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|sítio =[http://www.commune-tozeur.gov.tn/ www.commune-tozeur.gov.tn]
}}
[[Imagem:Tunis1960-026 hg.jpg|thumb|292px|Interior do palmeiral em 1960]]
 
'''Tozeur'''{{Ref label2|a}} {{Langx|ar|توزر}}) é uma cidade e um [[oásis]] do [[deserto do Saara]], situado no sul da [[Tunísia]]. É a capital da [[Delegações da Tunísia|delegação]] (espécie de distrito ou grande município) homónima e da [[Províncias da Tunísia|província]] (''gouvernorat'') de [[Tozeur (província)|Tozeur]]. Em 2004 a delegação tinha {{formatnum:32400}} habitantes.<ref name=ins1 />
 
==Etimologia==
O conde Auguste-Antoine du Paty de Clam {{nwrap||1856|1929}}, oficial, administrador colonial, [[arqueólogo]], membro da [[Sociedade de Geografia de Paris]] e um amante da história da Tunísia, apresentou quatro hipóteses para a origem do nome de Tozeur. A primeira supõe que a designação já existia no [[Antigo Egito]] sob a forma de ''Tes-Hor'', que significa "cidade do sol" e que os [[Grécia Antiga|gregos]] transformaram mais tarde em ''Apollonites''; uma [[Colónia Grega|colónia]] vinda dessa cidade pode ter retomado a mesma designação.{{esclarecer}}
 
[[Imagem:Tozeur maison ancienne.jpg|left|thumb|Postal antigo do interior da almedina de Tozeur]]
 
A segunda hipótese de Paty de Clam é que o nome tenha origem na [[faraó]] feminina [[Tausert]] {{nwrap|r.|1191|1190 a.C.}} — que significa "a poderosa" em [[Língua egípcia antiga|egípcio antigo]] — que subiu ao trono após a morte do seu marido {{Lknb|Seti|II}}, um faraó da {{Lknb|XIX|dinastia|egípcia}}, neto de {{Lknb|Ramsés|II}} O nome de Tozeur seria uma homenagem prestada por uma colónia [[Cuche|cuchita]] aquela rainha que foi a última representante da sua dinastia. Esta hipótese é corroborada pelo facto da arquitetura de Tozeur ser carcaterizada pelo uso do tijolo em terra seca ao sol e depois cozido, um método também usado no Antigo Egito nas construções urbanas.
 
==História==
[[Imagem:Minaret - Tozeur.jpg|thumb|upright|[[Minarete]] da Grande Mesquita de Tozeur]]
 
A região é povoada desde a [[Pré-história]], que remonta pelo menos à [[cultura capsiana]]{{Ref label2|b}} {{nwrap|ca.|10 000|6 000 a.C.}} do [[Epipaleolítico]], e que, como todo o [[Norte de África]], tem origem [[Berberes|berbebe]], apesar de ser raro encontrem-se vestígios disso e a tradição local não o reivindicar e em vez disso reclamar origem [[Árabes|árabe]] que faz a ligação com o profeta [[Maomé]].
 
 
Durante a [[Idade Média]], a região de Tozeur era chamada "terra de Qastiliya" — nome mencionado pelo [[geógrafo]] árabe [[Abū 'Ubayd 'Abd Allāh al-Bakrī|Al-Bakri]] {{nwrap||1014|1094}} — devido à sucessão de aldeias fortificadas chamadas ''castella'', que contribuem para que ao longo do tempo Tozeur e os seus arredores se tornem um refúgio para diversos dissidentes religiosos ([[Donatismo|donatistas]] cristãos, [[Xiismo|xiitas]] e [[Kharijitas|caridjitas]]). Segundo uma versão mais mitológica do que histórica, o termo Qastiliya é uma alusão a Qustal,{{quem}} filho de [[Sem]] e neto de [[Noé]], que teria fundado a cidade depois do [[Dilúvio (mitologia)|Dilúvio]].
 
[[Imagem:Tozeur AQChebbi.jpg|thumb|left|Memorial ao poeta {{ilc|Abu el Kacem Chebbi||Aboul-Qacem Echebbi|Abu al-Qasim asch-Schabbi}}, natural de Tozeur, no parque do belvedere]]
 
O espírito contestatário dos habitantes, que desenvolve uma forte identidade, leva-os a fomentar a revolta dos {{ilc|nekkaritas||Nakaria}} (um ramo do caridjismo) liderada por [[Abu Yazid]] contra o regime dos [[Fatímidas]] entre 935 e 947. Fundam então dois [[principado]]s independentes do poder central que só seriam dominados pelos [[Háfsidas]].
 
