Diferenças entre edições de "Regimento"

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Um '''regimento''' é uma [[unidade militar]], tradicionalmente comandada por um [[coronel]] e composta por um número variável de [[batalhão|batalhões]] ou subunidades equivalentes da mesma arma.
 
Em termos de organização e de funções, os regimentos dos vários [[exército]]s podem ser divididos em dois grandes tipos, correspondentes aos sistemas Regimental e Continental. Os regimentos do primeiro tipo constituem unidades operacionais, empenháveis em combate. Já os do segundo tipo são apenas unidades administrativas, responsáveis pela gestão não operacional das suas subunidades - estas sim, constituindo unidades operacionais - em termos de recursos humanos, de instrução, de mobilização e de reserva.
 
A dimensão, a organização e a função dos regimentos modernos varia bastante de exército para exército, podendo mesmo variar dentro de um mesmo exército. eNalguns podendo nalgunsexércitos, delespode nem sequer existir este tipo de unidade. Nos exércitos que mantêm regimentos de múltiplos batalhões como unidades operacionais de combate -, dependendo do país, da arma, da organização e da função -, estes têm caraterísticas muito semelhantes às de uma [[brigada (militar)|brigada]], podendo incluir além de subunidades da arma a que estão associados, também subunidades de apoio de outras armas e de serviços. Por outro lado, alguns exércitos, por razões históricas, designam como "regimentos" algumas unidades de dimensões menores, normalmente do escalão de batalhão.
 
==História==
O termo "regimento" tem a sua origem etimológica no termo [[Latim|latino]] "''regimentum''" que significa "[[governo]]", referindo-se, no contexto militar, a uma unidade organizada sob o governo ou comando de um chefe.
 
As primeiras unidades militares do tipo aproximadamente igual o ao que viria a ser conhecido como "regimento", foram os [[terço (militar)|terços]] criados oficialmente pelo [[Anexo:Lista de imperadores do Sacro Império Romano-Germânico|Imperador]] [[Carlos V da Alemanha|Carlos V]], nemem [[1534]], mas com origens em unidades similares empregues pelas tropas de [[Castela]] já desde o [[século XV]].
 
Em [[1558]], na [[França]], as antigas unidades militares de infantaria conhecidas como "''bandes''" são transformadas em unidades mais estruturadas e permanentes, que se passam a designar "regimentos". O termo "regimento" acabou por generalizar-se e ser adoptado por quase todos os exércitos europeus.
 
Cada regimento era comandado por um coronel e incluía diversas [[companhia (militar)|companhias]] comandadas por [[capitão (militar)|capitães]]. Os cargos de coronel de cada regimento - bem como os de capitão de cada companhia - são normalmente comprados pelos seus titulares ou concedidos pelos monarcas a título de recompensa. Ao assumirem o seu cargo, os coronéis tornavam-se numa espécie de proprietários dos seus regimentos, responsabilizando-se pela sua administração, instrução, pagamento, fardamento e recrutamento. Como o cargo de coronel era, essencialmente,sobretudo honorífico, o comando efetivo dos regimentos era assumido por oficiais profissionais de menor patente como os [[mestre de campo|mestres de campo]] e os [[sargento-mor|sargentos-mores]].
 
O regimento era essencialmente uma unidade administrativa, correspondendo a um conjunto de tropas sob umuma administração e um aquartelamento comuns. A unidade tática era o [[batalhão]], com o regimento a agrupar vários destes. Nalguns exércitos, cada regimento organizava-se taticamente como um único batalhão, confundindo-se com este. Neste caso, o regimento e o batalhão constituíam, respetivamente, a vertente administrativa e a vertente tática da mesma entidade.
 
Os regimentos eram inicialmente constituídos por companhias de piqueiros e de [[arcabuzeiro]]s - (estes, mais tarde substituídos por [[mosqueteiro]]s). Com a introdução da [[espingarda|espingarda de pederneira]] com [[baioneta]], no final do [[século XVII]], os piqueiros e mosqueteiros foram substituídos por [[fuzileiro]]s, armados com aquele tipo de arma. Paralelamente, por essa altura, são criadas as companhias regimentais de [[granadeiro]]s, inicialmente com a função de protegerem os flancos das formações de combate através do lançamento de [[granada|granadas de mão]], perdendo depois esta função e transformando-se nas subunidades de elite dos regimentos. Na segunda metade do século XVIII, nos regimentos da maioria dos países europeus são também introduzidas companhias de infantaria ligeira, também consideradas subunidades de elite como os granadeiros.
 
