Diferenças entre edições de "Aliança Clube"

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== História ==
 
SEIS DE SETEMBRO DE 1969. Um grupo de amigos vizinhos, moradores de Vila Marisa, Rudge Ramos, resolvem marcar para o dia seguinte, feriado, um joguinho entre casados e solteiros, como já faziam freqüentemente.
Depois da partida, realizada num dia de muito frio e comemorada com um suculento churrasco, a turma se reuniu em torno de uma fogueira feita em um terreno baldio e comentavam lances mais bonitos quando surgiu a idéia de se formar um clube organizado, com jogo de camisas e tudo. A idéia foi prontamente aceita.
O pessoal, que se encontrava num bar na Av. Vergueiro, que hoje leva o nome “Aliança”, foi espalhando a novidade e em pouco tempo existia um grande grupo de jogadores de fim de semana interessado em participar da entidade que surgia. Passaram a se reunir no escritório de Mário Quintino, no centro de Rudge Ramos. Decididas as questões mais prementes, como as finalidades daquela associação, faltava um nome para o batismo do clube.
 
NOME SORTEADO. As idéias eram muitas. Borda do Campo, E. C. Rudge Ramos, e muitos outros, cada sugestão sendo defendida ardentemente por seu idealizador.
Decidiu-se, então, democratizar a escolha. Todos aqueles que tivessem uma sugestão com relação ao nome do clube, deveriam escreve-la num papelzinho, todos seriam colocados numa cartolinha e depois sortear-se-ia aleatoriamente um deles.
Mario Bérgano, que viria a ser o primeiro presidente do Aliança é que conta: “Quando eu era pequeno eu conheci um time com esse nome. Escrevi no papelzinho e foi a minha sugestão a escolhida”.
Estavam reunidos, na oportunidade, Joaquim Gil Reales, o próprio Mario Bérgamo, Oraci Alves Pereira, Reinaldo Bérgamo, Henrique Barone (o Teleco, fazedor de bandeiras), Antonio Quintino, Zé Dentinho e muitos outros. Ao final da reunião, a primeira diretoria do clube já tinha sido eleita, formada da seguinte maneira: Mario Bérgamo (presidente), Oraci Alves Pereira (vice), Edgar Yamanaka (secretário), Antonio Quintino, (tesoureiro), Joaquim Gil Reales e José Lopes (diretores de futebol).
Se para a escolha de um nome as coisas se complicaram, o mesmo não aconteceu na definição das cores do time.
Em Rudge Ramos mesmo já existiam algumas equipes estruturadas, como o Meninos (branco e verde), a Vila Vivaldi (vermelho e branco). Assim, quase que por eliminação, decidiu-se pela escolha do azul e branco. Posteriormente, o amarelo foi introduzido como cor oficial do clube.
No jogo de estréia, uma derrota fragorosa. O Aliança perdeu de 9 x 1 do Botafogo do Riacho Grande, no estádio de Vila Vivaldi. Mario Bérgamo disse que muita gente desanimou depois dessa derrota e quase que o clube tem o destino de muitos outros da cidade, que perduram pelo curto espaço de tempo de algumas partidas.
O dia sete de setembro foi escolhido como data de fundação por que, sendo o dia de folga de todos, qualquer festa marcada para aquele dia poderia ser freqüentada pela totalidade dos sócios.
 
PRIMEIRO TIME. Inscritos no torneio municipal de futebol, o Aliança Clube promoveu um animado churrasco entre sua gente, comemorando o evento a caráter. Um sobrinho de Mário Bérgamo, Vanderlei, começou a armar a equipe, trazendo jogadores para as posições mais fracas do time que viria a revolucionar o futebol de São Bernardo que, segundo os aliancistas mais arraigados, estava perdendo a graça.
O Aliança jogava em qualquer lugar, bastava surgir um convite. Como alguns jogadores e torcedores possuíam automóvel, formava-se uma caravana onde todos os veículos seguiam super-lotados. Ficou conhecido, em alguns campos de várzea, como o “time dos carros”.
 