Até ao século XII, Tozeur foi um centro cultural florescente que acolhia numerosos [[teólogo]]s e viu desenvolver-se uma [[tradição oral]] das mais ricas do [[Magrebe]] e uma tradição [[Poesia|poética]] que perdura até ao {{séc|XX}}, nomeadamente através de {{ilc|AbouAbu el Kacem Chebbi||Aboul-Qacem Echebbi|Abu al-Qasim asch-Schabbi}} {{nwrap||1909|1934}}, considerado por alguns o poeta nacional da Tunísia. Entre os eruditos de Tozeur destaca-se, por exemplo, [[Ibn Chabbat]] {{nwrap||1221|1282}}, de nome verdadeiro Abou Abdallah Ibn Ali Ibn Al Chabbat Al Touzri, um homem de letras, [[matemático]], poeta, [[jurista]] (foi [[cádi]] em Tozeur e precetor na {{ilc|Universidade Zitouna||Universidade Ez Zitouna|Al-Zaytuna}}, anexa à {{ilc|mesquita homónima|Mesquita Zitouna|Mesquita Al-Zaytuna}}), mas principalmente [[horticultor]] e [[Hidráulica|engenheiro hidráulico]], que concebeu e realizou importantes trabalhos vanguardistas relacionados com a cultura da palmeira e o melhoramento notável do sistema de repartição de água qua ainda hoje funciona em muitos oásis do sul da Tunísia. O seu projeto do {{séc|XIII}} está exposto no Museu de Artes e Tradições Populares de Tozeur.
 
[[Imagem:Tozeur Avenue Habib Bourguiba.JPG|thumb|Avenida [[Habib Bourguiba]], no centro de Tozeur]]
 
A cidade desenvolve-se fora do seu palmeiral e assiste a um grande progresso económico, atingindo o seu apogeu no {{séc|XIV}}. O historiador [[Ibn Khaldun]] {{nwrap||1332|1406}} relata que ''«todos os dias que Deus faz, cerca de mil [[dromedário]]s saiemsaem da cidade em direção a África e à Ásia.»''
 
Em 1730, o célebre viajante inglês {{ilc|Thomas Shaw|Thomas Shaw (1692-1751)|Thomas Shaw (clérigo e viajante)|Thomas Shaw (viajante)}} {{nwrap||1692|1751}}, esteve na cidade e assinalou a importância do seu comércio e que os mercadores de escravos iam até à [[Etiópia]] comprar escravos ao preço de dois ou três [[Quintal|''quintais'']] tunisinos por cabeça. Tozeur continua a ser um ponto de destino e de passagem para grandes caravanas até ao {{séc|XIX}}, época em que volta apenas para a produção de tâmaras. O conde Paty de Clam, que a visita no fim desse século, descreve Tozeur como o mais vasto, mais importante e o mais belo oásis do {{ilc|Djerid||Jérid|Jerid}}. Alguns viajantes europeu desse tempo vão ao ponto de afirmar que Tozeur era tão grande como [[Argel]].
 
==Cultura e património arquitetónico==
 
[[Imagem:Tozeur 4752.jpg|thumb|Muralha construída com os típicos tijolos de Tozeur, cuja disposição forma relevos com padrões geométricos]]
 
===Arquitetura tradicional===
Uma parte da cidade antiga é construída em característicos [[tijolo]]s de [[argila]] de cor amarelada, atualmente valorizados por motivos turísticos. Os pedreiros decoraram as fachadas com motivos geométricos em relevo feitos com os próprios tijolos e inspirados nos [[Tapeçaria|tapetes]] tradicionais e na [[caligrafia árabe]]. Esses ornamentos têm também uma função prática: as protuberâncias feitas com os tijolos criam zonas de sombra que criam correntes de [[convecção]] que diminuem a temperatura da parede e, consequentemente, ajudam a manter o interior das casas fresco. Esta técnica decorativa foi desenvolvida na [[Síria]] e no [[Iraque]] e foi depois levada para Tozeur pelos invasores árabes no {{séc|VIII}}.<ref name=rg />
==Economia==
===Agricultura===
 
