Abrir menu principal

Alterações

30 bytes adicionados ,  14h43min de 16 de fevereiro de 2011
m
sem resumo de edição
Manuel Severim de Faria foi para a cidade de Évora ainda criança, ali tendo sido educado por um tio, [[Baltasar de Faria Severim]], Cónego e Chantre da Sé de Évora. Tal cargo viria a assumir um carácter quase hereditário na sua família, uma vez que o próprio Manuel Severim de Faria sucederia a seu tio, sucedendo-lhe, posteriormente, um sobrinho, [[Manuel Faria de Severim]], em 1642, e a este [[Francisco Severim de Menezes]], seu sobrinho. Manuel Severim de Faria viveu, assim, grande parte da sua vida sob a Monarquia Dual, que terá aceite resignadamente, até porque não conheceu outra até ter idade já avançada.
 
Manuel Severim de Faria frequentou a [[Universidade de Évora]], vindo a ser Mestre em Artes e Doutor em Teologia, para além ter recebido as várias ordens sagradas católicas. Seu tio Baltasar renunciou, repentinamente, ao lugar de chantre da Sé de Évora, em 1609, possivelmente porque não quis colocar-se ao serviço de D. [[Filipe II]] (de Espanha|D. Filipe I de Portugal)]], que quereria vê-lo como seu embaixador em Roma. Baltasar de Faria tornou-se, assim, frade na [[Cartuxa de Évora]], da qual tinha sido um dos fundadores e onde viria, mais tarde, a ser prior, para além de ocupar outros cargos, como visitador da sua Ordem. Chegou a fundar vários novos conventos.
 
Manuel Severim de Faria, então com 25 anos, sucedeu, assim, a seu tio no Cabido da [[Sé de Évora]], adquirindo o direito de receber somas elevadas, fruto de disposições eclesiásticas que lhe asseguraram diversas rendas e outros benefícios. Devido à sua formação escolástica e forma de ser, Severim de Faria pôde aplicar as avultadas verbas a que tinha acesso na aquisição de uma das mais famosas e bem apetrechadas bibliotecas do seu tempo.
 
==O historiador e erudito==
Severim de Faria era um curioso e estudioso, interessando-se pela história nos seus múltiplos aspectos, sendo hoje considerado um autor de referência para a geneologiagenealogia da família real, bem como no âmbito da numismática e arqueologia. Fruto dos seus contactos locais e nacionais obteve um acervo de peças romanas de considerável dimensão, nomeadamente no que a moedas romanas diz respeito. Também tinha inúmeros exemplares de moedas dos reinos godos e mouros e dos reis de Portugal, sobre as quais escreveu vários estudos, que se tornaram imprescindíveis e inúmeras vezes citados, nacional e internacionalmente.
Ainda na sua vertente de historiador, efectuou vários estudos genealógicos sobre os reis de Portugal e várias famílias nobres. E escreveu as primeiras biografias de Camões, [[João de Barros]], [[Diogo do Couto]] e outros personagens relevantes do seu tempo.
 
O seu labor intelectual não lhe permitiram manter-se afastado da política, sujeito de sucessivas discórdias e conflitos. Deverá ter-se em conta que áà época reinavam em Portugal a dinastia filipina, com tudo o que tal implicava de tensões, seja no plano interno, seja por via das intervenções em conflitos europeus.
 
Assim, a sua intervenção política deu-se naturalmente por via da escrita. Em 1624
{{quote2|''tendo eu naquele tempo uma obra grande, que intitulava: Noticia de Portugal, e suas conquistas: já quase em estado para se poder imprimir (…) com tudo como as cousas daqueles anos para cá tiveram tão grande mudança, recresceram tais inconvenientes, que sustive na execução de tal intento. Porém, entendendo eu, que não seriam de menor serviço público alguns discursos dos muitos, que nesta obra se continham sobe diversas matérias, assim políticas, como de vária lição, me pareceu comunicá-los a todos, e pelo que participam de seu primeiro original, dar-lhe o título de Notícias de Portugal.|''Manuel Severim de Faria''}}
 
Certamente os “''inconvenientes''” referidos diriam respeito às condições políticas de então, pois Portugal encontrava-se sob o domínio filipino. Porém, mesmo após a [[Restauração]], certas reservas se terão mantido, pois que, se após a finalização do livro, em Outubro de 1653, correram normalmente os prazos das várias autorizações para a sua publicação, as mesmas se interromperam por mais de um ano e meio, apenas sendo dadas as duas finais já em cima da momento da morte do autor. Dos textos originalmente previstos para a referida N''otíciaNotícia de Portugal e Suas Conquistas'', foram apenas publicados parcialmente alguns, nos indicados ''Discursos Vários Políticos'' e nas ''Notícias de Portugal''.
 
Da sua posição como chantre, e certamente pela consideração de terceiros pelo seu saber, Manuel Severim de Faria construiu uma vasta rede de contactos sociais, fosse entre as famílias relevantes da sua cidade, fosse entre os missionários de várias congregações e mesmo da Corte, onde seu meio-irmão [[Francisco Severim de Faria]] havia sucedido a seu pai como Escrivão-mor do Reino).
meio-irmão [[Francisco Severim de Faria]] havia sucedido a seu pai como Escrivão-mor do Reino).
 
== O jornalista==
=Fontes=
* ''Severim de Faria - Notas biográfico-literárias'', por José Leite de Vasconcelos, Coimbra, 1914;
* ''Elementos para a história da imprensa periódicperiódica''a, por Alfredo Cunha,Lisboa, 1941;
* ''As Relações de Manuel Severim e as Gazetas da Restauração'', Alfredo Cunha, Lisboa, 1932;
* ''História da Imprensa periódica portuguesa'', José Manuel Tengarrinha, Lisboa, 1989;
{{Biografias}}
 
{{DEFAULTSORT:Manuel Severim Faria}}
[[Categoria:Naturais de Lisboa]]
[[Categoria:Escritores de Portugal]]
3 376

edições