O conceito moderno de regimento fica completamente definido em meados do [[século XVIII]]. No final deste século, os regimentos de infantaria são, geralmente, constituídos por companhias de linha e por companhias de elite, distribuídas por um ou mais batalhões. As companhias de linha são as de fuzileiros (também conhecidas por companhias do centro ou de batalhão). As companhias de elite (também conhecidas por companhias de flanco ou companhias graduadas) são as de granadeiros e as de infantaria ligeira (estas, conformenalguns o exércitoexércitos, alternativamente,conhecidas designadas companhias decomo [[caçador (militar)|caçadores]], de [[atirador]]es ou de ''voltigeurs''). Cada batalhão é constituído, em média, por oitodez companhias, das quais oito de fuzileiros, uma de granadeiros e outra de infantaria ligeira. Nesta altura existem já também regimentos de cavalaria - normalmente organizados em quatro [[esquadrão|esquadrões]], cada um com duas companhias - e regimentos de artilharia.
 
Até ao [[século XIX]], o regimento mantémcontinua a manter-se apenas como unidade administrativa em quase todos os exércitos, com o batalhão a ser a unidade tática. No entanto, em alguns exércitos, o regimento passacomeça também a ser também uma unidade tática, constituída por dois ou mais batalhões. A utilização do regimento como unidade tática dá origem ao que é conhecido como "Sistema Continental" de organização. Em outros exércitos, contudo, apenas o batalhão se mantém como unidade tática, continuando o regimento como unidade administrativa, num sistema de organização que ficará conhecido como "Sistema Regimental".
 
===Sistema Regimental===
Neste sistema, a unidade básica de manobra é o batalhão. O regimento cumpre uma função administrativa e de organização, mas não se apresenta no campo de batalha como uma unidade completa. O seu comando e estado-maior não faz parte da cadeia de comando operacional, assumindo apenas funções administrativas. Em termos operacionais, os comandantes dos batalhões regimentais respondem diretamente perante os comandantes da brigada ou divisão onde estão integrados. Para todos os efeitos operacionais, os batalhões regimentais constituem unidades táticas independentes.
 
Normalmente, existem dois coronéis em cada regimento: o coronel efetivo e o [[coronel#coronel honorário|coronel honorário]]. O coronel efetivo é um militar de carreira que assegura a gestão administrativa do regimento, mas que não tem funções de comando tático sobre os batalhões regimentais. O coronel honorário ou coronel-chefe é uma figura cerimonial, sendo tradicionalmente escolhidos, para desempenharem esta função, [[oficial general|oficiais generais]] ou membros de famílias reais em países monárquicos.
 
No Sistema Regimental, cada regimento é responsável pela gestão do pessoal e dos recursos dos seus batalhões, incluindo o recrutamento, a instrução básica, a colocação e a gestão dos recursos humanos. Cada regimento pode ocupar-se da formação do seu próprio pessoal em vez de o enviar para um centro de instrução comum a todas as unidades do exército. O pessoal militar que se alista num regimento raramente muda para outro ao longo da sua carreira, pelo menos até atingir as patentes de oficial general. Inclusive, quando um militar é destacado para exercer funções em academias militares, quartéis-generais ou outros destinos "extrarregimentais", continua a fazer parte - do ponto de vista administrativo - do seu regimento de origem, frequentemente mantendo o uso do uniforme e insígnias daquele. Mesmo os oficiais generais, frequentemente, apresentam-se indicando o seu regimento de proveniência, ainda que pela sua patente já não façam parte do mesmo.
===Sistema Continental===
[[Imagem:Drapeau du 112e régiment d'infanterie.jpg.jpg|thumb|right|215px|Condecorações da bandeira do ''112e Régiment d'Infanterie'' do Exército Francês.]]
Segundo o Sistema Continental, cada regimento é uma unidade tática formada por dois a quatro batalhões. Tradicionalmente, todos os batalhões pertencem à arma que classifica o regimento. No entanto, sobretudo a partir da [[Primeira Guerra Mundial]], foi frequente a combinação de subunidade de armas distintas no mesmo regimento. O regimento será composto, portanto, pelos seus batalhões, por um comando e estado-maior e, ainda, por companhias ou [[pelotão|pelotões]] especializados sob o controlo direto do comando regimental.
 
