Diferenças entre edições de "Tozeur"

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'''Tozeur''' (pronúncia aproximada: ''tózâr'';{{Ref label2|a}} {{Langx|ar|توزر}}) é uma cidade e um [[oásis]] do [[deserto do Saara]], situado no sul da [[Tunísia]]. É a capital da [[Delegações da Tunísia|delegação]] (espécie de distrito ou grande município) homónima e da [[Províncias da Tunísia|província]] (''gouvernorat'') de [[Tozeur (província)|Tozeur]]. Em 2004 a delegação tinha {{formatnum:32400}} habitantes.<ref name=ins1 />
 
Situada num oásis nos limites norte do [[Chott el Jerid]] e do Saara, no coração da região do {{ilc|Djerid||Jérid|Jerid}}, a cidade tem um passado religioso importante e nela viveram alguns eruditos [[muçulmanos]] célebres, o que é atestado pelos inúmeros [[marabuto]]s espalhados pela região. Desde os anos 1970, a região de Tozeur foi usada para a rodagem de algumas grandes [[Cinema|produções cinematográficas]], como ''[[Star Wars]]'' e o [[O Paciente Inglês (filme)|''O Paciente Inglês'']].
 
==Geografia==
A região é povoada desde a [[Pré-história]], que remonta pelo menos à [[cultura capsiana]]{{Ref label2|b}} {{nwrap|ca.|10 000|6 000 a.C.}} do [[Epipaleolítico]], e que, como todo o [[Norte de África]], tem origem [[Berberes|berbebe]], apesar de ser raro encontrem-se vestígios disso e a tradição local não o reivindicar e em vez disso reclamar origem [[Árabes|árabe]] que faz a ligação com o profeta [[Maomé]].
 
No tempo dos [[cartagineses]] era um centro ativo do comércio de [[caravana]]s [[Comércio transaariano|transaarianas]] frequentado pelos cartagineses. Em {{AC|148|n}} é mencionada por [[Ptolemeu]], que lhe chama Tisouros. Durante a conquista e ocupação da costa meridional do Mediterrâneo, os [[Roma Antiga|romanos]] instalam-se em {{AC|33|n}} na cidade, a qual aparece na ''[[Tabula Peutingeriana]]'', uma mapa viário do [[Império Romano]], com o nome de Thusuros. Os vestígios dessa época são raros mas ainda visíveis, como por exemplo em grandes pedras de [[cantaria]] usadas nas ''[[seguia]]s'' (sistemas tradicionais de irrigação) e na base da torre de al-Hadhar (um antigo [[minarete]]). Diz-se também que o bairro de Helba, atualmente habitado pelos ''Rkârka'' contém as ruínas de uma antiga cidade.
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De referir também os testemunhos de [[Caio Plínio Segundo|Plínio, o Velho]] {{nwrap||23|79 d.C.}}, que descrevem de forma lírica a beleza paradisíaca do lugar. A cidade torna-se um posto no [[limes]] saariano, na [[estrada romana]] que ia de [[Gabès]] a [[Biskra]] (atualmente na Argélia), especializado no comércio de [[tâmara]]s e de [[Escravidão|escravos]]. Da influência [[Cristianismo|cristã]] de [[Agostinho de Hipona|Santo Agostinho]] subsistem vestígios duma igreja sobre a qual foir construída a mesquita El Kasr, situada em Bled al-Hadhar e alguns ritos, como o de Sidi Yuba, que consiste em [[Batismo|batizar]] os rapazes antes da [[circuncisão]].
Des vestiges d'une ancienne présence romaine sont visibles à Tozeur
 
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Durante a [[Idade Média]], a região de Tozeur era chamada "terra de Qastiliya" — nome mencionado pelo [[geógrafo]] árabe [[Abū 'Ubayd 'Abd Allāh al-Bakrī|Al-Bakri]] {{nwrap||1014|1094}} — devido à sucessão de aldeias fortificadas chamadas ''castella'', que contribuem para que ao longo do tempo Tozeur e os seus arredores se tornem um refúgio para diversos dissidentes religiosos ([[Donatismo|donatistas]] cristãos, [[Xiismo|xiitas]] e [[Kharijitas|caridjitas]]). Segundo uma versão mais mitológica do que histórica, o termo Qastiliya é uma alusão a Qustal,{{quem}} filho de [[Sem]] e neto de [[Noé]], que teria fundado a cidade depois do [[Dilúvio (mitologia)|Dilúvio]].
 
O espírito contestatário dos habitantes, que desenvolve uma forte identidade, leva-os a fomentar a revolta dos {{ilc|nekkaritas||Nakaria}} (um ramo do caridjismo) liderada por [[Abu Yazid]] contra o regime dos [[Fatímidas]] entre 935 e 947. Fundam então dois [[principado]]s independentes do poder central que só seriam dominados pelos [[Háfsidas]].
 
