Diferenças entre edições de "Problemas sociais do Brasil"

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Censo IBGE 2010/IDH 2011
(Censo IBGE 2010/IDH 2011)
Os '''problemas sociais do Brasil''' podem ser compreendidos com o auxílio e interpretação de indicadores sociais. Houve uma evolução positiva destes indicadores na última década, especialmente em relação ao aumento da expectativa de vida, queda da mortalidade infantil, acesso a saneamento básico, coleta de lixo e diminuição da taxa de analfabetismo. Apesar da melhora desses índices, há nítidas diferenças regionais, especialmente em relação ao nível de renda.<ref name="ref">Vasconcellos, Marco Antonio Sandoval de; Gremaud, Amaury Patrick; Toneto Júnior, Rudinei Toledo. ''Economia Brasileira Contemporânea''. 3a edição. São Paulo: Atlas, 1999. p.66-81</ref>
 
Os problemas sociais ficam claros, sobretudo, com o [[IDH]], o qual o [[Brasil]], entre 169187 nações e territórios, fica na 7384ª posição de acordo com dados de [[20092011]] divulgados pela [[ONU]].<ref>[[PNUD]]. Brasil (42 de novembro de 20102011). ''[http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=35963837&lay=pde ''Brasil sobe quatro posiçõesavança no novodesenvolvimento IDH;humano avançoe ésobe ouma maisposição expressivono deranking 2009do aIDH 20102011]''], acesso em 1116 de dezembronovembro de 20102011</ref>
 
== Concentração de renda ==
[[Ficheiro:Favela em Teresina, Piauí, Brasil.jpg|thumb|Favela em [[Teresina]].]]
 
Na última década de 70, o economista [[Edmar Bacha]] citou o Brasil como um país com características de uma ''Belíndia'', ou seja, um país formado pela mistura das condições econômicas da [[Bélgica]] e da [[Índia]].<ref name="folha"/> No entanto, um relatório, divulgado em 2008 e baseado no [[IDH]], aponta o país com características de ''Islíndia'', com uma minoria com padrão de vida ainda melhor que o da Bélgica e superior a dos 20% mais ricos da [[Islândia]] - o país com maior IDH no mundo.<ref name="folha">[[Folha de S.Paulo]]. (19 de dezembro de 2008). ''Desigualdade faz Brasil ter índice de "Islíndia"''</ref>
 
Esse relatório menciona também que, no Brasil, os 20% mais ricos vivem em condições melhores que a fatia mais rica de países como [[Suécia]], [[Alemanha]], [[Canadá]] e [[França]].<ref name="folha" />
Entre as classes mais baixas, os programas governamentais de transferência de renda são instrumentos para mobilidade social.<ref name="neri"/>
 
A ascensão também chega às classes mais altas, de acordo com a mesma pesquisa da [[FGV]],<ref name="neri"/> ajudada,acompanhando inclusive,o efeito gerado pelo sistema tributário baseado em [[imposto indireto|impostos indiretos]].<ref name="ppayeras">Pintos-Payeras, José Adrian. [http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/viewFile/1224/1072 ''Análise da progressividade da carga tributária sobre a população brasileira'']. PPE/Ipea, v.40, n.2, agosto de 2010, acesso em 28 de junho de 2011</ref> A ausência de taxas sobre grandes fortunas mostra que o processo de concentração está institucionalizado, pois os mais ricos têm seus rendimentos mais protegidos.<ref>Safatle, Vladimir (28 de junho de 2011). ''Ricos pagam pouco''. [[Folha de S.Paulo]]</ref> Levantamento divulgado em 2011 aponta que o trabalhador brasileiro labuta mais quatro meses para pagar impostos a todas as esferas governamentais.<ref>[[Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário|IBPT]]/Folha da Região (3 de maio de 2011). [http://www.ibpt.com.br/home/publicacao.view.php?publicacao_id=13970&pagina=30 ''Você trabalhou de janeiro até hoje para pagar impostos''], acesso em 28 de junho de 2011</ref>
 
