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{{bíblia}}
'''Crítica Bíblica''' - é o "''estudo e a investigação das escrituras bíblicas que procura discernir e discriminar julgamentos sobre essas escrituras''".<ref>Harper's Bible Dictionary, 1985</ref> Ela pergunta quando e onde um [[texto]] particular se originou. Como, por quais razões, por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; que influências se expressam em sua produção; que fontes foram usadas em sua composição e a mensagem que o texto deveria passar.
[[Ficheiro:Simon leers.jpg|thumb|left| A “História Crítica” de Richard Simon, uma das obras responsáveis por derrubar o consenso tradicional de que [[Moisés]] fora autor do [[Pentateuco]]. O próprio Pentateuco nunca afirma ter sido escrito por Moisés, e mesmo os textos posteriores se referem aos supostos textos mosaicos de forma vaga. ]]
 
Ela também se interessa pela natureza do texto, incluindo o significado das palavras[[palavra]]s e a forma como são usadas, sua preservação, história e integridade. A crítica bíblica se vale de uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo a [[arqueologia]], [[antropologia]], [[lingüística]], etc.
'''Crítica Bíblica''' é o "estudo e a investigação das escrituras bíblicas que procura discernir e discriminar julgamentos sobre essas escrituras".<ref>Harper's Bible Dictionary, 1985</ref> Ela pergunta quando e onde um [[texto]] particular se originou. Como, por quais razões, por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; que influências se expressam em sua produção; que fontes foram usadas em sua composição e a mensagem que o texto deveria passar.
 
Ela também se interessa pela natureza do texto, incluindo o significado das palavras e a forma como são usadas, sua preservação, história e integridade. A crítica bíblica se vale de uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo a [[arqueologia]], [[antropologia]], [[lingüística]], etc.
 
== A Crítica ==
 
A '''crítica bíblica''', definida como o tratamento de textos bíblicos como artefatos naturais, ao invés de artefatos sobrenaturais, emergiu graças ao [[racionalismo]] dos séculos XVII e XVIII. No século XIX ela se dividiu entre a [[Alta Críticacrítica]], isto é, o estudo da composição e história dos textos bíblicos, e a [[Baixa Críticacrítica]], a análise crítica dos textos visando estabelecer sua leitura correta ou original. Esses termos são praticamente deixados de lado atualmente, e a crítica contemporânea assistiu à emergência de novas perspectivas que se baseiam em abordagens literárias e sociológicas na busca do significado dos textos.
 
Uma divisão ainda existe entre a crítica histórica e a crítica literária. A crítica histórica procura localizar o texto na [[história]]: ela pergunta coisas como quando o texto foi escrito, quem poderia ter sido o autor, e que história podemos reconstruir a partir dos questionamentos do texto. A [[crítica literária]] pergunta qual era a audiência para a qual o autor escreveu, seus propósitos, e o desenvolvimento do texto pelo tempo.
 
== História ==
 
[[Ficheiro:Simon leers.jpg|thumb|leftdireita| A “História Crítica” de Richard Simon, uma das obras responsáveis por derrubar o consenso tradicional de que [[Moisés]] fora autor do [[Pentateuco]]. O próprio Pentateuco nunca afirma ter sido escrito por Moisés, e mesmo os textos posteriores se referem aos supostos textos mosaicos de forma vaga. ]]
 
A crítica do Velho e do Novo Testamento se originou no [[racionalismo]] dos séculos XVII e XVIII e se desenvolveu no contexto da abordagem científica das disciplinas humanas (especialmente da [[História]]) que cresceu por volta do século XIX. Estudos do Velho e do Novo Testamento foram, normalmente, independentes uns dos outros, principalmente devido à dificuldade dos estudiosos de concentrar a erudição em línguas e conhecimento cultural necessário referentes aos períodos de todos os textos envolvidos.<ref name="books.google.com">{{Citar web |url=http://books.google.com/books?id=3BiHAAAACAAJ|título= Old Testament Criticism in the Nineteenth Century |língua= |autor= John William Rogerson |obra= |data= 1985 |acessodata=}}</ref>
 