A região de Tozeur continua a viver essencialmente da sua vida "oasiana": a [[agricultura]] é ainda a principal atividade da cidade e metade dos {{formatnum:100000}} habitantes da região dependem desse stor. A organização agrícola, outrora centrada numa utilização razoável da água, permitia uma produção [[Horticultura|hortícola]] e [[Fruticultura|frutícola]] importante no [[palmeira]]l (diversos tipos de [[verduras]], [[acelga]], [[cenoura]], [[banana]], [[tâmara]]s, etc.) que assegurava a autossuficiência da população. Desde o {{séc|XIV}} que o plano de irrigação através das ''[[seguia]]s'' assegurava a repartição da água gratutitamente através de ''gadus'' ([[ampulheta]]s hidraúlicas), cujo nome deriva do {{ling|la}} ''cadus'' ([[clepsidra]]), por sua vez com origem do {{ling|el}} ''kados''.
[[Imagem:Tozeur-palmeraie.jpg|thumb|left|upright|Trabalhos numa [[tamareira]] do oásis]]
 
A região de Tozeur continua a viver essencialmente da sua vida "oasiana": a [[agricultura]] é ainda a principal atividade da cidade e metade dos {{formatnum:100000}} habitantes da região dependem desse storsetor. A organização agrícola, outrora centrada numa utilização razoável da água, permitia uma produção [[Horticultura|hortícola]] e [[Fruticultura|frutícola]] importante no [[palmeira]]l (diversos tipos de [[verduras]], [[acelga]], [[cenoura]], [[banana]], [[tâmara]]s, etc.) que assegurava a autossuficiência da população. Desde o {{séc|XIV}} que o plano de irrigação através das ''[[seguia]]s'' assegurava a repartição da água gratutitamentegratuitamente através de ''gadus'' ([[ampulheta]]s hidraúlicas), cujo nome deriva do {{ling|la}} ''cadus'' ([[clepsidra]]), por sua vez com origem do {{ling|el}} ''kados''.
 
A sobrevivência de tal termo desde a [[Antiguidade]] mostra até que ponto a região de Tozeur foi influenciada pelas culturas mediterrânicas que trouxeram o seus conhecimentos em matéria de agricultura e de técnicas de irrigação relacionadas com o ambiente do oásis. Depois de projetos de irrigação e da fixação dos [[nómadas]] tendo em vista a educação das crianças desde os anos 1990, a agricultura foi fortemente desenvolvida. Foram criados novos oásis e os palmeirais existentes foram desenvolvidos; a área dedicada à cultura de palmeira duplicou em vinte anos, resultando numa renovação do setor agrícola em termos quantitativos, qualitativos e de empregos associados. O trabalho nos palmeirais, sendo no essencial sazonal (manutenção, [[polinização]] artificial, colheita), permite que os operários agrícolas tenham uma segunda ocupação. Contudo, segundo alguns estudiosos, a situação dos agricultores degradou-se significativamente no {{séc|XX}}, pois a água tornou-se "um bem como os outros" ao começar a ser paga e o seu preço de três a cinco cêntimos de [[Dinar tunisiano|dinares]] por [[metro cúbico]] de água para rega semanal, levou muitos agricultores a trabalhar no setor turístico. Já segundo outras fontes, o custo anual da irrigação de 50&nbsp;[[hectare]]s de palmeiral equivale à produção de tâmaras de duas árvores.
 
===Turismo===
[[Imagem:Dar Cherait.jpg|thumb|Fachada do [[museu Dar Cheraït]]]]
No início dos anos 1990, o governo tunisino iniciou o desenvolvimento do turismo saariano. Foram construídos doze hotéis de qualidade, para atrair turistas em pacotes de férias. Em maio de 2008, a região que inclui Tozeur, Nefta e [[Tamerza]] contava com 41 unidades hoteleiras, três delas de cinco estrelas, que em 2007 acolheram {{formatnum:338000}} vistantes. No entanto, segundo alguns observadores, só uma pequena parte dos hotéis pertencem a locais e a maior parte dos lucros do turismo vão para as grandes empresas do norte do país. O setor turístico gera {{formatnum:2500}} empregos diretos e {{formatnum:5000}} indiretos.
 