A ausência de taxas sobre grandes fortunas mostra que o processo de concentração está institucionalizado, pois os mais ricos têm seus rendimentos mais protegidos.<ref>Safatle, Vladimir (28 de junho de 2011). ''Ricos pagam pouco''. [[Folha de S.Paulo]]</ref> Levantamento divulgado em 2011 aponta que o trabalhador brasileiro labuta mais quatro meses para pagar impostos a todas as esferas governamentais.<ref>[[Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário|IBPT]]/Folha da Região (3 de maio de 2011). [http://www.ibpt.com.br/home/publicacao.view.php?publicacao_id=13970&pagina=30 ''Você trabalhou de janeiro até hoje para pagar impostos''], acesso em 28 de junho de 2011</ref>
 
A taxa de miséria é, inclusive, parcialmente atribuída à [[desigualdade econômica]] do país, que, de acordo com o [[Coeficiente de Gini]] - com um índice de 0,56 em [[2006]] <ref name="onu"/> -, é uma das maiores do mundo.
 
Em [[2009]], uma pesquisa do [[IBGE]], realizada em setembro de [[2008]], revelou que os 10% mais ricos (R$ 4.424 mensais ou mais) concentravam 43% da riqueza, ao passo que os 50% mais pobres possuem apenas 18%.<ref name="oretrato">Gois, Antônio (19 de setembro de 2009). ''Desigualdade cai; renda e emprego avançam''. [[Folha de S.Paulo]], Caderno ''Dinheiro''</ref>
 
O [[Censo brasileiro de 2010|Censo 2010]] detectou que 25% da população brasileira recebia até R$ 188 mensais e metade tem renda per capita de R$ 375, valor abaixo do salário mínimo de 2010 (R$ 510).<ref name="censo2010">[[IBGE]] (16 de novembro de 2011). ''[http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2019&id_pagina=1 Indicadores Sociais Municipais 2010: incidência de pobreza é maior nos municípios de porte médio]'', acesso em 16 de novembro de 2011</ref>
 
A riqueza está concentrada em poucos municípios e foi ampliada em decorrência da centralização de gastos e investimentos públicos, o que causou o congelamento e desestímulo aos desenvolvimentos regional e local.<ref name="ipea">[[IPEA]]. (12 de agosto de 2010). [http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/100812_comunicadoipea60.pdf ''Comunicados do IPEA - Informativo nº 60 - Desigualdade da renda no território brasileiro''], acesso em 13 de agosto de 2010</ref> Em [[1920]], os 10% municípios economicamente mais ricos tinham 55,4% de participação no PIB, ampliaram para 72,1% em [[1970]] e para 78,1% em [[2007]].<ref name="ipea"/>
== Desigualdades raciais ==
{{Artigo principal|Racismo no Brasil}}
 
Um relatório da [[UFRJ]] divulgado em [[2011]] aponta que tem crescido a parcela de negros e pardos no total de desempregados.<ref name="ufrj2011"/> De acordo com o relatório, em 2006, 54,1% do total de desocupados eram negros e pardos (23,9% de homens e 30,8% de mulheres). Pouco mais de 10 anos antes, ou seja, em 1995, os negros e pardos correspondiam a 48,6% desse total (25,3% de homens e 23,3% de mulheres).<ref name="ufrj2011"/>
A população negra e parda corresponde a 50,7% da população brasileira.<ref name="censo2010"/>O percentual de analfabetos negros e pardos era, em [[2010]], o triplo dos brancos.<ref name="censo2010"/>
 
Um relatório da [[UFRJ]] divulgado em [[2011]] aponta que tem crescido a parcela de negros e pardos no total de desempregados.<ref name="ufrj2011"/> De acordo com o relatório, em 2006, 54,1% do total de desocupados eram negros e pardos (23,9% de homens e 30,8% de mulheres).<ref name="ufrj2011"/> Pouco mais de 10 anos antes, ou seja, em 1995, os negros e pardos correspondiam a 48,6% desse total (25,3% de homens e 23,3% de mulheres).<ref name="ufrj2011"/>
 
Em relação aos que estão empregados, as diferenças entre as raças também são claramente perceptíveis: em 2006, o rendimento médio mensal real dos homens brancos equivalia a R$ 1.164, valor 56,3% superior à remuneração obtida pelas mulheres brancas (R$ 744,71), 98,5% superior à conseguida pelos homens negros e pardos (R$ 586,26) e 200% à obtida pelas mulheres negras e pardas.<ref name="ufrj2011"/>
Em [[2010]], o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado em [[2009]] em 65 países, mostrou o [[Brasil]] na 53º posição. A avaliação feita com alunos de 15 anos com questões de literatura, matemática e ciências mostrou que quase metade dos estudantes brasileiros não atinge nível básico de leitura.<ref>Program for International Student Assessment (PISA). (2010). [http://nces.ed.gov/pubs2011/2011004.pdf ''Highlights From PISA 2009 - Performance of U.S. 15-Year-Old Students in Reading, Mathematics, and Science Literacy in an International Context'']. U.S. Department of Education, acesso em 13 de dezembro de 2010</ref>
 