=== Antigo Testamento ===
 
{{Principal|Antigo Testamento}}
 
A crítica bíblica moderna começa no século XVII com filósofos e teólogos ([[Thomas Hobbes]], [[Benedito Spinoza]], [[Richard Simon]] e outros) que começaram a se perguntar quais seriam as origens do texto bíblico, especialmente do [[Pentateuco]] (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento: [[Gênesis]], [[Êxodo]], [[Levítico]], [[Números]] e [[Deuteronômio]]).<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com/books?id=w4NIsg8KtM0C&printsec=frontcover&dq=douglas+hebrew+bible+levenson&hl=en&ei=Y2oETejRNoL_8Ab55YjnAg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCgQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= The Hebrew Bible, the Old Testament, and historical criticism|língua= |autor= Jǒn Douglas Levenson |obra= |data= |acessodata=}}</ref> Eles questionaram especificamente quem teria escrito esses livros: de acordo com a tradição, o autor teria sido [[Moisés]], mas esses críticos encontraram contradições e inconsistências no texto que, de acordo com eles, tornavam a autoria mosaica improvável. No século XVIII, [[Jean Astruc]] (1684-1766), um médico francês, tentou refutar essas críticas. De acordo com ele, as contradições e inconsistências presentes no texto bíblico eram resultado de adições posteriores ao texto, que teriam se mesclado às escrituras originais de [[Moisés]].<ref>{{Citar web |url=http://www.blackwellpublishing.com/content/BPL_Images/Content_store/Sample_chapter/9780631210719/perdue.pdf|título= The Hebrew Bible in Modern Study |língua= |autor=Antony F. Campbell, David Jobling, Charles E. Carter|obra= |data= 1985 |acessodata=}}</ref>
 
=== Novo Testamento ===
 
{{Principal|Novo Testamento}}
 
[[Ficheiro:Albert Schweitzer, Etching by Arthur William Heintzelman.jpg|thumb| 170px| left| Albert Schweitzer (1875-1965). Seu livro “A Busca pelo Jesus Histórico” (1906) demonstrou que as biografias de Jesus eram reflexos dos contextos históricos e sociais dos próprios autores.<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=llcaAAAAMAAJ&q=Hermann+Samuel+Reimarus&dq=Hermann+Samuel+Reimarus&hl=pt-br&ei=EhQFTeqNMIH6lweR5NWyCQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCUQ6AEwAA |título= Fragments|língua= |autor= H. S. Reimarus|obra= |data= |acessodata=}}</ref>]]
 
A figura mais importante da [[crítica]] ao Novo Testamento foi [[Hermann Samuel Reimarus]] (1694-1768), que aplicou a ele a metodologia dos estudos textuais do [[Grego]] e do [[Latim]] e se convenceu de que muito pouco do era dito poderia ser aceito como [[verdade]] incontroversa. As conclusões de Reimarus apelaram ao [[racionalismo]] dos intelectuais do século XVIII, e foram profundamente turbulentas para os crentes contemporâneos. No século XIX trabalhos importantes foram realizados por David Strauss, Ernest Renan, Johannes Weiss, Albert Schweitzer e outros, todos tendo investigado o “[[Jesus Histórico]]” a partir das narrativas dos [[evangelhos]]. Num campo diferente, o trabalho de H. J. Holtzmann foi significativo: ele estabeleceu uma [[cronologia]] para a composição dos vários livros do [[Novo Testamento]] que formaram a base para a pesquisa futura no assunto, e estabeleceu a [[hipótese das duas fontes]] (a hipótese de que os evangelhos de [[Mateus Evangelista|Mateus]] e [[Lucas Evangelista|Lucas]] são derivados do evangelho de [[São Marcos|Marcos]] e um outro documento hipotético chamado de “Q”“[[Fonte Q ]]”). Pela primeira metade do século XX uma nova geração de estudiosos, incluindo Karl Barth e Rudolph Bultmann, na [[Alemanha]], Roy Harrisville e outros na [[América do Norte]], decidiram que a busca do [[Jesus Histórico]] havia atingido um beco sem saída. Barth e Bultmann aceitaram que pouco poderia ser dito com certeza sobre o Jesus histórico, e concentraram suas atenções na mensagem do Novo Testamento de forma geral. As questões que eles colocaram foram: Qual foi a mensagem principal de Jesus? Como essa mensagem se relaciona ao Judaísmo? Por acaso essa mensagem fala à realidade de hoje? <ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=1fZMtoU7s8EC&printsec=frontcover&dq=Handbook+of+Biblical+Criticism&hl=pt-br&ei=1WoETfywIsOBlAe59JyCCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCUQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= Handbook of Biblical Criticism|língua= |autor= Richard N Soulen,R. Kendall Soulen |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
 
