holy Redeemer e a imigração de gays entrando no distrito de Castro aumentaram em 1973. Quando dois homens gays tentaram abrir uma loja de antiguidades, a Associação dos Comerciantes do Eureka Valley (EVMA) tentou impedir que recebessem a licença para o negócio (alvará). Milk e alguns outros empresários gays fundaram a Associação da Vila Castro, tendo Milk como presidente. Repetia frequentemente sua filosofia de que os homossexuais deveriam comprar de negociantes gays. Organizou a [[Feira da rua Castro]] em 1974 para atrair mais clientes para a área. <ref name="ewb">"Harvey Bernard Milk". ''Encyclopedia of World Biography'' (em inglês), 2 ed. 17 Vols. Gale Research, 1998.</ref> Mais de 5 mil pessoas compareceram, e alguns dos membros da EVMA ficaram chocados; fizeram mais negócios na Feira da Rua Castro do que em qualquer dia até ali. <ref>Shilts, p. 90.</ref>
O comparecimento às paradas gays durante o verão de 1978 em Los Angeles e São Francisco cresceu. Uma participação de 250 mil a 375 mil pessoas foi estimada na Parada do Dia da Liberdade Gay de São Francisco; jornais alegaram que os números maiores foram devidos a John Briggs.<ref name="jacobs6/27/78"/> Os organizadores pediram aos participantes que carregassem sinais indicando suas cidades de origem para as câmaras, a fim de mostrar de quão longe as pessoas vieram para viver no distrito de Castro. Milk andava em um carro aberto carregando um sinal dizendo "Eu sou de Woodmere, NY" <ref>Shilts, p. 224.</ref> Ele deu uma versão do que se tornou o seu mais famoso discurso, o "Discurso da Esperança", que ''The San Francisco Examiner'' disse "inflamar a multidão":<ref name = "jacobs6/27/78 "> {{citar jornal |ultimo= Jacobs |primeiro= John | data = [[26 de junho]] de [[1978]]|titulo= An Ecumenical Alliance on the Serious Side of 'Gay' |jornal=[[ The San Francisco Examiner]] |paginas=p. 3|idioma =inglês}}</ref>
 
{{quote2|Neste aniversário de [[rebelião de Stonewall|Stonewall]], peço a minhas irmãs e irmãos gays para fazer o compromisso de lutar. Para si, pela sua liberdade, para o seu país ... Não conquistaremos nossos direitos ficando tranquilos [[o armário|em nossos armários]] ... Estamos saindo para lutar contra as mentiras, os mitos, as distorções. Estamos saindo para dizer as verdades sobre gays, porque estou cansado da conspiração do silêncio, então eu vou falar sobre isso. E eu queria que vocês falassem sobre isso. Vocês devem sair. Revelem-se a seus pais, a seus parentes.|ShiltsHarvey Milk<ref> Shilts, p. 224-225. </ref>}}
 
Apesar das perdas em batalhas por direitos gays em todo o país nesse ano, ele se manteve otimista, dizendo que "Mesmo que os gays percam nestas iniciativas, as pessoas ainda estão sendo educadas. Devido a [[Anita Bryant]] e o [[Condado de Miami-Dade|Condado de Dade]], todo o país foi educado sobre homossexualidade em maior medida do que nunca. O primeiro passo é sempre a hostilidade, e depois disso você pode sentar e conversar sobre o assunto."<ref name="giteck">{{citar jornal |ultimo= Giteck |primeiro= Lenny | data = [[28 de novembro]] de [[1978]]|titulo= Milk Knew He Would Be Assassinated |jornal=[[The San Francisco Examiner]] |paginas=p. 2|idioma =inglês}}</ref>
Karen Foss, uma professora de comunicação na [[Universidade do Novo México]], atribui o impacto de Milk na política de São Francisco pelo fato de que ele foi diferente de qualquer outra pessoa que ocupava cargo público na cidade. Ela escreve, "Milk veio a ser uma figura carismática e altamente energética com gosto pelo teatro e nada a perder ... Usando riso, reversão, transcendência, e seu status de incluído/excluído, Milk ajudou a criar um clima em que o diálogo sobre questões se tornou possível. Ele também forneceu um meio para integrar as vozes díspares de seus variados eleitores."<ref name="fossqueer">Foss, Karen. "The Logic of Folly in the Political Campaigns of Harvey Milk", in ''Queer Words, Queer Images'' (em inglês), Jeffrey Ringer, ed. (1994), New York University Press. ISBN 0814774415.</ref> Milk tinha sido um inflamado orador desde quando começou a campanha em 1973, e suas habilidades em oratória só melhoraram depois que ele se tornou supervisor da cidade.<ref name="demilio"/> Seus mais famosos pontos em suas conversas ficaram conhecidos como o "Discurso da Esperança", que se tornou um ponto básico em toda a sua carreira política. Abria com uma brincadeira sobre a acusação de que os homossexuais recrutavam jovens impressionáveis para o seu lado: "Meu nome é Harvey Milk — e quero recrutar você." Uma versão do Discurso da Esperança que fez perto do final da sua vida foi considerado por seus amigos e assessores como sendo o melhor, e no encerramento o mais eficaz:
 