Segundo dados do [[PNAD]] em 2008, a taxa de analfabetismo no país éera de 10% entre a população com mais de 15 anos.<ref name="agencibrasil"/> O índice cai para 4% entre os menores de 15 anos.<ref name="agencibrasil">[[Agência Brasil]]. ''Analfabetismo será erradicado neste década, diz Haddad'', 16 de abril de 2010</ref>
 
O Censo 2010 do IBGE, contudo, apontou uma taxa de 9,6% em 2010 entre a população a partir de 15 anos, taxa equivalente a 28% nos municípios com até 50 mil habitantes da região Nordeste.<ref name="censo2010"/>
 
A educação incipiente e a falta de investimentos em oportunidades profissionais expõem os adolescentes pobres do país - que respondem por 38% do total -<ref name="cadbrasil"/> a problemas como criminalidade e prostituição.
Segundo levantamento feito em 2008 pelo [[IBGE]], a rede de [[esgoto]] chegava somente a 55,2% dos municípios brasileiros.<ref>IBGE. (20 de agosto de 2010). [http://ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1691&id_pagina=1 ''Abastecimento de água chega a 99,4% dos municípios, coleta de lixo a 100%, e rede de esgoto a 55,2%''], acesso em 24 de agosto de 2010</ref>
 
O [[Censo demográfico no Brasil|Censo]], realizado em [[2010]] pelo [[IBGE]], também demonstra que o saneamento está ausente ou é inadequado em quase metade (4538,2%) dos domicílios<ref brasileirosname="censo2010"/>, ainda que a [[fossa séptica]] seja encontrada em 6 milhões deles - forma considerada satisfatória pelo IBGE.<ref name="sinopsedocensofsp">Soares, Pedro; Matos, Carolina (30 de abril de 2011). ''Acesso a luz melhora, mas saneamento ainda é ruim''. ''[[Folha de S.Paulo]]'', Caderno ''Cotidiano''</ref>
 
Na região Norte, apenas 22,4% dos domicílios possuem condições adequadas de saneamento; no Sudeste, a proporção em 2010 era de 82,3%.<ref name="censo2010"/>
 
Dados do [[MDS]] divulgados em [[2011]] estimam que metade da população mais pobre da área rural não tem banheiro no domicílio.<ref name="mdsmaio"/>
Outro fator que influencia na expectativa de vida é a qualidade da dieta alimentar da população, visto que os alimentos de alto teor energético e baixo teor de nutrientes, como os alimentos industrializados (biscoitos recheados, salgadinhos, doces etc.), fazem parte do hábito alimentar do brasileiro, cujas consequências são [[obesidade]] e muitas [[doenças crônicas]] não transmissíveis.<ref name="pofconsumoalimentar">Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 - Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil/IBGE (28 de julho de 2011). [http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2008_2009_analise_consumo/pofanalise_2008_2009.pdf ''Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009''], acesso em 29 de julho de 2011</ref>O refrigerante, por exemplo, é rico em açúcar e está entre os cinco produtos mais consumidos pelos brasileiros.<ref name="pofconsumoalimentar"/> Mais de 80% dos brasileiros excedem o nível seguro de ingestão diária de sódio.<ref name="pofconsumoalimentar"/> Pesquisa do IBGE divulgada em julho de 2011 também aponta que o brasileiro consome menos frutas, verduras, legumes, leite e alimentos com fibras do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde.<ref name="pofconsumoalimentar"/>
 
== Tráfico de drogas ==
 
O [[tráfico de drogas]] responde por 22% dos crimes cometidos pelos presidiários brasileiros.<ref name="Gallucci">Gallucci, Mariângela. (29 de setembro de 2010). [http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100929/not_imp616877,0.php ''Brasil tem terceira maior população carcerária do mundo'']. [[O Estado de S.Paulo]], acesso em 29 de dezembro de 2010</ref>
 
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