Diferenças entre edições de "II Crônicas"

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Embora seja incerta a sua autoria, a tradição judaica afirma que o livro de II Crônicas teria sido escrito por [[Esdras]], por volta de [[430 a.C.]], o qual tinha o propósito de resgatar os padrões de culto e de adoração a Deus no período após o exílio babilônico, resgatando assim a história do seu povo.
 
A [[Edição Pastoral|Edição Pastoral da Bíblia]] sustenta que os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de [[Esdras]] e [[Neemias]], formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV AC, trata-se de um grande conjunto narrativo, que vai desde [[Adão]] até a organização da comunidade judaica depois do [[Exílio na Babilônia]] (por volta de 400 AC)<ref name=pastoral>[http://www.paulus.com.br/BP/_P9W.HTM A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo], acessado em 22 de julho de 2010</ref>.
Todavia, o seu enfoque central é no reinado de Salomão, contendo um detalhado registro da construção do templo, cumprindo a promessa feita a seu pai, [[David]].
 
A [[Bíblia de Jerusalém]] sustenta que o autor das Crônicas é um levita de [[Jerusalém]], que escreveu numa época sensivelmente posterior a [[Esdras]] e [[Neemias]], pois parece combinar as fontes que se referem a eles, portanto, pouco antes do ano 300 AC, parece ser a data mais verossímil. A obra teria recebido algumas adições posteriores, especialmente em: [http://www.paulus.com.br/BP/_P9Y.HTM I Cr 2-9], [http://www.paulus.com.br/BP/_PA8.HTM I Cr 12], [http://www.paulus.com.br/BP/_PAB.HTM I Cr 15] e uma longa adição em [http://www.paulus.com.br/BP/_PAJ.HTM I Cr 23,3]-[http://www.paulus.com.br/BP/_PAN.HTM I Cr 27, 34]<ref name = Jerusalem>[[Bíblia de Jerusalém]], Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 546</ref>.
Com o cisma ocorrido após a morte de Salomão, em torno de [[930 a.C.]], no reinado de [[Roboão]], o livro relata a história dos reis que governaram Judá, os quais muitas das vezes afastaram-se dos mandamentos divinos, tolerando ou introduzindo a [[idolatria]] entre o povo, o que importava em castigos, sofrimentos e derrotas militares para as nações vizinhas.
 
A [[Tradução Ecumênica da Bíblia]] sustenta que originalmente Crônicas I e II eram um único livro, sendo artificial sua divisão em dois livros, que haveria um único autor para Crônicas, [[Livro de Esdras|Esdras]] e [[Livro de Neemias|Neemias]], e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC<ref>[[Tradução Ecumênica da Bíblia]], Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.439-1.440</ref>. Esta edição também considera viável a hipótese do autor das Crônicas ser um levita<ref name=teb>[[Tradução Ecumênica da Bíblia]], cit. , p 1.442</ref>.
 
Os nove primeiros capítulos deste segundo livro [http://www.paulus.com.br/BP/_PAQ.HTM II Cr 1]-[http://www.paulus.com.br/BP/_PAY.HTM II Cr 9] contam a história do reinado de [[Salomão]]<ref>[[Bíblia de Jerusalém]], cit., p 547,</ref>, contendo um detalhado registro da construção do templo, cumprindo a promessa feita a seu pai, [[David]], trata-se de um relato que omite aspectos negativos como o luxo e a idolatria no final daquele reinado<ref>[[Tradução Ecumênica da Bíblia]], cit., pp 1.441</ref>.
 
ComOs ocapítulos seguintes [http://www.paulus.com.br/BP/_PAZ.HTM II Cr 10]-[http://www.paulus.com.br/BP/_PBP.HTM II Cr 36] relatam a partir do cisma ocorrido após a morte de Salomão, em torno de [[930 a.C.]], no reinado de [[Roboão]], oe livroprossegue relatacom a história dos outros reis que governaram Judá, os quais muitas das vezes afastaram-se dos mandamentos divinos, tolerando ou introduzindo a [[idolatria]] entre o povo, o que importava em castigos, sofrimentos e derrotas militares para as nações vizinhas.
 