{{quote2|E os jovens gays em Altoona, Pennsylvanias e em Richmond, Minnesotas que estão saindo [[o armário|saindo do armário]] e ouvindo Anita Bryant na televisão e sua história. A única coisa que eles têm pela frente é a esperança. E você tem que dar-lhes esperança. Esperança para um mundo melhor, esperança de um amanhã melhor, a esperança de um lugar melhor para ir se as pressões em casa são muito grandes. Espero que todos fiquem bem. Sem esperança, não só os gays, mas os negros, os idosos, os deficientes, os americanos, os americanos vão desistir. E se você ajudar a eleger para o comitê central e para outros cargos mais pessoas homossexuais, isso dá uma luz verde para todos os que se sentem privados, uma luz verde para avançar. Significa esperança para uma nação que tem abandonado, porque se um homossexual consegue isso, as portas estão abertas a todos.|[[RandyHarvey Shilts]]Milk<ref>Shilts, p. 363.</ref>}}
 
No último ano de sua vida, Milk ressaltou que as pessoas homossexuais deveriam ser mais visíveis para ajudar a pôr termo à discriminação e a violência contra elas. Embora Milk não tinha se revelado à sua mãe antes de sua morte muitos anos antes, em sua declaração final durante a sua gravação prevendo seu assassinato, ele exortou os outros a fazê-lo:
{{quote2|Eu não posso impedir ninguém de ficar zangado, ou louco, ou frustrado. Posso apenas esperar que transformem essa raiva e frustração e loucura em algo positivo, de modo que duas, três, quatro, cinco centenas darão um passo a frente, assim que médicos gays sairão do armário, advogados gays, juízes gays, banqueiros gays, arquitetos gays ... Espero que todos os profissionais gays digam 'basta', avancem e digam a todos, usem um sinal, deixem que o mundo saiba. Talvez isso irá ajudar.|LennyHarvey GiteckMilk<ref name="giteck"/>}}
 
No entanto, o assassinato de Milk tornou-se entrelaçado com a sua eficácia política, em parte porque ele foi morto no auge de sua popularidade. O historiador Neil Miller escreve: "Nenhum líder gay americano contemporâneo tem que alcançar ainda em vida a estatura que Milk encontrou na morte."<ref name="miller408">Miller, p. 408.</ref> Seu legado tornou-se ambíguo; Randy Shilts conclui sua biografia escrevendo que o sucesso de Milk, o homicídio, e a inevitável injustiça do veredicto de White representam a experiência de todos os gays. A vida de Milk foi "uma metáfora para a experiência homossexual na América".<ref name="shilts348">Shilts, p. 348.</ref> De acordo com Francisca FitzGerald, a lenda de Milk tem sido incapaz de ser sustentada assim como ninguém pareceu capaz de tomar o seu lugar nos anos após a sua morte: "O Castro viu-o como um mártir, mas entendeu seu martírio como um fim em vez de um começo. Ele tinha morrido, e com ele uma grande parte do otimismo, do idealismo e da ambição do Castro pareceu morrer também. O Castro não pôde encontrar ninguém para tomar seu lugar em sua afeição e, possivelmente, não queria ninguém."<ref name="castroII">{{citar jornal |ultimo= FitzGerald |primeiro= Frances | data = [[28 de julho]] de [[1986]]|titulo= A Reporter at Large: The Castro—II |jornal=[[ The New Yorker]] |paginas=p. 44-63|idioma =inglês}}</ref> No vigésimo aniversário da morte de Milk, o historiador [[John D'Emilio]] disse, "O legado que acho que ele gostaria de ser lembrado é o imperativo de viver uma vida em todos os momentos com integridade".<ref name="cloud20">{{citar jornal |ultimo= Cloud |primeiro= John | data = [[10 de novembro]] de [[1998]]|titulo= Why Milk is Still Fresh: Twenty Years After his Assassination, Harvey Milk Still Has a Lot to Offer the Gay Life |jornal=[[ The Advocate]] | numero = 772|paginas=p. 29|idioma =inglês}}</ref> Por uma carreira política tão curta, Cleve Jones atribui mais para o seu assassinato que a sua vida: "Seu assassinato e a resposta a ele tornaram permanente e indiscutível a plena participação de gays e lésbicas no processo político."<ref name="cloud20"/>
 
{{Wikiquote|Harvey Milk}}
{{Commons|Harvey Milk}}
 
==Bibliografia==
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