Como unidade militar, o regimento encontra-se - em termos de escalão tático - situado entre o batalhão e a [[divisão (militar)|divisão]]. No passado, em alguns exércitos, dentro de uma divisão, cada par de regimentos formava numa [[brigada (militar)|brigada]]. No entanto, depois da [[Primeira Guerra Mundial]], regra geral, nos países onde vigora o Sistema Continental, o escalão intermédio da brigada foi eliminado. O regimentos passaram, assim, a ser taticamente equivalentes às brigadas dos países que as mantiveram, sendo ambos compostos por vários batalhões e agrupando-se diretamente em divisões.
 
No Sistema Continental, o regimento e a divisão são, assim, as unidades táticas fundamentais de campanha, empenhando-se normalmente de forma integral e sob comando único. O comando do regimento - chefiado pelo seu coronel - integra-se na cadeia de comando operacional, recebendo ordens do general comandante de divisão e transmitindo-as aos [[tenente-coronel|tenentes-coronéis]] ou [[major]]es comandantes dos seus batalhões. Os comandantes regimentais dispõem, portanto, de um comando tático em campanha.
 
O pessoal militar muda frequentemente de regimento para regimento ao longo da sua carreira. Assim, a formação geral e a gestão administrativa do pessoal militar é feita centralmente pelo conjunto do exército e não por um regimento em particular.
 
===Vantagens e desvantagens de cada sistema===
Outra vantagem do Sistema Regimental é a estabilidade política interna que produz. O exemplo mais claro é o fato do Reino Unido nunca ter sofrido um [[golpe de estado]] militar, nem sequer ter estado planeado algum. Pode atribuir-se isso à natureza "[[tribo|tribal]]" deste sistema, que impede o aparecimento de um líder carismático que obtenha a lealdade de uma parte significativa do exército.
 
O Sistema Regimental, contudo, também tem desvantagens. O sistema produz uma rivalidade entre regimentos -, de uma forma que não se dá no Sistema Continental -, tornando difícil o intercâmbio de unidades de acordo com as circunstâncias. O sistema leva também a casos de favoritismo entre os membros de um determinado regimento para a nomeação em cargos extrarregimentais.
 
Quando um país tenta mudar de uma forma de organização para outra, normalmente, não consegue ter êxito por causa das diferenças tanto estruturais como filosóficas entre os dois sistemas. Um exército acostumado ao Sistema Continental colocar-se-á em dificuldades logísticas quase insuperáveis para levantar os aquartelamentos, depósitos, elementos administrativos e centros de instrução requeridos para cada regimento. Por outro lado, os membros de um exército organizado segundo o Sistema Regimental irão ressentir-se e protestar em caso de uma mudança para o Sistema Continental que os obrigue a perder as suas tradições, quando alguns regimentos tiverem que se fundir ou ser extintos.
 
===Sistemas alternativos modernos===
A partir da [[Primeira Guerra Mundial]], o Sistema Continental ganhou uma preponderância em relação ao Sistema Regimental, devido ao tamanho das forças empenhadas em campanha. A elevada quantidade de tropas empenhadas tornava-se difícil dea assua gerirgestão com estados-maiores ao nível do batalhão, além de obrigar à existência de comandos intermédios. Assim, os exércitos que mantinham o Sistema Regimental agruparam os seus batalhões em brigadas, com funções táticas semelhantes às dos regimentos dos exércitos que usavam o Sistema Continental. Estas brigadas ocupavam o lugar do regimento, como comando tático intermédio entre o do batalhão e o da divisão, sendo inclusive, frequentemente, comandadas por coronéis.
 