A partir de então, os principais pontos de destaque do livro seriam os reinados de [[Asa]] e de [[Josafá]], a morte de [[Acabe]], o reinado de [[Uzias]], a destruição do [[Reino de Israel]] pelos [[assírios]], o reinado de [[Ezequias]] e a resistência de [[Jerusalém]] ao cerco de [[Senaqueribe]], a idolatria de [[Manassés]], o reinado de [[Josias]], o achado do livro da [[lei mosaica]] e a derrota de Judá pela Babilônia.
 
== Relato Paralelo ==
Tal como I Crônicas, o livro seria um paralelo à narrativa de [[I Reis]] e de [[II Reis]], os quais também são livros históricos do Antigo Testamento e dão continuidade aos acontecimentos de [[II Samuel]]. No entanto, tanto I Crônicas quanto II Crônicas teriam sido escritos a partir de um ponto de vista sacerdotal, com um enfoque maior na história religiosa dos israelitas.
 
Pode-se afirmar que ambos os Livros de Crônicas seria uma obra paralela a Reis e Samuel, sendo que a [[Septuaginta]] e a [[Vulgata]] chamam estes livros de ''Paralipômenos'', pois relatam coisas coisas que foram deixadas de lado no relato contido em Reis e Samuel, ou seja são uma espécie de complemento<ref name = Jerusalem/><ref>[[Tradução Ecumênica da Bíblia]], cit. , p 1.439</ref>, porém, cabe destacar que foram escritos a partir de um enfoque sacerdotal, ou seja, com um enfoque maior na história religiosa dos israelitas.
 
Quando estes livros foram escritos já existia a '''Obra Histórica Deuteronomista'''<ref>[http://blog.airtonjo.com/2009/02/literatura-deuteronomista-2009-o.html Literatura Deuteronomista 2009: o desafio], acessado em 22 de julho de 2010</ref> ([[Livro de Josué|Josué]], [[Juízes]], [[I Samuel]], [[II Samuel]], [[1°Reis|I Reis]], [[2° Reis|II Reis]]), mas haviam motivos que justificavam a construção de uma nova versão daquela história<ref name=pastoral/>.
 
O foco dessa nova versão está no Templo, nos sacerdotes e nos levitas que nele exerciam suas funções; os sacerdotes com o culto e os levitas com a transmissão das legítimas tradições do povo. Nessa versão os reis são julgados a partir de suas relações com o Templo e o culto de Javé. Além disso, toda a história do reino do Norte é omitida, pois no tempo do autor os [[samaritanos]] eram inimigos acirrados da organização da comunidade judaica centrada em [[Jerusalém]]<ref name=pastoral/>.
 
Se reserva uma especial atenção aos levitas, nas listas genealógicas e na narrativa propriamente dita, os levitas têm presença marcante também com sua palavra e ideologia, o que indica que o autor seria um um levita, que busca recuperar as tradições das tribos do Norte, que conservado bem os ideais democráticos e igualitários<ref name=pastoral/>.
 
Os levitas eram muito ligados aos círculos proféticos do Norte, e, portanto, pode-se encontrar muitas menções de profetas e o título de profeta é dado até mesmo ao levita (cf. [http://www.paulus.com.br/BP/_PAL.HTM 1Cr 25,1-5]). Trata-se de uma diferença com a história narrada nos livros dos Reis, onde o levita [[Abiatar]] e com ele certamente o levitismo foi expulso de [[Jerusalém]] por [[Salomão]] (cf. [http://www.paulus.com.br/BP/_P8M.HTM 1Rs 2,26-27], passagem que o autor das Crônicas omite)<ref name=pastoral/>.
 
Os livros das Crônicas, portanto, oferecem uma versão da história que defende a função do levita na liderança da comunidade judaica. Graças a ele, os ideais do [[Livro do Êxodo|Êxodo]] e de uma sociedade igualitária permanecem vivos, à espera de uma ocasião histórica propícia que torne possível a sua concretização<ref name=pastoral/>.
 
 
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