Diferenças entre edições de "Regimento"

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Os regimentos dos vários [[exército]]s podem ser divididos em dois grandes tipos. Os regimentos do primeiro tipo constituem unidades operacionais, empenháveis em combate. Já os do segundo tipo são apenas unidades administrativas, responsáveis pela gestão não operacional das suas subunidades - estas sim, constituindo unidades operacionais - em termos de recursos humanos, de instrução, de mobilização e de reserva.
 
A dimensão, a organização e a função dos regimentos modernos varia bastante de exército para exército, podendo mesmo variar dentro de um mesmo exército e podendo nalguns deles nem sequer existir este tipo de unidade. Nos exércitos que mantêm regimentos, de múltiplos batalhões, como unidades operacionais de combate - dependendo do país, da arma, da organização e da função - estes têm caraterísticas muito semelhantes às de uma [[brigada (militar)|brigada]], podendo incluir além de subunidades da arma a que estão associados, também subunidades de apoio de outras armas e de serviços. Por outro lado, alguns exércitos, por razões históricas, designam como "regimentos" algumas unidades de dimensões menores, normalmente do escalão de batalhão.
 
==História==
O termo "regimento" tem a sua origem etimológica no termo [[Latim|latino]] "''regimentum''" que significa "[[governo]]"., Noreferindo-se, no contexto militar, começou a seruma empregueunidade naorganizada [[França]]sob doo [[séculogoverno XVI]]ou para se referir a gruposcomando de unidades militares sob o comando do mesmoum chefe. Posteriormente, outros países adoptaram esta designação. Na [[Espanha]] e, posteriormente, em [[Portugal]] existiam unidades militares semelhantes que eram designadas "[[terço (militar)|terços]]". Os regimentos iniciais eram unidades muito dispares em tamanho, organização e função, que foram sendo cada vez mais regulamentadas e uniformizadas, por sucessivas reformas militares levadas a cabo até ao [[século XVIII]].
 
As primeiras unidades militares do tipo que viria a ser conhecido por "regimento", foram os [[terço (militar)|terços]] criados oficialmente pelo [[Imperador da Alemanha|Imperador]] [[Carlos V da Alemanha|Carlos V]], nem [[1534]], mas com origens em unidades similares empregues pelas tropas de [[Castela]] já desde o [[século XV]].
No [[século XVII]], os regimentos são, essencialmente, agrupamentos de várias companhias, ainda não existindo o escalão intermédio do batalhão. Os terços dos exércitos [[Península Ibérica|ibéricos]] adoptam também a mesma organização, mas só no princípio do século XVIII mudarão a sua designação para "regimento".
 
Em [[1558]], na [[França]], as antigas unidades militares de infantaria conhecidas como "''bandes''" são transformadas em unidades mais estruturadas e permanentes, que se passam a designar "regimentos". Este termo acabou por generalizar-se e ser empregue por quase todos os exércitos europeus, na designação das suas unidades militares.
No século XVIII, mais numa unidade administrativa do que táctica. Taticamente, o regimento organizava-se num único batalhão operacional. Assim, até final do século XVIII, na prática, o batalhão e o regimento confundem-se, sendo o batalhão o produto operacional de todo o Regimento e não uma sua subdivisão. Para efeitos operacionais o Regimento e as suas companhias (unidades administrativas) reorganizam-se de modo a formarem um batalhão e 4 divisões de batalhão (unidades tácticas). Apenas as companhias de flanco ([[granadeiro]]s e [[caçador (militar)|caçadores]]) se mantinham como unidades tácticas.
 
Cada regimento era comandado por um coronel e incluía diversas companhias comandadas por capitães. Os cargos de coronel de cada regimento - bem como os de capitão de cada companhia - são normalmente comprados pelos seus titulares ou concedidos a título de recompensa. Ao assumirem o seu cargo, os coronéis tornavam-se numa espécie de proprietários dos seus regimentos, responsabilizando-se pela sua administração, instrução, pagamento, fardamento e recrutamento. Como o cargo de coronel era, essencialmente, honorário, o comando efetivo dos regimentos era assumido por oficiais de menor patente como os [[mestre de campo|mestres de campo]] e os [[sargento-mor|sargentos-mores]].
Em meados do século XVIII estabeleceu-se o conceito geral do regimento como sendo uma unidade militar resultante da união de vários batalhões. No [[Reino Unido]] e em outros países sob a sua influência manteve-se um modelo de organização conhecida como "Sistema Regimental" enquanto que a maioria dos restantes países europeus adoptou o chamado "Sistema Continental". Apesar de ambos respeitarem o caráter do regimento como unidade militar formada por vários batalhões, apresentam diferenças de filosofia e de funcionamento.
 
O regimento era essencialmente uma unidade administrativa, correspondendo a um conjunto de tropas sob administração e aquartelamento comuns. A unidade tática era o [[batalhão]], cada regimento incluindo várias destas unidades. Nalguns exércitos, cada regimento organizava-se taticamente como um único batalhão, confundindo-se com este.
Só no final do século XVIII se procede a uma simplificação e a organização táctica do Regimento passa confundir-se com a organização administrativa. A partir daí, deixam de existir as divisões de batalhão e o Regimento passa a organizar-se em dois ou mais batalhões, divididos em companhias, passando estas subunidades a ser tanto administrativas como operacionais.
 