No entanto, o Sistema Continental era demasiado rígido para cobrir todas as situações criadas pelo novo uso combinado das diferentes armas, surgido sobretudo a partir da [[Segunda Guerra Mundial]]. Por isso, os exércitos combatentes tiveram necessidadesa necessidade de criar [[agrupamento|agrupamentos táticos]] flexíveis interarmasinter-armas, que receberam diversas designações conforme o país de origem. Ainda que haja alguma controvérsia relativamente à origem deste conceito, a maioria dos historiadores militares apontam o [[Exército Alemão]] como sendo o primeiro a pô-lo em prática, ao criar os seus ''[[Kampfgruppe]]'' (grupos de combate) que consistiam em agrupamentos de tamanho variável, talhados à medida dade cada missão a desempenhar.
 
Em [[1941]], a [[Marinha dos EUA]] começou a usar o conceito de ''task-force'' ([[força-tarefa]]), como agrupamento provisório de unidades navais para o desempenho de missões específicas, conceito esse que foi depois adoptado também pelo seu exército. No [[Exército dos EUA]], este conceito originou o ''regimental combat team'' (equipa de combate regimental), que consistia num agrupamento provisório, com base num regimento de infantaria, ao qual eram acrescentados elementos de [[carro de combate|carros de combate]], de [[artilharia]], de [[engenharia militar|engenharia]] ou de outros conforme a missão. Os exércitos Britânico e Francês adoptaram conceitos semelhantes aos quais chamaram, respetivamente, ''[[agrupamento tático|battlegroup]]'' (grupo de batalha) e ''régiment de marche'' (regimento de marcha).
 
Depois do final da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos exércitos adoptou uma abordagem mista entre o Sistema Continental clássico e o conceito de agrupamento tático flexível. Nesta organização mista, os regimentos mantêm a sua função de agrupamento de batalhões (em maior ou menor quantidade), mas cada batalhão regimental pode ser agrupado com outros elementos - tanto do próprio regimento como de unidades externas - para formar um agrupamento tático flexível talhado à medida da missão aque desempenharlhe for atribuída. Cada país dá um nome distinto a essa agrupamento, de acordo com a sua doutrina.
 
Por outro lado, alguns países passaram a designar os batalhões de algumas armas ou serviços como "regimentos". Isto aconteceu, por razões históricas, em alguns exércitos que aboliram da sua organização o escalão intermédio de regimento, passando o batalhão independente a ser a sua unidade de base. No entanto, o costume de designar como "regimento" algumas unidades táticas do escalão batalhão também existe em exércitos com o Sistema Regimental. Isto causa alguma confusão, uma vez que nestes exércitos existem alguns regimentos administrativos que englobam vários regimentos táticos.
==Regimentos por países==
===Bélgica===
Na [[Componente Terrestre da Bélgica|Componente Terrestre das Forças Armadas Belgas]], o escalão regimento foi abolido, passando a existir apenas batalhões independentes. No entanto, por razões históricas, a grande maioria dos batalhões é designada como "regimento", mantendo o nome e as tradições dos antigos regimentos que lhes deram origem.
 
===Brasil===
Segundo o modelo português, até ao início do [[século XVIII]], a infantaria no [[Brasil]] estava organizada em terços pagos de 1ª linha e terços auxiliares de 2ª linha. A partir de [[1707]], e de acordo com a nova organização decretada pelo [[Rei de Portugal|Rei]] [[D. João V]] para o [[Exército Português]], os terços pagos do Brasil foram transformados em regimentos de infantaria. Posteriormente, no Brasil foram também criados regimentos de dragões, de cavalaria e de artilharia. A partir de [[1796]], de acordo com a reforma decretada pela Rainha [[D. Maria I]], os terços auxiliares foram transformados em regimentos de milícias.
[[Imagem:Lula e Chávez 07122006.jpg|thumb|right|300px|Apresentação do estandarte histórico do [[1º Regimento de Cavalaria de Guardas]] (Dragões da Independência).]]
Por altura da [[Transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821)|chegada da Corte Portuguesa ao Brasil em 1808]], existiam no Brasil regimentos de infantaria de linha (locais e destacados de Portugal), de cavalaria, de dragões, de artilharia e de milícias. Destacam-se alguns regimentos com caraterísticas locais como os de "henriques" compostos inteiramente por [[negros]] e o de guaranis, composto por [[guaranis|índios guaranis]] das [[Região das Missões|Missões]].
Segundo o modelo português, até ao início do [[século XVIII]], a infantaria no [[Brasil]] estava organizada em terços pagos de 1ª linha e terços auxiliares de 2ª linha. A partir de [[1707]], e de acordo com a nova organização decretada pelo Rei [[D. João V]] para o Exército Português, os terços pagos do Brasil foram transformados em regimentos de infantaria. Posteriormente, no Brasil foram também criados regimentos de dragões, de cavalaria e de artilharia.
 