CONVITE À OSVALDO. Mas, como todo clube amadoristicamente montado, as dificuldades começaram a surgir, e sentia-se a falta de alguém mais dinamizador, que pudesse injetar ânimo maior às coisas. Corria o ano de 1970.
Desde o início de suas atividades, o Aliança contou com a participação de funcionários do Depósito Lusitano, de propriedade de Osvaldo Ferreira, que também jogava uma pelada de vez em quando. O convite foi uma conseqüência natural. Depois de algumas recusas, Osvaldo resolveu aceitar, mas somente o fez com a condição de que iria exigir muito trabalho de todos.
Trazendo para o clube alguns amigos, também abnegados esportistas, como Antonio Frias do Amaral, Cristóbal Gonzales (o Gonza, como era chamado, vice-presidente de Osvaldo Ferreira e considerado um dos mais importantes na nova fase do Aliança Clube), Guilherme Zoccolo, Roberto Teixeira e outros, Ferreira passou a freqüentar os campos de várzea de São Paulo, à procura de novos valores.
Os dirigentes montaram uma equipe básica, que com os anos foi se aperfeiçoando, conquistando títulos e mais títulos: vice-Campeão amador de São Bernardo (1972); Campeão da Especial da cidade (1973); Campeão Invicto na Taça São Bernardo do Campo (1973); bi-Campeão da Especial de São Bernardo (1974); bi-Campeão da Taça São Bernardo (1974); vice-Campeão da Especial da cidade (1975); e muitos outros dentro do amadorismo.
 
O SUPER-GALO. O grande momento do Aliança, entretanto, ainda estava por surgir.
A TV Record, de São Paulo, em incentivo ao esporte amador, promovia, já naquela época, o conhecido “Desafio ao Galo”, com a participação das mais diversas equipes do futebol varzeano e amador de São Paulo e Interior.
Depois de participar do primeiro jogo o Aliança não sairia mais da televisão, mantendo-se invicto no torneio por ano e meio consecutivo, entre 1974 e 1975. Neste último ano, por exemplo, realizou 55 partidas, das quais venceu 38, empatou 12 e perdeu apenas 5. Marcou 138 gols e sofreu apenas 39.
Nesta época, o clube começou a viajar para o Interior à disputar amistosos. O fato de estar todos os domingos de manhã na televisão deu ao Aliança uma popularidade incrível. Eram recebidos nas grandes cidades com festas memoráveis e, além de tudo, a imprensa dava toda a cobertura.
O clube tinha crescido, já não era mais o time dos primeiros dias de vida, que precisava às vezes pedir bola emprestada para disputar uma partida.
Veio então o Super-Galo, que reunia as 20 melhores equipes que até então já haviam passado pelo torneio da TV Record. O Aliança, em campanha notável, sagrou-se campeão, impingindo uma grande derrota ao Parque da Mooca, que foi outro “papão” do torneio.
 
AS GRANDES MUDANÇAS
 
O PROFISSIONALISMO. Depois de alcançar todos os títulos que se dispôs a perseguir no amadorismo, os dirigentes do Aliança resolveram arriscar, dar um grande passo.
Em 1º de março de 1976, em ofício encaminhado ao presidente do Conselho do Clube, Osvaldo Ferreira pedia a convocação de todo o Conselho para apreciação da iniciativa que criaria o departamento de futebol profissional. Em 10 de março daquele mesmo ano, Dejanir Barbosa da Silva, conselheiro, abriu as discusões na sede do clube, na época situada na avenida Vergueiro, n.º 3961. A sugestão recebeu o apoio unânime de todo o Conselho que, ainda, deu um voto de congratulações ao presidente do clube, pelo trabalho que o mesmo vinha realizando até então.
Assim, dentro de suas atribuições legais, Osvaldo Ferreira, através da resolução n.º 1/76, em 12de março daquele ano, decidiu pela criação do Departamento de futebol profissional do Aliança Clube, medida que veio de encontro às aspirações de toda a numerosa torcida. No mesmo dia, em resolução seguinte, Osvaldo nomeou Guilherme Zoccolo para exercer as funções de Diretor do Departamento de Futebol profissional do Aliança, uma vez que este já havia demonstrado suas potencialidades na direção do futebol amador do clube.
Assim, inscritos na Segunda Divisão de Profissionais, o Aliança partiu para o seu primeiro jogo na categoria: foi em São Caetano, contra o SAAD, uma vitória: 2 x 1. Osvaldo Ferreira diz que na época era até engraçada a disparidade de condições entre as duas equipes. Ao lado do ônibus do SAAD estava estacionada a Kombi velha do Aliança, motivo de gozação dos torcedores adversários.
 
