Diferenças entre edições de "José Teófilo de Jesus"

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[[File:José Teófilo de Jesus - Jesus institui a Eucaristia2.jpg|thumb|250px|''Jesus institui a Eucaristia'', antes na Capela do Santíssimo Sacramento da Antiga Sé, hoje no Museu de Arte Sacra da Bahia]]
[[File:Teofilo-africa-mab.jpg|thumb|250px|''África'', da série de alegorias sobre os quatro continentes. Museu de Arte da Bahia]]
 
'''José Teófilo de Jesus''' ([[Salvador (Bahia)|Bahia]], [[1758]] — [[Salvador (Bahia)|Salvador]], 19 de julho de [[1847]]) foi um [[pintor]] e [[decorador]] [[brasil]]eiro, um dos mais notados representantes da Escola Baiana de [[pintura barroca]]. Sua obra é numerosa e eclética, e se caracteriza por ilustrar a passagem do [[Barroco]] para o [[Rococó]], chegando a esboçar traços [[Neoclassicismo|neoclássicos]], adaptando criativamente uma herança estética importada para um contexto novo, e criando com isso uma linguagem tipicamente brasileira. Levou uma vida simples, da qual pouco se conhece, e fez poucos discípulos. Um bom número das obras que são identificadas com seu nome têm essa atribuição sustentada apenas pela tradição oral. Apesar de já ser reconhecido pelos especialistas como um dos grandes nomes do [[Barroco brasileiro]], e um dos últimos grandes, sua trajetória ainda é cheia de lacunas e imprecisões e precisa de mais estudos especializados, e ainda não se tornou conhecida pelo grande público.
 
===Vida===
Em 1794, patrocinado pelo seu mestre, de quem era o discípulo predileto, viajou para [[Lisboa]] a fim de se aperfeiçoar, recomendado aos cuidados do Capitão Basílio de Oliveira Vale. Na Metrópole estudou na [[Aula Régia de Desenho]], onde foi aluno de [[Pedro Alexandrino de Carvalho]], por quem foi muito influenciado, tendo contato também com a obra do famoso italiano [[Pompeo Batoni]], que trabalhava na [[Basílica da Estrela]], além de provavelmente estudar a produção de outros portugueses e estrangeiros influentes, como [[Vieira Lusitano]] e [[Rubens]], cujas obras eram acessíveis em igrejas e outros edifícios da capital.<ref name="Campos"/><ref>Campos (2003) vol. I, p. 47</ref><ref> Valadares, Clarival do Prado. [http://www.docvirt.com/WI/hotpages/hotpage.aspx?bib=RevIPHAN&pagfis=2966&pesq=&esrc=s&url=http://docvirt.com/docreader.net# "O Ecumenismo na Pintura Religiosa Brasileira dos Setecentos"]. In: ''Revista do Iphan'', nº 17, 1969, p. 194</ref>
 
Voltou a Salvador em 1801, e no ano seguinte seus serviços foram requisitados pela Ordem Terceira de São Francisco. Para ela pintou quatro painéis, ao custo de 80$000rs. Casou em 20 de fevereiro de 1808, com Vicência Rosa de Jesus, preta forra, natural da [[Costa da Mina]]. Trabalhou em uma quantidade de igrejas, deixando importantes obras de douramento de [[talha]] e pintura em tetos e painéis, tornando-se reconhecido como um dos melhores pintores da Bahia.<ref name="Campos"/><ref name="Itaú">[http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=3394&lst_palavras=&cd_idioma=28555&cd_item=3 "Jesus, Teófilo de (1758 - 1847)"]. In: ''Enciclopédia Itaú Cultural''</ref><ref>Campos (2003) vol. I, p. 304</ref> Em 1826 executou uma série de 23 retratos de [[santo]]s, [[beato]]s e eminentes da [[ordem dos Capuchinhos]]. Em 1834 faz douramento e telas para a Igreja do Pilar, e entre 1836 e 1837 criou seis quadros para a sacristia da [[Igreja de Nosso Senhor do Bonfim]], e 14 estações da [[viaVia sacraSacra]] para a Matriz de [[Maroim]].<ref name="Itaú"/>
 
Entre 1839 e 1840 executou 34 painéis para a ornamentação dos corredores da [[Igreja da Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim]], e em 1845 deixa seis painéis para os altares laterais da [[Igreja da Ordem Terceira de São Francisco]].<ref name="Itaú"/> Faleceu depois de cair de um andaime enquanto finalizava o teto da Matriz de Divina Pastora.<ref>Nigra, Clemente Maria da Silva. [http://www.docvirt.com/WI/hotpages/hotpage.aspx?bib=RevIPHAN&pagfis=2966&pesq=&esrc=s&url=http://docvirt.com/docreader.net# "Temas Pastoris na Arte Tradicional Brasileira"]. In: ''Revista do Iphan'', nº 8, 1944, p. 360</ref> Estava quase na penúria. Ao que parece, sempre cobrava pouco pelos seus trabalhos, e nos seus últimos anos faltaram-lhe boas encomendas. Poderia ter mantido um melhor padrão de vida dando aulas, mas parece que isso não o agradava, e só no fim da vida admitiu uns poucos discípulos. Entre eles, [[João Francisco Lopes]] e [[Olímpio Pereira da Mata]].<ref>Campos (2003) vol. II, Maria de Fátima Hanaque. ''A Pintura Religiosa na Bahia, 1790-1850, Vol II''. Tese de Doutorado em Letras. Universidade do Porto, 2003, p. 56</ref><ref>Campos (2003) vol. I, pp. 47-48; 56; 59</ref>
 
===Obra e contexto===