Diferenças entre edições de "José Teófilo de Jesus"

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===Obra===
 
Teófilo é consensualmente considerado um dos pilares da chamada Escola Baiana de pintura, ao lado de [[Franco Velasco]] e do seu fundador [[José Joaquim da Rocha]], uma escola que pôde absorver as melhores lições internacionais disponíveis em seu tempo e em um contexto ainda cheio de limitações, e com elas fundar um novo vernáculo visual, genuinamente brasileiro. Documentos de meados do século XIX ainda os louvam em conjunto como artistas insignes, dignos de toda a admiração, e Teófilo em particular, foi chamado de "o [[Rafael]] brasileiro" e "o renovador das artes". Além disso, foi um dos últimos grandes continuadores dos princípios do [[barrocoBarroco]] (incluindo-se aqui sua floração final, o [[rococóRococó]]s), que permaneceram tão vivos na cultura brasileira até meados do século XIX, quando o estilo já se tornara um anacronismo na Europa em geral há pelo menos cinquenta anos, suplantado pelo [[Neoclassicismo]] e pelo [[Romantismo]]. Segundo Carlos Ott, Teófilo não chegou a dominar tão bem como seu mestre as regras da composição de perspectiva ilusionística, tão apreciada pelas gerações anteriores para a decoração dos tetos, mas isso não significava que fosse um pintor menor. Simplesmente o seu talento estava em outros gêneros de obra, o painel de cavalete e o retrato.<ref>Campos (2003) vol. I, pp. 38-50; 224-226; 334-335</ref>
[[File:José Teófilo de Jesus - NossaA SenhoraDivina doPastora Carmo e santos carmelitas2.jpg|thumb|250px|''NossaA SenhoraDivina do Carmo e santos carmelitasPastora''. Detalhe do, forro da Igreja da Ordem TerceiraMatriz de Nossa Senhora do Carmo emDivina CachoeiraPastora]]
 
Mas isso também assinalava uma mudança social. Enquanto seu mestre José Joaquim da Rocha ainda pintou tudo para a Igreja e suas irmandades, num tempo em que a religião era a força social dominante, a dedicação de Teófilo ao retrato, gênero profano que antes era pouco cultivado, reflete a laicizaçãotransformação de uma sociedade que em breve deixaria de ser uma colônia dependente, explorada e mergulhada no [[misticismo]] emocional do Barroco, para a partir de 1822 se tornar um Império autônomo recém-fundado, que buscava um lugar na comunidade internacional e também definir a si mesmo sobre outras bases institucionais e filosóficas, passando a prezar mais o [[racionalismo]] e o [[liberalismo]]. Se era um período de transição, durante a maior parte da carreira de Teófilo o Barroco ainda permaneceupermanecia uma referência forte na Bahia quando o Neoclassicismo já se institucionalizava na capital, o [[Rio de Janeiro]], e continuando o Catolicismo mesmo através do Império como religião oficial do país, a Igreja, a instituição mais rica da época, ainda foi o seu maior mecenas, como fora há longos séculos na história das artes coloniais. Em suma, dado o seu contexto, atuando num centro importante que já fora capital colonial mas ora era periférico e por isso provinciano, é natural que sua obra se tenha construído principalmente sobre os fundamentos estilísticos do arraigado Barroco e sido produzida na forma de arte sacra.<ref>Campos (2003) vol. I, pp. 264-270; 282-284; 334-335</ref>
 
Mas isso não quer dizer que tenha se mostrado totalmente insensível às novidades neoclássicas, e desta outra maneria se justifica o elogio que lhe fizeram chamando-o de "o renovador das artes". Se o [[Barroco]] foi excesso visual e ornamentos superabundantes, drama à flor da pele e religião por toda a parte, já o Rococó e ainda mais o Neoclassicismo foi um tempo de despojamento, de uma busca de essências em formas mais leves, composições mais diretas e cores mais claras, e numa sociedade que se laicizava com rapidez e passava a prezar o [[racionalismo]] e o [[liberalismo]]. Sua produção madura reflete um pouco dessa tendência nova, interpretando visualmente o choque entre dois conceitos de mundo e de representação. Serve como exemplo o teto da [[Matriz de Divina Pastora]] em Sergipe - se sua complexa arquitetura ilusionística é filha direta do Barroco italiano, no medalhão central criou uma cena bucólica e singela digna dos [[arcadismo|árcades]]. Também é preciso lembrar que em seu aperfeiçoamento em Portugal o Barroco rigoroso que herdara seu primeiro professor, José Joaquim, foi aligeirado e "modernizado" pelo contato com o Neoclassicismo que começava a se fazer notar por influência francesa, de modo que ele já trazia esses germes de renovação consigo desde a juventude.<ref>Campos (2003) vol. I, pp. 282-334</ref>
Na sua grande produção, destacam-se os tetos da [[Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (Salvador)|Igreja da Ordem Terceira do Carmo]] de Salvador e de Cachoeira, da [[Capela Nossa Senhora da Piedade]], do mosteiro dos Beneditinos de Nossa Senhora da Graça, da [[Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha]], da [[Igreja de Nossa Senhora do Pilar]], da [[Matriz de Itaparica]] e da [[Igreja dos Órfãos de São Joaquim]], além de painéis na [[Igreja de Nossa Senhora da Piedade]], na [[Igreja de Nosso Senhor do Bonfim]], e retábulos na [[Igreja da Ordem Terceira de São Francisco]].<ref>Campos (2003) vol. II, p. 56; 304-305</ref><ref name="Campos"/><ref name="Itaú"/><ref>[http://www.iphan.gov.br/ans.net/tema_consulta.asp?Linha=tc_belas.gif&Cod=1088 ''Capela Nossa Senhora da Piedade e Recolhimento do Bom Jesus dos Perdões'']. Iphan </ref> Algumas de suas obras estão expostas no [[Museu de Arte da Bahia‎]]<ref name="Itaú"/>
 
Na sua grande produção, destacam-se os tetos da [[Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (Salvador)|Igreja da Ordem Terceira do Carmo]] de Salvador e de Cachoeira, da [[Capela Nossa Senhora da Piedade]], da [[Matriz de Divina Pastora]], do mosteiro dos Beneditinos de Nossa Senhora da Graça, da [[Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha]], da [[Igreja de Nossa Senhora do Pilar]], da [[Matriz de Itaparica]] e da [[Igreja dos Órfãos de São Joaquim]], além de painéis na [[Igreja de Nossa Senhora da Piedade]], na [[Igreja de Nosso Senhor do Bonfim]], e retábulos na [[Igreja da Ordem Terceira de São Francisco]].<ref>Campos (2003) vol. II, p. 56; 304-305</ref><ref name="Campos"/><ref name="Itaú"/><ref>[http://www.iphan.gov.br/ans.net/tema_consulta.asp?Linha=tc_belas.gif&Cod=1088 ''Capela Nossa Senhora da Piedade e Recolhimento do Bom Jesus dos Perdões'']. Iphan </ref> Algumas de suas obras estão expostas no [[Museu de Arte da Bahia‎]]<ref name="Itaú"/>
 
{{Referências}}