A descoberta dos [[Manuscritos do Mar Morto]] em 1948 revitalizou interesses na possível contribuição que a [[arqueologia]] poderia fornecer para ajudar a compreender o Novo Testamento. Joachim Jeremias e C. H. Dodd produziram estudos lingüísticos que tentaram sistematicamente identificar camadas nos evangelhos que pudessem ser atribuídas a [[Jesus]], aos autores, e à [[Igreja Primitiva]]; Burton Mack e John Dominic Crossan<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=nN9Ij_6n7TkC&dq=Dominic+Crossan&hl=pt-br&ei=L2wETdi6MsGBlAeTwIHbCQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCIQ6AEwAA|título= Jesus: a Revolutionary Biography|língua= |autor= John Dominic Crossan|obra= |data= |acessodata=}}</ref> expuseram o meio social da Judéia do século I; e os estudiosos de Seminário Jesus procuraram verificar o que poderia ser considerado histórico nos evangelhos[[evangelho]]s.
 
Hoje as atenções dos críticos estão voltadas particularmente para as raízes “judaícas” do Jesus histórico, e sua formação nas tendências políticas e religiosas do primeiro século na [[Palestina]] (Bruce Chilton, Geza Vermes, Marcus Borg, etc.) .<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=V_JZ_w2G4RoC&dq=Marcus+Borg&hl=pt-br&ei=MWsETcjBDIS8lQen9MCBCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCgQ6AEwAA|título= Reading The Bible Again For The First Time: taking the Bible seriously but not literally|língua= |autor= Marcus J. Borg|obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=y_sA4YWU8d0C&dq=Bruce+Chilton&hl=pt-br&ei=gWsETfLnGsH7lwfE-vn_Bw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCUQ6AEwAA|título= Rabbi Jesus: Na Intimate Biography|língua= |autor= Bruce Chilton|obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=GAKKAAAAMAAJ&q=geza+vermes&dq=geza+vermes&hl=pt-br&ei=62sETbSnL8SqlAeNhaWXCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCIQ6AEwAA|título= Jesus the Jew|língua= |autor= Géza Vermès|obra= |data= |acessodata=}}</ref>
 
== Métodos e Perspectivas ==
 
=== Crítica Textual ===
 
A [[crítica textual]] (algumas vezes chamada “Baixa“[[Baixa Crítica”crítica]]”) se refere à análise do texto em si para identificar sua proveniência ou traçar sua história. Ela se baseia no fato de que erros inevitavelmente aparecem nos textos conforme gerações de escribas[[escriba]]s reproduzem outros manuscritos[[manuscrito]]s.'' Por exemplo, [[Josefo]] empregou escribas para copiar sua Antiguidadeobra dos''[[Antiguidades JudeusJudaicas]]. Conforme os escribas copiavam as Antiguidades, eles cometiam erros. As cópias dessas cópias também traziam erros. Os erros tendem a formar “famílias” de manuscritos: o escriba produz erros que não estão no [[manuscrito]] do escriba B, e com o tempo as “famílias” dos textos descendendo de A e B divergirão ainda mais e mais conforme os erros são introduzidos por escribas tardios, mas serão sempre identificáveis como descendendo um do outro. A crítica textual estuda as diferenças entre essas famílias para formular uma boa idéia de como se parecia o texto original. Quanto mais cópias sobrevivem, mais precisa é a reconstrução da crítica.
 
A crítica textual é uma disciplina rigorosamente objetiva, que utiliza uma série de metodologias especializadas, incluindo ecleticismo, edição e [[cladística]].
 
=== Crítica Histórica ===
 
[[Ficheiro:Jerycho7.jpg|thumb|right| Sítio arqueológico de [[Jericó]]. Ao contrário do que diz o relato bíblico, a cidade não tinha [[muralhas]].<ref>"Jericó era deserta na data bíblica da conquista. Os resultados de Kenyon foram confirmados em 1995 por testes de carbono (...)"</ref> ]]
 