O Rei [[D. João VI]] dá uma especial atenção à organização do Exército no Brasil. Começa nessa altura a dispersão dos regimentos de infantaria em batalhões independentes de fuzileiros, de granadeiros e de caçadores.
A partir de [[1796]], de acordo com a reforma decretada pela Rainha [[D. Maria I]], os terços auxiliares foram transformados em regimentos de milícias.
 
Depois da [[Independência do Brasil|Independência]] em [[1822]], continuam as reformas no, agora, [[Exército Brasileiro]]. A primeira grande reorganização pós-Independência dá-se pelo decreto de [[1º de dezembro]] de [[1824]]. Na primeira linha do Exército, deixam de existir regimentos na infantaria e na artilharia. A infantaria passa a ser composta por 30 batalhões independentes, dos quais, um do Imperador, dois de granadeiros e 27 de caçadores. A artilharia passa a ser constituída por 16 "corpos", dos quais, 11 de artilharia de posição e cinco de artilharia a cavalo. Na primeira linha, apenas se mantêm regimentos de cavalaria, dos quais, um da Imperial Guarda de Honra e sete de cavalaria.
Depois da [[Independência do Brasil|Independência]], em [[1822]], a estrutura regimental foi mantida no novo [[Exército Brasileiro]].
 
A não existência de regimentos, com excepção dos de cavalaria, vai ser uma constante nas sucessivas organizações do Exército Brasileiro, até ao início do [[século XX]].
Na [[década de 1970]], é abolido o escalão regimento (R) da organização do Exército Brasileiro. A partir de então a sua estrutura organizacional passa a compreender apenas batalhões independentes ou unidades equivalentes. O termo "regimento" é contudo mantido como designação das unidades da arma de cavalaria de escalão equivalente a batalhão.
 
Pela organização do Exército introduzida pelo Decreto n.º 6971 de [[1908]] acaba a tradicional organização brasileira em batalhões independentes, com a introdução de regimentos ternários na infantaria e na artilharia, segundo um modelo em voga na maioria dos exércitos estrangeiros da época. Os novos regimentos de infantaria são constituídos por três batalhões e os de artilharia por três grupos. Passam a existir 15 regimentos de infantaria e cinco regimentos de artilharia montada, além dos nove regimentos de cavalaria divisionária. Esta é a base da organização regimental que se irá manter até à [[década de 1970]].
 
Na [[década de 1970]], évolta a ser abolido o escalão regimento (R) da organização do Exército Brasileiro. A partir de então a sua estrutura organizacional passavolta a compreender apenas batalhões independentes ou unidades equivalentes. O termo "regimento" é contudo mantido como designação das unidades da arma de cavalaria de escalão equivalente a batalhão.
 
Atualmente, no Exército Brasileiro existem regimentos de cavalaria de guardas, de cavalaria blindada, de cavalaria mecanizada e de carros de combate. Além destes, alguns batalhões de infantaria e grupos de artilharia descendentes de antigos regimentos, mantêm o termo honorífico de "regimento" na sua designação histórica.
===Estados Unidos da América===
[[Imagem:7thCav.JPG|thumb|right|300px|Emblema do 7º Regimento de Cavalaria dos EUA.]]
Até ao [[século XX]], o [[Exército dos EUA]] mantinha em vigor o Sistema Regimental. No entanto, a necessidade de mobilização e de administração de um largo número de efetivos surgida com a Primeira e a Segunda guerras mundiais, levou à transição para um sistema próximo do Continental, com o regimento a tornar-se numa mera unidade tática e a divisão a assumir a maioria das funções administrativas que anteriormente pertenciam aos regimentos. Historicamente, os regimentos dos EUA eram constituídos por três batalhões, acrescidos de uma companhia de comando.
 
