Favelas na cidade do Rio de Janeiro: diferenças entre revisões

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Segundo dados oficiais do [[Censo brasileiro de 2010|Censo de 2010]], coletados pelo [[Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]] (IBGE), cerca de um quarto ou 22% da população da cidade do [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]] mora em favelas, sendo a capital fluminense o município com com o maior número de moradores favelados, 1.393.314 habitantes, o que significa que a cada 100 cariocas, aproximadamente 22 estão em favelas.<ref>{{citar web |url=http://colunistas.ig.com.br/rio/2011/12/21/rio-e-cidade-com-maior-numero-de-moradores-de-favela-no-pais/ |título=Rio é a cidade com maior número de moradores de favela do País |editor=[[iG]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=22 de dezembro de 2011}}</ref><ref name="Veja">{{citar web |url=http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/mais-de-11-milhoes-de-brasileiros-vivem-em-favelas |título=Mais de 11 milhões de brasileiros vivem em favelas |editor=[[Veja]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=22 de dezembro de 2011}}</ref> Em [[Região Metropolitana do Rio de Janeiro|sua região metropolitana]], 1.702.073 de pessoas moram em "assentamentos subnormais", a definição do governo para classificar as favelas, o que corresponde a 14,4% da população da metrópole.<ref name="Exame">{{citar web |url=http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/sao-paulo-e-metropole-com-mais-moradores-de-favelas-do-brasil-segundo-o-ibge |título=São Paulo é metrópole com mais moradores de favelas do Brasil, segundo o IBGE |editor=[[Exame (Brasil)]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=22 de dezembro de 2011}}</ref>
 
As favelas cariocas possuem aspectos que as diferenciam das do resto do Brasil, com [[Favelas na cidade de São Paulo|as de São Paulo]]. No Rio de Janeiro, esse tipo de assentamento urbano é mais populoso, predominando comunidadesfavelas com mais de mil domicílios, além do surgimento dos chamados "complexos de favelas", que são aglomerados de vários assentamentos subnormais próximos que acabaram por se [[Conurbação|conurbar]], um fenômeno mais raro no restante do país. Outra característica das comunidadesfavelas cariocas é a sua proximidade de [[bairro nobre|áreas nobres]] e centrais, o que cria um forte contraste social.<ref>{{citar web |url=http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rio-de-janeiro-x-sao-paulo-conheca-as-principais-diferencas-das/n1597418137849.html |título=Rio de Janeiro x São Paulo: conheça as principais diferenças das favelas |editor=[[iG]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref>
 
== História ==
Em 1897, cerca de 20 mil soldados que haviam retornado ao Rio de Janeiro após a [[Guerra de Canudos]], na província oriental da [[Bahia]], começaram a morar no já habitado Morro da Providência. Durante o conflito, a tropa governista havia se alojado na região próxima a um morro chamado "Favela", o nome de uma planta resistente da família ''[[Euphorbiaceae]]'', que causava irritação quando entrava em contato com a [[pele humana]] e que era comum na região. A planta era da espécie ''[[Cnidoscolus quercifolius]]'', chamada de árvore "faveleira".<ref name="Sertões">Pedro A. Pinto, ''[[Os Sertões]] de [[Euclides da Cunha]]: Vocabulário e Notas Lexiológicas'', Rio: Francisco Alves, 1930 [http://www.casaeuclidiana.org.br/texto/ler.php?id=907&secao=120]</ref> Por ter abrigado pessoas que haviam lutado naquele conflito, o Morro da Providência recebeu o apelido de "Morro da Favela". O nome tornou-se popular e, a partir da década de 1920, os morros cobertos por barracos e casebres passaram a ser chamados de favelas.<ref name="História"/>
 
