Diferenças entre edições de "São João Marcos"

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'''São João Marcos''' foi um antigo [[município]] do [[Estados do Brasil|estado]] [[brasil]]eiro do [[Rio de Janeiro]] despovoado e demolido na [[década de 1940]] para a formação de uma represa para a produção de [[energia elétrica]].
 
Atualmente parte de seu território é o 3º distrito do município de [[Rio Claro (Rio de Janeiro)|Rio Claro]], no [[Microrregião do Vale do Paraíba Fluminense|Vale do Paraíba Fluminense]], e a outra parte é o 4º distrito daquele mesmo município, com nome de [[Passa Três]].
 
== História ==
Uma parte da população foi deslocada para municípios vizinhos, como [[Rio Claro (Rio de Janeiro)|Rio Claro]], que fora, até pouco tempo antes, seu distrito; [[Mangaratiba]]; [[Itaguaí]] e [[Piraí]]. Outra parte, constituída por famílias pobres, que não tinham para onde ir e famílias que não acreditavam "nessa tal inundação", ficaram.
 
A inundação teve início. Ae a formação do lago represa avançava rapidamente. Grandes morros transformavam-se em pequenas ilhas., e Plantaçõesplantações e casas desapareciam sob as águas turvas do ribeirãoRibeirão das Lages. Enormes áreas da zona rural do município submergiram. Nesse processo, formaram-se áreas alagadiças às margens da represa, nas quais jazia grande quantidade de restos orgânicos. A falta de cuidados sanitários na retirada destes propiciou a proliferação da [[malária]], tornando-se uma terrível epidemia. Milhares de pessoas sucumbiram em silêncio. A população pedia desesperadamente por auxílio, mas nada foi feito. Durante cerca de duas décadas, os poucos habitantes que resistiram na cidade viveram no mais completo esquecimento.
 
São João Marcos foi reduzida a ponto de, em [[1938]], ser extinto como município, tornando-se um distrito de Rio Claro. No ano seguinte, o núcleo urbano foi tombado pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - SPHAN, classificado oficialmente como "raro exemplo intacto de conjunto de arquitetura colonial", atendendo aos pedidos da população local.
Pouco antes de ser posto abaixo, o centro de São João Marcos tinha, além da igreja Matriz, uma antiga capela, pertencente à irmandade Nossa Senhora do Rosário e dedicada a São Benedito; dois cemitérios, o da Irmandade e o da Caridade, para os pobres; dois clubes, o Marquense, da elite, com futebol e danças e o Prazer das Morenas, mais popular; um teatro, o Tibiriçá; um hospital e uma pensão, além da primeira estrada de rodagem do Brasil, aberta nos tempos áureos do café. Já não circulava mais o jornal local, O Município, fechado em 1932. Um pouco afastadas, uma jazida de manganês inexplorada e uma fonte de água mineral. As demolições começaram numa quinta-Feira santa. Dezenas de trabalhadores munidos de marretas e explosivos expulsavam as últimas famílias e dinamitavam as casas. Os prédios próximos da represa foram demolidos por barcos rebocadores com cabos de aço.
 
O caso mais traumático foi o da igreja Matriz. Sua construção datava de [[1796]], com arquitetura maneirista, típica dos [[jesuíta]]s e barroca; seu interior era todo decorado em ouro. Os operários se recusaram a mexer com o prédio sagrado e a construção era tão sólida que os recursos "normais" de demolição não seriam suficientes. A Light, então, contratou um especialista conhecido como senhor Dudu, de Rio Claro, para dinamitá-la. Segundo uma lenda criada pelo moradores da cidade que eram contra a demolição da igreja por se constituir em um lugar sagrado, o dinamitador, logo depois do serviço, teria ficado corcunda e teria perdido todos os seus bens, terminando seus dias como jardineiro no colégio de freiras de [[Valença]], município distante cerca de sessenta quilômetros de São João Marcos. Porém, segundo familiares, ainda vivos, o Sr.senhor Sebastião Faria tornou-se corcunda devido à posição em que trabalhava, como carpinteiro. Depois da demolição, teria ido trabalhar no colégio citado, mas não como jardineiro e sim como carpinteiro.
 
Apenas o cemitério foi respeitado e parcialmente transferido para o alto de um morro. São João Marcos, finalmente, estava extinta, em ruínas. Era hora de levá-la para o fundo das águas.
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