Diferenças entre edições de "Século de Ouro Espanhol"

4 878 bytes adicionados ,  02h55min de 2 de agosto de 2009
sem resumo de edição
 
Por '''século de ouro''' entende-se a época clássica e apogeu da cultura espanhola, essencialmente desde o [[Renascimento]] do séc. XVI até o [[Barroco]] do séc XVII. Sujeito a datas concretas de acontecimentos chaves, abarca desde a publicação da Gramática Castellana de [[Nebrija]] em 1492 até a morte de [[Calderón]] em 1681.
 
 
O Século de Ouro abarca os períodos estéticos que corresponderam ao [[Renascimento]] do séc. XVI (reinados de Fernando, o Católico, Carlos I e Felipe II), e o [[Barroco]] do séc. XVII reinados de Felipe III, Felipe IV y Carlos II). O eixo destas duas épocas ou fases podem ser colocados no Conselho de Trento e na contra-reação.
 
 
==Literatura==
[[Archivo:Cervantes Don Quixote 1605.gif|thumb|Portada de la primera edición de ''[[El Quijote]]'' (1605).]]
A Espanha produziu em sua idade clássica algumas estéticas e gêneros literários característicos que foram muito influentes no desenvolvimento posterior da literatura universal.
 
Entre as estéticas, foi fundamental o desenvolvimentode uma estética realista e popularizante , tal como tinha sido preparado durante toda a [[Idade Média]] penissular como contrapartida crítica ao excesso cavaleiresco e nobilizante idealismo do Renascimento: são criados gêneros trans-naturalistas como o celestinesco (''Tragicomedia de Calisto e Melibea'' de [[Fernando de Rojas]], ''Segunda Celestina'' de [[Feliciano de Silva]], etc), a novela picaresca (''Lazarillo de Tormes'' de autor anônimo, ''Guzmán de Alfarache'' de [[Mateo Alemán]], ''Estebanillo'' de González), ou a novela polifonica moderna ([[Don Quixote de la Mancha]]) que Cervantes definiu como 'escritura desencadeada'.
 
A esta vulgarização literária corresponde uma subsequente vulgarização dos saberes humanísticos mediante os gêneros populares de [[miscelâneas]] com várias lições, extremamente lidas e traduzidas em toda a Europa, e cujos autores mais importantes são [[Pero Mexía]], [[Luis Zapata]], e [[Antonio de Torquemada]].
 
A esta tendência anticlassica corresponde também a fórmula da comédia nova criada por [[Lope de Vega]], e divulgada através de seu ''Arte Nova de fazer comédias neste tempo'' (1609): uma explosão inigualável de criatividade dramática acompanhou a Lope de Vega e seus discípulos, que romperam com as unidades aristotélicas de ação, tempo, e espaço. Todos os autores dramáticos da Europa acudiram logo ao teatro clássico espanhol do Século de Ouro, em busca de argumentos e com à uma rica variedade e berço de temas e estruturas modernas, cujo polimento lhes ofereceria obras de caraáter clássico.
 
Muitos destes temas provinham da rica tradição medieval pluricultural, árabe e hebraica, do [[Romantismo]] e da marca italianizante da cultura espanhola, por causa da presença política do reino espanhol na peníssula itálica durante longos séculos. Por outro lado, gêneros drmáticos como o [[Entremés]] e a [[novela cortesã]] intriduziram também a estética realista nos currais de comédia, e aidna uma [[Comédia de Capa e Espada]] tinha seu representante popular na figura do personagem ''gracioso''.
 
A esta corrente de realismo popularizante sucedeu uma reação religiosa, nobiliária e cortesã do signo [[Barroco]] que também fez notáveis adições estéticas, correspondendo a uma época de crise política, econômica, e social. A linguagem clara e popular do séc. XVI, o castellano vivo, criador, e em perpétua ebulição de [[Bernal Diáz del Castillo]] e [[Santa Tereza]] ("Sem afetação alguma escrevo como falo, e somente tenho cuidado em escolher as palavras que melhor indicam o que quero dizer" , escreveu [[Juan de Valdés]] sobre o que repetiram de Garcilaso quando dizia que "muitas vezes são melhor ouvidos / o puro engenho e quase silenciosa linguagem / testemunhas limpidas do humor inocente/ que a curiosidade do eloqüente"") será sucedida,apesar de cronológicamente mais recente, a uma língua mais obscura, enigmática e cortesã do [[Barroco]]. Resulta, pois, que a literatura do [[Renascimento]] de até cinco séculos é amis compreens´vel que a língua barroca de até quatro.
 
A língua literária do Barroco se enriquece com as estéticas do [[Conceptismo]] e do [[Cultismo]], cujo fim era elevar o nobre acima do vulgar, intelectualizando a arte da palavra; a literatura se transforma em uma espécie de escola, em um jogo e um espetáculo, e as produções moralizantes e por extremo engenhosas de [[Francisco de Quevedo]] e [[Baltazar Gracián]] distorcem a língua fornecendo mais flexibilidade expressiva e um novo berço de vocábulos (cultismos). O lúcido [[calderón]] cria a fórmula do [[Auto-Sacramental]] que supõe uma vulgarização antipopular e esplendorosa da [[teologia]], em deliberada oposição do [[Entremés]], que sem embargo, todavia seguiu tendo curso.
 
Então, este autores embora sejam devedores e admiradores dos artistas do séc. XVI, a quem imitam conscientemente, para não se repetirem refinam suas fórmulas e estilizam cortesanamente aquilo que outros criaram, de forma que são aperfeiçoados os temas e fórmulas dramáticas já usadas por outros auotres anteriores.
 
Ao final do séc. XVI se desenvolve notavelmente a [[Mística]] ([[Juan de la Cruz]], [[San Juan Bautista de la Concepción]], San Juan de Ávila, Santa Teresa de Jesús) e a Ascética (frei Luis de León, frei Luis de Granada), para iniciar o séc. XVII em decadência após uma última corrente inovadora, o [[Quietismo]] de [[Miguel de Molinos]].
 
 
 
[[Categoria:História da Espanha|Seculo de Ouro]]
196

edições