O consenso historiográfico hoje é de que a [[Bíblia]] é um documento como outro qualquer para a construção da história dos [[hebreus]].<ref name="airtonjo.com"/><ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=QzOJ9nMlUJcC&dq=thomas+thompson&hl=pt-br&ei=vv3RTIEtwvfwBqHosd0M&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CCwQ6AEwAQ|título= The Mythic Past: Biblical archaeology and the myth of Israel|língua= inglês |autor= Thomas L. Thompson |obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=sbleiRdJgcsC&printsec=frontcover&dq=whitelam&hl=pt-br&ei=lADSTJvfPIO78gawiNTuDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= The invention of Ancient Israel: the silecing of Palestinian History|língua= inglês |autor= Keith W. Whitelam|obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url=http://cosmiclog.msnbc.msn.com/_news/2008/11/18/4350632-bible-gets-a-reality-check|título= The Bibles get a reality check|língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url= http://books.google.com.br/books?id=4g9apDxKCXQC&printsec=frontcover&dq=Fran%C3%A7oise+Briquel-Chatonnet&hl=pt-br&ei=5ZDDTIqtI8St8AbGn5HSBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false |título= Israel et Juda: Des Royaumes Parmi D’autres| língua= |autor= Françoise Briquel-Chatonnet|data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url= http://books.google.com.br/books?id=3AgZAQAAIAAJ&q=civilizations+of+the+ancient+near+east+sasson&dq=civilizations+of+the+ancient+near+east+sasson&hl=pt-br&ei=s5HDTKSPAoH78AanhvDKBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCQQ6AEwAA|título= Civilizations of the Ancient Near East, v. II: Ahab of Israel and Jehoshaphat of Judah: The Syro-Palestinian Corridor in the Ninth Century. P. 1311 | língua= |autor= Joseph Blenkinsopp|data= |acessodata=}}</ref><ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=lu6ywyJr0CMC&printsec=frontcover&dq=israel+finkelstein+bible+unearthed&hl=pt-br&ei=XFfCTJ5_w_rwBof3mZkH&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CC0Q6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= The Bible Unearthed. |língua= inglês |autor= israel Finkelstein & Neil Asher Silberman |data= |acessodata=}}</ref> Portanto, do ponto de vista historiográfico, a leitura da Bíblia envolve a mobilização de instrumentos de crítica que ajudem a ler o documento de forma objetiva – procedimento igualmente aplicado a qualquer tipo de estudo histórico. Como afirmou Herbert Niehr, “Como é o caso em todas as análises historiográficas, a história não pode ser simplesmente encontrada nas fontes. As fontes apenas providenciam o material a ser explorado. Para escrever historiografia ou história de uma religião não é suficiente recontar as fontes.” <ref>Herbert Niehr, The Rise of YHWH in Judahite and Israelite Religion</ref> Grande parte do debate entre maximalistas e minimalistas se situa em torno da existência ou não dos reinados de [[Davi]] e [[Salomão]], já que toda a história bíblica anterior à Monarquia é considerada uma construção póstuma. Para autores como Philip Davies e Thomas Thompson (tidos como minimalistas), o mais provável é que esses reinados sequer tenham existido, já que não existem fontes arqueológicas que corroborem a existência de uma grande unidade política na Palestina desse período. No entanto, William G. Dever, e Amihai Mazar (tidos como maximalistas) defendem a historicidade dos reis e seus reinos, embora em patamares muito mais modestos do que aqueles desenhados pelo relato bíblico. De toda a forma, as evidências arqueológicas do período são extremamente contrárias à existência de um Grande Reino hebraico nesse período. De acordo com o arqueólogo Amihai Mazar, “nos podemos descrever a Monarquia Unificada como um Estado num primeiro estágio de desenvolvimento, longe de ser um Estado rico e em larga extensão como retrata o relato bíblico” <ref>{{Citar web |url= http://books.google.com.br/books?id=jpbngoKHg8gC&pg=PA117&dq=the+search+for+david+and+solomon+amihay+mazar&hl=pt-br&ei=N5bDTPHDMsKB8ga98NXYBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= The Search for David and Solomon: An Archaeological Perspective, The quest for the Historical Israel| língua= inglês |autor= Amihai Mazar |data= |acessodata=}}</ref>. A ideia da criação dos mitos de Davi e Salomão é explorada detalhadamente por Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman <ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=uH7Kg9yEc7AC&pg=PA322&dq=davi+solomon+silberman&hl=pt-br&ei=tZPDTOiFAsP68Abi6o2ZBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CC4Q6AEwAA#v=onepage&q&f=false|título= David and Solomon: in search of the Bible’s sacred kings| língua= inglês |autor= Israel Finkelstein & Neil Asher Silberman |data= |acessodata=}}</ref>
Trabalhos sobre a inexistência dum estado centralizado israelense na época de Davi e Salomão foram realizados por Jessica N. Whisenant<ref>Jessica N. Whisenant, Writing, Literacy, and Textual Transmission: The Production of Literary Documents in Iron Age Judah and the Composition of the Hebrew Bible, op. cit.</ref>, David Ussishkin<ref>David Ussishkin, Solomon's Jerusalem : The Text and the Facts on the Ground, pp. 103-116, op. cit.</ref>, Nadav Na’aman <ref>Nadav Na’aman, Cow Town or Royal Capital? Evidence for Iron Age Israel, Biblical Archaeology Review 23, no.4, pp. 43-47 et p. 67 (1997). Nadav Na’aman, Sources and Composition in the History of David, pp. 170-186, in Origins of the Ancient Israelite States, edited by Volkmar Fritz and Philip R. Davies, Sheffield Academic Press (1996). Nadav Na’aman, The Contribution of the Amarna Letters to the Debate on Jerusalem’s Political Position in the Tenth Century B.C.E., Bulletin of the American Schools for Oriental Research, vol.304, pp. 17-27 (1996).</ref>, Margreet Steiner <ref>Margreet Steiner, The Evidence from Kenyon’s Excavations in Jerusalem: A Response Essay, pp. 347-363, in Jerusalem in Bible and Archaeology (2003). The First Temple Period. Edited by Andrew G. Vaughn and Ann E. Killebrew. Atlanta: Society of Biblical Literature. Margreet Steiner, Excavations by Kathleen M. Kenyon in Jerusalem, 1961-1967, vol.III, The Settlement in the Bronze and Iron Ages, Copenhagen International Series 9, London: Sheffield Academic Press, pp. 280-288 (2001).</ref>, Whitelam e Franken<ref>Keith W. Whitelam, Palestine during the Iron Age, pp. 391-425, in The Biblical World, edited by John Barton, New York : Routledge (2002).</ref>, Killebrew <ref>Ann E. Killebrew, Biblical Jerusalem: An Archaeological Assessment, pp. 329-345, in Jerusalem in Bible and Archaeology, The First Temple Period, edited by Andrew G. Vaughn and Ann E. Killebrew, Atlanta: Society of Biblical Literature (2003).</ref>, entre outros.
 
