Diferenças entre edições de "Embolada"

2 329 bytes removidos ,  13h55min de 22 de outubro de 2009
m
Rev. Bisbis (VDA de FRANÇA, Marcos. Para rir até chorar... Com a cultura popular. João Pessoa: Sant'Ana, 2008, apud profkbrito.zip.net, do user:Profkbrito
m
m (Rev. Bisbis (VDA de FRANÇA, Marcos. Para rir até chorar... Com a cultura popular. João Pessoa: Sant'Ana, 2008, apud profkbrito.zip.net, do user:Profkbrito)
'''Embolada''', '''Coco''', '''Coco de embolada''', '''Coco-de-improviso''', '''Coco de repente''' ou ainda '''Cantoria''', é uma espécie de [[arte]] surgida no [[nordeste]], onde é especialmente popular. Consiste em uma dupla de "cantadores" que, ao som enérgico e "batucante" do [[pandeiro]], montam versos bastante métricos, rápidos e improvisados onde um tenta denegrir a imagem do que lhe faz dupla com versos ofensivos, famosos pelos palavrões e insultos utilizados. O ofendido deve improvisar uma resposta rápida e ao mesmo tempo bem bolada. Caso não consiga, seu par é coroado triunfante. Não deve ser confundido com [[repente]] onde a música e a resposta são lentas,melodiosas e o tema principal é a vida cotidiana.
A '''Embolada''' é uma forma poético-musical (poesia aliada à musica) muito parecida com a [[cantoria (repente)|cantoria]]. Porém difere-se desta em alguns aspectos.
Primeiramente, a embolada possui melodia declamatória e rápida, com curtos intervalos entre as estrofes, de modo que, em inúmeras situações, o embolador canta/declama tão rápido que mal se consegue entender o que ele diz.
O embolador pode fazer versos de improviso ou não e é facultativo a ele obedecer a qualquer estrutura rítmica. Diferentemente da cantoria que possui gêneros e regras específicas.
[[Ficheiro:Pandeiros.JPG|thumb|200px|left|Pandeiros]]
 
Os instrumentos utilizados pelo embolador são, em geral, o pandeiro e o ganzá, instrumentos já afastados da cantoria há tempos. Além disso, há emboladores que aderiram aos apelos da modernidade e incluiram em sua produção outros instrumentos musicais como baixo, bateria, teclado, violão, etc.
 
 
Com relação às apresentações, a embolada difere-se da cantoria pelo fato de não haver acertos de apresentações com antecedência nem preparo no ambiente de espetáculo. As duplas, em geral, se apresentam nas praças, nas feiras, nos bares. Contudo, com a popularização de alguns artistas emboladores como Caju e Castanha, a embolada acabou adquirindo status de show pop, com direito à estrutura de palco, entre outras coisas.
 
 
Normalmente, os emboladores chegavam a algum lugar, uma feira por exemplo, e começavam a se apresentar e logo despertavam o interesse de alguns que se aproximavam e se aglomeravam em volta dos emboladores.
 
Com relação à temática, a embolada, assim como a cantoria, possui liberdade na composição dos poemas. Mas a disputa ou desafio em que os emboladores se "atacam" desperta maior interesse, assim como a sátira aos temas da atualidade.
 
No decurso da produção poética da embolada, o embolador tem liberdade para criar seus versos, não tendo que limitar-se a um número fixo de versos por estrofe.
 
Os versos que seguem foram extraidos do livro "Violeiros do Norte", de Leonardo Mota, captados pelo autor na praia de Tambaú em João Pessoa, Paraíba, de uma dupla de emboladores:
 
 
''Peixe piaba,''
 
''Tubarão, baleia, serra,''
 
''Vou-me embora desta terra,''
 
''Vou tarrafear no mar...''
 
 
 
''Papa-capim,''
 
''Curimatá, rola-galega,''
 
''Eu pisei no pé da nega*,''
 
''Fiz a nega se danar...''
 
 
 
''É manga espada,''
 
''é manga-rosa, é manga roxa,''
 
''Nunca fiz a minha trouxa''
 
''Pra poeta desmanchar...''''
 
 
Em se comparando a estrutura da embolada reproduzida acima com uma cantoria, verificar-se-á a irregularidade nas estrofes, a execução declamatória mais rápida, a musicalidade diferente, entre outras características.
 
Entretanto, há muito ainda que ser pesquisado e desenvolvido acerca das raízes históricas da embolada e de suas variações.
 
 
* ''nega = expressão popular equivalente a mulher, não importando sua raça.''
 
----
REFERÊNCIA
 
FRANÇA, Marcos. '''Para rir até chorar... Com a cultura popular'''. João Pessoa: Sant'Ana, 2008.
[[Categoria:Cultura da Região Nordeste do Brasil|Embolada]]
{{semiw}}
756 696

edições