VICE-CAMPEÃO. Osvaldo Ferreira lembra que o profissionalismo do primeiro ano do clube foi recheado com características de time amador, o que, por um lado, foi positivo. O time tinha um baixo custo operacional, o que evitou grandes problemas financeiros. Aliado à isso, ressalta-se que o Aliança, devido às campanhas realizadas anteriormente, estava com um grande cartaz, lotando estádios tanto aqui em São Bernardo como em qualquer cidade do Interior. Os treinos eram realizados à noite e o clube viajava em dia de jogo.
Demonstrando um entrosamento muito grande e um forte espírito de equipe, o Aliança chegou às finais da Intermediária de 1976, depois de uma campanha memorável: campeão invicto do primeiro turno e campeão empatado com o Santo André (na frente com uma vitória) no segundo, quando perdeu apenas uma partida, conta o Velo Clube. Isso tudo já no primeiro ano de amadorismo. O quadrangular que decidiria quem ia subir à Especial seria disputado entre o Santo André, XV de Jaú, Aliança e Barretos, contra quem o time de São Bernardo jogou em primeiro lugar.
Uma característica desse que foi um dos jogos mais emocionantes já disputados pela equipe de São Bernardo: seria o primeiro jogo noturno disputado pela equipe e o primeiro tempo acabou com o Barretos em vantagem: 2 x 0.
O jogador Perú, consideradopor muitos como o maior destaque individual que o Aliança já teve até hoje, perdeu muitos gols durante o primeiro tempos, um deles a poucos metros do arco adversário, dandouma “furada” espetacular. Nos vestiários ele explicaria: a iluminação o confundiu e ele não conseguiu precisar a altura em que a bola se encontrava.
Segundo tempo, marcando um gol atrás do outro, o Aliança virou o marcador em 4 x 2, conseguindo a passagem para a finalíssima, a ser disputada no Brinco de Ouro, em Campinas.
Este jogo foi polêmico. Alguns torcedores mais fanáticos não entendem como o clube perdeu, chegando a afirmar que houve tremedeira e “outras coisas”. XV de Jaú, 2 x 0, campeão da Segunda Divisão de 1976. Aliança, vice.
 
MUDANÇA DE DIRETORIA. Por uma série da fatores até hoje ainda não definidos, pois todos subjetivos, o Aliança não disputava uma boa campanha em 1977. E começaram a surgir os primeiros choque entre torcidas e diretoria. Primeira vítima: o técnico José Rossi.
Depois de sete anos de clube, Osvaldo Ferreira era um nome muito conhecido, praticamente impossível de se dissociar do time do Aliança, proximidade esta que, entre seus críticos, ganhou o apelido de “Osvaldo Ferreira F. C.”
No entanto, aquele presidente garante que o clube sempre foi aberto à participação de todos. Para provocar o que dizia, afastou-se da presidência. Passou para a do Conselho, dando oportunidade para o surgimento de novas direções executivas. Depois de quatro anos ele disse que provou estar certo. O clube se manteve até hoje e encontra-se, atualmente, em posição elogiável no campeonato.
Foi substituído interinamente por Antonio Jurado Luqui, por alguns poucos meses, tendo assumido logo em seguida Eduardo Cesar, que deixou o cargo em sete de setembro de 1978. Foi eleito, a seguir, Antonio Buonfiglio.
 
UM TIME DE CHEGADA. Em quatro anos de profissionalismo, o Aliança já participou de duas finalíssimas do torneio de acesso à Especial. Em 1980, disputou a vaga com o São José, perdendo a partida final na qual o adversário esteve muito superior: 2 x 1.
Neste sete de setembro, o clube completa doze anos de vida. Apesar de ter crescido com a cidade, de ter projeção estadual e de reunir em torno de si uma torcida que, se não é numerosa, é fiel, o Aliança ainda mantém características típicas de um time de bairro.
Por exemplo, a união entre os jogadores é grande. Nunca, em toda a sua história, o time se viu envolvido em brigas ou problemas disciplinares, tanto que ao ganhar o Super-Galo, recebeu de um colégio de freiras de São Paulo um troféu premiando a disciplina e o exemplo de competitividade dentro de campo. Ainda hoje, mesmo dentro do profissionalismo, todas as camisas do clube são lavadas na casa de Mário Bérgamo, primeiro presidente do clube e até hoje um abnegado torcedor.
 
OS INFANTIS. O clube, desde que surgiu, preocupou-se em montar uma escola de futebol, para poder aproveitar todas as revelações de São Bernardo. Aliás, o primeiro título que o Aliança conseguiu foi em 1971, no torneio de juvenis, conseguindo o bicampeonato municipal em 1972.
Quando o Defe instituiu o “Dentão”, em 1973, para aproveitar garotos com idade entre 14-16 anos, o Aliança foi o vice-campeão do torneio. O campeonato reuniu 64 equipes de todo o Estado de São Paulo. O campeão foi o Pirituba, que marcou o gol da vitória no último minuto do jogo.
Nos treinos realizados em Vila Vivaldi, a torcida era tão grande quanto a dos dias de jogo oficial. Muitos garotos passaram nas mãos dos mestres José Rossi e Zequinha, subindo para a equipe principal.
Antes mesmo que a televisão começasse a promover gincanas para ver quantas pessoas cabiam num Volkswagen, essa modalidade já era praticada por todos os garotos do mirim do Aliança. Quando, aos domingos de manhã, partiam para algum jogo fora de São Bernardo, iam os 15 dentro de um fusquinha, mais motorista e técnico.
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