Evangelho segundo Mateus: diferenças entre revisões

9 332 bytes adicionados ,  01h04min de 4 de dezembro de 2009
Desfeita a edição 17885288 de Beria (discussão | contribs)
m (Revertidas edições por Jair.souza, para a última versão por André Teixeira Lima)
(Desfeita a edição 17885288 de Beria (discussão | contribs))
:O bispo de Cesaréia, que herdou a formação teológica de Orígenes, aceita o testemunho antigo e aprova a autoria de Mateus neste evangelho:
:''"...de todos os discípulos, Mateus e João são os únicos que nos deixaram comentários escritos e, mesmo eles, foram forçados a isso. Mateus tendo primeiro proclamado o evangelho em hebraico, quando estava para ir também às outras nações, colocou-o por escrito em sua língua natal e assim, por meio de seus escritos, supriu a necessidade de sua presença entre eles."'' (Eusébio - História Eclesiástica)
 
=== Evidências textuais em prol da autoria de Mateus ===
 
Como já foi dito, além do testemunho dos pais da igreja cristã primitiva, podemos encontrar internamente ao texto deste evangelho algumas evidências, não conclusivas, que reforçam a idéia da sua composição ter sido efetuada pelo apóstolo Mateus:
:* Alguns estudiosos acreditam que a passagem em referência ao "publicano" ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=10|verso=3}}) é um sinal do autor deste livro sagrado. Mateus, um cobrador de impostos, teria assim se chamado como sinal de sua humildade uma vez que sua profissão - um publicano - era muito odiada naqueles dias, por ser sinônimo de fraude, corrupção, ganância, exploração e subserviência ao império dominador.
:* A citação ao discipulado de Mateus pode ser uma outra evidência textual deste evangelho. {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=9|verso=9}} menciona de forma bastante discreta o fato de que Mateus, ao ser chamado por Jesus, levantou-se e passou a segui-lo. A referência paralela desta chamado em {{Bíblia aberta|livro=Lucas|capítulo=5|verso=28}} trás este episódio de forma mais adornada, dizendo que Mateus "deixou tudo" ao assim fazer.
:* Outra evidência textual pode ser a lista dos apóstolos. Supõe-se que Mateus, propositalmente, pôs seu nome após o de Tomé ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=10|verso=3}}), ao passo que em outras listas o seu nome aparece antes do de Tomé (conforme {{{{Bíblia aberta|livro=Marcos|capítulo=3|verso=18}} e {{Bíblia aberta|livro=Lucas|capítulo=6|verso=15}}).
 
Em conseqüência dos relatos acima e dos testemunhos dos pais da Igreja, desde o princípio e de forma universal, tem-se julgado que esse evangelho foi escrito por Mateus, o publicano que era chamado Levi (conforme Marcos 2:10), tendo-se tornado um dos discípulos e apóstolos de Jesus.
 
[[Russell Norman Champlin|Champlin]] constata que o testemunho da autoria de Mateus nesse evangelho passou a ser universalmente aceito: "Assim é que Jerônimo, o mais sábio das autoridades eclesiásticas (400 d.C.) ensinou tal coisa, aliando-se a Agostinho (400 d.C.), o mais notável dos primeiros teólogos cristãos"
 
=== As Logia ("Declarações") de Mateus ===
A tradição da igreja cristã diz que nos 15 anos após a ressurreição de Jesus, Mateus pregou na Palestina e depois foi como missionário a outras nações. Das declarações de [[Papias]], [[Irineu]] e [[Orígenes]] (citadas acima), temos a afirmação de que Mateus escreveu uma versão resumida das declarações de Jesus em hebraico, ou aramaico (língua falada na Palestina naqueles dias), denominada "Logia", que quer dizer "declarações". Com o passar do tempo, Mateus teria escrito seu evangelho em grego, a um público maior, tomando como base o evangelho de Marcos.
 
Concluímos, portanto, que a paternidade literária desse livro é de [[São Mateus (evangelista)|Mateus]], um cobrador de impostos a quem [[Jesus]] chamou para que o seguisse como um de seus [[apóstolo]]s. Muito embora esta seja a conclusão da grande maioria dos estudiosos, uma minoria sugere que possivelmente esse livro, assim como outros do [[Novo Testamento]], poderiam ser de autores anônimos que se utilizavam ora das tradições ora dos documentos pré-existentes do autor a quem se credita o livro para, no momento de compilar sua edição definitiva, utilizar um costume literário da antigüidade: o faziam sob o nome do autor cujos relatos tinham sido recolhidos.
 
== Data da composição ==
 
A grande controvérsia para a determinação da data deste evangelho é saber se ele foi escrito antes ou depois da destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C. A Epístola aos Erminianos (110 d.C.), de [[Inácio de Antioquia]], é apontada como a mais antiga referência ao evangelho de Mateus, portanto, a data de composição deste livro dificilmente pode ser posterior ao ano 100 d.C. Alguns estudiosos têm datado este evangelho em 50 d.C.
 
É certo que o escritor deste evangelho utilizou o Evangelho de Marcos como referência histórica. Supondo-se que Marcos tenha escrito seu evangelho com a ajuda de Pedro, em Roma, uma data apropriada para Mateus poderia ser estimada entre os anos 67 a 70 d.C.
 
