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{{bíblia}}
[[Ficheiro: Simon_leers.jpg|thumb|rightleft| A “História Crítica” de Richard Simon, uma das obras responsáveis por derrubar o consenso tradicional de que [[Moisés]] fora autor do [[Pentateuco]]. O próprio Pentateuco nunca afirma ter sido escrito por Moisés, e mesmo os textos posteriores se referem aos supostos textos mosaicos de forma vaga. ]]
 
'''Crítica Bíblica''' é o "estudo e a investigação das escrituras bíblicas que procura discernir e discriminar julgamentos sobre essas escrituras".<ref> Harper's Bible Dictionary, 1985 </ref> Ela pergunta quando e onde um [[texto]] particular se originou. Como, por quais razões, por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; que influências se expressam em sua produção; que fontes foram usadas em sua composição e a mensagem que o texto deveria passar. <ref>{{Citar web |url=http://en.wikipedia.org/wiki/Biblical_criticism#cite_ref-1 |título= Biblical Criticism|língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
A '''crítica bíblica''', definida como o tratamento de textos bíblicos como artefatos naturais, ao invés de artefatos sobrenaturais, emergiu graças ao [[racionalismo]] dos séculos XVII e XVIII. No século XIX ela se dividiu entre a Alta Crítica, isto é, o estudo da composição e história dos textos bíblicos, e a Baixa Crítica, a análise crítica dos textos visando estabelecer sua leitura correta ou original. Esses termos são praticamente deixados de lado atualmente, e a crítica contemporânea assistiu à emergência de novas perspectivas que se baseiam em abordagens literárias e sociológicas na busca do significado dos textos.
 
Uma divisão ainda existe entre a crítica histórica e a crítica literária. A crítica histórica procura localizar o texto na [[história]]: ela pergunta coisas como quando o texto foi escrito, quem poderia ter sido o autor, e que história podemos reconstruir a partir dos questionamentos do texto. A [[crítica literária]] pergunta qual era a audiência para a qual o autor escreveu, seus propósitos, e o [[Ficheiro: Simon_leers.jpg|thumb|right| A “História Crítica” de Richard Simon, uma das obras responsáveis por derrubar o consenso tradicional de que [[Moisés]] fora autordesenvolvimento do [[Pentateuco]].texto Opelo próprio Pentateuco nunca afirma ter sido escrito por Moisés, e mesmo os textos posteriores se referem aos supostos textos mosaicos de forma vagatempo. ]]
 
A crítica histórica foi a forma dominante de crítica até o fim do século XX, quando os críticos bíblicos acabaram se interessando mais por questões voltadas ao significado do texto, suas origens e métodos de desenvolvimento, com base na crítica literária tradicional. A distinção entre essas abordagens é, normalmente, entendida como uma diferença entre uma visão diacrônica e uma visão sincrônica dos textos.
Crítica Bíblica é o "estudo e a investigação das escrituras bíblicas que procura discernir e discriminar julgamentos sobre essas escrituras".<ref> Harper's Bible Dictionary, 1985 </ref> Ela pergunta quando e onde um [[texto]] particular se originou. Como, por quais razões, por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; que influências se expressam em sua produção; que fontes foram usadas em sua composição e a mensagem que o texto deveria passar. <ref>{{Citar web |url=http://en.wikipedia.org/wiki/Biblical_criticism#cite_ref-1 |título= Biblical Criticism|língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
Ela também se interessa pela natureza do texto, incluindo o significado das palavras e a forma como são usadas, sua preservação, história e integridade. A crítica bíblica se vale de uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo a [[arqueologia]], [[antropologia]], [[lingüística]], etc.
 
== A Crítica ==
 
A crítica bíblica, definida como o tratamento de textos bíblicos como artefatos naturais, ao invés de artefatos sobrenaturais, emergiu graças ao [[racionalismo]] dos séculos XVII e XVIII. No século XIX ela se dividiu entre a Alta Crítica, isto é, o estudo da composição e história dos textos bíblicos, e a Baixa Crítica, a análise crítica dos textos visando estabelecer sua leitura correta ou original. Esses termos são praticamente deixados de lado atualmente, e a crítica contemporânea assistiu à emergência de novas perspectivas que se baseiam em abordagens literárias e sociológicas na busca do significado dos textos.
 
Uma divisão ainda existe entre a crítica histórica e a crítica literária. A crítica histórica procura localizar o texto na [[história]]: ela pergunta coisas como quando o texto foi escrito, quem poderia ter sido o autor, e que história podemos reconstruir a partir dos questionamentos do texto. A [[crítica literária]] pergunta qual era a audiência para a qual o autor escreveu, seus propósitos, e o desenvolvimento do texto pelo [[tempo]].
 
A crítica histórica foi a forma dominante de crítica até o fim do século XX, quando os críticos bíblicos acabaram se interessando mais por questões voltadas ao significado do texto, suas origens e métodos de desenvolvimento, com base na crítica literária tradicional. A distinção entre essas abordagens é, normalmente, entendida como uma diferença entre uma visão diacrônica e uma visão sincrônica dos textos.
 