Na [[década de 1950]], dentro de cada divisão, o regimento começou a ser substituído pela brigada de armas combinadas como unidade tática. Assim, em [[1957]], com o objetivo de manter as tradições históricas dos antigos regimentos, foi desenvolvido o Sistema Regimental das Armas de Combate (CARS - ''Combat Arms Regimental System''). O CARS mantém os regimentos tradicionais do Exército dos EUA como unidades mãe de um ou mais batalhões, para efeitos históricos. No entanto, para os restantes efeitos, os batalhões agrupam-se em brigadas e estas em divisões. Cada batalhão é associado a um regimento de origem, apesar deste já não existir como unidade organizada. Algumas brigadas podem incluir vários batalhões associados ao mesmo regimento histórico, que se consideram como parte dele simbolicamente, ainda que sejam, na prática, batalhões independentes sujeitos ao comando da brigada e não a um comando regimental. Em [[1981]], o CARS foi transformado no sistemaSistema Regimental do Exército dos Estados Unidos (USARS - ''US Army Regimental System'') de caraterísticas semelhantes.
 
Contudo, existem várias excepções ao USARS, como são o caso dos regimentos de cavalaria blindada e do 75º Regimento ''Ranger''. Estes regimentos constituem unidades táticas constituídas e não apenas meros agrupamentos simbólicos de batalhões.
 
Ao contrário do que acontece normalmente no Exército dos EUA, os regimentos do [[Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos|Corpo de ''Marines'' dos EUA]] são unidades táticas constituídas. Os regimentos de ''Marines'' podem destacar batalhões para formarem agrupamentos táticos designados "unidades expedicionárias ''Marine''" ou ser empenhados em massa como unidades completas. De observar que todos os regimentos do Corpo de ''Marines'' são genericamente designados "regimentos de ''Marines''", independentemente de serem de infantaria ou de artilharia.
 
===França===
 
===Portugal===
Em [[Portugal]], os regimentos infantaria são os descendentes diretos dos antigos [[terço (militar)#Terços de Portugal|terços]] organizados, pela primeira vez, pelo [[Rei de Portugal|Rei]] [[Sebastião I de Portugal|D. Sebastião]], em [[1578]]. Os terços tornar-se-ão na unidade base da infantaria portuguesa, depois da [[Restauração da Independência]], em [[1 de dezembro]] de [[1640]]. Os terços organizavam-se de uma forma semelhante aos regimentos existentes nos exércitos europeus não-[[Península Ibérica|Ibéricos]], sendo comandados por [[mestre de campo|mestres de campo]]. No reinado de [[D. João IV]], para defesa da nação, a partir de [[1641]], são levantadaslevantados dezenas de terços pagos (unidades de 1ª linha) e de [[Tropas Auxiliares e Milícias de Portugal|terços auxiliares]] (unidades de 2ª linha), que são empenhados na [[Guerra da Restauração]]. Por esta altura, a alguns terços especiais de [[Lisboa]] - compostos por nobres, religiosos ou privilegiados - é atribuída a designação honorífica de "regimento", sendo o seu comando honorário sido atribuído ao [[Príncipe de Portugal|Príncipe]] [[Teodósio, Príncipe do Brasil|D. Teodósio]], com o título de "coronel". Durante a Guerra da Restauração também se prevê o agrupamento das companhias de cavalaria em regimentos permanentes, mas estes não chegam a ser levantados, só se organizando troços provisórios de oito companhias.
[[Imagem:Estremoz RC3 Dragões Olivença Escudo.jpg|thumb|right|250px|Armas do [[Regimento de Cavalaria Nº 3]], aquartelado em [[Estremoz]], descendente do antigo Regimento de Dragões de Olivença.]]
Em [[1707]], estando o [[Exército Português]] empenhado na [[Guerra da Sucessão de Espanha]], o Rei [[D. João V]] decreta uma reforma militar profunda, que inclui a criação dos regimentos, segundo a moda europeia. Os anteriores terços pagos passam a designar-se "regimentos de infantaria", mantendo aproximadamente a mesma organização, que incluía um estado-maior e 10 companhias, uma das quais de [[granadeiro]]s. Os antigos mestres de campo passam a designar-se "coronéis" e passam a ser coadjuvados por [[tenente-coronel|tenentes-coronéis]]. São também criados regimentos de cavalaria ligeira e regimentos de [[dragão (militar)|dragões]]. Posteriormente, virão também a ser criados regimentos de artilharia, com o primeiro a ser organizado em [[1708]], englobando 12 companhias, incluindo uma de barcas e outra de mineiros. Mantém-se, no entanto, os terços auxiliares, como unidades de 2ª linha.
 
