Diferenças entre edições de "Gino Meneghetti"

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Correções pontuais
(Correções pontuais)
|nome_completo = Gino Amleto Meneghetti
|pseudônimo =
|data_nascimento = {{nascimento|1|7|1878|lang=br}}
|local_nascimento = [[Pisa]], [[Itália]]
|data_morte = {{morte e idade|23|5|1976|1|7|1878}}
No início do [[século XX]], Meneghetti já era um ladrão profissional, sendo detido diversas vezes. Cumpriu sua última condenação em Pisa, e decidiu emigrar para o [[Brasil]], onde tinha parentes. Desembarca no [[Porto de Santos]] em [[25 de junho]] de [[1913]] a bordo do [[navio]] italiano "Tomaso di Savoia".<ref name="pasquim">''O Pasquim Antologia - Volume I - 1969-1971'', p. 135 a 140 - Ed. Desiderata ([[2006]])</ref> Aos 35 anos de idade e com um histórico criminal já bastante extenso — inclusive fichado na [[International Criminal Police Organization|Interpol]] — sua chegada foi precedida de um [[dossiê]] da polícia italiana enviado às autoridades brasileiras que o definia como "um elemento perigoso, condenado numerosas vezes por crime contra a propriedade e por violência contra agentes da força pública".<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref> O documento ainda dizia que em [[1912]] ele fora condenado a 18 meses de prisão, por tentativa de [[estupro|violência carnal]].<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref>
 
Nesse meio tempo, Meneghetti — então morando com uma tia em [[São Paulo (cidade)|São Paulo]] — conhece, em um restaurante que costumava freqüentar, Concetta Tovani. OlympioOlimpio Giusti, proprietário do restaurante e tio de Concetta, não aprovou o relacionamento, e Meneghetti tomou então a decisão que lhe pareceu mais apropriada: raptou-a. Casou-se, tendo com ela cinco filhos, sendo que apenas dois, Spartaco e Lenine, sobreviveram.<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref> Passou a trabalhar como [[pedreiro]], mas perdeu o emprego pouco depois ao brigar com o mestre-de-obras e atirar-lhe um [[balde]] de [[cal]] no rosto.<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref> Foi a partir de então que provavelmente passou a se dedicar com mais afinco a outro tipo de "profissão": a de assaltante.
 
Seu primeiro furto de relevo foi contra a Casa Sarli, tradicional loja de [[arma]]s importadas. Adentrando o [[porão]] do estabelecimento Meneghetti conseguiu, depois de muito esforço, arrombar o [[assoalho]] e entrar no [[depósito]]. Carregou consigo os armamentos de preço e qualidade mais elevados. A [[polícia]], ao ficar sabendo mais tarde do comércio ilegal de armas estrangeiras, não tardou a chegar ao autor do roubo.<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref>
Perambulando pelo [[Região Sul do Brasil|sul do Brasil]], estabelece-se como comerciante em [[Curitiba]]. Mais tarde passa por [[Porto Alegre]], [[Florianópolis]] e cruza a [[fronteira]], empreendendo roubos em [[Montevidéu]] e [[Buenos Aires]]. Desperta suspeita e decide retornar ao [[Rio Grande do Sul]], onde, em [[24 de julho]] de [[1924]], apresenta-se às autoridades para tirar uma [[carteira de identidade]] com nome falso. Além de sair de documento novo, ainda arranja com a polícia um atestado de boa conduta.<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref><ref name="platea">''A Platea'', [[5 de junho]] de [[1926]] (citado em ''O Lendário Meneghetti: Imprensa, Memória e Poder'', p. 71)</ref>
 
Decide voltar ao [[Região Sudeste do Brasil|sudeste]]. Em sua passagem por [[Juiz de Fora]] leva, entre dinheiro e jóiasjoias, a quantia de 20 contos de [[réis]], valor extremamente alto na época.<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref> É apanhado no [[Rio de Janeiro]], mas fingindo-se de [[louco]], é internado no Hospital dos Alienados, em [[Praia Vermelha]]. Em [[14 de novembro]] de [[1919]], com prisão preventiva decretada, é transferido para a Cadeia de Juiz de Fora, de onde consegue fugir seis dias depois.<ref name="lendario">''O Lendário Meneghetti: Imprensa, Memória e Poder''</ref> Volta a São Paulo, desta vez usando o nome Menotti Menichetti. Vai morar no [[Bixiga]]<ref>[http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=6606 "Bixiga. O mais fiel retrato da cidade"] - ''Prefeitura de São Paulo'', [[21 de dezembro]] de [[2005]]</ref> com a mulher e os dois filhos, imaginando que ali estaria a salvo do assédio da polícia.<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref>
 
Já então vivia intensamente a vida de gatuno, assaltando casas comerciais e residenciais, arrombando [[cofre]]s e roubando jóias — sempre das luxuosas [[mansão|mansões]] das avenidas Brigadeiro Luis Antônio, Angélica e [[Avenida Paulista|Paulista]].<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref> A tática era invariavelmente a mesma: Meneghetti agia sozinho, e nunca ficava mais de cinco [[minuto]]s em cada residência. Para saber qual delas estava desocupada, vigiava as garagens, anotando o número da [[placa]] de cada veículo. Mais tarde, passava pela [[Praça da República (São Paulo)|Praça da República]] para verificar se algum deles estava lá estacionado.<ref>[http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u88449.shtml "Caminhos da memória: Crimes da cidade em mutação"] - ''Folha Online'', [[11 de janeiro]] de [[2004]]</ref>
 