== História ==
A crítica do Velho e do Novo Testamento se originou no [[racionalismo]] dos séculos XVII e XVIII e se desenvolveu no contexto da abordagem científica das disciplinas humanas (especialmente da [[História]]) que cresceu por volta do século XIX. Estudos do Velho e do Novo Testamento foram, normalmente, independentes uns dos outros, principalmente devido à dificuldade dos estudiosos de concentrar a erudição em línguas e conhecimento cultural necessário referentes aos períodos de todos os textos envolvidos. <ref>{{Citar web |url=http://books.google.com/books?id=3BiHAAAACAAJ|título= Old Testament Criticism in the Nineteenth Century |língua= |autor= John William Rogerson |obra= |data= 1985 |acessodata=}}</ref>
 
=== Antigo Testamento ===
 
A crítica bíblica moderna começa no século XVII com filósofos e teólogos ([[Thomas Hobbes]], [[Benedito Spinoza]], [[Richard Simon]] e outros) que começaram a se perguntar quais seriam as origens do texto bíblico, especialmente do [[Pentateuco]] (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento: [[Gênesis]], [[Êxodo]], [[Levítico]], [[Números]] e [[Deuteronômio]]). <ref>{{Citar web |url=http://books.google.com/books?id=w4NIsg8KtM0C&printsec=frontcover&dq=douglas+hebrew+bible+levenson&hl=en&ei=Y2oETejRNoL_8Ab55YjnAg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCgQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= The Hebrew Bible, the Old Testament, and historical criticism|língua= |autor= Jǒn Douglas Levenson |obra= |data= |acessodata=}}</ref> Eles questionaram especificamente quem teria escrito esses livros: de acordo com a tradição, o autor teria sido [[Moisés]], mas esses críticos encontraram contradições e inconsistências no texto que, de acordo com eles, tornavam a autoria mosaica improvável. No século XVIII, [[Jean Astruc]] (1684-1766), um médico francês, tentou refutar essas críticas. De acordo com ele, as contradições e inconsistências presentes no texto bíblico eram resultado de adições posteriores ao texto, que teriam se mesclado às escrituras originais de [[Moisés]]. <ref>{{Citar web |url=http://www.blackwellpublishing.com/content/BPL_Images/Content_store/Sample_chapter/9780631210719/perdue.pdf|título= The Hebrew Bible in Modern Study |língua= |autor=Antony F. Campbell, David Jobling, Charles E. Carter|obra= |data= 1985 |acessodata=}}</ref>
As implicações da “Alta Crítica” não foram bem-vindas por muitos estudiosos religiosos, muito menos pela [[Igreja Católica]]. O [[Papa Leão XIII]] (1810-1903) condenou o estudo secular da [[Bíblia]] em sua [[encíclica]] “Providentissimus Deus”<ref> Fogarty, pág. 40 </ref>; mas em 1943 o [[Papa Pio XII]] deu licença aos novos eruditos em sua [[encíclica]] “Divino Afflante Spiritu”. <ref>{{Citar web |url=http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu_en.html|título= Divino Afflante Spiritu |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref> De acordo com ele, “A crítica textual... [é] bem empregada no caso dos Livros Sagrados... Deixe o interpretador, então, com todo o cuidado e sem negligenciar nenhuma luz derivada da pesquisa recente, procurar determinar o caráter e as circunstâncias particulares ao escritor sagrado, a época em que ele viveu, as fontes escritas ou orais às quais ele teve recurso e as formas de expressão empregadas”. Hoje o [[catecismo]] moderno mantém essa posição. <ref>{{Citar web |url=http://www.vatican.va/archive/ENG0015/__PQ.HTM|título= Catecismo Católico|língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
 
=== Novo Testamento ===
 
A figura mais importante da [[crítica]] ao Novo Testamento foi [[Hermann Samuel Reimarus]] (1694-1768), que aplicou a ele a metodologia dos estudos textuais do [[Grego]] e do [[Latim]] e se convenceu de que muito pouco do era dito poderia ser aceito como [[verdade]] incontroversa. As conclusões de Reimarus apelaram ao [[racionalismo]] dos intelectuais do século XVIII, e foram profundamente turbulentas para os crentes contemporâneos. No século XIX trabalhos importantes foram realizados por David Strauss, Ernest Renan, Johannes Weiss, Albert Schweitzer e outros, todos tendo investigado o “[[Jesus Histórico]]” a partir das narrativas dos [[evangelhos]]. Num campo diferente, o trabalho de H. J. Holtzmann foi significativo: ele estabeleceu uma [[cronologia]] para a composição dos vários livros do [[Novo Testamento]] que formaram a base para a pesquisa futura no assunto, e estabeleceu a [[hipótese das duas fontes]] (a hipótese de que os evangelhos de [[Mateus]] e [[Lucas]] são derivados do evangelho de [[Marcos]] e um outro documento hipotético chamado de “Q”). Pela primeira metade do século XX uma nova geração de estudiosos, incluindo Karl Barth e Rudolph Bultmann, na [[Alemanha]], Roy Harrisville e outros na [[América do Norte]], decidiram que a busca do [[Jesus Histórico]] havia atingido um beco sem saída. Barth e Bultmann aceitaram que pouco poderia ser dito com certeza sobre o Jesus histórico, e concentraram suas atenções na mensagem do Novo Testamento de forma geral. As questões que eles colocaram foram: Qual foi a mensagem principal de Jesus? Como essa mensagem se relaciona ao Judaísmo? Por acaso essa mensagem fala à realidade de hoje? <ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=1fZMtoU7s8EC&printsec=frontcover&dq=Handbook+of+Biblical+Criticism&hl=pt-br&ei=1WoETfywIsOBlAe59JyCCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCUQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= Handbook of Biblical Criticism|língua= |autor= Richard N Soulen,R. Kendall Soulen |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
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