[[Imagem:Terrain de golf de Tozeur.jpg|thumb|Campo de golfe de Tozeur]]
 
No início dos anos 1990, o governo tunisino iniciou o desenvolvimento do turismo saariano. Foram construídos doze hotéis de qualidade, para atrair turistas em pacotes de férias. Em maio de 2008, a região que inclui Tozeur, Nefta e [[Tamerza]] contava com 41 unidades hoteleiras, três delas de cinco estrelas, que em 2007 acolheram {{formatnum:338000}} vistantesvisitantes. No entanto, segundo alguns observadores, só uma pequena parte dos hotéis pertencem a locais e a maior parte dos lucros do turismo vão para as grandes empresas do norte do país. O setor turístico gera {{formatnum:2500}} empregos diretos e {{formatnum:5000}} indiretos.
 
A duração média das estadias dos turistas continua a ser muito pequena; alguns explicam isso pelo facto de que a maior parte dos visitantes pertencem a excursões organizadas a partir das estações balneares do litoral, enquanto que outros sustentam que a situação se deve à orientação para um turismo de gama alta. O {{ilc|aeroporto internacional de Tozeur-Nefta||Aeroporto Internacional de Tozeur-Nefta|Aeroporto de Tozeur}}, em funcionamento desde 1980 e dedicado a ''[[charter]]s'' teve um movimento anual de {{formatnum:86000}} passageiros em 2007, bastante distante da sua capacidade de {{formatnum:400000}}.
 
Em novembro de 2006 foi inaugurado em pleno deserto um [[campo de golfe]], o ''Golf des Oasis''. Oficialmente, o campo é irrigado com água proveniente da reciclagem das águas residuais dos hotéis, conduzida ao longo de 15&nbsp;km por condutas expressamente construídas para o efeito, em parte instaladas no fundo do [[uádi]]. O campo ocupa terrenos conquistados ao deserto, na margem direita do uádi e não chega a tocar o palmeiral. No entanto, impede o acesso dos operários da fábrica de [[tijolo]]s a uma pedreira de argila situada nos limites do campo, obrigando a que o transporte de argila seja feito por camião. No entanto, segundo alguns observadores, o campo está demasiado próximo do palmeiral e explora a água do [[lençol freático]] para manter a relva verde em pleno deserto, apesar de 90% do consumo de água de Tozeur continue a dever-se à agricultura.
Em novembro de 2006 foi inaugurado em pleno deserto um [[campo de golfe]], o ''Golf des Oasis''.
 
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Na entrada do campo de golfe, situa-se o parque do belvedere de Ras El Aïn (em árabe: رأس العيون; "cabeça das nascentes"), dedicado a {{ilc|Abu el Kacem Chebbi||Aboul-Qacem Echebbi|Abu al-Qasim asch-Schabbi}} {{nwrap||1909|1934}}, um poeta célebre tunisino natural de Tozeur. O parque é também chamado "parque dos amantes" pois tem diversas placas em cerâmica com textos bilingues em árabe e {{ling|fr}} que celebram o amor. O rochedo que constitui o seu centro é, na realidade, uma construção artificial feita e metal e argila.
selon Claude Llena, ce golf touche les abords ...
 
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===Fábrica de tijolo===
[[Imagem:Moulage-Briques-Tozeur.jpg|thumb|left|Fabrico de tijolos tradicionais]]
 
A produção de tijolos tradicionais de Tozeur, que tanto contribui para a particularidade da arquitetura do Djerid em geral e de Tozeur em particular, continua a desempenhar um papel importante na economia local e prevê-se inclusivamente alguma expansão dessa atividade.
 
Os tijolos são fabricados a partir de três componentes: dois terços de argila branca, um terço de argila vermelha e água. A pasta obtida é muito líquida, e por isso são usadas cinzas de palmeira para proteger os tijolos enquanto são secos ao sol. Depois de secos são empilhados em grupos de {{formatnum:10000}} e cozidos em fornos verticais aquecidos com palmeira seca, uma [[energia renovável]] abundante no oásis. A cor do tijolo depende da duração da cozedura, e vai do vermelho ao verde, passando pelo [[Marron|castanho]] e o amarelo-areia, esta última sendo a cor mais comum.
 
O setor ocupa uma vintena de famílias e os planos de desenvolvimento insistem na necessidade de preservar o uso desses tijolos tradicionais, seja por razões estéticas, seja porque permitem economia substancial nos custos de climatização devido às suas propriedades.
 
==Notas e referências==
{{Commonscat}}
</references>
{{refend}}
 
 
{{Esboço-geotn}}
 
[[Categoria:Cidades da Tunísia]]