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O Mundo como Vontade e Representação
(O Mundo como Vontade e Representação)
"O mundo como vontade e representação" é a grande obra de [[Schopenhauer]], composta por quatro livros( mas o apêndice da crítica da filosofia kantiana), e publicada em 18181819. O primeiro [[livro]] é dedicado à [[teoria]] do conhecimento("O mundo como representação, primeiro ponto de vista: a representação submetida ao princípio de razão: o objeto da experiência e da ciência."); o segundo, à [[filosofia]] da [[natureza]]("O mundo como vontade, primeiro ponto de vista: a objetivação da vontade"); o terceiro, à [[metafísica]] do [[Beleza|belo]]( "O mundo como representação, segundo vista: a representação independente do princípio de razão. A idéia platônica, objeto da arte"); e o último, à [[ética]]("O mundo como vontade, segundo ponto de vista: atingindo o conhecimento de si, afirmação ou negação da vontade"). Toda sua produção posterior pode ser definida como comentários e acréscimos aos temas ali tratados.
 
"O mundo é a minha representação": com estas palavras Schopenhauer inicia essa sua principal obra filósofica. A tese básica de sua concepção filósofica é a de que o mundo só é dado à percepção como representação: o mundo, pois, é puro fenômeno ou representação. O centro e a essência do mundo não estão nele, mas naquilo que condiciona o seu aspecto exterior, na "coisa em si" do mundo, a qual Schopenhauer denomina "vontade"( o mundo por um lado é representação e por outro é vontade). TodasO asmundo coisascomo representação é a "objetidade" da vontade (vontade feita objeto - sejasubmetida orgânicaao principio formal do conhecimento, inorgânicao princípio de razão). Essa objetidade se faz em diferentes graus, oupassando conscientepelas -forças sãobásicas da natureza, pelo mundo orgânico, pelas formas de vida primitivas e avançadas, até chegar no grau de obetidade mais alto por nós conhecido, o ser humano. Entre o objeto e a vontade há um intermediário, o qual Schopenhauer identifica com a "idéia platônica". A idéia é a "obetivação adequada da vontade" em determinado grau de objetivação. dessaEsses graus crescem em complexidade, cada um objetivando a vontade de forma mais completa e detalhada.
Mas a totalidade do mundo como representação, a qual é o "espelho da vontade" só existe na manifestação concomitante e reciproca das diferentes idéias, as quais disputam a matéria escassa para manifestarem suas respectivas características. As formas superiores assimilam as inferiores e as subjulgam ( "assimilação por dominação"), até que elas próprias são vencidas pela resistência das inferiores e sucumbem ( eis a morte), devolvendo a elas a matéria delas retirada e permitindo-lhes expressar as suas características a seu proprio serviço( eis o ciclo da natureza). Entre todas as idéias, e portanto entre todas as formas de vida e forças naturais, mantém-se "guerra eterna". Devido a essa eterna luta, os objetos nunca conseguem expressar suas respectivas idéias de forma perfeita, eles apresentam-se sempre com um certo "turvamento"(é por isso que apenas as idéias são objetidades adequadas da vontade).
 
"No terceiro livro estuda-se a arte, a qual permite o conhecimento da representação independentemente do princípio de razão. No momento da contemplação estética o objeto preenche completamente a consciência do sujeito. A conseqüência objetiva é o conhecimento completamente objetivo do objeto, o qual passa a categoria de ideia ( objetidade adequada da vontade); a conseqüência subjetiva é o auto-esquecimento do indivíduo, o qual passa a categoria de pura faculdade cognitiva ( puro sujeito do conhecimento), daí (desse auto-esquecimento,quando o conhecimento liberta o indivíduo de sua vontade) provém a satisfação proporcionada pela contemplação estética. Quanto mais belo for um objeto mais próximo ele está de expressar a sua respectiva idéia, livre de turvamentos. O autor estuda diversas formas de arte, buscando demonstrar que todas elas buscam permitir o conhecimento das ojetidades adequadas da vontade (idéias, no sentido platônico, não kantiano), das mais simples às mais complexas.
 
"É no quarto livro que Schopenhauer se revelará uma fonte para o existencialismo e para o niilismo. A questão aqui é " a grande questão" já levantada pelo famoso verso de Hamlet: ser ou não ser? O filósofo começa investigando a vida e a morte e como uma anula a outra por meio da procriação, garantindo a sobrevivencia da espécie( e a continuação da expressão da idéia). Depois estuda a liberdade; conclui que a mesma, no sentido rigoroso do termo( liberdade da causalidade), restrige-se à coisa em si( a vontade) e que todo fenôneno, sempre submetido ao princípio de razão, não é livre. É apenas em um caso que a liberdade da vontade penetra no fenômeno: quando este se nega, chega a renúcia ascética( negação da vontade). Antes de descrever melhor o que é "afirmação da vontade" e "negação da vontade" o autor escreveu aquelas célebres páginas( capítulos 56 a 58) em que tenta demonstrar que "a dor não se interrompe" e que "toda vida é sofrimento". A arfirmação da vontade ocorre quando o conhecimento do mundo torna-se um motivo para se fazer de forma mais intenciva o que já se fazia naturalmente. No caso da negação o conhecimento do mundo torna-se um "quietivo" da vontade, levando-a, no caso extremo, à renúncia ascética( à abnegação e à santidade).O autor estuda como as diferentes relações entre vontade, conhecimento e sofrimento( quer conhecido quer sentido)podem levar aos diferentes caráteres: cruel, mal, egoísta( que é o natural, aqueles que todos possuem conforme a natureza),justo, bom, e santo. Por fim, Schopenhauer faz uma apologia da santidade como o único caminho para libertar a vida de suas dores e levar à "redenção do mundo".
[[categoria:Livros de filosofia|Mundo como vontade e representação, O]]
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