Para Philippe Abadie, é necessário ter em mente que a bíblia expressa a forma como os hebreus releram sua própria história, e explicita que a tarefa do historiador é confrontar documentos independentes buscando uma melhor compreensão dum objeto passado. E acrescenta: “Ora, nada disso aqui. Nenhum traço do êxodo nas fontes egípcias... nenhuma menção de um reino israelita poderoso no século X na documentação contemporânea... A Bíblia por único testemunho? Mas o testemunho é confiável?”.<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=v2RBQQAACAAJ&dq=philippe+abadie+memoire+relecture&hl=pt-br&ei=k0nfTJD3JsP98AaT4fybDw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCQQ6AEwAA |título= La Bible entre mémoire et relecture|língua= inglês |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref> Uma visão semelhante é encontrada em William Dever. Segundo ele, “Aparece com clareza suficiente que todas as histórias do Antigo Israel são agora obsoletas... No que me concerne, meu próximo livro será uma história do Israel Antigo escrita em grande parte sem recurso à Bíblia hebraica, fundamentada na maior parte do tempo sobre os ricos dados arqueológicos que possuímos hoje”.<ref>William G. Dever, Some Methodological reflections on Chronology and History Writing, p. 415 in The Bible and Radiocarbon Dating, op. cit.</ref>. Hans Barstad , por sua vez, criticou o tom positivista dos debates entre maximalistas e minimalistas, e sugeriu que os estudiosos se voltassem para a análise do gênero literário dos textos antes de tudo.
 