Por roubar somente dos mais ricos, sem ferir ou provocar vítimas e ainda conseguir escapar incólume, tornou-se um figura mitológica para uma imprensa carente de notícias.<ref>[http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u86338.shtml "Bandeirante tinha fama de matador; criminalidade só cresceu no século 20"] - ''Folha Online'' - [[28 de novembro]] de [[2003]]</ref> Mas a notoriedade neste caso veio na contra-mãocontramão para Meneghetti: a polícia, pressionada pela cobertura dos jornais e a conseqüenteconsequente repercussão entre o público, decide apanhá-lo a qualquer custo.<ref name="À moda antiga">[http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1 "À moda antiga"] - ''Problemas Brasileiros'', [[dezembro]] de [[1996]]</ref>
 
==="Il Nerone di San Paolo!"===
[[Imagem:Quarto de Meneghetti, rua Joli, SP, 1926.jpg|thumb|230px|right|Quarto na Rua Joli, São Paulo, onde Meneghetti escondia o produto de seus roubos]]
Como parte das investigações, a delegacia de roubos cumpre, no dia [[3 de abril]] de [[1926]], um mandado de busca e apreensão à residência de Meneghetti, situada na Rua da Abolição, número 31. Lá, encontra duas [[mala]]s repletas de jóiasjoias, dinheiro, armas e documentos. Ele consegue fugir, mas sua esposa Concetta é presa. Os filhos do casal, menores de idade, passam para a guarda de parentes.<ref name="lendario">''O Lendário Meneghetti: Imprensa, Memória e Poder''</ref>
 
Meneghetti começa a enviar [[carta]]s às redações de [[jornal|jornais]] desafiando a polícia. Aluga um quarto na Rua Joli, número 117, seu novo esconderijo. Os roubos continuam.<ref name="lendario"/>
 
Para detê-lo arma-se então um dos maiores esquemas policiais de que a cidade tivera notícia até então.<ref name="lendario">''O Lendário Meneghetti: Imprensa, Memória e Poder'', p. 71</ref> O cerco foi armado — mobilizando diversos elementos do [[Corpo de Bombeiros]], da [[Força Pública]] e da [[Guarda Civil]]<ref>Coleção ''100 Anos de República - Volume III - 1919-1930'', Ed. Nova Cultural (1989)</ref> — e uma armadilha preparada na casa onde estavam os filhos de Meneghetti. Segundo a crônica policial da época, o bandido, acuado, efetua vários disparos, ferindo gravemente o comissário Waldemar Dória. Foge para o telhado, e de lá grita para os policiais e para a multidão reunida na rua: "Io sono Meneghetti! Il Cesare! Il Nerone di San Paolo!" ("Eu sou Meneghetti! O [[César]]! O [[Nero]] de São Paulo!").<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref>
 
Depois de passar a tarde e a noite pulando de telhado em telhado na vizinhança da rua dos Gusmões, é preso no dia [[4 de junho]],<ref>[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano20.htm "Cronologia"] - ''Almanaque da Folha''</ref> na casa de número 25 da rua dos Andradas,<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref> sendo encontrado com ele alguma munição e um [[revólver]] [[Smith & Wesson]] calibre .32. Obrigado a revelar seu esconderijo, vê as jóiasjoias que roubara e seus diversos equipamentos usados nas incursões noturnas serem apreendidos pela polícia. Meneghetti é condenado a 43 anos, dois meses e 10 dias de cadeia, pena mais tarde comutada para 25 anos.<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref>
 
Quanto ao conjunto de jóiasjoias, tempos depois desaparece misteriosamente do gabinete policial, nunca mais sendo visto.<ref name="cruzeiro">''O Cruzeiro'', [[19 de abril]] de [[1952]] (citado em ''O Lendário Meneghetti: Imprensa, Memória e Poder'', p. 80)</ref>
 
===Sucessão de prisões===
 
===Fim de carreira===
Nos quatro anos seguintes foi preso mais duas ou três vezes, como na noite de [[22 de setembro]] de [[1964]], quando é apanhado carregando jóiasjoias avaliadas em torno de 150 mil [[cruzeiro (moeda)|cruzeiros]]. É libertado a [[23 de dezembro]] de [[1966]], aos 78 anos de idade, e vai morar com os filhos no bairro de [[Vila Guarani]]. No mesmo ano, vai se queixar ao prefeito [[José Vicente Faria Lima]] que sua banca ficara abandonada enquanto ele estava preso.<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref>
 
É surpreendido pela polícia novamente em [[fevereiro]] de [[1968]] tentando roubar uma casa. Foge pelo telhado, mas a sorte então já não era mais a mesma; num dos saltos quebra as [[telha]]s, cai no [[banheiro]] de uma residência e é apanhado. Permanece um ano preso, mas não resiste e tenta um novo golpe. É detido novamente. Já resignado de sua condição, declara ao delegado: "Não é possível ser um bom ladrão sem ter os ouvidos em bom funcionamento. Acho que terei de me aposentar".<ref name="Uma vida entre a verdade e o mito">[http://almanaque.folha.uol.com.br/cotidiano_24mai1976.htm "Uma vida entre a verdade e o mito"] - ''Folha de S. Paulo, [[24 de maio]] de [[1976]]</ref> Dada sua idade avançada, a queixa é retirada e Gino, liberado.<ref>[http://news.google.com/newspapers?id=6Ec0AAAAIBAJ&sjid=2GUEAAAAIBAJ&pg=6221,1506976 "Burglar Fails in Comeback"] - ''Herald-Tribune'', [[6 de fevereiro]] de [[1968]]</ref><ref>[http://news.google.com/newspapers?id=9R0rAAAAIBAJ&sjid=9p8FAAAAIBAJ&pg=6648,6013516 "Around the World"] - ''Reading Eagle'', [[13 de fevereiro]] de [[1968]]</ref>