Em [[1735]], perante a possibilidade de uma nova guerra, o Exército Português é aumentado e reorganizado. Os regimentos de infantaria passam a incluir dois batalhões, cada qual com 10 companhias.
Em [[1763]], cada regimento de infantaria passa a ter um único batalhão de sete companhias. Portanto, volta-se a um conceito semelhante ao que existia antes de 1735, em que o batalhão e o regimento são as vertentes, respetivamente, tática e administrativa da mesma unidade e não uma subdivisão uma da outra. Por outro lado, deixa de existir distinção entre dragões e cavalaria ligeira, passando a haver regimentos homogéneos de cavalaria, constituídos por oito companhias agrupadas aos pares em quatro [[esquadrão|esquadrões]]. Em [[1777]], os regimentos de infantaria voltam a ter 10 companhias, mantendo-se um único batalhão. Em [[1793]], desaparecem de vez os terços, quando os terços auxiliares são transformados em [[Tropas Auxiliares e Milícias de Portugal|regimentos de milícias]].
 
Na sequência da experiência na [[Campanha do Rossilhão]], em [[1796]], uma das companhias de fuzileiros dos regimentos, é substituída por uma companhia de [[caçador (militar)|caçadores]]. Os regimentos de infantaria passam assim englobar oito companhias de fuzileiros, uma de granadeiros e outra de caçadores. Estas 10 companhias formam um único batalhão em todos os regimentos, com excepção do [[Regimento de Infantaria Nº 1|Regimento de Lippe]] em que elas são repartidas por dois batalhões.
 
Até [[1806]], os regimentos eram designados genericamente pelo nome da povoação onde tinham quartel ou - no caso de alguns regimentos de aquartelados em Lisboa - pelo nome do seu comandante. A partir de então, os regimentos de 1ª linha passam a ser numerados. Os regimentos de infantaria são numerados de 1 a 24, os de cavalaria de 1 a 12 e os de artilharia de 1 a 4.
 
Já em plena [[Guerra Peninsular]], os regimentos de infantaria são reorganizados em [[1808]]. Deixam de ter uma companhia de caçadores - (os quais são organizados em batalhões independentes -), mas ganham uma segunda companhia de granadeiros. Todos os regimentos de infantaria passam a englobar dois batalhões, cada qual com quatro companhias de fuzileiros e uma de granadeiros.
 
Em [[1828]], no reinado de [[Miguel I de Portugal|D. Miguel I]], os regimentos voltam a ser designados pelo nome da localidade onde têm quartel permanente. Além disso, os caçadores são também organizados em regimentos.
 
Depois da vitória liberal na [[Guerra Civil Portuguesa|Guerra Civil]], o Exército Português é novamente reorganizado, em [[1834]]. Os regimentos voltam a ser numerados. Os regimentos de infantaria e os de caçadores mantêm-se com dois batalhões. Aos regimentos de infantaria é retirada a segunda companhia de granadeiros, que é substituída por uma companhia de [[atirador]]es.
 