Segundo Herbert Niehr, “a Bíblia apresenta apenas evidência secundária (ou até terciária) para tudo o que aconteceu antes do exílio. Fontes primárias para a história da Palestina antiga são fornecidas por todos os tipos de vestígios arqueológicos”.<ref>Herbert Niehr, The Rise of YHWH in Judahite and Iraelite Religion, pág. 47</ref> Segundo Philippe Abadie, “o relato bíblico é frequentemente recebido como documento de história – o que é invalidado por uma análise mais aprofundada” <ref>Philippe Abadie, L’histoire d’Israël entre mémoire et relecture. Les éditions Du cerf, 2009. Pág. 21</ref> Muitos autores, como Jean Soler, apontam as raízes ideológicas do relato bíblico como, por exemplo, no famoso relato do cerco de [[Jerusalém]] por [[Senaqueribe]] na época do reinado de [[Ezequias]]. Enquanto as fontes extra-bíblicas apontam para a humilhação do rei judeu perante os invasores (o rei teria feito aliança com Senaqueribe, tendo entregue riquezas e suas próprias filhas para livrar o cerco de Jerusalém) o relato hebreu possui uma natureza diferente. Segundo Soler “de acordo com a Bíblia, esse ato de aliança e o pagamento do tributo se situam depois da perda de “vilas fortificadas de Judá” (2 R 18, 13), notavelmente de Lakish, v 14, mas antes do cerco de Jerusalém, o que se torna, assim, incompreensível. Por que razões o rei Senaqueribe, que vinha obter de Ezequias tudo o que desejava, teria posto cerco a Jerusalém?” <ref>Jean Soler, L’invention Du monothéisme. Tome I. Hachètte Littératures, 2003. Pág.37</ref> Ainda segundo Jean Soler, "a arqueologia de Israel chegou à conclusão de que os hebreus não haviam colocado sua língua por escrito pelo menos até o século IX ou VIII a.C. Se Yahweh tivesse escrito de seu punho, em hebreu, os dez mandamentos sobre tabuletas de pedra, os hebreus não poderiam ter decifrado essa escrita por muitos séculos! É amplamente aceito hoje que o primeiro pedaço da Bíblia (a versão inicial de Deuteronômio), o quinto livro do Pentateuco atual, data do rei [[Josias]] que reinou em Jerusalem na segunda metade do século VII a.C., pouco antes da captura da capital por [[Nabucodonossor]](...)"<ref>{{Citar web |url=http://www.aroumah.net/agora/soler-01-monotheisme.php#_ednref2|título= Pourquoi le Monothéisme? |língua= francês |autor= Jean Soler |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
 
=== Crítica Redacional ===
 
A respeito da crítica redacional, a [[Bíblia de Jerusalém]] salienta que a presença de “um problema literário é fato inegável para quem se inclina atentamente sobre os textos. Desde as primeiras páginas do Gênesis encontram-se duplicatas, repetições e discordâncias: dois relatos das origens, que apesar de suas diferenças, contam de maneira dupla a criação do [[homem]] e da [[mulher]] (1, 1-2,4a e 2,4b-3,24); duas genealogias[[genealogia]]s de Caim-Cainã (4,17 e 5,12-17); dois relatos combinados do [[dilúvio]] (6-8). Na história patriarcal, há duas apresentações da aliança com [[Abraão]] (Gn 15 e 17); duas expulsões de [[Agar (Bíblia)|Agar]] (16 e 21); três relatos da desventura da mulher de um patriarca em país estrangeiro (12, 10-20; 20; 26,1-11); provavelmente duas histórias combinadas de [[José (filho de Jacob)|José]] e de seus irmãos nos últimos capítulos do Gênesis. Em seguida, há dois relatos da vocação de Moisés (Ex 3, 1-4, 17 e 6,2-7,7), dois milagres da água em Meriba (Ex 17, 1-7 e Nm 20, 1-13); dois textos do Decálogo (Ex 20, 1-17 e Dt 5,6-21); quatro calendários litúrgicos (Ex 23, 14-19; 34, 18-23; Lv 23; Dt 16,1-16). Poderiam ser citados vários outros exemplos”. As incoerências internas ao texto bíblico são várias vezes apontadas, como em Êxodo 2, 18, “Os textos não concordam quanto ao nome e à pessoa do sogro de Moisés. Aqui temos Ragüel, sacerdote de [[Madiã]]; em 3,1; 4,18; 18,1 ele se chama [[Jetro]]. Nm 10,29 fala de Hobab, filho de Ragüel, o madianita, e Jz 1,16; 4,11, de Hobab, o quenita”.<ref>{{Citar web |url=http://books.google.com.br/books?id=Cy0RPAAACAAJ&dq=bible+of+jerusalem&hl=pt-br&ei=pT_fTIDSNIus8Abz2sjVDw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CDQQ6AEwAQ|título= The Jerusalem Bible |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref>
 
{{Referências}}
 
== Ver também ==
 
* [[Apologética]]
* [[Hebreus]]
* [[Bíblia]]
* [[Crítica da Bíblia]]
 
{{Referências|col=4}}
 
{{Portal3|Cristianismo|Judaísmo|Literatura}}
{{Cristianismo2}}
 
[[Categoria:Bíblia]]
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