No início do século XX, essas comunidadesconstruções irregulares recém-formadas, assim como os antigos cortiços, eram vistas pela maior parte da população carioca como o lar da criminalidade e de doenças. No entanto, como a capital da [[Brasil República|República do Brasil]], que tinha sido recentemente [[Proclamação da República do Brasil|proclamada]], o Rio de Janeiro precisava passar por reformas para se tornar uma cidade mais europeia e moderna para os padrões da época. Foi então que o prefeito [[Francisco Pereira Passos]] passou a realizar amplas reformulações urbanas no [[Centro (bairro do Rio de Janeiro)|centro da cidade]], o que incluía a ampliação e a abertura de novas vias, como a [[Avenida Rio Branco (Rio de Janeiro)|Avenida Central]]. Durante as reformas, vários cortiços foram demolidos e seus moradores obrigados a procurar outras formas de viver no cada vez mais valorizado centro, entre as quais estavam ocupar os morros próximos, o que forçou uma forte expansão das favelas no período. No entanto, os moradores desses assentamentos só passariam a ser reconhecidos pela sociedade e pelo poder público a partir dos anos 1920.<ref name="História"/>
 
[[Ficheiro:Rio de janeiro favela ipanema beach night 2010.JPG|thumb|Vista da favela do [[Vidigal]] à noite.]]
Desde então, começando na era do [[Estado Novo (Brasil)|Estado Novo]], sob o governo de [[Getúlio Vargas]], passando pelo governo de [[Carlos Lacerda]] na [[Guanabara]], até o [[Regime militar no Brasil (1964–1985)|Regime Militar]] nos anos 1960, vários programas de remoção e eliminação de favelas despejaram e desalojaram milhares de pessoas e destruíram vários barracos, sem obter qualquer sucesso na resolução do problema. Estima-se que no período compreendido entre os anos de 1962 e 1974, 80 favelas foram envolvidas nesses programas, resultando em 26.193 barracos destruídos e 139.218 habitantes removidos. No período da ditadura militar, alguns líderes das comunidades de favelas chegaram a ser [[Tortura|torturados]] e mortos.<ref name="História"/>
 
No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, o inchaço populacional, a ausência do [[Estado]] e a consequente falta de políticas públicas, tornaram as favelas os principais centros do [[narcotráfico]] no Rio de Janeiro, o que tornou essas comunidadesáreas ainda mais [[Violência urbana|violentas]]. Foi apenas na década de 1990, quando esses assentamentos já estavam consolidados e as suas populações já eram enormes, que o governo municipal passou a buscar maneiras de [[Urbanização|urbanizar]] as favelas da cidade, ao invés de simplesmente derrubá-las. Nesse período, programas como o Favela-Bairro começaram a trazer algum tipo de infraestrutura aà essas comunidadesáreas, como água encanada, saneamento básico, coleta de lixo, iluminação pública, etc.<ref>{{citar web |url=http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/favelas-cariocas-cidade-morros-435499.shtml |título=Favelas cariocas: A cidade e os morros |editor=[[Aventuras na História]] |data=1 de agosto de 2008 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref> Em 2008, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro passou a implantar o projeto da [[Unidade de Polícia Pacificadora]] (UPP), que consiste em implantar unidades policiais comunitárias em favelas dominadas pelo tráfico de drogas, retomando o controle do território para o Estado. Atualmente, o projeto beneficia cerca de 280 mil pessoas na cidade.<ref>{{citar web |url=http://upprj.com/wp/?page_id=20 |título=CONCEITO UPP: A POLÍCIA DA PAZ |editor=UPP Repórter |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref> Entretanto, denúncias de [[abuso de autoridade]] têm sido feitas contra alguns [[Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro|policiais militares]] que atuam nessas unidades.<ref>{{citar web |url=http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/05/abuso-de-autoridade-em-favela-com-upp-preocupa-pesquisadores.html |título=Abuso de autoridade em favela com UPP preocupa pesquisadores |editor=[[G1]] |data=8 de maio de 2010 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref>
 
[[Ficheiro:Es2006 faveladarocinha.JPG|thumb|centro|800px|Favela da [[Rocinha]], no [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]], a maior do Brasil, com 69.161 habitantes.<ref>{{citar web |url=http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/rocinha-e-a-maior-favela-do-brasil-afirma-ibge-20111221.html |título=Rocinha é a maior favela do Brasil, afirma IBGE |editor=[[R7]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref>]]
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