Até ao século XII, Tozeur foi um centro cultural florescente que acolhia numerosos [[teólogo]]s e viu desenvolver-se uma [[tradição oral]] das mais ricas do [[Magrebe]] e uma tradição [[Poesia|poética]] que perdura até ao {{séc|XX}}, nomeadamente através de {{ilc|Abou el Kacem Chebbi||Aboul-Qacem Echebbi|Abu al-Qasim asch-Schabbi}} {{nwrap||1909|1934}}, considerado por alguns o poeta nacional da Tunísia. Entre os eruditos de Tozeur destaca-se, por exemplo, [[Ibn Chabbat]] {{nwrap||1221|1282}}, de nome verdadeiro Abou Abdallah Ibn Ali Ibn Al Chabbat Al Touzri, um homem de letras, [[matemático]], poeta, [[jurista]] (foi [[cádi]] em Tozeur e precetor na {{ilc|Universidade Zitouna||Universidade Ez Zitouna|Al-Zaytuna}}, anexa à {{ilc|mesquita homónima|Mesquita Zitouna|Mesquita Al-Zaytuna}}), mas principalmente [[horticultor]] e [[Hidráulica|engenheiro hidráulico]], que concebeu e realizou importantes trabalhos vanguardistas relacionados com a cultura da palmeira e o melhoramento notável do sistema de repartição de água qua ainda hoje funciona em muitos oásis do sul da Tunísia. O seu projeto do {{séc|XIII}} está exposto no Museu de Artes e Tradições Populares de Tozeur.
 
A cidade desenvolve-se fora do seu palmeiral e assiste a um grande progresso económico, atingindo o seu apogeu no {{séc|XIV}}. O historiador [[Ibn Khaldun]] {{nwrap||1332|1406}} relata que ''«todos os dias que Deus faz, cerca de mil [[dromedário]]s saiem da cidade em direção a África e à Ásia.»''
 
Em 1730, o célebre viajante inglês {{ilc|Thomas Shaw|Thomas Shaw (1692-1751)|Thomas Shaw (clérigo e viajante)|Thomas Shaw (viajante)}} {{nwrap||1692|1751}}, esteve na cidade e assinalou a importância do seu comércio e que os mercadores de escravos iam até à [[Etiópia]] comprar escravos ao preço de dois ou três [[Quintal|''quintais'']] tunisinos por cabeça. Tozeur continua a ser um ponto de destino e de passagem para grandes caravanas até ao {{séc|XIX}}, época em que volta apenas para a produção de tâmaras. O conde Paty de Clam, que a visita no fim desse século, descreve Tozeur como o mais vasto, mais importante e o mais belo oásis do {{ilc|Djerid||Jérid|Jerid}}. Alguns viajantes europeu desse tempo vão ao ponto de afirmar que Tozeur era tão grande como [[Argel]].
 
Depois da criação do município a 23 de janeiro de 1888 e o desenvolvimento das cidade mineiras próximas de [[Métlaoui]] e [[Redeyef]] nos anos 1950, a população decresceu.
 
==Cultura e património arquitetónico==
===Arquitetura tradicional===
Uma parte da cidade antiga é construída em característicos [[tijolo]]s de [[argila]] de cor amarelada, atualmente valorizados por motivos turísticos. Os pedreiros decoraram as fachadas com motivos geométricos em relevo feitos com os próprios tijolos e inspirados nos [[Tapeçaria|tapetes]] tradicionais e na [[caligrafia árabe]]. Esses ornamentos têm também uma função prática: as protuberâncias feitas com os tijolos criam zonas de sombra que criam correntes de [[convecção]] que diminuem a temperatura da parede e, consequentemente, ajudam a manter o interior das casas fresco. Esta técnica decorativa foi desenvolvida na [[Síria]] e no [[Iraque]] e foi depois levada para Tozeur pelos invasores árabes no {{séc|VIII}}.<ref name=rg />
 
===Cultura===
O [[museu Dar Cheraït]], de cariz sobretudo [[Etnografia|etnográfico]] o primeiro museu privado da Tunísia, fundado em 1990, tem em exposição numerosas obras de arte e objetos que testemunham a vida das famílias tunisinas ao longo de diferentes épocas. Apesar da sua localização em Tozeur, não está muito centrado nas especificidades da vida local.
 
O [[jardim zoológico]] dito do [[deserto]] alberga uma série de animais do deserto, como [[serpente]]s, [[Escorpião|escorpiões]], [[gazela]]s, [[Feneco|raposas-do-deserto]], [[Chacal|chacais]], [[Leão|leões]], etc., além de uma das figuras turísticas mais famosas da Tunísia: o [[camelo]] que bebe [[Coca-Cola]] pela garrafa, e que, a par das demonstrações ao vivo com cobras, escorpiões e alguns répteis, é mais um espetáculo obrigatório no roteiro das excursões de turistas típicas dos percursos do sul da Tunísia.
<!-- Agriculture ... -->
==Notas e referências==
{{Commonscat}}
<references>
<ref name=ins1>{{Citar web|url=http://www.ins.nat.tn/fr/rgph2.1.commune.php?code_modalite=24462&Code_indicateur=0301007&Submit3=Envoyer|titulo=Population, ménages et logements par unité administrative - Gouvernorat : Tozeur|acessodata=23 de agosto de 2012|obra=www.ins.nat.tn|publicado=Institut National de la Statistique|lingua3=fr}}</ref>
 
<ref name=rg>{{Citar livro|ultimo=Morris|primeiro=Peter|ano=2001|título=The Rough Guide to Tunisia|editora=[[Rough Guide]]|lingua3=en|isbn=1-85828-748-0|local=Londres|edição=6ª|páginas=503|coautor=Jacobs, Daniel|página=316}}</ref>
 
</references>