Os discursos no Monte das Oliveiras (24 e 25) e o tom judeu deste evangelho são algumas evidências para uma data anterior ao ano 70 d.C. Uma data mais provável para este livro é entre 58-68 d.C.
 
Muito embora vários estudiosos concordem com a data acima, outros preferem datar este evangelho entre o ano 80 a 100 d.C.
 
== Local da composição ==
 
A maioria dos estudiosos contemporâneos concorda que este evangelho foi escrito em [[Antioquia da Síria]], embora esta não seja o pensamento único a respeito da proveniência deste evangelho. [[Russell Norman Champlin|Champlin]] informa que a preferência de [[Inácio]], bispo Antioquia, por este evangelho, é uma das evidências para se crer que ele teria sido escrito nesta cidade.
 
Outra evidência, esta interna ao texto, revela que apenas em Antioquia e em Damasco o estáter equivalia a duas drácmas (cf. {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=17|verso=24-27}}). Uma minoria de estudiosos aponta outros lugares, como a própria Palestina ou outras cidades sírias, como Edessa e Apamea.
 
== Destinatários e Propósito ==
 
Mateus escreveu seu evangelho primariamente para judeus. O seu propósito é afirmar e defender, perante os judeus recém convertidos, que Jesus é o Messias prometido do [[Antigo Testamento]]: ''“para se cumprir o que fora dito pelo profeta...”'' ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=1|verso=22}} ... {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=27|verso=9}}). Neste trabalho de defesa, Mateus estabelece uma série de relações entre Jesus e o [[Antigo Testamento]], principalmente ao apresentar Jesus como messias. Também é certo afirmar que Jesus ''não introduziu nova lei,'' pois ele veio cumprí-las e não revogá-las. (Mt. 5 a 7). Ou seja, os destinatários deste Evangelho teriam sido fieis à [[lei mosaica]] , como era normal entre a comunidade [[ebionita]]
 
== Linguagem ==
 
Como era [[publicano]], Mateus sabia escrever. Como era judeu, escreveu em aramaico. Mais tarde, possivelmente em Antioquia da Síria, Mateus apóia-se no evangelho de Marcos e em mais as suas anotações em aramaico (Logia), elaborando, em grego, a sua narrativa a respeito de Jesus.
 
Seu evangelho está repleto de características judaicas:
* As várias ocasiões (cerca de 14 vezes) onde ele afirma que Jesus cumpriu a Lei e as profecias messiânicas do Antigo Testamento, “para se cumprir o que fora dito pelo profeta...”;
* Há uma genealogia, algo de interesse dos judeus;
* A genealogia de Jesus recua até Abraão, pai da nação judaica, por intermédio de Davi;
* As várias designações judaicas de Deus como “Pai que está nos céus” (cerca de 15 vezes);
* A substituição do nome de Deus por expressões como “céus”, “reino dos céus”, etc.
* Um interesse tipicamente judaico pela escatologia;
* Referências freqüentes de Jesus como “Filho de Davi”;
* Alusões a costumes judaicos sem quaisquer explicações, isto é, Mateus não se preocupa em explicar tais costumes (23:5,27; 15:2);
* O registro do pagamento do imposto do Templo por parte de Jesus (17:24-27)
* Declarações de Jesus revestidas de tempero judaico (15:24; 10:5,6; {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=5|verso=17-24}}; {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=6|verso=16-18}}; 23:2,3)
* Mateus parece ter narrado a história da natividade com o objetivo de rebater as acusações de judeus no sentido de que Jesus não era filho legítimo (1 e 2)
* Mateus combate a acusação judaica a respeito do furto do corpo de Jesus (28:11-15)
* Mateus era bem informado a respeito de assuntos financeiros. Dentre os evangelistas ele é o que mais vezes fala em dinheiro (12 vezes). Ele também distinguiu mais variedades monetárias do que os demais evangelhos e usou mais vezes termos financeiros (Mateus 38 vezes; Lucas 22 vezes; Marcos 8 vezes; João 2 vezes).
* O Dr. B. P. Bittencourt, expõe um significativo quadro sobre a linguagem “rabínica contemporânea” utilizada por Mateus em seu evangelho:
:*Grupos de 3
::- Três divisões na genealogia de Jesus ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=1|verso=1-7}});
::- Três tentações ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=4|verso=1-11}});
::- Três determinações ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=7|verso=7}});
::- Três milagres de cura ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=8|verso=1-15}});
::- Três milagres de poder ({{{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=8|verso=23}} – {{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=9|verso=8}});
::- Três parábolas de semeadura ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=13|verso=1-32}});
::- Três orações no Getsêmani ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=26|verso=39-44}});
::- Três negações de Pedro ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=26|verso=69-75}});
::- Três perguntas de Pilatos ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=27|verso=11-17}});
:*Grupos de 7
::- Sete cláusulas da oração dominical ({{Bíblia aberta|livro=Mateus|capítulo=6|verso=9-13}});
::- Sete demônios (12:45);
::- Sete parábolas (13);
::- Sete pães (15:34);
::- Sete irmãos (22:25);
 
=== Manuscritos Antigos ===
232

edições