Entre [[1837]] e [[1842]], é eliminado o escalão regimento da arma de infantaria que passa a ser constituída por 30 batalhões independentes, dos quais 10 de caçadores (numerados de 1 a 5 e de 26 a 30) e 20 de infantaria (numerados de 6 a 25). Depois disto, e até final do século XIX, diversas reformas aumentam e diminuem o número de regimentos, bem como o número de batalhões que os constituem.
Na Segunda Guerra Mundial, são organizados regimentos de natureza tática, que integram as divisões mobilizadas para defesa de Portugal Continental, bem como as forças mobilizadas para defesa dos [[Açores]].
 
Em [[1965]], é criado o [[Regimento do Serviço de Saúde]], o primeiro regimento de serviços do Exército Português.
 
No período compreendido entre [[1975]] e [[1977]], ocorre uma abrangente reorganização do Exército Português que leva à extinção de bastantes unidades e à mudança de designação da maioria dos regimentos que foram mantidos. Os regimentos voltam a ser designados pelo nome das localidades onde estavam aquartelados. É abolida a designação "caçadores", sendo as unidades deste tipo ainda existentes transformadas em regimentos ou batalhões independentes de infantaria. É criado o [[Regimento de Comandos]]. Em [[1993]], os regimentos voltarão a ser numerados.
 
Atualmente, de acordo com a Lei Orgânica do Exército Português -, publicada em [[2009]] -, os regimentos constituem a unidade base do Exército, sendo identificados pela arma ou serviço e pelo indicativo numérico. Tal como os restantes orgãos de base, os regimentos têm por missão a formação, a sustentação e o apoio geral do Exército. Presentemente, existem sete regimentos de infantaria, um [[Regimento de Lanceiros Nº 2|regimento de lanceiros]], dois regimentos de cavalaria, dois regimentos de artilharia, um [[Regimento de Artilharia Antiaérea Nº 1|regimento de artilharia antiaérea]], dois regimentos de engenharia, um regimento de transmissões, três regimentos de guarnição, um [[Regimento de Transportes|regimento de transportes]] e um [[Regimento de Manutenção|regimento de manutenção]].
 
===Reino Unido e ''Commonwealth''===
De observar que, na maioria das armas que não a infantaria, as unidades táticas equivalentes ao batalhão são designadas "regimentos", muitas vezes referidos como "regimentos táticos" para os distinguir dos regimentos administrativos de múltiplos batalhões. Assim, um regimento administrativo pode conter vários regimentos táticos. A título de exemplo, a arma de artilharia constitui um único regimento administrativo (o ''Royal Regiment of Artillery'') que inclui vários regimentos táticos equivalentes a batalhões.
 
No Sistema Regimental britânico, o batalhão (ou o regimento tático) é a unidade funcional básica e o seu comandante tem uma autonomia muito maior que no Sistema Continental. Os comandantes divisionários ou de brigada, normalmente, não interferem com a gestão e o funcionamento do batalhão no dia-a-dia. O [[sargento-mor]] regimental, existente em cada batalhão, é outra figura-chave na organização, sendo responsável perante o comandante, pela disciplina do batalhão e pelo comportamento dos sargentos ou praças graduados.
 
Entre as décadas [[década de 1950|de 1950]] e [[década de 2000|de 2000]], foram realizadas uma série de fusões regimentais no Exército Britânico que diluíram o Sistema Regimental, levando ao desaparecimento de diversos regimentos históricos de infantaria. Muitos destes regimentos - alguns dos quais incluíam apenas um batalhão - fundiram-se em grandes regimentos que englobam até seis batalhões. Alguns destes batalhões são responsáveis por manter as tradições dos antigos regimentos que lhes deram origem.
 
==Referências==
*[http://www.arqnet.pt/exercito/recruta.html AMARAL, Manuel, ''Os oficiais do Exército Português em finais do Antigo Regime'', Arqnet - O Portal da História, 2000-2010 ]
*[http://audaces.blogs.sapo.pt/4440.html SOBRAL, José, ''Postos e cargos militares portugueses'', Audaces, 2008]
* [http://www.drapeaux.org/France/Ancien_Regime/Infanterie.htm Drapeaux militaires européens 1700-1914]
*RODRIGUES, José Wash, BARROSO, Gustavo, ''Uniformes do Exército Brasileiro (1730-1922)'', Rio de Janeiro: Ministério da Guerra, 1922
 
=={{Ver também}}==