Os regimentos eram inicialmente constituídos por companhias de piqueiros e de [[arcabuzeiro]]s - estes, mais tarde substituídos por [[mosqueteiro]]s. Com a introdução da [[espingarda|espingarda de pederneira]] com [[baioneta]], no final do século XVII, os piqueiros e mosqueteiros foram substituídos por [[fuzileiro]]s, armados com aquele tipo de arma. Paralelamente, por essa altura, são criadas as companhias regimentais de [[granadeiro]]s, inicialmente com a função de protegerem os flancos das formações de combate através do lançamento de [[granada|granadas de mão]]. Na segunda metade do século XVIII, nos regimentos de infantaria da maioria dos países europeus são também introduzidas companhias de infantaria ligeira.
===Sistema Continental===
Segundo o Sistema Continental, cada regimento é uma unidade tática formada por dois a quatro batalhões. Tradicionalmente, todos os batalhões pertencem à arma que classifica o regimento. No entanto, sobretudo a partir da [[Primeira Guerra Mundial]] foi frequente a combinação de subunidade de armas distintas no mesmo regimento. O regimento será composto, portanto pelos seus batalhões, por um comando e estado-maior e, ainda, por companhias ou pelotões especializados sob o controlo direto do comando regimental.
 
O conceito moderno de regimento fica completamente definido no século XVIII. No final deste século, os regimentos de infantaria são constituídos por companhias de linha por companhias de elite, agrupadas em um ou mais batalhões. As companhias de linha são as de fuzileiros (também conhecidas por companhias do centro ou de batalhão). As companhias de elite (também conhecidas por companhias de flanco ou companhias graduadas) são as de granadeiros e as de infantaria ligeira (conforme o exército, também conhecidas por companhias de caçadores, de atiradores ou de ''voltigeurs''). Cada batalhão é constituído em média, por oito companhias de fuzileiros, uma de granadeiros e outra de infantaria ligeira.
Como unidade militar, o regimento encontra-se, em termos de escalão tático, situado entre o batalhão e a divisão. No passado, em alguns países, dentro de uma divisão, cada par de regimentos formava numa brigada. No entanto, depois da Primeira Guerra Mundial, regra geral, nos países onde vigora o Sistema Continental, o escalão intermédio da brigada foi eliminado. Sendo assim, o regimentos passaram a ser taticamente equivalentes às brigadas dos países que as mantiveram, sendo ambos compostos por vários batalhões e agrupados diretamente em divisões.
 
Até ao [[século XIX]], o regimento mantém-se apenas como unidade administrativa em quase todos os exércitos, com o batalhão a ser a unidade tática. No entanto, em alguns exércitos, o regimento passa a ser também uma unidade tática, constituída por dois ou mais batalhões. A utilização do regimento como unidade tática dá origem ao que é conhecido como "Sistema Continental" de organização. Em outros exércitos, contudo, apenas o batalhão se mantém como unidade tática, continuando o regimento como unidade administrativa, num sistema de organização que ficará conhecido como "Sistema Regimental".
No Sistema Continental, o regimento e a divisão são, assim, as unidades táticas fundamentais de campanha, empenhando-se normalmente de forma integral e sob comando único. O comando do regimento - chefiado pelo seu coronel - integra-se na cadeia de comando operacional, recebendo ordens do general comandante de divisão e transmitindo-as aos [[tenente-coronel|tenentes-coronéis]] ou [[major]]es dos seus batalhões. Os comandantes regimentais dispõem, portanto, de um comando tático em campanha.
 
O pessoal militar muda frequentemente de regimento para regimento ao longo da sua carreira. Assim, a formação geral e a gestão administrativa do pessoal militar é feita pelo conjunto do exército e não por um regimento em particular.
 
===Sistema Regimental===
 
O regimento converte-se num vínculo de união tanto profissional como social. Esta união inclui não só o pessoal militar que presta serviço no regimento, mas até os seus familiares e os antigos membros já reformados. Existem diversas organizações de defesa das tradições regimentais, como associações de veteranos, bandas de música, corpos de cadetes e museus.
 
===Sistema Continental===
Segundo o Sistema Continental, cada regimento é uma unidade tática formada por dois a quatro batalhões. Tradicionalmente, todos os batalhões pertencem à arma que classifica o regimento. No entanto, sobretudo a partir da [[Primeira Guerra Mundial]] foi frequente a combinação de subunidade de armas distintas no mesmo regimento. O regimento será composto, portanto pelos seus batalhões, por um comando e estado-maior e, ainda, por companhias ou pelotões especializados sob o controlo direto do comando regimental.
 
Como unidade militar, o regimento encontra-se, em termos de escalão tático, situado entre o batalhão e a divisão. No passado, em alguns países, dentro de uma divisão, cada par de regimentos formava numa brigada. No entanto, depois da Primeira Guerra Mundial, regra geral, nos países onde vigora o Sistema Continental, o escalão intermédio da brigada foi eliminado. Sendo assim, o regimentos passaram a ser taticamente equivalentes às brigadas dos países que as mantiveram, sendo ambos compostos por vários batalhões e agrupados diretamente em divisões.
 
No Sistema Continental, o regimento e a divisão são, assim, as unidades táticas fundamentais de campanha, empenhando-se normalmente de forma integral e sob comando único. O comando do regimento - chefiado pelo seu coronel - integra-se na cadeia de comando operacional, recebendo ordens do general comandante de divisão e transmitindo-as aos [[tenente-coronel|tenentes-coronéis]] ou [[major]]es dos seus batalhões. Os comandantes regimentais dispõem, portanto, de um comando tático em campanha.
 
O pessoal militar muda frequentemente de regimento para regimento ao longo da sua carreira. Assim, a formação geral e a gestão administrativa do pessoal militar é feita pelo conjunto do exército e não por um regimento em particular.
 
===Vantagens e desvantagens de cada sistema===